Estudos analisam o sistema de cotas nas universidades

Por Assis Ribeiro

Dois estudos sobre a funcionalidade das cotas na Universidades. Um na UnB, outro na UFBA.

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Origem escolar e acesso a cursos valorizados

Se observada a origem escolar, o vestibular com reserva de vagas proporcionou uma revolução na UFBA, fazendo ingressar, nos seus cursos mais competitivos, parcela considerável de estudantes oriundos de escolas públicas, que estiveram, historicamente, excluídos desse espaço.  A participação de estudantes oriundos das escolas públicas, que era de menos de 27% em cursos como Medicina, Arquitetura e Urbanismo, Direito, Comunicação, Odontologia, Ciências da Computação, Engenharia Civil e Engenharia Elétrica, cresceu consideravelmente, ultrapassando os 43% das vagas a eles reservadas pelo sistema de cotas. A participação dos estudantes oriundos de escolas públicas, na UFBA, que estava em torno de 38% antes do sistema de cotas, elevou-se para 51% em 2005. Embora se verifique em 2006 uma redução deste patamar de participação para 44,9%, ele se mantém num nível acima do que é pretendido pelo sistema de cotas. Nos cursos de Ciências da Computação, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Geofísica, por exemplo, houve um decréscimo na presença de estudantes oriundos de escolas públicas, em relação a 2005, embora se mantendo o patamar da reserva de vagas. Vale observar que o sistema adotado pela UFBA não implica necessariamente o preenchimento da reserva, posto que ela depende do desempenho do estudante.

Esses dados demonstram o quanto são infundados os temores daqueles que viam na adoção do sistema de reserva de vagas o risco da desqualificação do ensino universitário. Confirmando achados de pesquisa anterior (Queiroz, 2003), o que demonstram essas informações é que a nossa universidade pública é um espaço extremamente seletivo, no qual a disputa por vaga, sobretudo nos cursos mais valorizados, é de tal dimensão, que somente a adoção de uma política de acesso específica, voltada para os estudantes das escolas públicas, nas quais a maioria é negra, pode assegurar que eles tenham alguma chance de ingresso. Como se pode perceber pelos dados apresentados, isso não significa uma flexibilização das exigências do vestibular ou a mediocrização do ensino, como alguns podem supor.
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Desempenho de cotistas e não-cotistas no vestibular

Os dados do desempenho dos estudantes no vestibular são outro importante indicador não apenas para avaliar o impacto da política de reserva de vagas, como também para dissipar expectativas pessimistas a respeito da medida. As informações sobre o desempenho de estudantes cotistas e não-cotistas, nos dois vestibulares com o sistema de cotas, mostram que a distância entre as médias de desempenho dos dois grupos é pouco significativa, na maioria dos cursos considerados de elevado prestígio social, como evidencia a Tabela 8, a seguir. No curso de Medicina, por exemplo, considerado o de mais difícil acesso, na UFBA, a diferença entre as médias dos dois grupos não chega a um ponto. O mesmo ocorre com o curso de Direito, também um dos mais almejados. As maiores distâncias observadas são no curso de Engenharia Elétrica (1,7), em 2006, e no de Engenharia Mecânica (1,4), também em 2006.
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Desempenho nos cursos


A adoção do sistema de cotas por universidades públicas, nos últimos dois anos, já nos permite analisar dados sobre o impacto do novo sistema de ingresso. Este fato é deveras significativo, já que somente tínhamos dados sobre o ingresso e o desempenho no vestibular. As hipóteses sobre a performance nos cursos estavam amparadas em dados relativos ao sistema de ingresso classificatório.

Na UFBA, em onze dos dezoito cursos de maior concorrência, ou seja, 61 % deles, os cotistas obtiveram coeficientes de rendimento iguais ou melhores que os não-cotistas, como mostra a tabela a seguir.

Tabela 10

Distribuição percentual dos alunos cotistas e não-cotistas com coeficiente de rendimento entre 5,1 e 10,0 nos cursos de maior concorrência nos dois semestres de 2005

Curso                                                   Cotistas                                   Não-cotistas

Administração                                          83,3                                             95,4

Arquitetura                                              85,6                                             81,3

Ciências da Computação                          66,6                                            53,7

Comunicação – Jornalismo                     100,0                                             87,5

Comunicação – Produção Cultural          100,0                                            88,9

Direito                                                       95,2                                            88,9

Enfermagem                                             87,5                                            64,2

Engenharia Elétrica                                  55,5                                             75,0

Engenharia Mecânica                                75,0                                           100,0

Engenharia Civil                                        94,1                                             80,0

Farmácia                                                   92,3                                             82,3

Fonoaudiologia                                       100,0                                              88,9

Medicina                                                   93,3                                               84,6

Medicina Veterinária                                 77,0                                               81,0

Nutrição                                                    87,5                                              92,3

Oceanografia                                            27,2                                              40,0

Odontologia                                           100,0                                              100,0

Psicologia                                                 77,8                                              100,0

 

Ao contrário da expectativa daqueles que se mostravam resistentes à implantação do referido sistema, temendo uma desqualificação do ensino, pelo ingresso de estudantes supostamente despreparados na Universidade, o exame do desempenho dos estudantes que ingressaram na UFBA, pelo sistema de cotas, revela resultados bastante animadores, nos cursos das diversas áreas de conhecimento.

A análise desses dados nos leva, portanto, a argumentar que o debate entre os intelectuais manteve-se no aspecto político-ideológico. Ora, aqui se revela um contra-senso. Se o que deve marcar o ambiente acadêmico é uma análise acurada, com posturas de exercício teóricometodológico, o que marca a postura contrária ao sistema de cotas, hoje, é uma resistência que transforma o debate em mera polarização. Ou seja, uma atitude maniqueísta que se traduz, na imprensa, em posturas contra e a favor das cotas.

Esta polarização ampara-se em argumentos frágeis, principalmente se observados os dados de desempenho no vestibular e nos cursos, ou mesmo se analisadas as experiências de projeto de permanência de estudantes cotistas. Em um trabalho recente, Barreto (2006) demonstra tanto o bom nível de desempenho dos estudantes que recebem bolsas nesses programas, assim como as suas distintas perspectivas. Os alunos negros que ingressaram por esse sistema tendem a se afirmar positivamente como negros e também como indivíduos, o que se expressa em práticas sociais de inserção em movimentos negros e não-negros, em associações estudantis ou em partidos políticos.

Assim, vale indagar o que significa a racialização da sociedade brasileira, tão temida e propalada por intelectuais contrários ao sistema de cotas, senão a defesa de pontos de vista que se traduzem em manutenção de privilégios e lugares de exercício do poder? Tais temores lembram os vaticínios de intelectuais que se debruçaram sobre a questão racial no final do século XIX e início do século XX.

E sabemos como certas previsões de cientistas sociais e de outros intelectuais tendem a ser desastrosas. Um olhar mais atento indicaria que os sistemas de cotas e/ou ações afirmativas aprovados em universidades públicas refletem as demandas internas e externas que se reproduzem,
em vários setores da sociedade brasileira, como políticas de “inclusão social”. A lógica é menos de importação de modelos e mais de respostas às crescentes desigualdades sócio-raciais do país. E isso pode ser visto no modo como a população respondeu à pesquisa DataFolha em 2006.

Trecho do Estudo: "Sistema de cotas: um debate. Dos dados à manutenção de privilégios e de poder." Por Delcele Mascarenhas Queiroz e Jocélio Teles Dos Santos (http://www.usp.br/revistausp/68/06-jocelio-delcele.pdf)

 

O estudo na UnB

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Nas Ciências, o balanço das comparações entre cotistas e não-cotistas difere bastante do efetuado para as Humanidades. Em todas as três turmas, na ampla maioria das carreiras de maior prestígio os alunos do universal obtiveram médias superiores às dos cotistas. Mas o cenário da área se mostrou distinto quando levados em conta também os cursos menos valorizados. Considerem-se os dados para o conjunto da área. Na turma mais antiga, os cotistas lograram melhor rendimento em 11% dos cursos da área, todos nas carreiras menos valorizadas, e em 21% dos cursos as diferenças foram desprezíveis. Na turma de 2005, invertendo-se o padrão anterior, os cotistas obtiveram melhores notas em quase 1/3 dos cursos da área e em mais da metade deles as diferenças entre os dois segmentos foram nulas ou diminutas. Na turma mais recente, os resultados favoráveis aos cotistas abrangeram 26% das carreiras, e em 47% não houve distâncias notáveis entre o rendimento dos dois segmentos.

No balanço final, somando-se as porcentagens dos resultados favoráveis aos cotistas com os percentuais de cursos em que as diferenças entre as notas foram desprezíveis, em ordem cronológica das turmas, obtem-se 32%, 84% e 63%. A grande variação entre esses valores não permite que se identifique alguma tendência. Mas se os dados relativos à primeira coorte forem tidos como outliers, e a indicação de tendências passadas couber a um termo médio entre as duas últimas turmas, nos cursos da área de Ciências na UnB não se poderia afirmar que os alunos do vestibular universal venham tendo rendimento sistematicamente superior aos cotistas, ainda que essa tendência esteja presente nas carreiras socialmente mais valorizadas.

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Trecho do Estudo: "Cotistas e não-cotistas: Rendimento de alunos da Universidade de Brasília." Por Jacques Velloso (http://www.scielo.br/pdf/cp/v39n137/v39n137a14.pdf).

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23 comentários
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Naomar Almeida Filho

Há um estudo mais recente (2010) e, creio, com análise estatística mais apurada.

http://pt.scribd.com/doc/60097186/Guimaraes-Et-Al-Social-Inclusion-in-Br...

 
 
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Assis Ribeiro

Seria o professor Naomar, ex- reitor da UFBA?

 
 
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Bruce Guimarães

 

Todos sabemos que existe dois tipos de escolas públicas: As escolas públicas boas e as escolas públicas ruins. As boas são formadas pelos CEFETs, Colégios de Aplicações das Universidades Federais e Estaduais, Colégios militares e alguns outros, esses colégios são muitas vezes melhores que os particulares; os colégios públicos ruins são na sua maioria formado pelas escolas estaduais. Sendo assim, um estudo sério deveria avaliar de onde está vindo esses estudantes, se dos colégios bons ou se dos colégios ruins. Penso que deva ser dos colégios bons, por isso que a qualidade do ensino não caí.

O problema do sistema de cotas não é caí ou não a qualidade do ensino das universidades. O problema do sistema de cotas, é você deixar de fora pessoas que muitas vezes, são melhores do que as que estão entrando. Por que um aluno de classe média teria menos direito de fazer um ensino superior que um aluno pobre?

 
 
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Assis Ribeiro

Bruce

O estudo é muito mais completo e longo do que o apresentado no Post que é apenas um chamado e os links então nele. Os estudos mencionam os alunos dessas escolas públicas de referência e das demais menos qualificadas. Vale apena acessar os links.

 
 
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Marcia

Bacana, Assis, esse post. Parabéns. Vc tem  colaborado  muito   aqui no blog.

Bom, vc  e  todos os  demais  sabem  que  eu   sou  totalmente favorável  ao  sistema  de   cotas. Vejo  que é   uma  forma  de inclusão  social para os pobres  e negros. E tem  dado  certo para o  desespero da  direita, da  Casa  Grande.

 

A verdade pode machucar mas é sempre mais digna.

 
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Durvaldisko

Também  não creio.Um aluno "mau formado" deve ser   pior de lidar do que uma  mal formado.Aquele,   manifesta  um problema de caráter ,já este ,  com uma boa lanternagem acadêmica  pode se recuperar o tempo perdido...

 
 
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Saulo Bortolon

Ola,

sou a favor das cotas. Acho que a forma de implementá-las terá que ser melhorada, ano a ano.

Há diferença na pontuação ENEM dos candidatos, sim. Se não houvesse diferença, não haveria sentido em haver cotas. 

Segue pontuação ENEM dos Candidatos em Cursos de Graduação da UFES no Vestibular 2013

Os gráficos abaixo têm como “zero” um mínimo de 2300 pontos no ENEM. Assim, uma pontuação igual a zero significa que o candidato fez 2300 pontos, e uma pontuação 600 significa que o candidato fez 2900 pontos. Todos os optantes por cotas são, necessariamente, alunos de escolas públicas no ensino médio. 

A linha azul indica a pontuação dos candidatos não optantes por cotas.

A linha vermelha  indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar INFERIOR A 1,5 salário mínimo por pessoa e que se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

A linha amarela  indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar INFERIOR A 1,5 salário mínimo por pessoa e que NÃO se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

A linha verde  indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar SUPERIOR a 1,5 salário mínimo por pessoa e que se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

A linha marrom indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar SUPERIOR a 1,5 salário mínimo por pessoa e que NÃO se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

Medicina
Engenharia da Computação
Engenharia Civil
Engenharia Elétrica
Ciência da Computação
 
 
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J.Roberto Militão

 

      Prezados, excelente: os gráficos do professor Saulo, traz luz ao aspecto da desnecessidade das ´cotas raciais´, pois os afro-brasileiros seriam contemplados com as cotas exclusivamente sociais.

     Percebo pelos gráficos a confirmação de minha cantilena e faltava um estudo sério para a comprovação: a reserva exclusivamente de cotas SOCIAIS com recorte de renda familiar até 1,5 salários mínimos bastariam o suficiente para a inclusão dos afro-descendentes ao mesmo tempo dos brancos pobres, que disputariam em igualdade de condições. Evidente que mesmo essas cotas sociais carecem da garantia aos beneficiários de um a dois anos de ´recuperação´ de conteúdos de matérias do ensino médio, com bolsas permanência etc etc. mesmo considerando que os ingressantes constituem os melhores talentos. Neste sentido a proposta do ´college´ em estudo nas universidades paulistas e já utilizadas em vários países, merece ser apreciada. Por hora, estou colhendo informações a respeito.

     Os gráficos confirmam exatamente isso: as linhas vermelhas, verdes, amarelas e marrons quase sempre ficam intercaladas, ou seja, especialmente as linhas vermelhas - pretos e pardos até 1,5 s/m - e a linha amarela - não optantes pela cor, até 1,5 s/m, há extraordinária convergência. Isso sempre me pareceu óbvio: são jovens do mesmo ambiente social, da mesma escola pública, do mesmo conjunto habitacional e terão sempre desempenhos parecidos.

    Assim, reserva de 50% das vagas contemplaria os melhores da linha ´azul´, sem limite de renda familiar e 50% das vagas contemplariam os selecionados das demais linhas, com o limite de renda familiar. Do jeito que ficou a lei 12.711, além de 50% para os da linha azul, foram reservadas mais 25% de oriundos das escolas públicas de excelência – técnicas e agrícolas federal, , etesp, D.Pedro II, aplicações, militares etc – pois não há recorte de renda, portanto, 75% das vagas ficaram reservadas para os mais ricos e aos pobres, pretos e brancos, ficou reservada apenas a perversa disputa racial.

     Destarte, a razão para a segregação de direitos raciais como critério exclusivo e, por isso, violador do princípio geral da isonomia e na vedação do art. 19 da CF, é aquela defendidas pela Senadora Ana Rita - PT/ES - e que os racialistas militantes de plantão não têm coragem de reconhecer: trata-se de um esforço do estado para a outorga de identidade racial a pretos e pardos, como se integrantes da ´raça negra´. É bom relembrar o que disse expressamente a jovem senadora capixaba justificando o verdadeiro objetivo da lei, com rara sinceridade nos debates perante o Senado Federal, em 2011, nessa temática de ´direitos raciais´ e foi expresso no Relatório do Voto apresentado na CCJ do Senado para a aprovação do PLC 180/2008, e aprovado com a lei de ´cotas sociais e raciais´- lei 12.711/12.

       Tal manifestação da nobre Relatora é relevante ser destacado pois ficará para os estudiosos da história social brasileira, a determinação estatal, intencional e determinante de produzir convicções raciais de forma compulsória, de forma nada sutil e praticamente inédita, nunca expressada com tanta clareza e ´lucidez´. Pela voz e expresso no Voto vencedor da Relatora, o parlamento brasileiro acredita na classificação ´racial´ e em direito racial dela decorrente e a Relatora dá ênfase numa entrevista dia 17/10/11 para a TV SENADO, sobre a principal finalidade estatal contida no PLC 180 que era o de induzir jovens afro-brasileiros, inseguros e imaturos, na fase pré-universitária a se definirem racialmente em auto-declaração. Diz a senadora no vídeo (a 6'30") sobre o papel da lei induzirá aos jovens afro-brasileiros: “Ele terá que responder: qual é a sua raça´! Ele vai ter que dizer: qual é a sua raça! Se é negro, se é branco se é indígena. É fundamental isso... Na verdade não é uma imposição. É o aluno que escolhe. Eu escolho fazer a opção que eu quero ser matriculado, quero concorrer a uma vaga porque sou negro, sou branco. Ele vai se auto-declarar. Se faz parte de uma ´raça´ ou de outra.”. Aqui em vídeo o histórico raciocínio defeituoso, senão, doentio e racista da senadora ANA RITA: http://www.senado.gov.br/noticias/tv/programaListaPadrao. asp?ind_cl...

        A afirmação racial compulsória imposta a pretos e pardos para usufruírem de um benefício estatal foi a pretensão do PLC 180/2008 que virou a ´lei de cotas raciais´. Tal é o espírito da lei, a famosa mens legis, tão indispensável para os futuros intérpretes da real pretensão do legislador, está expresso no texto do Relatório da Senadora ANA RITA que emoldura a legislação aprovada. Aqui o relatório na íntegra: http://www6.senado .gov.br/mate-pdf/99558.pdf

        Bem, com relação ao post indicado pelo ASSIS, assim que li na primeira página o agradecimento do autor, Jacques Velloso, à Ford Foudacion – Trecho do Estudo: "Cotistas e não-cotistas:  Rendimento de alunos da Universidade de Brasília." Por Jacques Velloso (http://www.scielo.br/pdf/cp/v39n137/v39n137a14.pdf) fiquei tão, digamos, constrangido em continuar lendo, pois, já soube ali a finalidade do pressuposto ao estudo: a defesa do racialismo no Brasil, objeto de milhões e milhões de dólares da inteligência imperialista sustentando carreiras acadêmicas na defesa da segregação de direitos raciais, conforme o propósito de Mr. Henri Ford, que delegou essa missão e parte de seus milhões de dólares para a sua Ford Foudacion, inclusive com poder até para ter sob soldo, ex-Ministros de estado no governo brasileiro, como a doutora Nilcéa Freire que é a representante e supervisora da Fundação Ford no Brasil.

OBS.> Nas tabelas do professor Saulo:

- A linha vermelha  indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar INFERIOR A 1,5 salário mínimo por pessoa e que se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

- A linha amarela  indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar INFERIOR A 1,5 salário mínimo por pessoa e que NÃO se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

 - A linha verde  indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar SUPERIOR a 1,5 salário mínimo por pessoa e que se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

 - A linha marrom indica a pontuação dos candidatos optantes por cotas do tipo “renda famíliar SUPERIOR a 1,5 salário mínimo por pessoa e que NÃO se declararam Pretos, Pardos ou Indígenas”.

 

 

José Roberto F. Militão, ativista contra o racismo e contra a ´raça estatal´. "Numa sociedade com a cultura de raças a presença do racista será, pois, natural." (Frantz Fanon, 1956).

 
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Estefhan Dazzi Wandekokem

Que coincidência, me formei em engenharia de computação na UFES. Nos gráficos mostrados pelo prof. Saulo Bortolon, é exatamente o curso em que a diferença entre cotistas e não-cotistas é mais acentuada. Isso explica minha preocupação com o tema...

 
 
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Bran Mak Morn

Não acredito realmente que cotistas despreparados vão ocupar assento nos cursos socialmente mais valorizados. Que não se espere que um jovem oriundo daquelas escolas de periferia onde ha estudantes terminando o ensino médio semi-analfabetos, por mais esforçado que este jovem seja, fazendo Medicina numa universidade publica. Eu conheço de carteira -- carteira escolar, toda rabiscada e com chiclete grudado pra todo lado -- o drama de quem sonha em ascender socialmente pela via do estudo mas é obrigado, pelas contingências da vida, a estudar na escola publica. Tive a sorte de que a profissão que escolhi -- ligada às ciências -- não é muito valorizada no Brasa, dai que topei com uma concorrência menos qualificada no vestibular de uma federal. Mas sei muito bem que não teria chance alguma, com cota ou sem cota, de entrar num curso como Medicina (sonho da minha mae). Menos mal que sempre me atrai a idéia de ser doutor com doutorado, não com avental branco.

 
 
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Cesar A

Conversei com colega que é professor em universidade publica, o que ele me passou foi que os cotistas tem um indice de desistencia muito maior do que os dos não cotistas, os que "sobrevivem" aos dois primeiros semetres continuam o curso no mesmo ritmo dos demais, mas isso mascara algumas estatisticas dando a entender que o rendimento sobe depois de algum tempo, sobe na média, mas caindo bastante a quantidade.

 
 
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Anarquista Lúcida

Que fonte tao fidedigna... (Ironia on, claro...)

 
 
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Bran Mak Morn

Sou graduado em Fisica numa universidade federal de medio porte. Como o vestibular era relativamente facil, entrou uma galera que não sabia direito o que era uma função e ja de cara tinha que aprender o que era limite. :-)  Muita gente desistiu ao longo do curso, incapaz de segui-lo. Ou seja, essa experiência (alunos despreparados entrando em cursos puxados) ja existe bem antes das cotas. Evidentemente, muita gente "sobreviveu" e colou grau. Quantos provenientes da escola publica, como eu? Quantos da rede privada? Não sei dizer, so posso supôr, mas isso é um dado que parece faltar nos estudos ai acima das duas universiades.

Enfim, ou o cara ta minimamente preparado pra carreira acadêmica ou não esta. Não tem como dar "drible da vaca" nisso com cotas, com dois anos de college, com nada que não seja melhoria da escola publica.

 
 
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chd

O problema da questão das cotas é que com a implementação delas, o governo deixa de atacar o verdadeiro problema:

Melhorar a qualidade e os métodos de ensino nas escolas públicas tornando-as tão eficientes e de qualidade como as escolas privadas!!!!!!

Se as escolas públicas fossem como eram no passado, ou como nos países de primeiro mundo, não estaríamos questionando, ou fazendo pesquisas, ou perdendo tempo com discussões sobre cotas aos menos favorecidos.

Os menos favorecidos são assim, por culpa única e exclusiva da incompetência dos nossos governantes!!!

 
 
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marcelo

como se uma coisa excluisse a outra.

 
 
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Anarquista Lúcida

"Se as escolas públicas fossem como eram no passado" 

 A repetiçao de mitos é tao cansativa... Se as escolas fossem como no passado, quando só 50% da populaçao chegava à escola PRIMÁRIA, e desses 50% cerca da metade repetia uma, duas vezes a primeira série, e acabava abandonando a escola? (Se nao acredita, veja o livro História Inacabada do Analfabetismo no Brasil, de Alceu Ravanello Ferraro). Realmente uma maravilha... 


 
 
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Marcelo Nascimento

"As maiores distâncias observadas são no curso de Engenharia Elétrica (1,7), em 2006, e no de Engenharia Mecânica (1,4), também em 2006."

Nao tem como queimar etapas em ciencias exatas. Nao tem como compreender equacoes diferenciais se nao domina trigonometria ... e assim vai ...

Fora que os cursos em ciencias exatas sao dificeis, mesmo sem cotas a evasao chegava a 20% na escola politecnica (USP), sendo que nos cursos mais concorridos a evasao eh menor.

O departamento de Fisica da USP forma apenas 10% dos que egressam.

Do artigo em:

http://www.cimentoitambe.com.br/falta-de-engenheiros-pode-comprometer-crescimento/

"De fato, a evasão é bastante alta. Participei do núcleo de pesquisa que forneceu estes dados para o grupo de trabalho da Capes, que é apoiado pela Abenge. Verificamos que a evasão nos cursos de engenharia (abrangendo todas as especialidades) está em torno de 54%"

Estah na hora do governo progressista mudar a grade de materias das escolas de engenharia. Soh assim a evasao diminui e assim formamos mais engenheiros para suprir a demanda. Mudar o ensino medio eh muito complicado, e as leis das cotas mostra claramente que o melhor eh alterar o ensino superior porque o ensino medio nao tem solucao.




 
 
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Urariano Mota

"Nao tem como queimar etapas em ciencias exatas. Nao tem como compreender equacoes diferenciais se nao domina trigonometria ... e assim vai ..."


Ora, em ciências que não são exatas tem como queimar etapas? Em que conhecimento se queimam etapas? Será que em um curso de Direito, ou de Ciências Sociais, ou de Letras, podemos queimar etapas? Isto é, chegar no curso sem uma curiosidade e leituras e estudos anteriores, e tocá-lo para a frente, porque, afinal, "essas besteiras de portugueis nós tira de letra"? Não é assim, em qualquer conhecimento, atividade, nada se tira d e letra, nada se improvisa. Até mesmos os músicos "intuitivos", quero dizer, aqueles que não sabem ler uma pauta, não se fazem sem estudo, sem aprendizagem, sem às vezes a mais dura aprendizagem. (Lembro do violonista Canhoto da Paraíba, a quem Henque Annes chama de "gênio selvagem", e sei e vi e senti o quanto ele estudou até o fim da vida, apesar de "analfabeto" em música...)


Na frase "Nao tem como queimar etapas em ciencias exatas. Nao tem como compreender equacoes diferenciais se nao domina trigonometria" repete-se o preconceito de julgar ciência apenas as chamadas ciências duras. Essas é que seriam A ciência. Todo o processo humano de acumular, errar e superar é reduzido apenas a quem sabe contar, ou pensa que sabe, porque decora e repete fórmulas. O que dizer dos fundamentais mestres de humanas, o que falar do gênio de Paulo Freire? Não, eles não fizeram ciência. Devem ter feito prática de solfejo de ouvido que deus deu. Que deus dá. Isso por um lado. Por outro, sei de experiência o quanto esses reinos "inacessíveis" do conhecimento, difíceis, para poucos, como matemática, podem ser humanziados, socializados, a partir de professores que não sejam idiotas e burros. Mais: sei o quantos e pode aprender o que for necessário aprender, em qualquer idade.Isso quer dizer: jovens que não cuimprirarm o estágio necessário de conhecer trigonometria, por exemplo, podem faz~e-lo em um ou dois anos, desde que se empenhem, desde que encontrem quem não o sjulgue burros, inaptos e ineptos.    


"Fora que os cursos em ciencias exatas sao dificeis, mesmo sem cotas a evasao chegava a 20%". Quem assim fala não sabe que a evasão é grande também em curos "mais fáceis", como história e geografia, por exemplo. Por quê? É que a evasão não se dá pelo encontro de obstáculos intransponíveis. Ela se faz mais em razão de perda de sentido, de motivação, de horizonte curto de mercado. Mas há uma coisa que mostra onde os cursos de extas são difíceis. E muito. No despreparo de professores, de mestres, formados na escola burra da autoridade e do desrespeito ao aluno. Ah, eles tornam pelo dogma a vida difícil dos alunos mais rebeldes. Sei disso e vivi. Abandonei um curso de matemática em razão da postura arbitrária e dogmática dos mestres do curso nos anos 70 no Recife. Um deles, de cálculo, num aula de limites, chegava a pregar a pérola de que 0/0 é igual a ∞. Indivíduo prático, engenheiro, era ele. Vulgarizava pelo grossura  a delicadeza do conceito de "tender para", ou da impossibilidade de um divisor zero. Outro, catedrático de física (havia esta múmia de atividade: catedrático), ao aplicar o método Keller (chamavam-no de "método killer"), exigiu que o resultado de um problema, √2 / 2 desse resultado em decimais, em lugar da sua simples indicação. Isso porque o tal do Keller era 10 ou 0 na nota.


Sim, os cursos de exatas eram bem mais difíceis. Mas suponho que devem ter mudado.     

 

Urariano

 
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Anarquista Lúcida

Você está defendendo o quê? Deixar de dar os conteúdos matemáticos necessários, ou aprovaçao automática no curso de Engenharia (eu é que nao queria morar num prédio construído por um engenheiro desses...)

 
 
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Marcelo Nascimento

Deveriamos mudar o curso de engenharia para ter somente materias de humanas... Como um curso de direito. A grande maioria dos engenheiros querem mais eh virar funcionario publico mesmo!

Desta maneira formariamos mais engenheiros e alem do mais, hoje em dia tudo eh feito por computador. 

So assim melhorariamos as estatisticas manipuladas pelo PIG. Melhorar a educacao publica eh muito mais complicado.

 
 
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Anarquista Lúcida

Bem que eu achava que era trollagem. Confirmado. 

 
 
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The Sheen

A "tabela 10" acima mostra o seguinte: "Distribuição percentual dos alunos cotistas e não-cotistas com coeficiente de rendimento entre 5,1 e 10,0 nos cursos de maior concorrência nos dois semestres de 2005".

Coeficiente entre 5,1 e 10,0? Que tipo de estudante tem coeficiente abaixo de 5,1? Um prestes a ser jubilado, provavelmente. É claro que um estudo estatístico aprofundado deveria mostrar o desempenho por faixa do coeficiente (5 a 6, 6 a 7, etc.), e também levando-se em conta os índices de desistência. E é óbvio que aí ficaria clara a distância que separa os cotistas dos não-cotistas.

Quando um curso de engenharia começa, são 5 anos de muitas matemáticas, cálculos, físicas, etc. Vocês sinceramente acham que um aluno mau-formado da escola pública consegue acompanhar, no mesmo rítmo, um aluno bem formado? Óbvio que não. Como minha experiência (e o bom-senso) indicam, esses alunos, em geral, tem uma formação deficiente, e acabam seguindo carreiras que demandam menos conteúdo acadêmico "pesado", menos ênfase matemática.

Me parece que colocar os alunos cotistas em bons cursinhos preparatórios compulsórios, por 1 ou 2 anos, seria uma solução razoável para amenizar o problema. O aluno já teria a vaga garantida, desde que, ao fim do cursinho, alcançasse a nota mínima (obviamente, inferior à nota mínima alcançada por um não-cotista). Assim, os cotistas poderiam adquirir uma bagagem que ainda não tem, e se equipararem melhor aos não-cotistas.

Ora, essa foi a minha experiência pessoal, assim como de muitos outros. No meu terceiro ano (vindo de uma escola pública, CEFET), fiquei na posição 60 do vestibular (e não passei, pois eram 40 vagas). Então, após um ano de bom cursinho, no mesmo curso, fiquei na posição 5, e passei. E aprendi muito nesse ano, um conhecimento crucial para seguir bem num difícil curso de engenharia.

 
 
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Rato

E daí?

Fiz o curso técnico no CEFET-RJ e passei no vestibular da UERJ para engenharia sem nem estar formado. Não pude entrar pois ainda não tinha concluído o período exigido de estágio para formatura no curso técnico.

No ano seguinte, já formado, estudei sozinho química orgânica e história. E sabe o que aconteceu? Passei de novo. Novamente, entre as últimas vagas entre os classificados.

E sabe o que aconteceu depois? Fiz uma boa graduação.

Cada caso é um caso. No meu, cursinho não fez a menor diferença, pois os meus colegas que passaram nas primeiras colocações graças aos cursinhos repetiram várias matérias. Eu não.

 
 

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