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Organizações se reúnem para investigar crimes da ditadura contra população indígena

Tribos indígenas inteiras foram dizimadas durante a Ditadura Militar no Brasil. Casos como o massacre de duas tribos Pataxó na Bahia, pelo então coordenador do Serviço de Proteção ao Índio, Major da Aeronáutica Luiz Vinhas Neves, por inoculação do vírus da varíola, ou dos Cinta-Larga, no Mato Grosso, mortos a dinamites e metralhadoras, devem voltar a tona com o auxílio de grupos organizados da sociedade civil que solicitaram, recentemente, à Comissão Nacional da Verdade que investigue crimes cometidos contra populações indígenas, entre 1948 e 1988, a mando do Estado.

Segundo Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, documentos oficiais do Congresso Nacional apontam que em 1963 existiam no país algo em torno de 300 mil índios. Em 1968 essa população cai drasticamente para 80 mil. Os indícios da forma como se deu o desaparecimento de 220 mil pessoas estão em documentos de discursos de deputados reunidos pelas entidades Associação Juízes para a Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Grupo Tortura Nunca Mais e o site Armazém Memória.

Zelic destaca que as organizações possuem em mãos mais de mil discursos de deputados, mapeados. O segundo passo será construir uma ferramenta online que, inicialmente, será compartilhada com faculdades e centros de pesquisa para serem analisadas e catalogadas.

A apresentação da proposta “Povos Indígenas e Ditadura Militar: Subsídios à Comissão Nacional da Verdade 1946-1988” foi realizada pela primeira vez na Tribuna Popular da Ditadura, condizida no XXXI Encontro Nacional dos Estudantes de História, no dia 16 de julho, Unifesp, em São Paulo.

 

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4 comentários
imagem de Anônimo

O nome disso é genocídio.

Se haviam 300 mil antes do golpe de Estado, e 80 mil quatro anos depois, é evidente que alguma tragédia provocou uma mortandade massiva, ceifando quase 75% da população indígena.

Esse decréscimo demográfico é comparável ao extermínio de judeus sob os nazistas, pelo tempo e pelo efeito sobre a população.

É claro que é preciso mais pesquisas, para determinar os métodos e a "contabilidade macabra" deste genocídio indígena com uma maior precisão.

No entanto, esses depoimentos são coerentes entre si e com os documentos históricos, e podemos incluir os genocídios indígenas na lista de crimes da ditadura terrorista instaurada pelo golpe de 1o de abril de 1964.

O regime começou no dia da mentira, mas o sofrimento provocado pela repressão política, classista e étnica foi muito real. Assim como o arrocho salarial.

 
imagem de cynthiamorais

Viveremos para ver justiça neste país ou se trata de uma utopia? Mesmo depois de um presidente operário a agora uma presidenta que foi torturada por estes canalhas ainda tem-se que implorar por justiça? Como pode existir um juiz como Gilmar Mendes, um verdadeiro coronel? Este país é muito injusto. Agora acabaram de relançar o famoso livro de Vitor Nunes Leal Coronelismo enxada e voto. O livro tem mais de 50 anos e vemos as oligarquias no poder com seus desmandos horríveis. Viverei para ver o livro de Leal ser estudado não como realidade mas como passado?

 
imagem de Antonio Augusto da Costa Carvalho

Não sou a favor de nenhum massacre de qualquer etnia em qualquer época e lugar.

Temos que convir que massacramos os indígenas do Brasil desde a nossa “descoberta” ocupação, e estamos massacrando ainda hoje.

Essa batalha contra os militares é muito restrita, pois se refere apenas a 20 anos dos 500 e poucos da nossa história.

 
imagem de Punk Canibal

Durante todo esse período de mais de 500 anos de Brasil deve ter rolado muita tortura e assassinato político, também. Só por isso devemos minorar o que aconteceu durante a ditadura militar?

 

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