Autor: 

Nos próximos anos, a gestão do tráfego de dados será o maior desafio para as empresas que prestam serviços de internet, revelou o presidente do Grupo Telefônica/Vivo no Brasil, Antônio Carlos Valente, durante a apresentação do Brasilianas.org, programa realizado na última segunda-feira (12), no canal da TV Brasil.

Em dois anos o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) foi responsável por 35% dos novos usuários de internet fixa, segundo Ministério das Comunicações. Mas ainda há muito a ser feito, a começar pela qualidade dos serviços prestados pelas operadoras. Desde o dia primeiro de novembro está valendo a normativa publicada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que obriga as operadoras a garantirem 20% da velocidade instantânea contratada pelo usuário, até então a média ofertada era de apenas 10%.

Acompanhe a seguir os principais dados abordados no programa Brasilianas.org - A Banda Larga no Brasil.

Através do Plano Nacional de Banda Larga/PNBL, oficializado em maio de 2010, o governo federal pretende concretizar o acesso universal à internet de alta velocidade. A meta inicial era levar internet fixa (banda larga) a 40 milhões de domicílios até 2015.

Segundo Ministério das Comunicações, em dois anos de implementação do PNBL, o número de acessos à internet triplicou, passando de 27 milhões para 70 milhões, considerando acessos fixos e móveis. Além disso, cerca de 35% dos novos clientes de internet fixa no país estão dentro do eixo de Banda Larga Popular promovido pelo PNBL, com velocidade de 1 Mb pelo valor de 35 reais.

O programa Brasilianas.org, realizado na última segunda-feira (12), no canal da TV Brasil, convidou três especialistas no assunto para debater os desafios da universalização da internet no país. O diretor de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Arthur Coimbra, destacou que, para a União Internacional de Telecomunicações/UIT, agência da ONU, o Brasil é um dos países que mais evoluíram na expansão dos serviços de internet (banda larga, fixa e móvel).

O mais recente estudo produzido por essa agência, “Medindo a Sociedade da Informação”, revelou que, em um ano, o país saltou da 67ª para a 60ª colocação, num ranking de 155 países. Por outro lado, o Brasil é o quarto entre as nações onde as operadoras mais faturam.

Coimbra destacou que a evolução no número de acessos foi possível porque o Brasil conseguiu realizar a maior redução de preços verificados entre todos os países do ranking. “A queda foi de 46%, de 2010 a 2012. Isso, consequentemente se refletiu no aumento de pessoas atendidas. Dados do IBGE também apontam que mais de seis milhões e meio de domicílios passaram a acessar a internet em 2011, em relação a 2010”, completou.

Dentro do PNBL

As parcerias feitas pela Telebrás, empresa do governo federal, foram responsáveis por mais de 1,2 milhão de pessoas atendidas nos últimos dois anos. Segundo Coimbra, somando as parcerias que estão sendo fechadas com mais empresas privadas, a quantidade de atendimentos via banda larga deverá saltar para 2 milhões.

A Telebrás atua em duas frentes no âmbito do PNBL. A primeira, como administradora de rede de fibra óptica pública, da Petrobras e Eletronorte, e a segunda atuando no mercado de forma neutra, realizando parcerias locais com empresas que atendem diretamente o usuário. A meta da Telebrás é alcançar 4.200 cidades, até 2014. Atualmente 1.328 municípios já ofertam internet nos moldes do PNBL.

O custo da internet no país

O presidente do Grupo Telefônica/Vivo no Brasil, Antônio Carlos Valente, destacou que a companhia trabalha hoje com dois planos de banda larga em massa, atendendo ao todo 300 mil usuários. Um é do próprio governo federal, no âmbito do PNBL, e o outro é do governo do estado de São Paulo, que oferece a mesma velocidade ofertada pelo PNBL, de 1Mb, à 29 reais e oitenta centavos, descontando os impostos das concessionárias de telefonia.

“A maioria dos usuários desconhece que entre 45% e 40% da sua conta é composta por impostos e taxas federais e estaduais. Esse alto nível de taxas e impostos é observado tanto no consumo quanto na construção de redes e infraestrutura para a expansão do acesso a internet”, criticou. Logo, defende a desoneração de encargos e tributos como uma política pública eficiente para a universalização da internet.

Mas, para Coimbra, desafios para a instalação de infraestrutura vão além de eliminar taxas e impostos. Ele lembrou que os processos de licenciamento municipais para a instalação de uma antena demoram, em média, um ano. Dessa forma, a expansão da internet fixa esbarra na complexidade do setor de telecomunicações que envolve provedores privados, com seus modelos de negócio, e os objetivos dos agentes públicos.

Para o diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), e também representante do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), Demi Getschko, a tendência é que os grandes centros sejam atendidos com todo o tipo de infraestrutura de internet, seja móvel ou fixa. Já, no interior do país, a universalização deverá ser concluída a partir das tecnologias de radiofrequência. Além do trabalho de expansão das redes de fibra ópticas e as políticas voltadas para viabilizar o acesso à internet móvel, o Ministério das Comunicações trabalha, junto ao Ministério da Defesa, na construção de um satélite nacional, isso porque porque os satélites que o país possuía foram privatizados junto com a Telebrás, em 1998.

Qualidade do serviço prestado

Existem muitas críticas com relação aos pacotes populares que oferecem a velocidade de 1 Mb por 35 reais. Mas para Getschko, isso já é um avanço no Brasil. “A internet não precisa, necessariamente, ter alta qualidade para downloads. Isso porque a tendência é que a população passe a acessá-la, cada vez mais, via celular e outras modalidades móveis”, explicou. Para ele, o mais importante é que a conexão seja estável.

O grande desafio, em relação ao serviço de internet no país diz respeito à velocidade instantânea contratada pelo usuário. Desde o dia primeiro de Novembro, as operadoras passaram a ser obrigadas, pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a garantir a velocidade mínima de 20%, até então o nível ofertado médio era de apenas 10%. As companhias também devem oferecer um Plano de Medição de Qualidade da Banda Larga fornecendo equipamentos a voluntários, em diversas regiões do país, para medirem a velocidade continuamente.

No site do Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações (Ceptro.br) é possível baixar um  aplicativo, gratuitamente, para acompanhar a qualidade da sua banda larga fixa (clique aqui).

Tráfego de dados

Valente destacou que o setor de comunicações tem vivido profundas transformações originadas da evolução tecnológica. “Produtos como os tabletes, hoje tão comuns, praticamente não existiam há três anos. Portanto temos que sempre imaginar soluções possíveis para a implementação de modelos de negócio que vão se sustentar a partir desses novos produtos”.

A frase de ordem no setor é a 'convergência de mídias', ou seja, agora, em um único canal, como o celular ou o tablete, as empresas terão que oferecer vários serviços, desde o tradicional de voz, até a troca de dados e acesso a redes sociais ou a televisão paga. Antes as empresas de telefonia tinham como principal fonte de arrecadação as ligações, em especial de longa distância, agora, com o advento da internet sua universalização os custos da troca de dados de longa distância caíram drasticamente.

“O desafio é trabalhar de forma mais eficiente, conseguir os melhores projetos e operações menos onerosas para vencer nessa situação”, pontuou. Valente, revelou, no entanto, que o crescimento do tráfego de dados é a grande preocupação do setor. “Recentemente, nas Olimpíadas de Londres, as redes não suportaram o aumento da demanda por conta da quantidade de vídeos e fotografias envidadas”, lembrou. Nesse ponto entra o papel dos agentes públicos, diretamente responsáveis pelos processos de licenciamento de instalação de antenas e outras operações em vias públicas necessárias para a expansão de infraestrutura.

O Brasilianas.org desta segunda-feira (19) irá abordar a O Negro no Brasil. Acompanhe o debate que será mediado pelo apresentador Luis Nassif, às 20h, no canal da TV Brasil.

Tags: 
Tags: 
Tags: 
Nenhum voto

Postar novo Comentário

CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.