O debate sobre o uso da Praça Roosevelt

Do Estadão

Agressão de GCMs contra skatistas reacende debate sobre uso da Roosevelt

Após vídeo causar grande discussão na web, corporação afasta agente que aparece sem farda nas imagens e outros colegas envolvidos

Juliana Deodoro

SÃO PAULO - A Prefeitura afastou na segunda-feira, 7, integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) envolvidos em uma agressão contra skatistas na sexta-feira na Praça Roosevelt, no centro da capital. Além de uma "gravata", dada por um guarda sem farda em um dos skatistas, pelos menos outros cinco jovens foram atingidos por spray de pimenta. Gravado por um deles, o conflito teve ampla repercussão na internet - até as 20h15 de segunda, foram 408 mil visualizações. Esse foi mais um capítulo da disputa pelo uso da Roosevelt desde a reinauguração, no fim do setembro.

No vídeo, um guarda sem farda dá uma "gravata" e agride verbalmente o skatista William Matheus, de 20 anos. Segundo ele, os guardas o confundiram com outro garoto que os havia xingado e exigiram que ele fosse até eles. Matheus negou e começou uma discussão. "Eu já não ia reagir, estava cercado. Aí o cara (guarda sem farda) chegou querendo me apavorar." Skatistas que tentavam defendê-lo foram atingidos por spray de pimenta.

O jovem foi acusado de desacato à autoridade e diz que não pretendia divulgar as imagens da agressão. "O Edu (Eduardo Régis, skatista atingido pelo spray) colocou na internet e bombou. Não esperava essa repercussão toda, mesmo porque isso já aconteceu outras vezes na praça." No vídeo, o guarda à paisana afirma que eles teriam imagens dos skatistas jogando pedras contra os guardas. Nenhuma dessas imagens foi encontrada e a secretaria não confirmou sua existência.

Histórico. Outro vídeo de conflito na praça também circulou na rede. Em novembro, um skatista foi preso após agredir um guarda. A viatura da GCM que o levava foi cercada por amigos do detido e ele foi liberado.

Para tentar resolver questões como essas, a Ação Local da Roosevelt e a Confederação Brasileira de Skate (CBSK) têm se reunido desde outubro para definir regras de ocupação da praça. Ficou decidido que os skatistas poderiam usar o espaço entre 8h e 23h e uma área próxima à Rua da Consolação seria reservada para a prática do esporte. Dois meses depois do acordo, pouco foi feito nesse sentido. 

O presidente da Ação Local, Jader Júnior, afirma que os skatistas têm respeitado o horário de uso, mas que o espaço da praça é totalmente ocupado por eles. "Não dá para definir uma ordem se as placas não forem instaladas e a área não for reservada", diz. Segundo ele, grande parte dos skatistas que frequentam a Roosevelt vem de outras regiões da cidade. "Queremos conviver com todo mundo, mas desde que eles respeitem os moradores. Não é o que acontece sempre. Eles estão ocupando o espaço, depredando o patrimônio, há uma série de problemas."

Jader Júnior afirma que no sábado, um dia após o conflito com os skatistas, uma criança foi atingida na cabeça por um skate de uma pessoa que andava na praça. O pai da criança quebrou o skate e levou o filho para o hospital. "A realidade de quem tem de conviver com o skate na praça é bem diferente", reclama. 

Para o vice-presidente da CBSK, Edson Scander, os conflitos continuarão até que as mudanças definidas por essa comissão sejam implementadas. "Hoje, o skatista e outros usuários não sabem nenhuma regra do local. Os skatistas estão tentando usufruir o espaço público, que já é pouco na cidade, e de repente são surpreendidos de forma truculenta."

Ele afirma ainda que uma reunião do Conselho Gestor da Praça já deveria ter ocorrido neste ano, mas nem a Confederação nem a Ação Local sabem por que foi cancelada. "O skatista não quer confronto, só quer espaço para praticar seu esporte."

Futuro. De acordo com o subprefeito da Sé, Marcos Barreto, uma reunião será marcada nos próximos dias com a GCM e os secretários da Segurança Urbana e do Verde e Meio Ambiente para discutir com a comunidade e o Conselho Gestor as regras que eles querem para o lugar. "É uma questão de ajuste", garante. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirma que "não tolera" condutas como as dos agentes envolvidos no incidente da Praça Roosevelt.

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13 comentários
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Raphael Tsavkko Garcia

Conversei longamente com Paulo Puntel, advogado da Confederação Brasileira de Skate (CBSK) e com Saulo Godoi, skatista das antigas e com outros skatistas e, apesar de continaur a achar que temos muitos problemas a serem resolvidos, há esperança de resolvê-los. Uma boa quantidade de skatistas experientes e a CBSK tem total intenção de cooperar com a Ação Local para delimitar e sinalizar área para a prática do esporte. Eles compreendem os problemas dos moradores.

Aliás, foi interessante ver que, frente à nossa reclamação de que o barulho é imenso, alguns skatistas disseram não saber que era tão ruim, não sabiam do transtorno que causavam e ao invés de, como alguns esperariam, ligar o foda-se, se mostraram genuinamente preocupados e dispostos a colaborar.

Foi possível até que o Paulo e o Saulo conversassem com membros da Ação Local, alguns até radicalmente contra o skate, e chegar a um denominador comum e encontrar as bases para um diálogo que pode resolver uma parte considerável de nossos problemas.

Surgiu a ideia de um skate plaza, de espaços culturais.... Foi uma tarde bem produtiva. Foi possível até fazer com que skatistas e membros da Ação Local conversassem e se entendessem!

O nosso maior problema aqui é a falta de diálogo, mas encontramos agora com quem dialogar, e bases comuns. Os moradores moderados, que acham que skatista tem sim direito a ocupar o espaço, mas com regras, finalmente econtraram apoio em skatistas que compreendem nossos problemas.

De fato não é possível ocupar a praça toda, é preciso um espaço delimitado, para que acidentes não ocorram, com horário e etc.

Aliás, fiz questão de prestar solidariedade ao William, agredido pela GCM, que também entendeu a reclamação dos moradores contra os skatistas e se mostrou pronto a colaborar. Muitos skatistas são de fora do bairro e mesmo de São Paulo, sem nenhuma sinalização ou regras claras é esperar demais que alguém ache que está fazendo algo errado em ocupar um espaço imenso e virtualmente livre.

Não há nada melhor que o diálogo, que o entendimento.

Como tirada humorística e irônica, quando estava me despedindo dos skatistas e agradecendo pelo papo, fui atingido na perna por um skate desgovernado e, claro, eles brincaram que o único morador que tinha ido conversar com eles e buscado o diálogo ia, depois da porrada, mudar de idéia e falar mal deles!=)

Acidentes acontecem e, no fim, o que estamos buscando é exatamente evitá-los, através da conversa e da convivência. A praça é de todos, mas todos precisam respeitar regras e outros grupos.

http://www.tsavkko.com.br/2013/01/agressao-skatistas-na-praca-roosevelt-...

 
 
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leonidas

O problema é que skatista tende mesmo a ser folgado e incomodar quem nao seja.


Uma mulher com crianças nao tem a menor segurança em um ambiente com um bando de homens feitos com mais de 60 kg andando em algo que eles mesmos nao sabem se irao sair inteiro de cada suposta manobra.


Um idiota desses pode machucar gravemente uma criança.


Entao o lugar do skatista tem que ficar claramente delimitado e eles PERMANECEREM POR LÁ


As pessoas se esquecem qeu democracia nao é anarquia e a lei existe para ser cumprida e quem a faz cumprir noa pode ser considerado facista.


o abuso deve ser contido, nas imagens que vi eu pude perceber que o guarda ofendia de modo absurdo um skatista que o filmava como tambem vi no facebook do mesmo guarda um estilo que nada tem relaçao com alguem que exerce funçao em segurança publica.


feito esta ressalva e importante ressaltar que a contençao de qualquer pessoa que nao acate a intervençao ( pois eu vi a filmagem apos a chave , e nao vi a filmagem que teria dado motivos a imobilizaçao do skatista ) é necessarimente um ato de força e como tal deve-se entender que nao tem como fazer isso de modo amistoso ou que leve um grupo ( no caso os skatista ) a aceitar de bom grado.


O estado atraves de suas forças de segurança tem o monopolio do uso da força e isso é LEGITIMO para resguardar interesse publico e dos demais cidadaos


Há muita hipocrisia nessas horas no trato da questao, constatar que as agressoes verbais do guarda ( como tambem o estilo que ele aparente no facebook ) nao tem relaçao com a etica de sua profissao é uma coisa.


Usar isso para questionar a açao da guarda que visava coibir a pratica abusiva dos skatistas é OUTRO ASSUNTO...  

 

leonidas

 
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Vagalume do Brejo

A "veja" é um panfleto do atraso, onde se manifestam as pessoas mais retrogradas do país e de fora, isso todos sabemos. Mas se este facista que denominam "Rei" estuda-se o assunto ia descobrir que um dos maiores icones do skate mundial é um brasileiro que teve de sair do país para fazer sucesso por não encontrar patrocinio, apoio, mercado, tanto por parte dos governos como da iniciativa privada. Talvez este déspota desinformado não goste de skate mas sim das taurus, se é que vocês me entendem.


Os ignorantes sempre querem destruir o que não intendem.

 
 
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Vagalume do Brejo

Os sktistas devem adorar aquele monte de concreto, realmente a praça foi transformada em uma enorme pista de skte.


Agora, policia violenta que age a revelia da lei é coisa cotidiana nos bairros centrais e mais ainda nas periferias, não se trata de um problema da praça, é algo que se espalha pela cidade, é sintoma do proprio conflito de classes.


 

 
 
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Paulo P. Ribeiro

Herança kassabista a ser desmontada por Haddad

 
 
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lauro renato

Neste assunto, ponto que tb gerou muita polêmica (e revolta) foi um texto publicado por um "jornalista" militante, vulgo "Rei" da Veja, onde ele acusa que skatistas urbanos são, genéricamente, um bando de maconheiros e vagabundos, e ainda acha graça de tratarem skate como esporte.

E o problema não é o escriba em si, mas a crescente parcela populacional que ele(s) representa. É assustador ver esta crescente legião de conservadores radicais.

 
 
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Ledour

Mais um típico "reinaldo-dependente", que provavelmente nem leu seus artigos sobre o imbróglio (ou se leu não tem argumentos para rebate-los), sai por ai fazendo cangaço virtual. Coisa decadente.

Os tres ou quatro posts do RA sobre o tema são insontestáveis......

 
 
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alexandre toledo

" insontestáveis.." pode ate ser ... mas incontestavel não é mesmo....

 

alexandre toledo

 
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Rafael ramos

Você está enganado, os argumentos do Reinaldo Azevedo são falhos e contraditórios. Ele não deveria falar sobre assuntos que não entende, como arquitetura e urbanismo. Os textos desse cara quando da morte do Niemeyer são a prova disso, quando usou argumentos muito parecidos (mas muito parecidos mesmo) com os detratores da Bauhaus. Constrangedor.

A praça foi mal construída, essa é a origem do problema. Gastaram muitos milhões e gastaram mal. Fizeram uma praça para a especulação imobiliária, apenas. A saída dos Satyros é a prova disso. Como fizeram em outras reformas, como o calçadão da Paulista e a marquise do Ibirapuera, especificaram um piso completamente inadequado ao uso pretendido. Nesses casos, a única solução para "expulsar" os skatistas é a truculência, a violência, a repressão, a demagogia ou a completa descaracterização dos equipamentos urbanos com grades e sinalizações de "proibido". Há que investigar o por quê desse piso ter sido usado em diversas obras da prefeitura, sempre com o mesmo resultado, pois onde este foi feito os espaços foram ocupados pela turma da rodinha.

Foi muito dinheiro público para algo mal feito, pois tem piso para skatistas e bancos para a contemplação, misturando alhos com bugalhos com a previsível consequência do uso inadequado para ambos. 

 
 
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Fernando Cruz

Você nao leu PN do que o Reinaldo escreveu sobre o assunto, PN mesmo.

 
 
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Luiz C.

Obviamente porque nada do que ele escreve merece ser lido...

 
 
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IgorEliezer

Já mais que sabido que São Paulo não há espaço suficiente para gente; para carros, é uma prioridade. Podem comparar qualquer foto aérea de São Paulo com qualquer capital brasileira e cidades de porte no mundo para notar que na maioria delas há grande presença de parques, cinturões verdes, áreas de lazer, margens de rios preservados, enquanto São Paulo é um imenso lajão com três rios que são tratados como valões de escoamento. É o desespero para ocupar cada centímetro quadrado num dos maiores e mais despovoados países do mundo.

 
 
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Rafael ramos

Para mim houve um problema técnico, na especificação do piso. Quem escolheu esse piso liso e com poucas emendas pisou na bola. Não foi a primeira vez, fizeram igualzinho no calçadão da Paulista anos atrás, lembram-se? Antes ds truculência, da repressão, das grades, das proibições e do confronto, a técnica. A primeira medida deveria proibir esede tipo de piso em lugares que se pretendem públicos, sendo restrito a lugares onde a prática de skate e patins seja adequada. Gastaram milhões numa praça que não é adequada ao skate nem para a contemplação. Sabe o pior? Essa polência voltará quando liberarem a marquise do Ibirapuera das infiltrações.

 
 

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