Sobre a hipótese de um embate entre Fischer e Karpov

Por Telmo Giani

Comentário ao post "E se Fischer tivesse jogado com Karpov?"

Temos que considerar vários pontos:

a) Karpov já admitiu que em 1975 Fischer era favorito, que em 1976 estariam iguais e em 1977 ele seria superior a Fischer.

b) O próprio Karpov achou que não se credenciaria para enfrentar Fischer em 1975...nas suas palavras, "o meu ciclo ainda nao chegou".

c) Após perder o título mundial, Fischer não realizou nenhuma partida oficial, o que coloca em dúvida sua real disposição em jogar em 75.

d) Houve tentavias de jogar o match após 1975, porém algumas exigências de Fischer não foram aceitas pela Federaçção Soviética. A URSS queria a todo custo recuperar o título mundial e não daria nenhuma vantagem a Fischer.

e) Karpov reuniu-se com Fischer escondido das autoridades soviéticas e quase chegou a acertar a revanche, mas o encontro foi descoberto e tudo voltou a estaca zero.

f) Em uma última tentativa, Fischer e Karpov concordaram sobre os termos da revanche mas no momento final  Fischer queria colocar match pelo campeonato mundial profissional de xadrez e Karpov não aceitou a expressão profissional que foi inserida no documento.

g) Karpov teria a sua disposição TODOS os GMs da URSS. Este fato aliado as análises caseiras quando o jogo fosse interrompido daria uma vantagem absurda para Karpov, pois Fischer pagava mas NUNCA utilizava os segundos. Em 1975 o progresso do xadrez não permitiria mais esta análise individual e Fischer não se adaptaria ao novo momento. Basta lembrar que no match de 1978 contra Kortchnoi , Karpov levou mais 600 kg de livros, pois o pc ainda arrastava naquela época.

h) NA MINHA OPINIÃO, o grande culpado por não termos este match foi SPASSKY !! Sim, foi ele. Ao ceder todas as exigências de Fischer , perdeu o título mundial. Se, em vez de esperar o genial americano, fosse embora quando ocorreu o w.o na segunda partida, seria declarado vencedor, todo mundo entenderia e Fischer seria o "vilão" da estória. Com isso, Fischer teria de disputar novo ciclo de candidatos, POSSIVELMENTE encontraria Karpov na decisão final do Torneio dos Candidatos e teríamos um match sensacional, com Fischer ainda mais maduro, genial e  "louco" contra um Karpov ainda melhor. Com um detalhe: os soviéticos não teriam uma absurda preocupação com Fischer, pois ainda não era campeão, somente dasafiante.

i) Perdemos todos: nao vimos este encontro de titãs, perdeu o xadrez que daria um salto imensurável na qualidade do jogo, perdeu Karpov, que não enfrentou seu antecessor. Fischer perdeu a sanidade mas não a admiração dos xadrezistas...depois de Fischer nunca mais acompanhei o xadrez como antes, foi o último romântico de um jogo de reis, que hoje não tem legítimos campeões carismáticos como Capablanca, Lasker, Tal e tantos outros...fim de uma era. Resta montar o tabuleiro e reviver as partidas inesquecíveis de outrora, destes gigantes, com uma saudade danada no peito de um tempo que não volta mais...xeque-mate!

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5 comentários
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Alessandre de Argolo

Bobby Fischer é o mais genial e melhor jogador de xadrez de todos os tempos. Fischer bateria Karpov.

Depois que Nigel Short, o grande enxadrista britânico, relatou seus supostos encontros no Internet Chess Club com o que muito provavelmente era Bobby Fischer, ninguém mais teve dúvida disso. Short foi derrotado desmoralizadamente por 7 x 0 no primeiro encontro por um desafiador que jogava muito rápido e tinha um início absurdamente pouco promissor, para logo depois evoluir para jogadas extremamente poderosas e vencedoras. No primeiro encontro, ele não conseguiu sequer empatar. Só conseguiu ganhar algumas partidas no segundo encontro, mas sempre ficando abaixo de cinquenta por cento da pontuação do adversário. Jogou cerca de 50 partidas com Bobby Fischer no final dos anos 90.

Short havia disputado com Kasparov sequências de jogos bastante disputadas e ele mesmo já tinha vencido Karpov para se qualificar a enfrentar Kasparov. Ou seja, havia muito poucos jogadores no mundo que poderiam batê-lo daquela forma avassaladora.

Nigel Short já tinha ouvido falar dessas aparições misteriosas de Bobby Fischer no Internet Chess Club (ICC), mas não tinha levado a sério.

Depois de fazer alguns questionamento a este anônimo, ele não teve dúvidas: era mesmo Bobby Fischer. Uma das perguntas foi se o jogador conhecia Armando Acevedo, um enxadrista mexicano, nem de longe um grande mestre da elite do xadrez mundial, mas que costumava participar de torneios internacionais. A resposta foi "Siegen 1970". Era a deixa para Short saber que realmente se tratava de Bobby Fischer.

Bobby Fischer havia enfrentado um certo Armando Acevedo nas rodadas preliminares da Olimpíada de Xadrez de Siegen, em 1970.

Outra pergunta foi quem, para ele, era o maior jogador de partidas relâmpagos de xadrez (as famosas blitz). A resposta foi que se o adversário fosse quem Short estava pensado que ele era, a resposta seria Mikhail Tal. Tal era o brilhante enxadrista letão, campeão do mundo, que aplicou duríssimas e dolorosas derrotas em Bobby Fischer no final dos anos 50 do século XX.

Quando encontrou com Boris Spassky em Zurique, após os encontros no ICC, Short relatou os matchs com o suposto Fischer e ele disse que era realmente muito provável que fosse o genial americano. Quando Short comentou que, ao contrário da percepção geral, ele não parecia louco, Spassky foi enfático: "É claro que ele não é".

Short ficou maravilhado e muito honrado ao jogar com Fischer. Descreveu com empolgação o quanto ele era realmente fenomenal. Na opinião dele, um jogador muito mais rápido que Kasparov e de uma inteligência extremamente brilhante, principalmente enquanto jogador de xadrez (não concordo com aquela máxima de que um grande jogador de xadrez tem a sua inteligência apenas voltada para o xadrez).

Eu não tenho dúvidas: Fischer é não só o melhor e mais genial jogador de xadrez de todos os tempos, como certamente bateria Karpov.

 
 
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Bruno

Afirmar que Fischer foi o melhor de todos os tempos é MUITO complicado. Após ler a sequência de livros de Kasparov "Meus geniais predecessores", concordo com a conclusão do autor: cada campeão mundial contribuiu de alguma forma com a mudança do paradigma do jogo, e *isto* (aliado à sua capacidade, claro) os fez campeões mundiais, os fez ficar uma passo a frente de seus adversários da época. Só para citar os primeiros, Steinitz trouxe melhorias defensivas, Lasker trouxe técnica apurada e estudos psicológios, Capablanca trouxe a visão refinadíssima de transição para os finais, Alekine trouxe complicações táticas e a "volta" ao romantismo (e trouxe o início do domínio russo que só foi brevemente interrompido em 1972).

Fischer não foi excessão, e apresentou uma mudança grande, que todos os enxadristas profissionais assimilaram, inclusive Karpov (que reinou até a mudança provocada por Kasparov). Não há dúvida alguma que o Fisher de 1972 era *diparado* o melhor enxadrista do mundo. Porém, será que ele bateria o Karpov de 1978 (ou até o Korchnoi de 1978) ou o Kasparov da década de 90?

O que há de espetacular e apaixonante na conquista de Fischer foi a forma com que ganhou o direito de disputar o título (6x0 contra Taimanov, 6x0 contra Larsen e 6,5x2,5 contra Petrossian) foram espetaculares e provavelmente insuperáveis. Alie-se a isto a guerra fria e teremos comentários apaixonados. Até demais.

Outra afirmação forte demais (que já ouvi muito) é que ele foi o último grande enxadrista, o último "romântico", que em 1972 houve o último grande match por título mundial, etc. Para os que acreditam nisto, sugiro que vejam a seqüência de vídeos sobre o campeonato mundial de 1990 a partir de http://www.youtube.com/watch?v=VUqx5_EsZ1s (este vídeo inicial está ruim, mas os outros estão muito bons). Vejam os comentários sobre as espanholas conduzidas por Kasparov de brancas.

Fischer foi um gênio, um jogador profissional antes do profissionalismo surgir no xadrez. A distância entre ele  e seus adversários era astronômica. Porém, a tendência é que esta diferença fosse diminuída com o tempo. Isto pode ser comprovado no "match revanche" de 1992, onde ele jogou excepcionalmente bem o xadrez que se jogava em 1972. Provavelmente ele sabia que a diferença já não era grande (se é que existia) e sabiamente não quis mais jogar. Em 1975, é provável que Karpov estivesse a um ou dois degraus abaixo de Fischer, porém não cometeria os erros do Spassky de 1972 (que perdeu várias partidas em erros nada dignos da qualidade de Spassky). 

Resumindo: é uma discussão apaixonada que carece de parâmetros de comparação. Para discutir mais, basta dizer que o melhor de todos os tempos foi Alekine, que morreu campeão do mundo, e que, assim como Fischer, nunca foi superado em nenhum match .Assim como Fischer, a diferença dele para os demais (após 1929) era avassaladora. E mais, ele não abandonou o xadrez como Fischer.

 
 
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vangelis54

Lembrei do embate entre Kasparov e o Deep Blue. segundo a Wikipedia: 

"Em fevereiro de 1996 o computador de xadrez da IBM chamado Deep Blue venceu Kasparov em um jogo usando controles de tempo normal no Jogo 1. Mas Kasparov reagiu bem, terminando com 3 vitórias e 2 empates e ganhando facilmente a disputa.

Em maio de 1997, uma versão atualizada do Deep Blue derrotou Kasparov com um placar de 3½–2½ em uma disputa muito divulgada. Após cinco jogos, os dois jogadores estavam na mesma, porém Kasparov foi vencido do Jogo 6. Esta foi a primeira vez que um computador venceu um campeão mundial em uma disputa. Um documentário sobre este evento foi feito, intitulado Game Over: Kasparov and the Machine.

Kasparov declarou que muitos fatores pesaram contra ele nesta disputa. Em particular, foi negado a ele o acesso aos jogos recentes do Deep Blue, enquanto o time do computador poderia estudar centenas dos jogos de Kasparov.

Após a derrota, Kasparov disse que algumas vezes percebeu profunda inteligência e criatividade nos movimentos do computador, sugerindo que durante o segundo jogo jogadores humanos, em contravenção às regras, fizeram intervenções. A IBM negou que tenha trapaceado, dizendo que a única intervenção humana ocorreu entre jogos. A regra para que os desenvolvedores modificassem o programa entre jogos foi uma oportunidade que eles disseram que usaram para reforçar fraquezas nas jogadas do computador reveladas durante o curso da partida. Kasparov requereu acesso aos registros da máquina mas a IBM recusou, embora tenha publicado-os na internet posteriormente. O Garry pediu uma revanche, mas a IBM negou e aposentou o Deep Blue, o que foi visto por Kasparov como uma forma de cobrir as evidências de adulteração durante o jogo."

 
 
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Marco T.

Karpov cedo ou tarde derrotaria Fischer, era questão de tempo! Bob tinha dificuldades (não tinha paciência) com jogadores retranqueiros. Trifunovich e Petrosian servem de exemplo!

Achar que 'segundos' ou 'computadores' avalizam um campeão mundial é no mínimo colocar Capablanca, Alekhine e Lasker como amadores, pois nenhum desses gênios tinham 'segundos'. Jose Graupera dava-se ao luxo de não estudar o xadrez e seus adversários. Pagou caro em 1927 contra o alucinado e extraordinário Alekhine. Os ajudantes (invenção russa) simplesmente ajudam, e só! No tabuleiro sob pressão do tempo o xadrez clássico e essa bosta que jogam hoje é igual: uma batalha de ideias, onde apenas dois cérebros formulam e cravam cada movimento, o resto é retorica!

A proposito: os segundos de Spassky foram Efim Geller, Nikolai Krogius e Iivo Nei. Fischer foi mais econômico com William Lombardy. Duvido que tenham influenciado alguma coisa!

Spassky, o rei dos gambitos, era um verdadeiro esportista, ao ponto de ir pra plateia aplaudir o adversário Fischer em 1972. Boris não tem culpa de nada. Sua culpa foi querer jogar xadrez, mas bem que poderia ter usado óculos escuros, ter impedido a cadeira hipnotizante do americano e ter levado um guru indiano :-)!

 
 
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pereira da silva

concordo sobretudo com o último ítem. o xadrez perdeu o fascínio q provocava em todos. ficou absolutamente sem graça. era um menino na época, mas n passava um dia sem ler nos jornais algo sobre alguns desses campeões citados. principalmente  fischer.

 
 

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