Cortiços: o mercado habitacional de exploração da pobreza

Por Demarchi

Cortiços: o mercado habitacional de exploração da pobreza

Por Luiz Kohara, na Carta Maior

Parece inacreditável a constatação de que os problemas que existiam nos cortiços no início do século 20, conforme estudos e jornais da época, sejam os mesmos dos dias de hoje, como a grande concentração de pessoas em pequenos espaços; um único cômodo como moradia; ambientes com falta de ventilação e iluminação; uso de banheiros coletivos; instalações de esgotos danificados; falta de privacidade; e o fato de comporem um mercado de locação habitacional de alta lucratividade. O artigo é de Luiz Kohara.

A habitação constitui um dos mais graves problemas sociais da cidade de São Paulo. Dentre os inúmeros fatores explicativos estão os baixos salários dos trabalhadores, o alto custo da terra urbanizada e a insuficiência de políticas públicas destinadas às favelas, aos loteamentos precários e, particularmente, aos cortiços. Consequentemente, as condições precárias de moradia têm reflexos perversos na vida das pessoas, pois a habitação é uma das bases fundamentais da estruturação da vida.

A realidade dos cortiços é bastante complexa não apenas por causa do conjunto de situações precárias vividas por seus moradores – basicamente, espaços reduzidos e falta de qualidade de vida –, mas também pelas condições exploratórias dos valores dos aluguéis no acesso a essas moradias.

Parece inacreditável a constatação de que os problemas que existiam nos cortiços no início do século 20, conforme estudos e jornais da época, sejam os mesmos dos dias de hoje. Dentre eles, destacam-se a grande concentração de pessoas em pequenos espaços; um único cômodo como moradia; ambientes com falta de ventilação e iluminação; uso de banheiros coletivos; instalações de esgotos danificados; falta de privacidade; e o fato de comporem um mercado de locação habitacional de alta lucratividade.

Além desses aspectos, os cortiços mantêm as características de estarem, predominantemente, localizados nos bairros centrais da cidade, apresentarem diversas situações de ilegalidades e os seus moradores terem salários insuficientes para acessarem moradias adequadas. Os cortiços, diferentemente das favelas e de outras moradias precárias, quase não são visíveis na paisagem urbana, porque, em geral, são edificações que foram utilizadas como moradias unifamiliares, mas que atualmente abrigam dezenas de famílias. Logicamente, tornam-se visíveis sempre quando há interesse do capital imobiliário na região onde os cortiços estão instalados, porque seus moradores são os primeiros a serem expulsos. Nos últimos 20 anos, somente o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos acompanhou mais de 200 despejos coletivos de cortiços localizados nos distritos centrais.

Num estudo de 1998 [1] sobre o rendimento obtido nas locações e sublocações de cortiços localizados no bairro da Luz (aqui delimitado pela avenida Tiradentes, rua Mauá e avenida do Estado), pôde-se verificar a grande exploração que se dá no mercado de locação de cortiços, confirmando informações de outras pesquisas que demonstravam que paga-se caro para morar muito mal. Nesse perímetro, foram encontrados 92 imóveis utilizados como cortiços, onde residiam 765 famílias, com o valor médio de locação de R$ 13,2 por m2, valor que representava mais que o dobro que o de moradias unifamiliares com boas condições de habitabilidade localizadas no Centro.

Foi verificado que enquanto no mercado formal o valor mensal do aluguel representava cerca de 0,8% do valor do imóvel, nos cortiços pesquisados o explorador chegava a arrecadar mensalmente até 3,25% do valor do imóvel. O mais grave é que o percentual do rendimento crescia quanto maior fosse a precariedade do cortiço.

Em 2012, passados 14 anos, nova pesquisa [2] na mesma área com os 92 cortiços pesquisados em 1998 verificou que 44 imóveis (48%) deixaram de ser utilizados como cortiços e 48 imóveis (52%) mantiveram esse uso. Além desses, mais 56 imóveis passaram a ser utilizados como cortiços, totalizando 104 cortiços na área, um aumento de 13% em relação a 1998. Verificou-se também um maior adensamento: o número de famílias passou de 765 para 995, um crescimento de 30%. Esse resultado pode ser indicativo de um dos motivos que justifica o crescimento positivo dos distritos centrais, conforme o Censo IBGE 2010, que desde a década de 1980 vinham apresentando taxa negativa de crescimento.

Outros aspectos bastante relevantes encontrados na pesquisa atual são: crescimento da escolarização dos moradores, grande número de famílias de origens paraguaia e boliviana e altos valores cobrados na locação das moradias. É interessante observar que, por causa da irregularidade da documentação dos estrangeiros, o valor da locação é maior para os bolivianos e mais alto ainda para os paraguaios; algumas famílias estrangeiras pagam R$ 700 por pequenos cubículos. Se levarmos em conta o metro quadrado, concluímos que o valor da locação de moradia em cortiços, que em média possuem 12 m², continua sendo o mais alto da cidade de São Paulo.

Vale destacar um aspecto relevante apontado pela pesquisa de 2009 [3]: os resultados escolares apontaram que as crianças moradoras em cortiços possuíam quatro vezes mais chances de serem reprovadas quando comparadas com outros alunos da mesma série. A falta de espaço para dormir adequadamente, a insalubridade das moradias sem janelas, a rotatividade habitacional e a porta de entrada sempre aberta atingem diretamente o desempenho escolar das crianças. Ficou evidente que as condições precárias da moradia eram fatores de limitação para os estudos e geradoras de discriminação e segregação social e, consequentemente, de evasão escolar.

Um aspecto fundamental a ser apontado é que os trabalhadores de baixa renda tornam-se reféns dos exploradores de cortiços na medida em que buscam locais mais favoráveis ao trabalho ou próximos dos benefícios produzidos pela cidade.

Por outro lado, os moradores de cortiços tornaram-se importantes atores sociais quando formaram movimentos para reivindicar o direito à moradia digna no centro da cidade e, principalmente, quando utilizaram a estratégia de ocupar edifícios vazios. Isso porque denunciam a falta de política de habitação de interesse social para as áreas centrais da cidade e expõem as contradições do setor imobiliário, que deixa os imóveis abandonados sem função social aguardando valorização.

Apesar da luta e mobilização empreendidas nos últimos 20 anos, pode-se afirmar que as inúmeras expressões da precariedade das moradias, o comprometimento de grande parcela da renda e a segregação social que sofrem seus moradores são fatores que fazem com que os cortiços sejam um fator para reprodução da pobreza e ampliação da desigualdade social.

[1] KOHARA, Luiz Tokuzi. Rendimentos obtidos na locação e sublocação de cortiços: estudo de casos na área central da cidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. São Paulo: EP USP, 1999.

[2] Pesquisa de Pós-Doutorado FAU/FAPESP de Luiz T. Kohara (em andamento).

[3] KOHARA, Luiz Tokuzi. Relação entre as condições da moradia e o desempenho escolar: estudo com crianças residentes em cortiços. Tese de doutorado. São Paulo: FAU-USP, 2009.

(*) Luiz Kohara é membro do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, engenheiro-urbanista e pós-doutorando FAU/FAPESP.


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19 comentários
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Flavio Martinho

O interessante é que as condições dos cortiços são as mais das vezes piores do que as existentes nas piores cadeias do país mas NUNCA ninguem, nem mesmo essas ongs - fajutas ou não - ou órgãos criados para que se cuide dos Direitos Humanso, NUNCA se precuparam com isso. E aí é onde são gerados os ovos das serpentes da violencia de nossos cidades.

 
 
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thaliana piovezana

As favelas e cortiços  no Brasil são consideradas como uma consequência da má distribuição de renda e do déficit habitacional no país . Existem milhões de famílias que não possuem condições habitacionais adequadas,e nas grandes e médias cidades é muito comum  encontrarmos também pessoas morando nas ruas, embaixo de viadutos e pontes. Nestes locais, as pessoas possuem uma condição inadequada de vida, passando por muitas dificuldades.  O Brasil é um dos países  mais desiguais do mundo, com 10% da sua população ganhando 50% da renda nacional e com cerca de 8,5% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, segundo dados do governo.



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Francisco Ernesto Guerra

Estes estudos que volta e meia aparecem pecam por não sugerir soluções.

Não que não retratem a realidade, mas se dedicam a apontar os efeitos, sem entrar nas causas e, que quando entram, o fazem de maneira superficial. Observem que o autor do estudo refere a outro de tempos atrás e constata que nada mudou.

Isto me remete aos tempos da faculdade de direito. Professores diziam, jocosamente, que o Brasil está muito bem provido de leis, faltando apenas uma "leizinha" muito simples e com apenas um artigo: Que se cumpram todas demais leis.

Este  dispositivo legal, da piada dos professores, se aplica perfeitamente ao caso das habitações do tipo cortiço (e inclua aí também as favelas). Há o resguardo justo do direito da população na constituição nas leis ordinárias (federais), nas leis estaduais, inclusive naqueles decorrentes da criação de "regiões metropolitanas" e nas municipais. Apenas não são cumpridas. Simples assim.

Tenho que fazer uma observação. A lei federal (incluida a constituição) trata do assunto de maneira genérica, mais voltada para os direitos, digamos humano. A constituição cidadã do grande e esquecido Ulysses Guimarães, aquele que enfrentou os cães da ditadura e invocou Fernando Pessoa ao dizer "navegar é preciso..." preencheu a lacuna ao garantir constitucionalmente os direitos humanos. Mas falhamos nós, ao não regulamentar estes direitos.

Esclareça-se, quem tem a prerrogativa legal de legislar sobre o parcelamento (desdobro, desmembramento e loteamento), bem como sobre a permissão ou não de edificação e suas taxas de ocupação do solo, zoneamento de permissões de edificação é o estado municipal. Assim, dirijam seus impropérios aos alcaides. Aqui, nestas plagas, o governo estadual é omisso e o municipal (SP) comprometido com especuladores e bandidos, sob os desígneos sagrados de São Aref, recém orfão.

De que adianta, o governo federal disponibilizar uma montanha de dinheiro, se os governos municipal e o estadual não aproveitam (não apresentam projetos) para utilizá-la? Qualquer cidadão pode consultar os sites da CEF, ou do município e verificar quantas habitações foram PLEITEADAS para seu município pelo prefeito. Kassab e o geraldinho da ôpus dei, ignoraram olimpicamente a oferta de dinheiro (quem, senão estes fundamentalistas, recusariam dinheiro?).

Como já escrevi anteriormente aqui, sou profissional do ramo imobiliário, por vocação e com muita satisfação pessoal, há longos 33 anos. Criticar os estudos de outros e abster-me de apresentar sugestões e constações, não faz parte da minha atuação. Então...:

1. Dinheiro do governo federal há e de sobra. Apenas não sejam egocentricos e considerem que há mais de sete mil municípios no Brasil, além das capitais.

2. Escolha prefeito que tenha visão do conjunto e não apenas dos "jardins" (todas as cidades tem seus jardins e fundão das zona sul e leste de SP).

3. Não tentem, através de seus eleitos, revogarem a lei da oferta e da procura (como singelamente supõe o autor do estudo acima). O tempo passará, todos iremos nos juntar aos nossos entes queridos mais apressados e a lei da oferta e da procura estará por aí, ainda.

4. Não há mágica. Cada passo de uma vez (portanto não vote 16 e nem no PSol, menos ainda em Serra, no Falsão do Russomano, que não é russo e menos ainda "mano"). Vote em quem confie e que já deu demonstração de seus projetos e ações.

5. exija de seu prefeito que crie zonas especiais de ocupação do solo. No caso de SP, toda a região no entorno do centro velho, dos rios tietê e Tamanduateí e no entorno das linhas de trem. O raiocínio vale para outras cidades com circunstância de ocupção parecidas.

6. Não se iludam. O sujeito (e família) prefere morar mal, nos cortiços e favelas e estar perto do trabalho (economiza tempo e dinheiro do transporte), do que morar num "AP" de 32 m2 em sucupira da serra, levando quatro horas de trem, ônibus e ou metrõ, para chegar ao trabalho e retornar para casa. O sujeito pode ser simples, sem estudo, gostar de uma caninha, mas não o chame de burro, que ele não é.

7. E, quem de nós, sabe com quem está a propriedade das regiões margeando as ferrovias (privatizadas pelo pai do Thomás e o marido da chilena?) Em outras palavras, quantos conjuntos habitacionais caberiam neste monumental (e absurdamente valorizado) espaço? Quantos conjuntos caberiam nos CT's do Palmeiras e do SP, na Lapa de baixo-SP? E nas regiões desutilizadas da Vila Prudente próxima da Av. do Estado? Espaço, caro colega, há de baciada, como dizem os mais jovens.

8. Há uma infinidade de sugestões, que poderiam ser estudadas e pesadas e, eventualmente, implementadas. Basta a vontade do poder público.

Meu propósito é fazer ver que solução de espaço existe. Dinheiro existe (do governo federal) especulação existe (São Aref, geraldinho da ôpus dei, kassab). Não culpe os políticos. Culpe a sí mesmo.

 

 
 
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maria olimpia

Francisco,

Perfeito, você disse TUDO.

 

Maria Olimpia

 
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Fuhgeddaboudit™

Algumas de suas colocações são risíveis, "pelo total e esperado senso de corporativismo, comum ao segmento, com relação à Especulação com Terrenos". Assim, "prefiro não comentar". Porém, lembrei-me, já se vão dois anos e uma resposta não veio. Pelo visto CRECI/SECOVI/SINDUSCON/SRF-MF, andam de "namoricos libidinosos". Como a sonegação de impostos e a corrupção, conseguiram levar o Brasil ao "honroso" 4º Posto na lista dos "maiores lavadores de dinheiro do mundo", com o módico valor de US$ 520,000,000,000.00 em depósito nos Paraísos ou "girando na ciranda", lembrei-me daquelas Corretoras de Imóveis que sentem certa dificuldade em achar um papel com a Logomarca e o CNPJ, para emitir Recibos de Corretagem (a comissão de 6% cobrada dos vendedores de imóveis, em especial sobre os antigos). Lembro que sugeri ao SECOVI, que informou que em 2009  (S.E.O.) foram vendidos 154.000 imóveis antigos em São Paulo, que abrisse um pouco mais a informação e divulgasse o total recebido de Comissão, para que esses valores fossem confrontados com o consolidado declarado pelo setor a SRF/MF, de forma a dar maior transparência a informação. O senhor sabe se isto foi feito?

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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maria olimpia

Não me diga que agora você quer culpar o corretor..........

 

Maria Olimpia

 
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leonidas

Enquanto o governo ( federal, Estadual, e muncipal ) achar que da para ganhar dinheiro com casa propria isso nao tera fim


Casa propria para pessoas de baixa renda é o minimo que qualquer governo poderia fazer pelo povo


Dinheiro existe , negar isso é ignorancia ou má fé.


Vejam os 30 bilhoes ( 30 bilhoes !!! ) que o governo federal quer gastar ( de qualquer jeito ou maneira ) para fazer um trem bala sobre o qual pesa inumeras ressalvas...


Se houvesse vontade politica o problema da habitaçao há muito seria coisa do passado mas não há e isso em TODOS os governos ...

 

leonidas

 
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Eduardo Dias Alvarenga

Só uma curiosidade... já postei no blog coisas ligadas a uma bolha imobiliária em São Paulo, os preços dos imóveis dispararam... e não somente na capital paulista, em outras grandes cidades vejo que o processo é semelhante, porém, em menor grau, o que não quer dizer que seja aceitável.

 

Lentamente vejo o assunto surgir na mídia. Ontem uma reportagem foi feita pelo Jornal do SBT com o professor Samy Dana da FGV e trataram do assunto bolha imobiliária. Me causa espanto, e já disse isso outras vezes aqui, o Nassif deixar este tema de lado... não sou economista por formação, mas pelo que vejo no mercado imobiliário algo está errado. Um amigo foi ver um apartamento há umas duas semanas na vila mariana, imóvel na planta, 52 metros quadrados, por módicos 750 mil reais. Sejamos sinceros, por mais bacana que possa ser a vila mariana um apartamento deste tamanho não justifica nem a metade deste valor... mas tudo bem... continuarei, as vezes, a jogar essas ideias ao vento...

 
 
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Fuhgeddaboudit™

E, assim, você poderá entender a propaganda porca/enganosa e a festa (na verdade um bacanal) que as ESQUERDAS PROGRESSISTAS (95% dos comentaristas, daqui), vem fazendo com o "aumento de consumo" (em especial a compra de veículos financiados) que A NOVA CLASSE MÉDIA DE LULA vem patrocinando. Nada mais, nada menos, do que uma sutil "diversificação de investimentos" (automóvel é investimento? Não, e, pior, na verdade, uma segunda família a partir do segundo/terceiro ano de uso): o povo está gastando em consumo conspícuo o pouco que tinha guardado para a "o sonho da nova casa", com novo mobiliário, que virou pesadelo e, agora, resta o consolo do "carrinho zero Km", como recomendou LULA para fazer frente à crise de 2008 e manter o emprego de seus antigos companheiros metalúrgicos (ele só pensou nisso?). Cursos de Idiomas ou de Informática para os filhos enfrentarem a concorrência dos mais abastados, no mercado de trabalho ...... ??? Ora, ora, isso não era importante. A prioridade era endividar a família durante seis anos com "o carrinho zero" e deixar os filhos sem formação adequada. "Grande LULA"!

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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Eduardo Dias Alvarenga

Caro Fuhge...

 

Acredito que o Estado deve promover políticas públicas e programas de incentivo à compra da casa própria, como é o caso do Minha Casa Minha Vida, o problema é que o interesse das construtoras e dos bancos nos colocaram numa situação anormal... descolada da economia real. Enquanto o governo não controlar essa situação essa bolha não estoura...

 
 
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Durvalino

.... Caro  Articulista.

na minha modesta opiniao, ai estah o pecado capital do programa Minha Casa Minha Vida.

o programa deveria ter começado pela base da piramide, abrangendo os mais desvalidaos desta terrra, fulminando com a proliferaço/mercantilizaçao  de favelas, invasoes de predios/areas, cortiços e afins, que abre espaço para politicagens municipais, estaduais e federais.  os R$ 22 mil de subsidios por unidade dariam retorno mais efetivo pela reduçao dos gastos com saude, ja q teem condiçao precaria de agua e saneamento.

ao começar pela suposta Classe C incentivaram a explosao dos preços dos imoveis - apartamentos e terrenos, tornando-o inatingivel para grande parte dos participantes dessa classe, uma vez q ha valor teto para as construçoes do programa MCMV.

falha de planejamento sim.

 

 
 
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Fuhgeddaboudit™

Hoje, 40 milhões de brasileiros, que ganham até dois salários mínimos  foram EXCLUÍDOS dos Programas Sociais do Governo para a Compra da Casa Própria, por culpa exclusiva de querm permitiu que os R$ 75 Bilhões destinados aos segmentos de "Baixa Renda e Carentes", tivessem cerca de R$ 70 Bilhões desviados para atender "À NOVA CLASSE MÉDIA DE LULA". mas, a simples explicação e justificativa é CRIMINOSA: "como os terrenos incorporados às obras tiveram seus preços "superfaturados" (mas, disseram que eles supervalorizaram e a CEF "aceitooooooou"), os Barões da Construção Civil, não mais conseguiam construir imóveis cujas 360 parcelas coubessem nos bolsos surrados dos "carentes e de baixa renda". Assim, passaram a desviar o dinheiro para segmentos mais abastados. Esta maracutaia merece uma CPI ou uma investigação do Ministério Público em conjunto com a PF.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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maria olimpia

É bom não esquecer que o Governo Federal, através da CEF, DISPONIBILIZA os recursos, mas, cabe â outra ponta - ao município, à prefeitura, FAZER O BOM USO desses recursos, Cabe a prefeitura, inclusive, a disponibilização do terreno. Por isso há um teto para cada município em função de número de habitantes. Não me consta que o município de SP tenha feito bom uso dos recursos e muito menos tenha disponibilizado terrenos para este fim. Enfim, o custo do terreno em SP com a exploração imobiliária sendo um alvo da atual prefeitura inviabiliza qualquer boa intenção em programas como MCMV. Em SP, parece que a única implementação possível é o Cingapura, através do CDHU, gerido pelo governo estadual em conluio com a Prefeitura. A SP atual NÃO interessa o MCMV, de resto, sobra a especulação.

 

Maria Olimpia

 
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Ramalho

Na cidade do Rio de Janeiro, sob pretextos estapafúrdios como os eventos da Copa da Mundo de Futebol e as Olimpíadas, que nada têm a ver com custos imobiliários, mas, tão somente, com argumentos de sustentação de uma especulação imobiliária desenfreada, o preço dos imóveis têm sofrido aumento de 100%, ou mais, em dois, ou mesmo em um ano, nos últimos dois anos. Surpreendentemente, não se fala disso em lugar algum.

Essa bolha imobiliária carioca suga recursos estatais destinados à habitação, reduzindo em muito e eficiência de sua aplicação.

Com a palavra os órgãos de financiamento imobiliário do governo que podem e devem atuar no mercado restringindo ou negando financiamento de imóveis sobrevalorizados. Se o governo não agir, ter-se-á no Rio, em 2014 e 2016, uma crise habitacional mais grave do que a existente hoje com os efeitos colaterais conhecidos, como o aumento da favelização e violência, afora outros que podem vir a afetar o sistema financeiro..

 
 
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Fuhgeddaboudit™

Comentarista, isto eu já acusei dezenas de vezes, aqui, e o governo e seu agente responsável, CALARAM (ou, melhor, admitiram) Os preços a que você se refere, onde o Rio é recordista em função da expectativa da Copa e Olimpíadas, foram alavancados pelos Barões da Construção Civil com o dinheiro dos Fundos Sociais que a CEF administra, ao incorporarem terrenos que compraram de 2005 a 2007 (quando avisados, amicíssima e antecipadamente, do "derrame" de R$ 75 Bilhões que se faria, em seguida, em nome do Minha Casa Minha Vida). Assim, aproveitando a "grana gorda e fácil" e "as bondades da madrinha CEF", enfiaram os terrenos nas construções por, até, 10 vezes mais do que compraram (mas, que isso não valiam; porém a CEF avaliou-os como corretos), aplicaram a maior parte do dinheiro em segmentos que não o Minha Casa Minha Vida. Isto elevou de forma "artificial" o preço dos imóveis novos (130% em SAMPA e 200% no Rio, em três anos) onde alegou-se, ter sido "o mercado" (ou seja: a especulação deles mesmos, com a providencial "distração" da CEF). Esses preços contaminaram os antigos e os Novos Contratos de Aluguéis, há quatro anos sobem em média 20%/ano, segundo o “SECOVI” – na verdade se a raposa diz isso, o percentual real é o dobro, 40%/ano (e o IBGE e a FGV os expurgam do cálculo - usam apenas o peso ???? do IGPM que corrige os em vigor, ainda não objetos da Denúncia Vazia). E, esta, se agiganta, para provocar uma renegociação ou saída dos inquilinos, que, às vezes tem que mudar de município ou Estado para não se submeterem às ratazanas, lacraias e escorpiões nas promiscuidades das favelas, onde as crianças são as maiores vítimas.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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O POVO, mesmo pobre e/ou analfabeto, é sábio: antecipa-se à incapacidade dos governantes e, se vira como pode. Senão, vejamos: entre as  Funções Sociais do "Minha Casa Minha Vida" não está incluida a de fazer milagres.  Ou sejaobter, gratuitamente, centenas de milhares de terrenos,  nos principais centros urbanos e cidades médias, periferias e nos gigantescos arcos populacionais que já se formam para fora dessas próprias periferias, onde se encontra 90% da população que precisa comprar um imóvel (porque não suportará pagar os aluguéis que já explodiram). Nas periferias e municípios contíguos à cidade de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília (por ex.) não há a menor hipótese de se construir e vender um apartamento de 35m2 por menos de R$ 150.000,00 porque no final do governo LULA a especulação com os preços dos terrenos incorporados às construções, com preços validados pela própria CEF, inviabilizou a estabilidade dos preços. A prestação decorrente, para a aquisição, sem entrada (os segmentos"carentes" / "baixos salários" em raríssimos casos têm dinheiro para dar entrada suficiente para reduzir o valor das parcelas), para o caso acima exemplificado, exigiria renda familiar de R$ 7.000,00. Basta informa-se na CEF.

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 
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Marcos Fernandes Gonçalves

Mas, pagam um alto preço por isso, cujas sequelas, talvez, acompanhem-nos pelo resto das vidas. Conheço casos assim. Seria justo? Eis a questão...

 
 
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Fuhgeddaboudit™

Eu acrescentaria que houve coisas mais graves. Inicialmente, atendeu-se, com especial preferência, a centenas de milhares de investidores, que, agora, pagam, por ex. R$ 1.200,00 de prestações decrescentes, em 30 anos e alugam os imóveis por R$ 1.600,00. Os imóveis adquiridos por estes profissionais "com grandes famílias", são aqueles que já no primeiro dia do lançamento, aparecem como "reserva técnica".  E, estas são as mãos onde grande parte do povo terá que beijar para poder morar.  E, no 1º Contrato, não há como se aplicar o IGPM. O preço é, sempre, à vontade do investidor. Idem está acontecendo com os imóveis antigos, contaminados pela especulação facilitada às vésperas da reeleição de LULA. O segundo ponto, por demais vergonhoso para o governo, foi o achatamento dos salários, através da utilização de índices que medem a inflação e corrigem salários, que EXPURGAM descaradamente os aumentos dos Novos Contratos de Aluguéis  (150% de aumento em três anos) que já atigem 40% das unidades alugadas, isto sem falar no expurgo do  aumento, induzido, nos preços dos imóveis novos que contaminaram os antigos (casa própria é supérfluo ???). 

 

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Aproveite, e peça a Ministra Tereza Campello (que ontem esteve em um POST, aqui), para dizer onde os 40 milhões de brasileiros que ganham menos do que dois Salários Mínimos poderão encontrar para compra, pelo menos 1.000.000 de imóveis financiados pelos Programas Sociais do Governo. Mas, observe, não vale o subterfúgio de dizer que existe no interior da Bahia, 500 casas disponíveis para os 10 milhões que moram em favelas e nas periferias do Rio, São Paulo e BH. Grande parte dos R$ 75 bilhões, desviados no governo LULA (e reconhecidos em prestação de contas pela CEF - quer ver ???) para outros segmentos que não o Minha Casa Minha Vida, como o que foi inescrupulosamente aplicado em imóveis para a NOVA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA (mesmo que com ágios e over-prices de 80 a 200%), em lugar dos "carentes e de baixa renda".  

 

Ou eu encontro um caminho ou eu o faço! Philip Sidney.

 

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