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Após um período de estagnação, a indústria naval brasileira experimentou na última década um movimento de retomada de investimentos que refletiu tanto na expansão e modernização da capacidade produtiva quanto no aumento da produção de embarcações.

De acordo com dados do Plano de Negócios e Gestão da Petrobras 2014-2018, está previsto que o país atinja a meta de 4,2 milhões de barris de óleo por dia em 2020. Essa meta será alcançada com a entrada em operação de 38 plataformas, 28 sondas de perfuração, 88 navios petroleiros e 146 barcos de apoio. A contratação destas embarcações em estaleiros nacionais corresponde a um total de US$ 100 bilhões direcionados para a indústria naval e sua respectiva cadeia de suprimento.

Segundo o coordenador executivo do Prominp, Paulo Alonso, a indústria naval está passando por um processo de retomada da competitividade devido à revitalização que vem ocorrendo desde 2003, originada pelas encomendas da Petrobras. No entanto, para que os estaleiros nacionais tenham capacidade de manter uma carteira de encomendas constante e sustentável no longo prazo, é necessário buscar fornecimentos também para o mercado exterior, visando ao aumento da escala de produção, o que diminui os custos unitários e aumenta a competitividade.

"Esse processo, gradual e progressivo, passa pela implantação de tecnologias de gestão de planejamento e engenharia industrial, na formação de profissionais, na aceleração da curva de aprendizado dos estaleiros e no fortalecimento da indústria de navipeças, de forma a garantir o atendimento expressivo ao mercado nacional e internacional, a preços, prazos e qualidade competitivos." afirma Alonso.

Segundo o presidente da Abenav, Augusto Mendonça, desde 2008 com o advento do pré-sal o movimento do setor praticamente triplicou devido a expressividade das reservas. “Isso foi um fundamento determinante para o crescimento. A indústria naval hoje já é muito maior do que foi na década de 60, atualmente temos aproximadamente 80 mil trabalhadores dentro dos estaleiros e esse número deve chegar a 100 mil nos próximos dois anos.”

Para o professor de engenharia da Coppe/UFRJ, Floriano Carlos Martins Pires Junior, o principal desafio do setor é o desempenho na melhoria de produtividade, o país passou por uma fase de expansão nos últimos anos e diversos estaleiros novos foram construídos. Floriano faz críticas as políticas tecnológicas e de recursos humanos que não acompanharam a expansão, tanto no ponto de vista do volume quanto no ponto da estratégia. “Ao longo do tempo não houve uma política de investimentos concentrados nos gargalos tecnológicos desse setor, isso foi um entrave. Nos já poderíamos ter avançado mais nesses 10 anos.”

O professor diz ainda que as projeções otimistas para os próximos anos no setor precisam ser analisadas com cautela. "Algumas análises dizem que o Brasil cresceu e agora ocupa o segundo ou terceiro, quarto lugar, mas não é verdade. Existe ainda uma longa estrada pra caminhar e para alcançar as indústrias e os outros países no mercado mundial, como os orientais, por exemplo”.  Floriano conta que os asiáticos são uma referencia, quase 90% da produção mundial de navios esta no continente: Coréia do Sul, China e Japão. Apesar de serem navios de apoio ainda assim é um limite de concentração muito grande.

O coordenador executivo do Prominp, Paulo Alonso conclui dizendo que a criação do programa, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, com participação das operadoras, associações de classe e organizações da indústria, bancos de fomento e universidades, proporcionou aos diversos atores envolvidos, um fórum permanente de discussão para desenvolvimento de projetos estruturados, para mitigar ou resolver questões que impactam a competitividade do setor. "A importância do Prominp para o renascimento da indústria de construção naval e offshore, se traduz na capacidade de mobilização e engajamento para o Brasil crescer de forma competitiva e sustentável".

 

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No dia 14 de agosto, em São Paulo, o Brasilians.org realizará seu 48º Fórum de Debates, desta vez discutindo os desafios da Indústria Naval. 

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