A prática confirma o desperdício de potencial na educação

Por Marcio TT

Nassif

Minha irmã é professora do ensino fundamental há quase 30 anos. Sempre nos conta sobre os alunos que encontra em sala de aula, muitas ao longo desses anos todos, e especialmente sobre aqueles que já no primeiro semestre do ano completaram todas as atividades anuais e ficam em sala de aula porque não se tem outra alternativa. Estão prontos para avançar, mas não é permitido, devem enfrentar um ano de atividades que já cumpriram em seis meses. É um desperdício de capital humano, atrasa o desenvolvimento da criança, que poderia desabrochar mais se pudesse ter um conteúdo adiantado numa outra série.

A divisão gregoriana é falha, ela toma todos como iguais, quando na verdade o que se tem em abundância são os diferentes e estes não são devidamente trabalhados. Quem perde é o país, quem perde é a criança que se vê obrigada a suportar um tempo de escola que havia superado em poucos meses.

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5 comentários
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Alexandre Rodrigues Vianna

O Aldo está correto. E não podemos esquecer que os alunos mais adiantados devem colaborar, auxiliando os demais. Se sabem para eles, precisam aprender a dividir com os outros. Até porque todo mundo sabe que uma das melhores formas de aprender é ensinar. Isto sem contar as vivências sociais, a superação dos conflitos e tudo mais que se aprende no contato com o outro. 

 
 
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Marcílio Moreira

Embora as mudanças sejam lentas, a educação brasileira teve avanços consideráveis  depois do ENEM.

 

Mais de 3 mil alunos cearenses que não concluíram o Ensino Médio já foram autorizados a entrar na universidade

Ilo Santiago Jr. | 13h09 | 21.01.2013

A permissão foi concedida pelo Conselho Estadual de Educação nos últimos dois anos

3,2 mil estudantes cearenses que ainda não tinham completado o ensino médio foram autorizados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) a ingressarem em um curso superior.

Perfil são de estudantes com idade entre 14 e 16 anos que passaram no Enem, mesmo sem ter concluído o ensino médio (Foto: Rodrigo Carvalho)

O balanço é relativo aos últimos dois anos e comprova a mudança de postura da autoridade educacional em relação a pessoas que demonstram capacidade de entrar em uma faculdade, apesar de muito jovens. Em todo os casos, os alunos passaram no Enem e em testes feitos na escola de origem.

O caso mais recente foi o do estudante de Sobral (a 230 Km de Fortaleza), que foi autorizado pelo CEE a cursar Medicina na UFC. Um dos exames de Tiago Sampaio, 15 anos de idade, foi realizado na escola para saber se ele estaria apto a receber a conclusão do ensino médio.

Mesmo com todo esse avanço, porém, alguns alunos que conseguem o feito de passar no Enem antes de concluir o ensino médio ainda enfrentam resquícios de um modelo mais conservador de educação. É o exemplo do estudante Henrique Matias (Foto: Divulgação), de 16 anos de idade, no município de Aracati (a 148 Km de Fortaleza).

Ele foi aprovado nas duas provas de Enem seguidas que fez no último biênio. Contudo, segundo a mãe dele, Alessandra Matias, a escola particular na qual Henrique estuda não quer realizar o exame, apesar da autorização do Conselho Estadual.

Mãe de estudante não consegue falar com o colégio

"Eu ligo para a diretora do Instituto São José, mas eles nem atendem às ligações. Antes disso, eles me disseram que isso era uma bobagem e que o certo era cursar todo o ensino médio. O pior é que amanhã (terça-feira,22) será o último dia para se inscrever", conta a mãe, que sugeriu a pauta através da ferramenta VC repórter. Henrique passou para Ciência e Tecnologia na Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte (Ufersa).

"Isso é um desacato ao Conselho de Educação. Estou com toda a documentação em mãos. Tenho apoio, inclusive, da secretaria de educação do município, formada por pessoas que foram professores lá nessa mesma escola", lamenta a mãe.

Escola tem que acatar decisão do Conselho

O presidente do Conselho Estadual de Educação, professor Edgar Linhares, afirmou que vai entrar em contato pessoalmente com a direção do colégio para que seja cumprida a autorização do Conselho. "Ao longo dos últimos dois anos, 3,2 mil pessoas foram atendidas em casos semelhantes. Ou tinham apenas o primeiro ou o segundo ano do ensino médio. Outros não tinham terminado o terceiro ano ainda. Nesse ponto, a lei é muito saiba. De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), artigo 24, independentemente de estudos anteriores, qualquer pessoa pode solicitar à escola que defina, mediante exame, o nível em que ela se encontra", explicou o professor Edgar.

A diretora do Instituto São José, conhecida como Dona Núbia, foi procurada pela reportagem, mas funcionários da escola disseram que ela estava sem poder atender às ligações por conta do retorno das aulas na manhã desta segunda-feira (21).

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=352924

 
 
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HumbertoCavalcanti-Porto_Alegr ...

Lamento o silêncio em relação a pessoas que vão contra o senso comum e contra a abordagem jornalística (abordagem jornalística: li essa expressão ontem num artigo de uma professora da Educação-UFRGS comparando com a abordagem, a leitura sociológica. Ma não tenho exatamente admiração pelas faculdades de Educação do país, nem mesmo da UFRGS, que aqui cito).

P.ex., se ignoram (se preferirem, ignoram-se) algumas coisas (não precisa ser tudo, claro, senão incorremos num novo guru) do que Gustavo Ioschpe diz, com suas pesquisas (das quais se pode questionar, claro). Parece que só tem ouvidos quem fala e repete o confortante senso comum, o aparentemente óbvio (por vezes, dogmas preconcepções): eleições em universidades, escolas, real qualificação de professores (e não pós gradualções doutrinárias como eu já vi com uma amiga minha, em Pernambuco, e é famosa a pedagogia doutrinária de governo gaúcho - mas que acontece em todo o Brasil: cai bem, fica bem na foto, no status das corporações quem fala e cita Marx de orelha, de ouvir dizer, sem nem mesmo se atuaalizar sobre novas leituras no mesmo campo marxista, ou marxiano).

O jeito brasileiro de ser (se é que dá pra generalizar, pois a mídia, incluindo blogs reforçam o jeito brasielorio de ser por mais caricato e equivocado que seja, e retrógrado ) é difundido pelo jornalismo, aqui , mesmo, um frequentador jornalista que defende com seus argumentos a obrigatoriedade do diploma, se expressa com "excessão" (ss). O jornalismo é e será sempre superficial em todo o mundo, é dirigido à massa, vive pra vender, tem donos que são os empresários que põem limites inclusive nas colunas de opinião (Alberto Dines foi cortado do Jornal do Commercio, o de Recife, p.ex. por supor, credulamente - e como são crédulos os jornalistas em geral - sua livre expressão ).

O jornalismo, ao contrário das chamadas ciências sociais (e, claro, as ciencias exatas que sempre estão se questionando), não se questiona a si mesmo, não tem uma visão universalizante, universalizadora, não é lugar pro livre pensamento, ao contrário da academia (academia: é comum essa palavra ser falada em tom pejorativo, quando é ou deveria ser o centro do pensamento livre, mas quando vejo minha sobrinha se formar em Direito com programação que inclui um tal culto ecumênico... e uma total subserviência aos costumes - roupas incoerentes com o clima, roupas que difucultam movimentos, o corpo, o ser é que deve se adaptar à coisa, essa é a tradição).

Uma dica: tem a ver om o post-matriz a agradável aula que se encontra em vídeo no youtube de Ricardo Antunes falando da Situação da Classe Trabalhadora Na Inglaterra. Após uma primeira parte, se torna bem agradável. O empresário e rico Engeles olhando Manchester de seu tempo, e R. Antunes mostrando o quanto, na essência, estamos na mesma... Se não, pior.

 

" Lo que los hombres realmente quieren no es el conocimiento , sino la certidumbre ". - Bertrand Russell (1872-1970); filósofo y matemático inglês. ( citação num boletim do av. espanhol Panda )

 
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Ivan de Union

Isso tambem eh meio absurdo, Marcio.  Aqui, minha sobrinha passou pro segundo ano e disse que estava muito chato, eles foram fazer o teste e a passaram pro terceiro.  Uns 4 meses depois ela comecou a dizer que estava muito chato de novo, a escola fez outro teste e eles a passaram pra 4a serie.

Tinha que haver uma oferta de mais facilidade pros alunos, nao so pros mais atrazados em materias especificas como tambem pros mais adiantados!

 
 
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Aldo R.

Eu louvo a boa-vontade do Nassif em insistir nessa "revolução" da educação. Tenho certeza de que são motivos justos e, como é comum do Nassif, vem de muito estudo sobre o assunto. Mas eu não consegui concordar ainda.

O aluno vai para o colégio no período da manhã. São 35 horas semanais (incluindo deslocamento) dedicados a essas aulas, de um total útil de 112 (supondo 8 horas de sono). As demais horas da semana que sobram podem ser utilizadas da forma como o aluno precisar e/ou quiser - fazer as tarefas de casa se sobrar alguma, estudar para as provas se precisar, praticar um esporte, estudar um idioma, tocar um instrumento musical, ler, pensar, etc, etc, etc.

Eu não vejo como a substituição dessas 35 horas (de um total de 112) por algo diferente vai revolucionar a educação. Eu acho que vai é piorar. Eu me lembro que eu ia à escola de manhã (que era uma obrigação rotineira de todos) mas o resto do dia e o final se semana eram MEUS. Foi nesse período livre que eu aprendi a tocar contra-baixo, aprendi a lutar karatê, e várias outras atividades que eu podia ESCOLHER e praticar livremente. Tempo é o que nunca faltou. Infelizmente naquela época não havia internet, e nossa "curiosidade científica" tinha que ser alimentada a conta-gotas nas coleções de livros, como Conhecer Universal, ou a Enciclopédia do Estudante, em que devorávamos os fascículos que chegavam toda semana, e depois íamos até uma gráfica encaderná-los em volumes "capa dura".

Minha sugestão: deixemos as 35 horas de professor+lousa+caderno como estão. Discutamos o que fazer com nossos jovens nas demais 77 horas. Que tal?

 
 

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