Os excessos em repúblicas estudantis

Por Dario Lenza

Parentes de jovem criticam excessos em repúblicas

Do Estado de Minas

Enquanto cuidavam de liberar corpo de mais um universitário morto em república de Ouro Preto, familiares criticaram excessos nas moradias e pediram intervenção da universidade

No dia em que a Ufop lamentava a morte de mais um aluno, estudantes de outra moradia já preparavam bebidas para animar festa (Jackson Romanelli/EM/D.A Press)  
No dia em que a Ufop lamentava a morte de mais um aluno, estudantes de outra moradia já preparavam bebidas para animar festa

Ainda chocados com a morte do estudante Pedro Silva Vieira, de 25 anos, familiares do jovem criticaram o comportamento dos universitários nas repúblicas de Ouro Preto, geralmente relacionado aos excessos de álcool e drogas. Apesar de saberem que Pedro bebia, parentes que estiveram ontem na cidade para cuidar da liberação do corpo acreditam que a morte do universitário pode estar ligada aos trotes dos veteranos. Neles, calouros são encorajados a consumir bebidas alcóolicas quando cometem algum erro de conduta ou nas festas em que deixam de ser “bixos”, como são chamados os novatos. Pedro era aluno do curso de química industrial da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e estava no segundo período.

O alerta para que os jovens da Ufop se conscientizem partiu do pai de Pedro, Ricardo Newton Vieira, que estava ontem resolvendo questões burocráticas para o enterro do filho. O sepultamento ocorrerá hoje, no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara, Região Noroeste de Belo Horizonte. “Ele era um rapaz tranquilo, acostumado a beber, não era um bobo. Mas essas festas são perigosas, porque são regadas a muita bebida”, disse.

Uma amiga da família que acompanhava os parentes do jovem em Ouro Preto e preferiu não se identificar também foi enfática ao criticar os excessos. “Ainda não sabemos a causa da morte do Pedro. Mas ele participou de uma festa na república onde morava e tudo indica que bebeu demais”, disse a mulher. Ela lembrou que não é a primeira vez que isso acontece com alunos da Ufop. “Há pouco mais de um mês, outro estudante morreu vítima de excesso de bebida, e isso pode ter ocorrido também com o Pedro”, afirmou.

Diante do que classificou como “morte banal”, a amiga da família chamou a atenção também para a necessidade de as famílias e da própria Reitoria da Ufop trabalharem com os alunos a questão dos riscos do álcool e das drogas. “É preciso haver algum tipo de fiscalização. A universidade precisa estar mais próxima das famílias, principalmente porque a maior parte dos estudantes é de outras cidades. Por outro lado, os familiares devem estar mais atentos ao comportamento de seus parentes”, alertou.

Em rede

A morte de Pedro Vieira repercutiu também entre amigos e colegas. No perfil do estudante no Facebook, entre muitos comentários a respeito do episódio, sua amiga Evelynn Alcântara criticou a “inclusão/aceitação social através da indução ao alcoolismo e à promiscuidade nas repúblicas”. “Quantos mais terão que morrer em prol de um status idiota e de uma tradição imbecil?”, escreveu.

Ainda se referindo às circunstâncias da morte de Pedro, ocorrida durante uma festa para a aceitação do estudante na República Saudade da Mamãe, a chamada “escolha”, Evelynn defendeu a “liberdade de escolha”. “Pela liberdade de ser ‘escolhido’ em paz. Digam não à tal escolha do descanse em paz!”

Já as amigas Rafaela Queiroz, Mariana Vaz e Ana Paula Gomes se confortaram com uma frase dita por Pedro há pouco mais de uma semana. “Se pela força da distância nos ausentamos, pela força que há na saudade iremos nos encontrar”, postaram. Em outro comentário, Thaís Coutinho Teixeira lembrou o jeito alegre do amigo. “Como acreditar que não verei mais a sua alegria?”, lamentou.

República

Os moradores da Saudade da Mamãe preferiram o silêncio e não se manifestaram em nenhum momento. A república tem uma página no Facebook com 2.145 fãs, mas não usou a rede social para comentar a situação ou manifestar solidariedade à família de Pedro Vieira.


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12 comentários
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Francisco A Souza

Sou formado em Ouro Preto na turma de 1979 e de lá pra cá, anualmente retorno para a festa de aniversario da escola em Outubro. Não vejo nada de diferente em Ouro Preto, que não ocorra em outras republicas de estudantes que conheci em Piracicaba, Botucatu, Crusp e Campinas. Em Ouro Preto ocorre um fato que amplifica todas as ocorrencias em republicas: uma infernal pressão da industria hoteleira local para acabar com as republicas, que na maioria são pertencentes a Universidade, proporcionando moradia de baixo custo aos estudantes. Espero que os alunos da Universidade Federal de Ouro Preto consigam passar por mais ésta tragédia e tenham tranquilidade para ajudar a preservar um patrimonio importante para estudantes do Brasil e muitos que vem de outros paises da America Latina.

 
 
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Eduardo BH

As coisas estão realmente mudando na Universidade. Estive em um show pelos 85 anos da UFMG e havia uma faixa do movimento estudantil que pedia a liberação de festas no Campus. Será que nossas Universidades não precisam de mais nada? Será que nossas bibliotecas já tem livros o bastante? Isso me lembra uma música do Língua de Trapo, que fazia um protesto pela "colocação de papel higiênci perfumado nos banheiros de nossas faculdades..."

 
 
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diogojfaraujo

Num guenta bebe leite...

Sempre foi assim, sempre será. Não adianta culpar cervejaria, governo, psdb, a falta de deus no coração...

Bebe quem quer, fuma quem quer... Viva as repúblicas!

 

ANTIFA!

 
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vitor gomes

Que tal deixar a hipocrisia e o cinismo de lado? Cerveja vende, e muito. E muita gente compra e acha ótimo e até conta vantagem de 'quantos engradados bebeu'. Hoje é mais chuiqe: tá na base do litrão. E esse papo da universidade intervir... Esses caras não são maiores, não? Não têm família que os sustenta, não? E se sujeitar ao que se sujeitam é de se esperar isso ou algo pior, não? Vão continuar morrendo e, tomara, morra um bacana desses (ou dessas), filhos(as) de família bem burguesinha e rica. Aí, quem sabe, se faça algo de efetivo., já que é só assim que se toma alguma providência no país: quando atinge o bolso (e a famiglia) de quem tem grana.

 
 
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Fernando Bueno

Concordo que os jovens tem que viver a juventude. Quando fiz a graduação participei de muita festa, etc. etc.

Mas,... o mundo mudou nesse últimos 20 anos.

As festas que participei não eram patrocinadas por nenhuma cervejaria. Aliás, a cerveja era cara (ou eu - e a maioria dos meus amigos - é que tinha pouco dinheiro, não sei).

Não sei o que aconteceu lá em Ouro Preto. Mas, vejo que foi criado um mercado dos "festejos estudantis". Empresas que promovem festas universitárias. O patrocínio de cervejeiras sempre acompanha o pacote.

Esse assunto está sempre envolto em muita hipocrisia. As "Ligas das Senhoras Católicas" está sempre a postos para atirar pedras e condenar a depravação dos jovens. O interessante é que muitos beberões, ao se tornarem barrigudos querem se tornar defensores da moral. Querer que a universidade controle a vida privada de seus alunos é demais. 

Se não quer que seu filho beba, dê o exemplo: não beba.

 
 
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Nisio

Um exemplo da demonstração da alienação total de grande parte dos universitários de hoje. Estamos colhendo os frutos da ditadura, do domínio da cultura e do consumo de massa pelo PIG, onde as pessoas se representam pelo consumo, condicionados pelos padrões de consumo. Vemos mais uma vítima do império da comunicação, onde veiculam dia e noite o consumo de bebidas alcoólicas, vide o caso recente do BBB. Sem excluir o laser sadio, estas repúblicas deveriam ser espaços de construção de brilhantes profissionais que se formaram pelo laborioso estudo, questionamentos e debates técnicos dentro da área escolhida. Mas nestas repúblicas, é valorizado quem mais bebe, quem mais excede nas orgias. Este é um retrato da idiotice e alienação de parte dos universitáios de hoje.   Neste aspecto o aecim é uma prova viva destes  tempos.


De outro lado, vemos a pobreza do piguinho estado de minas, com uma reportagem rasteira e muito rudimentar.   

 
 
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Ivan de Union

"exemplo da demonstração da alienação total de grande parte dos universitários de hoje. Estamos colhendo os frutos da ditadura":

Muito obrigado, Nisio, voce me lembrou da palavra exata que eu queria achar antes e nao consegui:  o tom geral da reportagem eh o do paternalismo -dos mais caras de pau.

 
 
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Michel

Fiscalizar o que? A diversão da molecada, uma das poucas boas lembranças que ficarão na memória quando chegarem à velhice? Só faltava essa.

A morte de um jovem estudante é sempre trágica, assim como é trágico o sensacionalismo da gloriosa imprensa. Já fui muito a Ouro Preto; conheci algumas repúblicas e desde sempre rolou muito álcool & cia por lá. Fazer o que numa cidade "down" onde praticamente não existe diversão? Imagine quando os urubus da mídia descobrirem que algumas repúblicas têm até boite. "Putaria paga com dinheiro público" - proclamarão ao descobrirem que as repúblicas são mantidas com recursos do gov de MG.  É saudável discutir o assunto, mas deixem a molecada viver sua juventude em paz.

 
 
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Ivan Arruda

Taí um dos motivos de não termos, não diria estadistas, mas homens. Antigamente os alunos conspiravam em causas que acreditavam ou eram levados a acreditar. Hoje, a droga, a bebida e as orgias é que os unem fora dos bancos escolares. Os estudantes continuam reivindicando comida barata e não me surpreenderia se, o fim dos atos exceção o AI 5. Além de cantarem as músicas do nosso tempo. Se houvesse vontade em conscientizar nossos jovens motivando-os a participação e construção de um grande País, os afastaríamos um pouco das drogas. Como estão focados nas coisas de um tempo passado, onde só àuelas mortes e sumiços eram terríveis, não percebem o novo jugo a que estamos submetidos. Nem os extermínios de jovens.

 
 
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José Junior

Perdoe-me a dor dos familiares, mas, se realmente o pai do jovem disse "Ele era um rapaz tranquilo, acostumado a beber, não era um bobo.(...)", não acho que ele possa repassar lições a ninguém enquanto não mudar a própria mentalidade em relação à bebida e a quem não a consome, seja por qual motivo for.

 
 
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Ivan de Union

Essa era a finalidade da reportagem  Culpa esparsa.  So que eu nao caio nesse golpe.

Notem que nao consta que a reportagem foi atraz de alguem da republica e ninguem nela tem nem sequer nome:  o que ta escrito na ultima linha eh que "ninguem usou" a pagina do FB pra se desculpar pra familia do morto.  Ta na cara que tem gente muito rica nessa republica.

Quanto mais eu leio mais eu me embarasso com esse lixo..

 
 
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Ivan de Union

A reportagem eh cheia das fraquissimas sentencas e falta de informacao policial caracteristicas de quem esta lidando com ricos:

chocados com a morte do estudante, familiares do jovem criticaram o comportamento dos universitários, geralmente relacionado aos excessos. Apesar de saberem que Pedro bebia, parentes acreditam que a morte do universitário pode estar ligada aos trotes dos veteranos, calouros são encorajados, quando cometem algum erro de conduta ou nas festas, alerta para que os jovens da Ufop se conscientizem partiu do pai de Pedro
Uma amiga da família, preferiu não se identificar, enfática ao criticar os excessos, tudo indica que bebeu demais, não é a primeira vez que isso acontece com alunos da Ufop, outro estudante morreu, pode ter ocorrido também com o Pedro”

Me sinto levemente embarassado e sujo de ler alguma coisa assim.  Informacao mesmo, nada.  Se a reportagem fosse de setimo dia ou de um mes eu ate entenderia, mas ela NAO TEM informacao a respeito do que aconteceu e parece ter sido escrita com finalidade explicita de esparsamente culpar os ceus pela morte do estudante pra que ninguem seja culpado explicitamente.

Como eu disse, eh embarassante ler algo assim.

 
 

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