Re: TJSP confirma direito de resposta de Nassif contra Veja

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Jésus Gomes

Parabéns Nassif. Certamente, a revista Veja vai recorrer. Vamos ver o que vai acontecer nas instâncias superiores do judiciário.

Sou professor no Centro Universitário FECAP. Em janeiro desse ano, a Revista Época Negócios publicou uma longa matéria divulgando que a instituição de ensino estava praticamente vendida para o grupo Anima Educacional. Mesmo a direção da instituição negando, eles fizeram a matéria. Há na instituição um vigoroso processo de resistência, organizado por alunos, professores, funcionários e ex-alunos e com o apoio do Conselho Universitário. Impedimos a venda. Isso é fato consumado desde novembro do ano passado. Mesmo assim, a matéria foi publicada em janeiro desse ano. Agora estamos reivindicando o afastamento do Presidente do Conselho de Curadores. Ninguém foi sequer consultado pela revista Época sobre o assunto. Nem antes, nem depois da publicação da matéria falsa. Pedimos amigável e respeitosamente direito de resposta. A revista nem respondeu. Registrei uma reclamação no site da Revista. Nem um protocolo me foi fornecido. Que transparência é essa? Max Weber dizia que a imprensa (e o jornalista) era um tipo de político profissional, que faz política todos os dias. Concordo com ele. Até esse momento, o único órgão de imprensa que cobriu o nosso movimento, vigoroso, cidadão e exemplar, foi a Carta Capital.

Acho que há um bom exemplo na Suécia sobre o que devemos fazer aqui no Brasil. A Suécia é um país capitalista e muito democrático, permita-me lembrar, para me antecipar aos reacionários, aos mal informados e aos ingênuos que acreditam nessa bobagem de que a imprensa é o quarto poder ou o poder popular, e que, por isso tentarão ligar meu comentário a Cuba, Rússia e China. Na Suécia a imprensa é livre, mas, a contrapartida da liberdade é a responsabilidade e a transparência. Por isso, lá na Suécia tem controle externo democrático da imprensa. Não se trata de controle governamental. Por isso, é verdadeiramente transparente e democrático. Um comitê integrado pela Ordem dos Advogados da Suécia, um representante dos próprios veículos de imprensa e um membro indicado pelo Parlamento (um dos três ombudsmän suecos) indicam o Ombudsman da imprensa (não confundir com o Ombudsman nomeado pelo próprio jornal). Ele analisa com rapidez os casos de abusos cometidos pela imprensa, denunciados pelas pessoas que se sentem prejudicadas. Ele pode, também, agir de ofício, quando entender que uma matéria não corresponde às boas práticas do jornalismo. Constatado o problema, o Ombudsman faz recomendações. Quando elas não são acatadas amigavelmente, ele tem poder para denunciar o órgão de imprensa à Corte de Justiça. Controle externo é bom, é transparente e é democrático.

Parabéns Nassif. Você é uma instituição do nosso jornalismo. Aliás, do que há de melhor no nosso jornalismo.

Jésus Gomes