Re: Estudos analisam o sistema de cotas nas universidades

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The Sheen

A "tabela 10" acima mostra o seguinte: "Distribuição percentual dos alunos cotistas e não-cotistas com coeficiente de rendimento entre 5,1 e 10,0 nos cursos de maior concorrência nos dois semestres de 2005".

Coeficiente entre 5,1 e 10,0? Que tipo de estudante tem coeficiente abaixo de 5,1? Um prestes a ser jubilado, provavelmente. É claro que um estudo estatístico aprofundado deveria mostrar o desempenho por faixa do coeficiente (5 a 6, 6 a 7, etc.), e também levando-se em conta os índices de desistência. E é óbvio que aí ficaria clara a distância que separa os cotistas dos não-cotistas.

Quando um curso de engenharia começa, são 5 anos de muitas matemáticas, cálculos, físicas, etc. Vocês sinceramente acham que um aluno mau-formado da escola pública consegue acompanhar, no mesmo rítmo, um aluno bem formado? Óbvio que não. Como minha experiência (e o bom-senso) indicam, esses alunos, em geral, tem uma formação deficiente, e acabam seguindo carreiras que demandam menos conteúdo acadêmico "pesado", menos ênfase matemática.

Me parece que colocar os alunos cotistas em bons cursinhos preparatórios compulsórios, por 1 ou 2 anos, seria uma solução razoável para amenizar o problema. O aluno já teria a vaga garantida, desde que, ao fim do cursinho, alcançasse a nota mínima (obviamente, inferior à nota mínima alcançada por um não-cotista). Assim, os cotistas poderiam adquirir uma bagagem que ainda não tem, e se equipararem melhor aos não-cotistas.

Ora, essa foi a minha experiência pessoal, assim como de muitos outros. No meu terceiro ano (vindo de uma escola pública, CEFET), fiquei na posição 60 do vestibular (e não passei, pois eram 40 vagas). Então, após um ano de bom cursinho, no mesmo curso, fiquei na posição 5, e passei. E aprendi muito nesse ano, um conhecimento crucial para seguir bem num difícil curso de engenharia.