Pela autonomia financeira e administrativa das universidades

Por Roberto Leher, UFRJ

A matéria da corporação Globo oculta que as fundações ditas de apoio privadas, robustecidas por FHC e Lula da Silva, foram criadas justo para burlar as normas do direito público. Assim, os repasses de verbas públicas para as referidas fundações são congruentes com a existencia desses nichos privados nas IFES. A alternativa é o fortalecimento da autonomia de gestão financeira e administrativa das universidades, nos termos do Art. 207 da CF.

Ao promover criticas ocultando o que é fundamental, a materia corrobora o movimento previsto no Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão de gerenciar as universidades com o modelo das Empresas Hospitaleres EBSERH como chegou a constar de uma minuta do referido ministério.

Alias, FHC também defendeu isso outro dia (São tantas as convergencias...!). Precisamos recolocar a questão nos seus devidos termos, combatendo o ardil das organizações Globo e, ao mesmo tempo, as políticas que são afins a tais objetivos, urdidas nos gabinetes ministeriais.

O ANDES-SN tem trabalhado a questão de modo consequente, elaborando materias fundamentadas que explicitam o problema e aprovando resoluções que podem nos ajudar a sair do ardil que esta sendo operado pelas corporações da midia e pelos defensores da imediata aplicação do plano diretor da reforma do Estado nas universidades federais.

No mais, a história da UFRJ é robusta em termos de suas contribuições para a ciência, a cultura, a educação, a arte e a tecnologia e não será afetada pelo jornalismo midiatico, tampouco será afetada a biografia de todos aqueles que dedicaram o melhor de suas vidas à universidade pública.

 

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20 comentários
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Ana Maria Ribeiro

Permito-me divergir em certa parte desta analise. A criação das fundações de apoio às universidades sem duvida nehuma veio como forma de tratar as universidades de forma diferenciada. A Lei das fundações de apoio é de 1994, desdobramento do inciso XIII do art 24 da Lei 8666/93(Lei das licitações), aprovada durante o governo FHC e que não foi regulamentada, deixando-as a revelia e cada instituição livre p fazer o que quiser. Diferente do que diz o Prof Leher, é exatamente no Governo Lula que se aprova o decreto de regulamentação (2004 e alterado em 2010) que impõe regras e normas claras - principalmente para o pagemnato de servidores docentes e tecnicos. Esquecem aqui de informar que na UFRJ, uma das poucas, se não unica, cujo Conselho Universitário, orgão máximo é composto majoritariamente por membros eleitos para este fim e não de ocupantes de cargos executivos, funcioando como um parlamento e que a FUJB, a fundação de apoio, tem seus dirigentes aprovados por este conselho universitário. O que faz dela uma exceção a muitas que funcionam ao largo da instituição.

Uma coisa é a existencia de leis aprovadas num periodo de Estado Minimo e de restrição dos recursos publicos, e que não se revogam - não conheço Projeto de Lei de NENHUM, parlamentar pedindo sua revogação. A outra é o executivo ter que governar com estas leis, tendo que fazer normas, regulamentos e uma área de controle que cheio de meninos recém saidos dos bancos universitários que não olham o passado imposto e criminalizam os servidores publicos por qualquer tentativa de fazer as atividades fins se concretizarem. Com criticas de todos os lados, cada vez será inviavel servidores sérios assumirem as funões de gestão.

 
 
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Por uma Comissão da Verdade das Pública

O mais esperado é que tal comissão da verdade revele ao mundo um dos dramas mais terríveis que milhares de pessoas tiveram que passar. Esses tinham carreiras promissoras, como de engenheiro, mas foram obrigados sob mira de metralhadora, já que um bando de medrosos abandonaram os alunos sem aulas, assumir cargo de docente em universidade pública ganhando um salário de fome e até sendo obrigado fazer relatório delatando amigos e estudantes.


 


O estado brasileiro não deve só desculpas, como indenização por anos de trabalho em condições análoga a de escravo


 


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OS ARAPONGAS DO MEC


 


 http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2012/10/22/71004/

 
 
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Antonio Augusto da Costa Carva ...

Não de pode manejar com liberdade as verbas públicas em nenhuma autarquia, federal estadual ou municipal. Por que dar às Universidades públicas autonomia financeira e administrativa? Existem regras que não devem ser subvertidas por quem quer que seja.

 
 
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Sala Fério


Roberto Leher (Faculdade de Educação - UFRJ)
A crise econômica, social e ambiental revigora a ofensiva do capital por mais expropriação e mais exploração. O socialismo é mais necessário do que nunca, mas contraditoriamente, os socialistas estão afastados da massa popular. O socialismo não pode ser "nem decalque nem cópia", como ensinou Mariátegui. Ao se engajar na luta pelos direitos humanos dos explorados, articulando classe e raça, lutando contra a criminalização dos movimentos e contra a política de extermínio dos jovens e dos expropriados, Marcelo Freixo aproximou o socialismo das lutas populares. A continuidade do seu mandato é, nesse sentido, estratégica para a esquerda e, particularmente, para o PSOL. Todo otimismo da vontade na campanha de Freixo!

 


NÃO PRECISOU NEM PROCURAR MUITO. ESSE DISCURSINHO DE QUE FHC E LULA SERIAM '


CONVERGENTES' É MANJADO ... O PARTIDO DO ROBERTO LEHER USA AS UNIVERSIDADES


COMO BASE PARA CAPTAR MILITANTES E PROMOVER GREVES SUCESSIVAS. MESMO QUE O


CORPO DOCENTE RECEBA TODO O INCENTIVO QUE DESEJE, ELES DIRÃO QUE É POUCO E


QUE OS PROFESSORES E ALUNOS TÊM QUE PROTESTAR SEM PARAR. QUEM LUCRA? O PSOL.

 
 
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Ozzy

A maioria culpa a legislação, mas quem atrapalha mesmo são:

a) MEC e Ministério do Planejamento, pois deles depende a autorização para a realização de Concursos;

b) Ministério da Fazenda, que retém receitas próprias das IFES para formar superávits e reservar dinheiro para pagar rentistas;

c) Planejamento, Fazenda e MEC que impõem cortes lineares nos orçamentos dessas instituições.

 
 
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drigoeira

Alguns órgãos da esfera pública possuem grande potencial de serem autônomos.

Mas o poder público quer isto?

 
 
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Andre Araujo

Nada a ver. Autonomia até certo ponto no campo didatico mas as finanças devem ser controladas por quem fornece os recursos, ninguem pode gastar sem ser controlado quando os recursos vem de dos contribuintes. A Universidade de Harvard, que é privada, tem suas finanças severamente controladas pelo  Board que tem representantes dos  Fundo que mantem a universidade, quem dá o dinheiro tem todo direito de controla-lo.

Nós sabemos qual é a cultura brasileira quando dinheiro publico e fornecido para entes ""autonomos".

 
 
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atenir

Perfeito andre. Não tem essa de autonomia financeira e administrativa. Quem envia os recurso tem que controlar e ponto final. Na verdade, vejo nesse pessoal da autonomia a ilusão de que, uma conseguida a autonomia, os recursos serão gastos sem controle.

O que se quer afinal com a autonomia universitária? tem que ficar bem explícito o que realmente se pretende. Afinal, hoje a universidade não tem altonomia?

 
 
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drigoeira

Visão estreita.
Quem está falando em descontrole?
Autonomia é o poder de gestão dos recursos originados dentro da coisa. O órgão autônomo tem a obrigação de anunciar e provar que os recursos serão locados para determinado fim com o intuito de melhorar sua gestão, desempenho e receita.
Neoliberal quer privatizar, mas não quer dar autonomia aos órgãos públicos.
Isto é visão estreita, arcaica, sadomasoquista e sabotadora do serviço público.

 
 
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DanielQuireza

Recursos originados ?

Recursos públicos geralmente são originados por impostos. A USP fica com grande parte de todo o ICMS do estado de SP, lá não são originados recursos.

 

@DanielQuireza

 
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Andre Araujo

O gestor que pretende autonomia quer contratar pessoal, fixar salarios, fazer compras,

despesas, construir predios, sem ter um poder superior a pedir explicações e autorizar dispendios.  Não há nenhuma justificativa para isso quando se trata de recursos publicos. Não existe esse conceito de ""autonomia"" em paises, corporações, fundações, organismos multilaterais, forças armadas.  Porque haveria de haver em universidades? Em nome de que principio?

So se é autonomo com o proprio dinheiro e ainda assim se fizer besteira alguem vai cobrar

a besteira feita.

 
 
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drigoeira

Já comentei acima, este é o pensamento estreito, neoliberal, arcaico, sadomasoquista e sabotador do serviço público brasileiro.

Nos EUA, alguns aeroportos e portos marítimos são estatais e possuem autonomia dos recursos coletados. 

Só porque aqui no Brasil isto não existe, é que não se deve testar.

O pensamento estreito, leva a generalizações (8 ou 80), grande mal dos brasileiros.

 
 
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Klebber Formiga

Caro Nassif

Acho que existe uma campanha suja contra fundações de universidades, que na maior parte dos casos são muito sérias, por parte de algumas facções da eduação. 

As que eu conheço e trabalho (UFG, UNICAMP e UFMG) são instituições muito sérias que tem contratos, fiscalizadas por TCU, Controladoria, etc. A diferença é que não engessam a pesquisa. Se precisar de algum material e equipamento com urgência e for conseguir pela universidade o processo pode demorar até 1 ano.

Mesmo dizendo que é para pesquisa que não necessita seguir vários itens das leis de licitação (os setores de compra das universidades engessam e tudo tem que ir para um processo de licitação formal que demora meses). Assim, normalmente quem não gosta de trabalhar com fundações é porque não faz pesquisa de porte. A FINEP por exemplo só faz acordos com fundações, e não com universidades, qual motivo levou a isso?

A importação de equipamentos pela universidade é tão buricrática que é preferível pagar 3 vezes mais (isso mesmo) por um mesmo equipamento no Brasil do que passar por ele, pois corre um risco sério de ser indeferido e você não poder contar com o recurso.

Submetendo-se as mesmas regras, conseguimos importar quase tudo por meio de fundações, que tem pessoal específico para isso.

Por exemplo comprei um ADCP por R$ 50.000,00 quando o orçamento feiro no Brasil na própria empresa sairia por R$ 145.000,00

Assim acho que o pessoal que não necessita de fundações parasse de ficar repisando bordões de privatização do ensino e pensasse mais na universidade como um todo, em colegas que fazem pesquisa e que com certeza, pelo menos no meu caso, sem as fundações elas custariam pelo menos 3 vezes mais.

Existem problemas, sim. Nas próprias universidades também, mas nem por isso vamos fechá-las. O que se faz é efetuar uma melhor fiscalização e definição de foco.

 

 
 
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Andre Araujo

Tem sérias e não sérias, não é possivel ter ilusões a esta altura da vida brasileira.

 
 
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Klebber Formiga

Concordo plenamente. Mas não pdoemos jogar todas dentro do mesmo saco como a ANDES faz. Olhemos para o que a ANDES quer para a Universidade, o que eles querem que seja pesquisado, o foco do ensino, etc. Eles querem uma universidade totalmente marxista, isso ouvi de um colega, que afirmava que as nossas pesquisas são "burguesas" voltadas para o estabelishment e o capital e não para a sociedade.

 
 
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Lubra

Essa autonomia do artigo 207 não existe? Se não existe, o que fazem os Reitores, Pró-Reitores de Administração, Diretores Administrativos, Conselhos Universitários?

O artigo 37, caput, é da mesma constituição.

 

A Lei que trata da relação das Ifes com as Fundações:

LEI No 8.958, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1994. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010)

 

Dispõe sobre as relações entre as instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica e as fundações de apoio e dá outras providências.

Art. 3º Na execução de convênios, contratos, acordos e/ou ajustes que envolvam a aplicação de recursos públicos, as fundações contratadas na forma desta lei serão obrigadas a:

        I - observar a legislação federal que institui normas para licitações e contratos da administração pública, referentes à contratação de obras, compras e serviços;

        II - prestar contas dos recursos aplicados aos órgãos públicos financiadores;

        III - submeter-se ao controle finalístico e de gestão pelo órgão máximo da Instituição Federal de Ensino ou similar da entidade contratante;

        IV - submeter-se à fiscalização da execução dos contratos de que trata esta lei pelo Tribunal de Contas da União e pelo órgão de controle interno competente.

 
 
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Marcos C

Ivan,

Sem entrar no mérito da questão, significa que em nome da agilidade, eficiência, empreendedorismo, ou qual fosse o termo da moda, na ocasião, o governo FHC incentivou esta atuação de Fundações Privadas associadas a Universidades. Foi uma iniciativa permanentemente criticada pelos setores mais à esquerda como sendo um disfarce de 'privatização' ou 'loteamento de espaços públicos'  por parte de interesses privados.  O governo Lula tolerou isso até - acho - a repercussão que o assunto  teve na mídia por ocasião de denuncias envolvendo a Fundação da UnB.  Então uma portaria interministerial restringiu essa operação. Se não me engano a restrição regulamentar à operação destas fundações não foi por lei, foi uma portaria interministerial.

 
 
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Luiz Claudio Pontes

 Se as universidades brasileiras vão mal, imaginem agora a educação básica  ?

Representante das Fundações Civita (Veja) , Roberto Marinho (Rede Globo) e da SANGARI (Sangari? de onde vêm essa gente?), ex-secretária de José Serra foi nomeada por Mercadante para setor estratégico do Ministério da Educação. Todos aqui sabem que essa Senhora representa o atraso na educação pela sua falta de experiência no setor e por sua predileção pela política da meritocracia nas escolas, modelo fracassado no país de origem (EUA). É assustador ver essa cidadã obter um importante cargo em um governo que ela sempre combateu veementemente. Vale lembrar que a Srª Costin, como ministra da administração de FHC,  foi uma das mentoras da reforma administrativa  e responsável pelo desmonte do serviço público em todo o Brasil, já que partiu dela as diretrizes gerais para a "otimização do setor público". Copiado em todo o Brasil, esse famigerado projeto promoveu  o achatamento salarial dos servidores, somente revertido com o governo Lula, além de tirar das empresas governamentais,via demissões voluntárias, servidores competentíssimos, cuja qualificação fora paga pelos contribuintes de nosso país durante anos, gerando prejuízo enorme aos cofres públicos. Abaixo, seguem matérias da Época e do JB de hoje sobre a nomeda por Aloísio Mercadante.

Pedagogos em pânico (Jornal do Brasil, 20/11/2012

Importantes setores da pedagogia no país estão manifestando profunda preocupação – quase um pânico – com a saída do sociólogo César Callegari da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

No cargo desde janeiro, ele alegou problemas pessoais, até mesmo a dificuldade de adaptação à Brasília, para pedir oboné e voltar para São Paulo.

Para a secretaria que responde pelo Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, anunciado recentemente, e ainda pelas políticas do ensino fundamental e médio, estaria sendo convidada a secretária municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin, ex-ministra da Administração no governo Fernando Henrique Cardoso.

É ai que reside a preocupação dos pedagogos, segundo e-mails que circulam em uma rede própria, alguns dos quais o Jornal do Brasil teve acesso.

Assinados por profissionais de universidades e cidades diferentes, eles questionam a indicação de Costin alegando que “suas posições sobre a Educação Infantil são em tudo conhecidas e nefastas ao futuro da área”.

Alguns deles defendem que Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação – ANPED e o Fórum Nacional e Regionais de Educação Infantil se manifestem publicamente ao ministro Aloízio Mercadante marcando posição e mostrando a “nossa imensa preocupação e estranheza com esta indicação”.

Revista Época

O pecadilho de Costin

Secretária da Administração recebe R$ 63 mil do Plano de Demissão Voluntária do Serpro e continua na folha salarial do serviço público

uando o governo criou os programas de demissão voluntária (os PDVs) para a administração direta e as estatais, a idéia era pagar um dinheiro extra aos funcionários para que eles fizessem o favor de sair da folha de salários. Objetivo: enxugar o quadro funcional e, portanto, as despesas futuras. Cláudia Costin, secretária da Administração e do Patrimônio, foi uma das criadoras dos PDVs, programas que defende ainda hoje como mecanismo destinado a aliviar o peso do funcionalismo nos cofres da União. Ela foi uma das idealizadoras da reforma administrativa que acabou com a estabilidade dos servidores públicos.

No dia 31 de janeiro passado, Costin aderiu a um PDV, mas isso não significou que saiu da folha de pagamento do governo - continua recebendo o salário de secretária, de R$ 6.400. Ela rescindiu seu contrato de trabalho com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e recebeu R$ 63.657,76 para sair do emprego. Descontados os impostos, embolsou R$ 59.410,93 líquidos, sem contar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Desse total, recebeu R$ 44.603,83 a título de incentivo por ter entrado no PDV do Serpro. Doze dias depois, o mesmo PDV do Serpro pagou R$ 208.235,08 como estímulo para a demissão do diretor Nabuco Francisco Barcellos da Silva, marido da secretária. Descontados os impostos, mais R$ 185.003,66.

Os PDVs oferecem um pagamento adicional, para que os funcionários deixem o emprego, maior que a indenização que receberia se fosse simplesmente demitido. No caso de Cláudia Costin, o incentivo foi inócuo por duas razões. Ela tinha peso zero na folha de pagamento do Serpro, pois desde 1991, quando foi cedida para o Executivo, o governo federal reembolsava a empresa estatal pelo salário pago à funcionária. Trinta dias antes de aderir ao programa, foi nomeada e empossada na Secretaria da Administração e do Patrimônio para o segundo mandato do presidente Fernando Henrique. Mesmo demitida do Serpro, Costin continua trabalhando e recebendo dos cofres públicos.

"Entrei no programa porque ele valia para todos os funcionários do Serpro. Por que, então, seria errado para mim?", pergunta-se. Teoricamente, a adesão a um plano desses é voluntária, como o nome indica. No caso de Cláudia Costin, segundo ela conta, foi um pedido, "praticamente um apelo", do diretor de administração do Serpro, Carlos Luís Moreira de Oliveira. Ele argumentava que a empresa tinha de atingir uma meta de demissões e, caso a secretária não completasse a quota, outro funcionário teria de ser demitido à revelia do voluntarismo. "No contexto atual de desemprego, não queria roubar a vaga de ninguém", diz Costin. Segundo ela, ao rescindir o contrato perdeu a estabilidade e a segurança de retorno ao Serpro. "Se o presidente me demitir, não tenho para onde ir." Cláudia Costin avaliou a hipótese de demitir-se pelos caminhos normais, sem os ganhos do PDV, mas argumenta que uma demissão desse tipo não seria homologada pelo sindicato da categoria, pois estaria ferindo um direito presumido da funcionária. "Eu poderia sair sem o programa, mas como ele era extensivo a todos não achei certo considerar interesses pessoais de imagem para agir de forma diferente dos outros empregados", afirma.

Seu marido, Nabuco Barcellos, entrou na empresa em agosto de 1968. Tinha mais de 30 anos de serviço. Recebeu ao todo R$ 270 mil (incluindo FGTS e outras vantagens) para deixar o serviço público. Não deixou. É hoje diretor da Dataprev, estatal do Ministério do Trabalho e Emprego, com salário mensal de R$ 8.500, exatamente igual ao que ganhava no Serpro. "Quando aderi ao programa, minha intenção era sair do serviço público, só que o ministro Francisco Dornelles, do Trabalho e Emprego, me convidou e resolvi aceitar esse novo desafio", diz. Mesmo que não assumisse o novo cargo, Nabuco continuaria tendo uma renda mensal garantida pelo fundo de pensão dos funcionários, o Serpros. Com seu tempo de estatal, tem direito a sacar mensalmente R$ 3.600, três vezes o valor máximo da aposentadoria do INSS. "Não houve favorecimento no caso de Cláudia nem no meu", argumenta. "Ela não tinha razão para permanecer, e eu saí depois de 30 anos pelos quais recebi, no total, R$ 270 mil", diz.

Com exceção do Serpro, nenhuma empresa pública ou privada contempla em um PDV empregados que estão às vésperas de se aposentar, como era o caso de Nabuco. No primeiro programa de desligamento da estatal, feito há três anos, funcionários à beira da aposentadoria não receberam estímulos para sair. Especialista em administração, Cláudia Costin acha que o critério inédito, mesmo tendo beneficiado seu companheiro, está errado. "Discordo do incentivo para aqueles que estão para se aposentar, mas posso dizer, em favor do Nabuco, que mesmo sendo diretor do Serpro ele não fez parte do grupo que escreveu as regras do PDV", diz ela.

A diretoria do Serpro incluiu a regra inusitada para quem estava prestes a se aposentar por manter vínculos empregatícios regidos pela CLT. Nesse caso, a decisão da aposentadoria não é da empresa, mas do empregado, segundo nota de Carlos Luiz Moreira de Oliveira, diretor de administração. "É limitado nosso movimento espontâneo de busca da aposentadoria por parte das pessoas que já alcançaram as condições exigidas para tal, especialmente dos profissionais que têm remuneração mais elevada", diz a nota. O Serpro sustenta que o incentivo do PDV seria necessário apesar de todos os funcionários serem beneficiados por um fundo de previdência privada que lhes dá complementação de aposentadoria. O teto de qualquer cidadão na previdência pública (R$ 1.200 mensais) pode ser multiplicado por três se ele fizer parte do fundo de pensão.

Nabuco é filiado ao fundo de previdência da empresa, mas Cláudia Costin optou por não ter o benefício. "Tenho direitos iguais aos de todos os demais empregados, não sou favorecido por nada", insiste Nabuco. Ele acha que o casal está em meio a um "tiroteio" de informações maldosas porque os sindicatos de funcionários públicos de Brasília querem atingir Cláudia Costin. Nos primeiros três anos e meio do governo Fernando Henrique, ela foi secretária executiva do Ministério da Administração, quando entrou em choque, por várias vezes, por defender o fim de vantagens dos servidores. Sempre foi considerada um dos bons quadros do governo. É dela, por exemplo, a responsabilidade pela implantação de propostas para moralizar a administração pública e os processos de compra e venda na área federal. Costin passou a veicular, via Internet, todos os editais de licitação pública do governo. Antes, havia um verdadeiro mercado de compra e venda desse tipo de informação.

      Vanda Célia, de Brasília (colaborou: Ricardo Amaral)


O PDV DO SERPRO

Em cinco anos, 4.706 demissões voluntárias

O programa de demissões voluntárias do Serpro foi um dos mais bem-sucedidos do governo federal. O PDV durou três anos e, nesse período, só foram feitas 572 contratações. Estima-se que o programa custou R$ 250 milhões.


Contrato sem licitação para Bill Gates

Secretaria de Direito Econômico investigará contrato de fornecimento entre Microsoft e governo

A secretária Cláudia Costin terá uma semana de trabalho árduo. Ela pediu à Secretaria de Direito Econômico (SDE) que faça uma devassa no contrato de R$ 100 milhões anuais entre a empresa brasiliense TBA e o governo federal. ATBA é representante da Microsoft no Brasil e tem exclusividade para fornecer programas de computador ao governo. Essa exclusividade foi obtida por meio de um contrato sem licitação.

A TBA pertence à empresária Cristina Bonner, uma das mais bem relacionadas socialites de Brasília. Além de ter cultivado uma amizade pessoal com Bill Gates, dono da Microsoft, é íntima do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira e do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima.

Cristina, cujo contrato de fornecimento ao governo também está sendo investigado pelo deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE) na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, diz não temer as auditorias da SDE ou do Congresso. Outros revendedores da Microsoft acham que o contrato é ilegal.

 


 
 
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sergior

Leher sempre preciso em seus argumentos. As fundações de apoio foram criadas para burlar as normas de licitação, de contrataçao de pessoal, enfim as diversas normas de direito público que regem o funcionamento das autarquias públicas. Através delas, contrata-se sem concurso público, compra-se sem licitação, faz-se de tudo um pouco (ou muito), como bem mostra a situação da fundação de apoio da Universidade Federal de Santa Maria e sua relação com o Detran-RS; ou os problemas com as fundações de apoio na UnB e na Unifesp, além dos denunciados pela Associação de Docentes da USP.

A autonomia da universidade pública (pois a privada já a possui) é o texto mais morto da Constituição de 1988. O artigo 207, de tão agredido e vilipendiado, foi esquecido, simplesmente, pois nada vale.

Leher se esquece, no entanto, de acrescentar a autonomia pedagógica e jurídica da universidade ao seu post. Após a criação da AGU , em 1998, e o trem da alegria que transferiu os então procuradores autárquicos para os quadros desta, a universidade pública federal não tem quem a defenda juridicamente, em especial do governo federal de plantão e dos seus múltiplos interesses.

 
 
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Ivan de Union

(O primeiro paragrafo significa...  o que?!  Alguem entendeu?)

 
 

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