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Pesquisa avalia impacto da contratação de serviços terceirizados em uma empresa de saneamento. O estudo, publicado pela Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional (v.5, mai-ago/2009), revela que existe certo equilíbrio entre os efeitos positivos e negativos da implementação desse sistema.

Os autores Magnus Emmendoerfer e Luiz Cláudio Andrade Silva, da Universidade Federal de Viçosa e Centro Universitário de Belo Horizonte, respectivamente, compararam os resultados dos serviços terceirizados e não terceirizados da companhia de saneamento do estado de Minas Gerais, COPASA, instituição de economia mista, sendo o governo do Estado de Minas Gerais o acionista majoritário:

A empresa foi constituída há cerca de trinca e cinco anos e hoje atua em todo o estado mineiro atendendo a 595 municípios. O processo de terceirização começou no início dos anos 1990, partindo da necessidade de atender a crescente demanda de serviços da região. Os contratos foram fechados para as manutenções em redes de água e redes de esgoto.

Na época, não houve a formulação estratégica ou critérios definidos para a terceirização. No final dos anos 1990, a COPASA contratou a consultoria Coopers&Lybrand, para ajudá-la a reestruturar o sistema de terceirização. Em 2003, a diretoria da companhia decidiu que os serviços estratégicos não seriam terceirizados, entre eles, o tratamento de água, análise de água e diagnósticos de sistemas.

Os pesquisadores constataram no município de Ipatinga (uma das cidades analisadas) que os serviços terceirizados são produtivos, entretanto têm como deficiência retrabalhos frequentes em razão do pouco comprometimento das empresas contratadas. A atenção com a qualidade do trabalho terceirizado acabou se tornando um fator obrigatório para a COPASA, uma vez que o retrabalho gera custos adicionais colocando em risco a terceirização.

Mesmo assim, a empresa mantém altos índices de terceirização dos serviços operacionais, em especial de esgotamento. Em Belo Horizonte, 100% dos serviços operacionais são terceirizados.

Os pesquisadores entrevistaram os gerentes das unidades operacionais e engenheiros de operação e manutenção para saber o grau de motivação dos empregados. A resposta foi unânime: o nível de satisfação se manteve o mesmo de antes do processo de terceirização. “Isto vem confirmar a política de empregabilidade adotada pela empresa, ressaltando-se que a Empresa tenha iniciado o processo de terceirização por necessidade de mão-de-obra”, completam.

Ou seja, aqui não é possível concluir se o sistema de terceirização melhora ou piora a vida do trabalhador, pois no caso da companhia analisada, os funcionários já contratados pela instituição não foram desligados e recontratados, como ocorre em muitos casos quando grandes empresas partem para terceirizar seus serviços.

Em relação aos custos, notou-se divergência de opiniões entre os entrevistados das unidades de Belo Horizonte e de Ipatinga. Ou seja, não souberam identificar se a terceirização de trabalhos reduziu os gastos financeiros da companhia. Por outro lado, em ambas as cidades houve consenso entre os entrevistados de transferência de know-how da empresa para os parceiros. E, também, “divergência de opiniões em relação às consequências que poderiam gerar para a organização”, apontam.

Parte dos entrevistados considerou positiva a terceirização, como sendo oportunidade de aprimoramento de mão-de-obra no mercado, e parte considerou uma ameaça dos serviços podendo resultar na privatização futura da companhia.

A satisfação de clientes foi avaliada com base numa pesquisa realizada pela COPASA, em 2003, sobre os serviços de manutenção da rua, cumprimento de prazos e respostas às reclamações e simpatia dos funcionários da empresa, que alcançaram, respectivamente, 75,6%, 72,1% e 85,8% dos níveis de aceitação dos contribuintes.

Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui.

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