Especulação e revitalização do centro de São Paulo

Por Antonio C.

Comentário ao post "As origens da especulação imobiliária paulistana"

Existe uma panacéia em torno do Centro que é inversamente proporcional à questão da periferia. Ao colocar todas as cartas na revitalização da região, a intenção já denuncia os interessados.

Desde a época do Maluf se fala da "revalorização do Centro". A Associação "Viva o Centro" remonta à época. A "vocação turística"  da região - ideologia mesma que levou à especulação imobiliária em regiões do mundo, como a cidade de Barcelona, que possui regiões organizadíssimas de ocupação, que questionam a política habitacional -, somada com a sua característica para negócios - 1/3 da riqueza produzida na cidade vem dali - fez do lobby de empresas e imobiliárias o seu ponto forte. Já em 1999, apontava-se para uma população em queda. Logo, o potencial imobiliário tem sua força.

Há anos que ando pelas ruas do Centro - inclusive passando por locais em que uma pessoa "em sã consciência"  não estaria. O seu público mudou sensivelmente. Claro, a pobreza e a desigualdade continuam; porém, os membros da "elite branca" compram a ideia. É o sanduíche de mortadela, é o "passeio com monitor" (a fina flor da chapa-branquice em termos de história), são as calçadas sem bancas de livros (em Paris, abundam e não emporcalham a cidade), a compra da "marginalidade fashion" da Augusta, com a molecada com seus cabelos milimetricamente desgrenhados.

Kassab e Cia. já deram o sinal há tempos: o que interessa é o Centro (Expandido, inclusive); o resto é resto.

O governo federal ajuda, indiretamente, ao injetar dinheiro no mercado, com financiamentos imobiliários sem contrapartida jurídica, sem intervir neste momento de alta especulação, sem verificar o uso social da terra.

Moro em região nem "tão periférica". Os serviços públicos são péssimos; os ônibus chegam a ter bancos quebrados; uma biblioteca reformada e inaugurada com a presença de um vereador candidado à reeleição e de um deputado que, declaradamente, disse ser a favor da eleição de Kassab (na época). No mais, existem botecos, diversos. Mas se vota nos candidatos que mantém essa condição.

Uma mistura de ganância, estupidez e autodesprezo: a fórmula ideal para tomar posse de uma cidade.

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2 comentários
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Anderson Vitelino

Antes fosse esta a idéia. O problema é que Kassab & Cia nunca fizeram NADA pelo centro de São Paulo. Deixaram tudo abandonado, na mão dos craqueiros.


Enquanto isso o cidadão saudável (digo, não-nóia) precisa andar 100km por dia para chegar ao trabalho, enquanto que bairros como Brás e Bresser estão completamente abandonados, mesmo com 2 metrôs, 2 avenidas e um terminal rodoviário, um ao lado do outro.


Ou seja, não é demagogia da suposta "elite branca" , e sim necessidade pura e simples de moradia, trabalho e locomoção em São Paulo.


Nos países civilizados, periferia não existe, justamente porque os centros são acessíveis e próximos às casas.

 
 
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M Gaspar

Zona Norte? Santana, Sta Terezinha, Lausanne Paulista?

 
 

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