O Brasilianas.org especial sobre Consciência Negra

Na segunda-feira 19, o Brasilianas.org exibiu um programa especial para discutir o negro no Brasil e sua contribuição para a formação cultural e social do país. Participaram o presidente da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura, Eloi Ferreira de Araújo; a coordenadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro da Universidade de São Paulo, Eunice Prudente, e a professora do Departamento de Antropologia da PUC-SP,Teresinha Bernardo. Confira.

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J.Roberto Militão

 

Morgan Freeman em 40 segundos: como combater o racismo?

http://www.luisnassif.com/forum/topics/morgan-freeman-em-40-segundos-com...

         Prezados,

         Neste mês da ´Consciência Negra´ de 2012, para a nossa reflexão, uma mensagem do notável e mais prestigiado ator afro-americano e talvez, a meu sentir, o maior ator afrodescendente de todos os tempos.

         Num vídeo de menos de 1 minuto:

         http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BOPcy-...

         Mês da ´Consciência Negra´, o que acha disso? MORGAN responde: ridículo.

         Na condição de ativista contra o racismo, defendo a destruição do conceito de ´raça humana´ e mais ainda, compreendo que somente racistas aceitam o estado patrocinando a ´raça estatal´ e as políticas públicas em bases raciais, que vulgariza e torna costumeiro o uso de critérios e causas raciais.

         Em relação ao tema do ´Mês da Consciência Negra´, acredito que o mais certo seria o que defendemos desde os anos 1980 e agora tem sido manipulado: o reconhecimento na historiografia oficial de ZUMBI DE PALMARES, na condição de nosso primeiro herói nacional. Bem antes e mais que Tiradentes ele de fato liderou uma ´República Independente´, onde viviam pretos, pardos, índios e brancos pobres, simbolizando, a luta pela liberdade.

         O que temos visto é a apropriação da figura heróica para a afirmação do nefasto conceito de ´raça´ e a defesa da estatal prática de classificação racial dos humanos deve ser estigmatizado e repudiado, cabendo ao estado, a abstenção de sua prática. A cada mês de novembro, uma pleiade de medidas públicas e estatais conduzem à segregação de direitos raciais, em nome dessa ´Consciência Negra´, que na verdade é a busca de uma ´consciência racial´ que os brasileiros em geral, e os pretos e pardos, em especial, jamais tivemos.

           A consciência racial, ou o pertencimento racial, em vez de liberdade é uma prisão, imutável e irrenunciável, já ensinava em 1936, SERGIO BUARQUE DE HOLANDA em ´Raízes do Brasil´. O ´ser nacional´, dizia SERGIO, é livre, mutável. O ser racial está preso a um sentimento que jamais se libertará, por isso, imutável. E, o pior disso, é que tal patrimônio racial é mais perverso e produzirá mais conflitos entre os mais pobres. Quem nada tem, o pertencimento a uma ´raça superior´, passará a ser um ativo com efeitos conhecidos nas sociedades racistas. A ´Kukluskan´, terrível organização racista do sul dos Estados Unidos, embora financiada por milionários como HENRI FORD, o patrono da FORD FOUDACION, era e ainda é constituida por pobres, filhos de trabalhadores, e tinha por objetivo maior, colocar os pretos em seu devido lugar desprovidos da ambição de igualdade de tratamento e de oportunidades.

         O principal propósito dos defensores dessa segregação racial, cujo mês da ´Consciência Negra´ tem sido oportunidade de expressão política não é a falaciosa igualdade racial, pelo contrário, buscam a provocação de reações racistas justificadoras de novas medidas de ´proteção´. Ao contrário do que pensam os defensores de políticas raciais estatais, prefiro o racista constrangido e envergonhado de sua má formação e de seu defeituoso caráter.

         Prefiro me dedicar à luta pela destruição da crença em ´raças´, pois, conforme FRANTZ FANON: "Numa sociedade com a cultura de raça, a presença do racista, será, pois, natural." A maioria dos brasileiros não quer conviver com os racistas.

 

José Roberto F. Militão, ativista contra o racismo e contra a ´raça estatal´. "Numa sociedade com a cultura de raças a presença do racista será, pois, natural." (Frantz Fanon, 1956).

 
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raf

Ótima sugestão. Especialmente depois de ter se usufruído de anos e mais anos de lutas para que os negros, que lá representam 13% da população, chegassem onde chegaram: cargos de direção em empresas, farta representação no audiovisual mais poderoso do planeta e, ora vejam, reeleição de um presidente negro para o cargo mais importante da Terra. Sem falar de inúmeros prefeitos, governadores. Na terra da KKK (a que não tem a menor graça). Enquanto isso na nossa fundante Bahia, nada. Até os branquelos Rio Grande do Sul e Espírito Santo já nos deram governadores afrodescendentes. O Rio Grande também reelegeu um senador negro corajoso que segue uma luta contra aqueles que dizem que o racismo no país não é estruturante da nossa realidade.

 

Prova que os brasileiros não tem a legítima (porque refaz a história de cada um, necessidade básica de todo ser humano) concepção de pertencimento racial. Estás desafiado. O que existe na verdade é que todos têm esse direito, mas quando chega a vez do negro, vêm as perguntas de gênio: "quem é negro, afinal?", "qual a cor do negro?", e por aí vai. A negação do negro através de um viés pseudo-humanista e pseudo-emancipador...

Felizmente o Brasil está mudando e as pessoas não têm mais receio de reinvidicar  e reescrever a sua história.

 

P.S.: No momento que escrevo isso assisto ao seriado americano Private Practice. Muitos, muitos atores negros em posição de destaque. Parece o Brasil que virá.

 
 
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jc.pompeu

refletindo sobre a consciência negra pela micropolítica, pela história da mentalidade da vida cotidiana prosaica e das vidas passadas... no período da escravidão no Brasil, nos deparamos com situações legais, sociais, familiares ou parentais sui generis:

"Analfabeto por vontade expressa da sociedade dominante, o escravo brasileiro é, para nós, testemunha silenciosa de seu tempo. São, de fato, raras as oportunidades que lhe permitem expressar-se por si próprio: quando escravo, ele fala pela rebelião, pela fuga, pelo suicídio, e até mesmo pelo crime, falas que são gestos de protesto violentos, mas gestos corajosos, gestos de homens indomáveis e desesperados. Quando libertável ou liberto, o ex-escravo fala através daqueles documentos que lhe restituíram a liberdade, e que, tirando-o do anonimato, deram-lhe um rosto e existência própria. Todavia, parece que a maioria dos 3 milhões e 500 mil escravos trazidos para o Brasil não foi nem rebelde, nem fugitiva, nem suicida, nem criminosa, e morreu escrava sem nunca ter se libertado das "malhas do poder" escravista.

[...]

Mas varias dessas crianças têm irmãos e/ou irmãs mais claros ou mais escuros do que eles. Há mesmo casos em que uma parte dos irmãos é livre, a outra escrava, situação que ilustra bem a seguinte história:

Em 1872 falecera, em Salvador, Diogo Correia da Rocha, de seu estado viúvo, sem filhos, originário de Pernambuco, e, segundo tudo indica, pequeno feirante na praça de Salvador. Ao falecer, Diogo deixou quatro escravos e a seguinte situação: uma moça africana nagô chamada Joaquina, já liberta, mãe de Inês, mulatinha que Diogo reconhece como sua filha legítima e universal herdeira. Contudo, por parte de mãe, Inês tem três outros meio-irmãos que são escravos de seu pai. No seu testamento, Diogo dá liberdade gratuita à meia-irmã, a crioula Leopoldina, mas obriga os dois outros meio-irmãos de sua filha, os crioulos Felis e Cosme, ambos oficiais de pedreiro, a trabalharem para a irmã Inês, dando-lhes 320 réis por dia até que esta complete seus quinze anos, após o que os dois crioulos ficam livres. Quanto ao quarto escravo, o crioulo Benedito, oficial de calafete, este poderá ficar livre se no prazo de dois anos pagar à herdeira Inês a quantia de 400$000 réis. Infelizmente, o documento não dá nem a idade de Inês, nem a de sua mãe, nem as de seus meio-irmãos, mas nos põe perante uma situação extremamente pungente, na qual as obrigações decorrentes da situação escravista sobrepõem-se e dominam as que naturalmente brotariam do bojo das solidariedades familiares. Não tentemos, porém, nem sequer imaginar o que essa situação podia representar na mente daqueles cuja matriz biológica era comum, mas que se achavam do lado de cá, ou do lado de lá, da divisão livre/escravo. Desta maneira, a criança escrava não somente convivia com irmãos de cores diferentes, como também convivia com irmãos de status diferentes, que, legalmente, podiam tornar-se seus senhores. 

Eis aqui, talvez, um elemento que nos permite entender melhor porque tanto a mulher escrava africana, como a escrava crioula mostram-se pouco apressadas de prodigar filhos a esse tipo de sociedade. Com efeito, a maioria das mães escravas tem durante toda sua vida fecunda, no máximo de um a dois filhos, sendo raras as mães que possuem mais de cinco ou seis filhos.

Crianças com mães, crianças sem mães, crianças crioulas, pardinhas, cabras ou mulatinhas, todas essas crianças que nascem ou chegam com essa idade em Salvador são socializadas, não através da família, como nós a entendemos - família que frequentemente inexiste, mesmo quando é monoparental - mas através do contato que para elas estabelecem os que cuidam de sua integração na comunidade escrava e na de seu senhor."

História da Criança no Brasil (org. Mary del Priore): O Filho da Escrava, Kátia de Queirós Mattoso




 

 


 

"Ganhe as profundezas, a ironia não desce até lá" Rilke. "A ironia é o pudor da humanidade" Renard. "A ironia é a mais alta forma de sinceridade" Vila-Matas.

 
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Adriana Maria Carvalho

Vi 3 crianças negras se tratarem como macacas, então perguntei porque elas se chamavam assim, elas responderam que era um apelido CARINHOSO!. 

 
 
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mucio

Responde pra mim. Qual a cor de um negro?

 
 
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raf

Branco rosado, com nariz afilado e olhos bem puxados. Os cabelos são lisos num tom entre o louro e o ruivo.

Se precisar de mais informações é só consultar. Grato em ajudá-lo.

 
 
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implacavel

Joaquim Barbosa na presidência do STF: Há motivos para comemorarmos?

De: Sergio José Dias - Blog Pele Negra

Um retrato do poder no Brasil. Até quando?

Sem dúvida, na última sexta-feira, os negros brasileiros, e a sociedade brasileira como um todo, tiveram um grande motivo para comemorar. Afinal, assumia a presidência do STF um legítimo representante da massa desvalida deste país. Vindo dos cantões do Brasil, Joaquim Barbosa cumpriu uma trajetória das mais interessantes e vitoriosas, de Paracatu à Praça dos Três Poderes. Nem o mais brilhante dos profetas poderia imaginar, que após operário, um torneiro mecânico de profissão, um homem negro, um afrodescendente, faria História também.

Entretanto, se há razão para exultar, há também para lamentar. As fotografias, os vídeos, todo manancial midiático que cercou o evento de posse do primeiro negro na presidência do Supremo Tribunal Federal nos servem muito mais de alerta e reflexão. Afigura do ministro Joaquim Barbosa naquele púlpito, inclemente, lúcido, às vezes parecendo pouco à vontade em sua nova condição, cercado pela elite jurídica, sobretudo, nos fazem serenar em nossos bordejos venturosos. Convém retornar ao cruel feito da História. A realidade nos faz aquietar.

Não há como deixar de contar o número de afrodescendentes ali presentes. Em particular, restritos ao mundo jurídico, quantos eram os negros, naquele momento? Em outras palavras, quantos são os negros, advogados, juízes, desembargadores, ministros? Quantos pertencem aos quadros dos vários tribunais existentes, TSE, STJ, STF e tantos outros estaduais e federais? Podemos até mesmo imaginar, como seria a posse do ministro Joaquim Barbosa se só contasse com a presença de membros do Poder Judiciário, um homem negro cercado de brancos por todos os lados.

Por este ponto de vista, podemos ver o ministro Joaquim Barbosa como um cometa de luz brilhante, mas que como tantos outros, passará. Ficarão as estrelas, os planetas, os satélites, contudo, aquele astro de fulgor destacado passará, como outros já passaram.

Com certeza, por isso, a cerimônia foi aberta a um público que não frequenta as lides do fechado círculo jurídico do país. Certamente estavam ali presentes alguns parcos representantes da elite afrodescendente do país. Se o presidente do STF usou deste expediente para se ver cercado de uma platéia "multirracial", não o sei, mas foi o que aconteceu. Coube no salão do STF grande parte de nossa elite negra. Artistas, intelectuais, empresários, quantos o são? Podemos contar! Pois é, e somos 51% da população, segundo o último censo do IBGE. Triste Brasil, "tristes trópicos"!

Recentemente realizou-se, em Brasília, um seminário, cujo tema foi a sub-representação negra no parlamento brasileiro, o porquê deste fato, de 513 deputados, apenas 43, se dizem afrodescendentes, de 81 senadores, apenas dois. Enfim, o que há por trás deste dilema? Algumas conclusões interessantes foram tiradas. Em primeiro lugar, há a necessidade de "uma reforma profunda do sistema político brasileiro para que se garanta a diversidade racial". Propôs-se também o financiamento público de campanha e até mesmo o estabelecimento de cotas raciais no acesso ao parlamento. Isto já foi feito na Índia para que os párias, casta discriminada, pudessem ter representantes nas assembleias, daquele país . Este é um debate da maior importância. Está no seu início, mais adiante teremos desdobramentos.
Fica a pergunta: Quantos negros há nas camadas mais altas dos três poderes? Precisamos saber!

Mais detalhes sobre o seminário no link: http://africas.com.br/portal/baixa-representacao-negra-no-parlamento-e-r...

 

"Não existe testemunha tão terrível, nem acusador tão implacável quanto a consciência que mora no coração de cada homem." Políbio

 

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