Marcio Pochmann: O mito da tributação elevada

Por André O.

Comentário ao post "Mary Elbe Queiroz: Reforma tributária brasileira é um mito"

Da Folha

O mito da tributação elevada no Brasil

MARCIO POCHMANN

As especificidades do Brasil dificultam comparações. Cabem duas observações que desconstroem o mito da tributação elevada

O TEMA relativo ao peso dos impostos, taxas e contribuições no Brasil permanece ainda sendo tratado na superfície. A identificação de que a carga tributária supera 35% do PIB (Produto Interno Bruto) é um simples registro, insuficiente, por si só, para permitir comparações adequadas com outros países. Ou seja, mencionar que o Brasil possui carga tributária de país rico, embora se situe no bloco das nações de renda intermediária, ajuda pouco, quando não confunde o entendimento a respeito das especificidades nacionais. Elas dificultam análises comparativas internacionais e exigem maior investigação.

Por causa disso, cabem, pelo menos, duas observações principais que terminam por desconstruir o mito da tributação elevada no Brasil.

Em primeiro lugar, a observação de que os impostos, taxas e contribuições incidem regressivamente sobre os brasileiros. Como o país mantém uma péssima repartição da renda e riqueza, há segmentos sociais que praticamente não sentem o peso da tributação, ao contrário de outros submetidos ao fardo muito expressivo da arrecadação fiscal.

Os ricos brasileiros quase não pagam impostos, taxas e contribuições.

Os 10% mais ricos, que concentram três quartos de toda a riqueza do país, estão praticamente imunizados contra o vírus da tributação, seja pela falta de impostos que incidam direta e especialmente sobre eles -como o tributo sobre grandes fortunas-, seja porque contam com assessorias sofisticadas para encontrar brechas legais para planejar ganhos quase ausentes de impostos, taxas e contribuições.

Já os pobres não têm escapatória, pois estão condenados a compartilhar suas reduzidas rendas com o financiamento do Estado brasileiro. Isso porque a tributação brasileira é pesadamente indireta, ou seja, arrecada a maior parte em impostos sobre produtos e serviços -portanto, pesa mais para quem ganha menos.

Além disso, há uma tributação direta, sobre renda e bens, muito "tímida" em termos de progressividade. O Imposto de Renda, que, nos EUA, tem cinco faixas e alíquotas de até 40% e, na França, 12 faixas com até 57%, no Brasil tem apenas duas, com alíquota máxima de 27,5%. Aqui, impostos sobre patrimônio, como IPTU ou ITR, nem progressividade têm.

As habitações dos mais pobres, por exemplo, pagam, proporcionalmente à renda, mais tributos em geral do que aqueles que residem nas mansões, enquanto os grandes proprietários de terra convivem com impostos reduzidos e decrescentes.

Aqueles com renda acima de R$ 3.900 contribuem apenas com 23%.

No entanto, quem vive com renda média mensal de R$ 73 transfere um terço para a receita tributária.

Em síntese, a pobreza no Brasil não implica somente a insuficiência de renda para sobreviver, mas também a condição de pagar mais impostos, taxas e contribuições.

Em segundo lugar, a observação de que a carga tributária corresponde à capacidade efetiva de gasto da administração pública brasileiro, conforme comparações internacionais indicam ser. No Brasil, a cada R$ 3 arrecadados pela tributação, somente R$ 1 termina sendo alocado livremente pelos governantes.

Isso porque, uma vez arrecadado, configurando a carga tributária bruta, há a quase imediata devolução a determinados segmentos sociais na forma de subsídios, isenções, transferências sociais e pagamento dos juros do endividamento público.

Noutras palavras, R$ 2 de cada R$ 3 arrecadados só passeiam pela esfera pública antes de retornar imediata e diretamente aos ricos (recebimento de juros da dívida), às empresas (subsídios e incentivos) e aos beneficiários de aposentadorias e pensões.

Assim, o uso da carga tributária bruta no Brasil se transforma num indicador pouco eficaz para aferir o peso real da tributação.

Talvez o mais adequado possa ser análises sobre a carga tributária líquida, que é aquela que, de fato, indica a magnitude efetiva dos impostos, taxas e contribuições relativamente ao tamanho da renda dos brasileiros, pois é com essa quantia que os governantes conduzem (bem ou mal) o conjunto das políticas públicas.

Nesse sentido, a tributação elevada é um mito no Brasil. A carga tributária líquida permanece estabilizada em 12% do PIB já faz tempo. O que tem aumentado mesmo são impostos, taxas e contribuições que, uma vez arrecadados, são imediatamente devolvidos, o que impede de serem considerados efetivamente como peso da tributação elevada.

MARCIO POCHMANN , 46, economista, professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Foi secretário do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo (gestão Marta Suplicy).

Nenhum voto
44 comentários
imagem de Fabio Binz Kalil
Fabio Binz Kalil

Neste debate do mito da tributação elevada não falaram da baixa valorização do trabalho no Brasil. No Chile, Argentina e Uruguai o PIB per capita é muito maior que o do Brasil, sem falar nos EUA e Europa. Então, como temos salários baixos, o custo dos impostos no rendimento é proporcionalmente elevado.      A máquina pública é indispensável para permitir saúde, educação, assistêncial social, habitação, etc. Então, o que devemos é aumentar o valor dos salários, do rendimento. As empresas tem de pagar melhores salários. Mas isto só vai acontecer com organização, consciencia e luta dos trabalhadores e da população em geral. 

Comparando, o custo de um carro popular no Brasil, EUA ou Europa é de aproximadamente USD 20 mil. No entanto o salário do trabalhador americano ou europeu são cinco vezes maiores que o do trabalhador brasileiro. A diferença fica no bolso da empresa multinacional que não paga imposto mas paga as campanhas políticas.

 
 
imagem de Joao Batista Mezzomo
Joao Batista Mezzomo

Já enviei este comentário mas não apareceu. Envio de novo.Concordo que o grande problema são os baixos salários, e também o baixo PIB per capita, que não é o mesmo, pois tem setores não assalariados que ganham muito, mas no final o PIB médio é baixo, pois a maioria ganha mal. Porém, penso que o papel da arrecadação de tributos per capita (que no Brasil gira em torno de R$ 650,00 por mês) é fundamental. Um dos grandes empecilhos no caminho de aumentar o salário mínimo é o setor público. Se aumentares de R$ 700,00 para R$ 1.500,00 por exemplo, a maioria das prefeitura quebram. O setor privado conseguiria pagar, pois repassam os custos, mas o setor público não. Teríamos de aumentar a carga tributária, se possível tributando quem ganha mais, para fazer essa alavancagem. Isso geraria aumento da demanda, talvez a necessidade de importações para atendê-la, mas também aumentará a produção, pois o setor privado investe em função da demanda, não em função dos juros e carga tributária estarem baixos. E importações abrem possibilidade de exportar, temos potencial imenso no setor agrícola, que poderia ser potencializado, inclusive com agroindústrias. Os preços subiriam, mas não tem como alavancar o Brasil sem subir preços. Se queremos melhores salários teremos de admitir um nível de preços maior. O que importa é que no final o PIB per capita aumentaria, e as desigualdades se reduziriam. Sobre tributar quem ganha mais isso depende de esclarecimento da população, pois conhecimento é poder. Hoje se trata o assunto superficialmente, como se tributo fosse um mal. Essa superficialidade só privilegia os que já tem muito, ou seja, alimenta a aprofunda a concentração de renda, que sufoca - essa sim - a economia.

 
 
imagem de Alexandre Weber - Santos -SP
Alexandre Weber - Santos -SP

Este post é para acabar com a carreira do Pochmann.

O que é tributação baixa?

Você defende a carga tributária confiscatória com jogo de palavras relativas.

Você está brincando, não é?

Se não está, abandonou sua reputação, não é?

Em todo o caso o fiasco do Pib e o sucateamento dos negócios produtivos no Brasil não me deixam mentindo sozinho nesta. Decorrem dá reforma tributária que não foi feita.

Quando foi lançado o Plano Real que acabou com a hyperinflação existia, naquela época, uma sonegação que se valia da procrastinação da justiça e da facilidade de adulteração dos lançamentos tributários, ou seja, 100% dos empresários preferiam não recolher os impostos e contestar na justiça "ad eternum" a cobrança do mesmo, fazendo um acordo judicial que extinguia a dívida por 1% do valor inicial lá na frente.

Todos quebraram, óbvio!

Como o estado se financiava com a arrecadação era preciso tributar 100X mais para cobrir as despesas.

Com o fim da inflação, a arrecadação se tornou confiscatória e vêm assim até os dias de hoje.

Como começou a sobrar dinheiro, a banca usurária, por meio da Libor e da Selic se apropriou destes ganhos extras e nossa dívida teve de crescer absurdamente para justificar estes pagamentos.

Quem defende, de maneira patética a atual arrecadação, faz o jogo da banca, como era de se esperar um agente do governo, provavelmente ligado ao relatório do BofA-Merry Linch que colocou a Dilma como candidata única dos banqueiros.

 

Follow the money, follow the power.

 
imagem de João Batista Mezzomo
João Batista Mezzomo

 

Meu caro, não leve a mal, mas ao contrário do que você parece pensar, o brasileiro paga um dos menores valores de impostos per capita do mundo, e a quase totalidade do que paga retorna integralmente a ele, cidadão, na forma de serviços de segurança, educação, saúde, etc., e mesmo em dinheiro.
Acredito que minha afirmação lhe pareça inusitada, surpreendente, e mesmo colida com a esmagadora maioria da opinião dos brasileiros. Entre os que comungam com seu ponto de vista estão alguns dos mandatários maiores de nosso pais, como a Presidenta Dilma, que afirmou ser excessiva a carga tributária no Brasil. Não esqueça no entanto, que há menos de 500 anos a ampla maioria das pessoas no mundo tinham certeza que a terra era plana, e estava estacionada no centro do universo. "Porém, ela se move". Ou seja, se a verdade estivesse sempre com a maioria, seria muito simples, mas não é assim, infelizmente.
Para você ter uma ideia, repasso abaixo uma tabela e um gráfico que resumem a questão, mas posso enviar a quem quiser informações detalhadas sobre o assunto, basta solicitar por e-mail ([email protected]):
 

RANKING

PAIS

Tributos per capita/mês

Luxemburgo

5.180,82

Noruega

3.802,07

Suécia

2.982,75

Dinamarca

2.952,02

Áustria

2.919,00

Bélgica

2.744,80

Finlândia

2.687,38

França

2.517,08

Alemanha

2.318,22

10°

Islândia

2.299,00

11°

Itália

2.157,17

12°

Suíça

2.155,53

13°

Reino Unido

2.154,00

14°

Canadá

2.082,17

15°

Estados Unidos

1.988,13

16°

Irlanda

1.843,33

17°

Eslovênia

1.828,45

18°

Austrália

1.761,20

19°

Israel

1.674,00

20°

Espanha

1.616,70

21°

Japão

1.537,78

22°

República Tcheca

1.506,52

23°

Nova Zelândia

1.455,45

24°

Grécia

1.380,00

25°

Coréia do Sul

1.326,12

26°

Hungria

1.249,50

27°

Eslováquia

1.107,60

28°

Argentina

841,00

29°

Uruguai

697,62

30°

Brasil

657,00

 

O QUE FAZEMOS COM OS R$ 657,00 POR MÊS. 

 Como podes ver, o Brasil gasta quase metade do valor total arrecadado nas chamadas TAPS, que são valores que são devolvidos em dinheiro para o cidadão, tais como salários de aposentados, pensões e bolsas. Isso significa que de cada R$ 657,00 arrecadados de cada cidadão, R$ 280,00 são imediatamente devolvidos todos os meses. Existem pouquíssimas famílias hoje que não possuem aposentados, e isso ajuda muito no equilíbrio das famílias, pois antigamente os velhinhos tinham de viver de favor dos filhos, e muitos não tinham dinheiro para ir ao hospital ou pagar os remédios.

Por falar nisso, como podes ver acima, o Brasil gasta em torno de R$ 80,00 por mês por pessoa em saúde (enquanto a Noruega gasta R$ 1.000,00 por pessoa). Gastamos outros R$ 95,00 por mês por pessoa na educação e isso garante 43 milhões de brasileiros matriculados em escola pública, e ainda tem verbas que vão para instituições particulares. Tem mais R$ 100,00 que são juros da dívida, e aí estão também incluídos os rendimentos dos poupadores. Então, qualquer um que tenha poupança deve saber que os rendimento de aproximadamente 5% ao ano vem de impostos. Tirando tudo isso, sobra pouquíssimo dos R$ 657,00 para aplicar em investimentos, estradas, segurança, presídios, etc.

Outra coisa, no Brasil existe uma fantasia a respeito da enormidade dos recursos públicos, e dos desvios, mas isso não é verdade. A Transparência Internacional coloca o Brasil em 69 entre 180 países no quesito transparência e honestidade do setor público. Ou seja, não temos muitos desvios como as pessoas pensam. A esfera pública brasileira é muito fiscalizada, as perdas são mínimas. Mas parece que as pessoas se sentem bem pensando que não são culpadas pelas desigualdades. Sinto informá-lo que somos sim, todos nós. Não se tira de onde não tem. Se queremos educação de qualidade - e parece que o brasileiro quer - temos de saber que isso não se faz com R$ 95,00 per capita, ao menos no mundo real.

 

 
 
imagem de João B. do Amaral
João B. do Amaral

Pelo motivo do PT estar à frente do governo federal , as críticas que partem das elites e dos colunistas do PIG sobre a elevada carga tributária é política e não técnica. Em primeiro lugar não criticam a elevada carga tributária que existe nos estados governados pelos tucanos ( SP , MG , Paraná ) onde estão as maiores alíquotas de ICMS , de IPVA e os mais elevados valores de Pedágios.Em segundo lugar como os impostos indiretos tem maior peso sobre a nossa matriz tributária , o crescente aumento de arrecadação é proveniente do aumento do nível de atividades na economia e pelo aumento da eficiência na fiscalização e não do aumento da carga tributária. . Em terceiro lugar o motivo da maior arrecadação ser direcionada para o governo federal é porque a União tem obrigações que os estados e municípios não tem ,  como pagar juros da Dívida Interna , complementar pagamentos de aposentadorias da Previdência, equalizar taxas de juros de financiamentos oficiais , periodicamente capitalizar Bancos Oficiais Comerciais e de Fomento,  bancar o custeio do SUS e das inúmeras Universidades Federais , construir e manter rodovias federais, construir Usinas Hidrelétricas etc. Por outro lado devemos mencionar  que a arrecadação tributária não é entesourada , onde os gastos da União  acima citados  retornam para os municípios , lembrando que os funcionários públicos federais que recebem salários da União residem nos municípios . Ao mesmo tempo devemos lembrar que a comentada elevada carga tributária  não incide sobre os ricos porque o Brasil ainda é considerado o país como uma das mais elevadas concentração de renda do mundo sendo um paraíso para as grifes internacionais , para o mercado de carros de luxo importados, para o mercado imobiliário de Miami, para o mercado hoteleiro de luxo das grandes capitais mundiais, para o mercado de jatinhos e helicópteros particulares, para as construtoras de condomínios de luxo , para os leiloeiros de gado de elite , para o mercado de bebidas importadas e para os  organizadores de festas luxuosas e requintadas. Hipócritamente são os representantes destes segmentos da sociedade que estão sempre reclamando da elevada carga tributária.  

 
 
imagem de Cmantovani
Cmantovani

Pois é, falta a contribuição dos governos estaduais, não? É muito fácil falar em "necessidade de reforma tributária", esse "governo incompetente que não faz reforma tributária", etc...

Simplesmente é inviável fazer reforma tributária ampla e geral em uma democracia tão fragmentada quanto a nossa. Viram a encrenca dos royalties? Mexer de forma ampla com os ICMS estaduais (a maior reivindicação) traria uma encrenca dez vezes maior. As últimas vezes que se fez reforma ampla no Brasil foram em 1967 (ditadura) e em 1988 (nova Constituição).

Enquanto isso, todos podem ir dando suas contribuições e fazendo suas "mini-reformas", não? E que tal os estados darem sua contibuição? Cadê as desonerações nos ICMS?? Em SP, por exemplo: ninguém vai cobrar isso do Alckmin?

 

 
 
imagem de Alexandre Weber - Santos -SP
Alexandre Weber - Santos -SP

Eu não conheço nenhum dos 300.000 (trezentos mil) empreendedores individuais que se legalizaram este ano que tenham jatinhos ou helicópteros, existem são 300 milionários, a maioria de estrangeiros ou brasileiros não residentes que podem ter este luxo, mas o grosso da população só paga imposto confiscatório indireto.

O grosso do que se arrecada em impostos é para pagar os JUROS dá dívida fajuta, movida a libor e selic capengas.

 

Follow the money, follow the power.

 
imagem de Gilson Raslan
Gilson Raslan

Todas falam em carga tributária, mas não explicam para o povão que ela é composta de tributos federais, estaduais e municipais.

Dos tributos, o que mais onera a classe média e a mais pobre é o ICMS, um tributo estadual. Mas deste, o IMPOSTÔMETRO da Associação Comercial de São Paulo não fala nada, pois o ICMS do estado mais rico da federação é o que tem a maior alíquota do país.

Vou aproveitar esta oportunidade para mostrar como o PIG engana o povão, anunciando: a carga tributária aumentou este mês em tanto, quando, na verdade o que aumentou foi a ARRECADAÇÃO.

Será que o PIG não sabe a diferença entre aumento de carga tributária e arrecadação? É claro que sabe, mas o negócio dos donos da notícia no país é tentar jogar o povo contra o governo trabalhista do PT.

 

 

Min. Gilmar Mendes, quando V.Exa. vai remeter ao Pleno do STF o processo em que Zé Serra foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça Federal de Brasília?

 
imagem de Gilson Raslan
Gilson Raslan

Todas falam em carga tributária, mas não explicam para o povão que ela é composta de tributos federais, estaduais e municipais.

Dos tributos, o que mais onera a classe média e a mais pobre é o ICMS, um tributo estadual. Mas deste, o IMPOSTÔMETRO da Associação Comercial de São Paulo não fala nada, pois o ICMS do estado mais rico da federação é o que tem a maior alíquota do país.

Vou aproveitar esta oportunidade para mostrar como o PIG engana o povão, anunciando: a carga tributária aumentou este mês em tanto, quando, na verdade o que aumentou foi a ARRECADAÇÃO.

Será que o PIG não sabe a diferença entre aumento de carga tributária e arrecadação? É claro que sabe, mas o negócio dos donos da notícia no país é tentar jogar o povo contra o governo trabalhista do PT.

 

 

Min. Gilmar Mendes, quando V.Exa. vai remeter ao Pleno do STF o processo em que Zé Serra foi condenado por improbidade administrativa pela Justiça Federal de Brasília?

 
imagem de Cmantovani
Cmantovani

Querem um bom exemplo de isenções? As chamadas filantrópicas, muitas vulgarmente chamadas de "pilantrópicas", como escolas ou hospitais que oferecem uma quantidade bem limitada de bolsas, ou leitos, a "pessoas necessitadas" (o restante das vagas ficam para abonados estudantes e detentores de planos de saúde privados), e classificam-se como sociedades civis "sem fins lucrativos".

Escolas de alta classe média e hospitais de ponta que só têm lugar para gente muito bem abonada estão entre as sociedades sem fins lucrativos assim classificadas, como filantrópicas, recolhendo nada de impostos de renda e contribuições sociais, que nós, os que sofremos com a "alta carga tributária", temos que recolher a mais.

Outro bom exemplo de carga tributária mitigada são colunistas e jornalistas de grandes meios de comunicação, falada e escrita, que são muitos (se não a maioria) inscritos como pessoas jurídicas (e no Simples), apesar da relação de emprego e de subordinação, e não recolhem na tabela progressiva do IRPF, além das empregadoras não terem de recolher a contribuição social patronal nem arcar com encargos em casos de demissão. 

 
 
imagem de Cmantovani
Cmantovani

Quem fala da "alta carga tributária" sempre se esquece do peso dos ICMS estaduais. Aliás o método do cálculo "por dentro" só existe no Brasil e na Bolívia e é um atentado à transparência (pois a alíquota de 25% se torna na realidade 33%, 17% vira 20,5%, etc).

Aliás, por que ninguém nunca cobra dos estados desonerações nos ICMS, para estimar o crescimento e contribuir para o controle da inflação?

"ICMS é o tributo que mais pesa no bolso do brasileiro" - 31 de agosto de 2012 - WLADIMIR D'ANDRADE - Agencia Estado

"Do R$ 1 trilhão em tributos pagos pelo brasileiro neste ano - marca registrada na quarta-feira (29) pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) -, a principal parte corresponde a um único tributo estadual: o ICMS. O contribuinte já teve de recolher neste ano R$ 202,1 bilhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), ou 20,21% do total, informou nesta sexta-feira a ACSP e o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Ao todo, 26,14% do R$ 1 trilhão, ou R$ 261,4 bilhões, correspondem a impostos estaduais.

A parcela federal equivale a 68,74% do total (ou R$ 687,4 bilhões), distribuídos em 17,94% pagos ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 16,72%, ao Imposto de Renda e 10,42%, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A parte municipal somou R$ 51,2 bilhões, ou 5,12% do total arrecadado no ano até a última quarta-feira (29).

A Região Sudeste concentrou 63,07% de toda a arrecadação e a Região Norte ficou com a menor parte, de 3,37%. Na divisão por Estados, São Paulo liderou a arrecadação, com 37,63% do total, o equivalente a R$ 8.959,22 para cada habitante. Roraima ficou com o menor valor, com R$ 879 milhões arrecadados (0,09%), ou R$ 1.891,12 por habitante"

 
 
imagem de Haim
Haim

O problema do Brasil não é a tributação elevad e sim a falta de retorno para a população desses tributos que, muitas, vezes são desviados pela classe políticas para fins duvidosos.

 
 
imagem de Juarez Alencar
Juarez Alencar

Resumindo: Só quem paga imposto no Brasil são os pobres e a classe média. Evidenciar a quantidade elevada de tributos desvia o foco do verdadeiro problema, que é a péssima política tributária que temos - incluindo a legislação- cominada com a péssima aplicação da receita obtida por meio dos impostos.

 
 
imagem de lauro c. l. oliveira
lauro c. l. oliveira

Um mito repisado a toda hora na imprensa PiG. Impostômetro, falsidades e cobranças desproporcionis de cobertura e qualidade em serviços que usualmente não contam nem com administração, nem recursos orçamentários adequados.

 
 
imagem de W K
W K

Pochmann e Nassif,

 

acreditarei nessas observações, tudo bem.

Só que, em torca eu quero saber o endereço do órgão público redistribuidor de impostos arrecadados para eu poder enviar para lá os todos os meus boletos referentes ao plano de saúde, escola dos filhos, conserto de automóvel, meus treinamentos e aperfeiçoamentos, ....

Gratifico com 50% do valor total reembolsado na primeira remessa.

Topam ?

 
 
imagem de Allan Patrick
Allan Patrick

quero saber o endereço do órgão público redistribuidor de impostos 

Só pra dar três exemplos de casos em que o tributo é recolhido hoje e amanhã já é devolvido ao público:

1) INSS: todo mês, distribui cerca de R$ 25 bi a 30 milhões de segurados. Fonte: Jornal Correio do Povo/AL. Como fazer parte: aposentando-se pelo INSS.

2) Tesouro Nacional. Juros e encargos da dívida pública de cerca de R$ 62 bi/mês. Fonte: Portal da Transparência. Como fazer parte: adquirindo dívida pública.

3) Benefícios tributários. (não encontrei o montante; é preciso somar união/estados/municípios).

4) Folha de pagamento dos servidores civis e militares. (idem anterior).

Por isso que Pochmann afirma que a carga tributária líquida é de 12%.

 

---

 
imagem de José Eduardo R. de Camargo
José Eduardo R. de Camargo

Eis um grande tapa na cara do tal impostometro, o qual é justamente patrocinado pelos que pouco ou nada pagam de imposto: os mais ricos.

 
 
imagem de Ozilio Cloves Santos
Ozilio Cloves Santos

    Reforma tributária no Brasil é uma fórmula por meio da qual se busca  que o contribuinte pague menos impostos, que o Estado aumente ou mantenha o seu nível de arrecadação, que as empresas de bens e de serviços se tornem mais competitivas, reduzam seus custos (preços também) e aumentem seus lucros e os trabalhadores mantenham seus empregos e tenham aumentos reais de salário. A reforma tributária também permitirá um aumento do PIB ou crescimento econômico do país, de forma sustentável porque preservando o meio-ambiente, diminuindo as taxas de emissão de carbono e contribuindo para evitar o aquecimento global (não o econômico, é claro). Logo se percebe que os pobres ficarão ricos e os ricos ficarão mais ricos ainda.
    Como se vê, só falta vontade política para implantá-la.

 

Ozilio Cloves Santos

 
imagem de Roger S
Roger S

A CPMF o pig derrubou, no brasil é baixa a carga tributária em relação a paises onde há justiça social 

 
 
imagem de Spin in Progress1
Spin in Progress1

Os ricos brasileiros só querem faturar, contribuir com o povo nem pensar, entram na Justiça para  não cumprir suas obrigações, a Vale deve mais de 35 bi e recorreu à Justiça, bando de safados

 
 
imagem de Raymundo Júnior
Raymundo Júnior

"no Brasil tem apenas duas, com alíquota máxima de 27,5%." (sic) Isto é uma figura de linguaguem, não é?! No sítio da Receita encontramos quatro faixas:

Faixa da Base de CálculoAlíquotaValor do Imposto1ª Faixa0,00Isento0,002ª Faixa0,00 7,5%0,003ª Faixa0,0015,0%0,004ª Faixa0,0022,5%0,005ª Faixa0,0027,5%0,00

Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/aplicacoes/atrjo/simulador/simulador.a...

 
 
imagem de Kleberson K
Kleberson K

Eu acho muito alta a carga tributária sobre a classe média sim. 27,5% de imposto de renda sobre os rendimentos. 1/3 do valor de um veículo é imposto. 25% sobre a conta de luz, 25% sobre telecomunicações, IPVA, IPTU, etc. E mesmo com todos estes impostos, temos que pagar pela saúde, pela educação, pelas estradas, etc. Acho alto e mal investido o dinheiro dos impostos. Esta análise do especialista está mais para justificativa de ações do governo.

 
 
imagem de MarFig
MarFig

Na minha conta de luz (Cemig) cobram 42% de icms e imprimem que estão cobrando 30%. E os tucanos na maior desfaçatez ainda reclamam da carga tributária. Hoje mesmo eu vi um tucano falar que o Chavez fez um péssimo governo porque aumentou a dívida pública. Existe algum ser vivente mais cara de pau do que um tucano?

 
 
imagem de Assis
Assis

 

Sobre a saúde vc está errado. Qualquer cidadão contribuinte de Imposto de  Renda pode abater 100%.

Vamos acabar com está lenda, que ainda pagamos pela saúde. Os ricos, e parte da classe média alta tem a saúde de qualide e reembolsada pelo IR.

Quem não tem saúde boa são as camadas com menos recurso, que não pode pagar e aguardar o reembolso em forma de isenção/abatimento de IR. 

 

 

 
 
imagem de Andrezao
Andrezao

Você está enganado. Você pode abater 100% dos gastos de saúde da renda tributável, não recuperar 100 % dos gastos. Pra exemplificar, suponha que a alíquota de 27,5% seja sobre todo um rendimento de 100 mil reais. Você pagaria 27500 reais de IR. Tendo uma gasto de saúde de 27500 reais você não vai parar de pagar IR. Simplesmente você seria tributado sobre os 100 mil descontados do gasto, ou seja, sobre 72500. E continuaria pagando quase 20 mil reais de imposto (tirei as faixas de alíquotas para simplificar o cálculo). Logo, o máximo que você vai deixar de pagar de IR por seus gastos com saúde será 27,5% desses gastos, se você estiver na faixa maior. Em resumo, o governo federal está pagando 27,5% das suas contas com saúde privada. Pagamos por saúde, sim. Se tiver dúvidas quanto a isso, faça exatamente essa simulação no programa do IR que já está disponível. E você verá que seu imposto a pagar se reduzirá no máximo nessa proporção de 27,5%.

 
 
imagem de renato arthur
renato arthur

Todos sabem porque a direita e a Midia fizeram de tudo para  extinguir a CPMF cujos recursos eram da saúde.  Sonegação e não permitir o rasatreio do dinheiro, não aceitam serem fiscalizados.

 
 
imagem de Sergioss
Sergioss

Permita uma correção, a CPMF foi extinta porque ela gerava uma excelente relatório de movimentação financeira, que permitia entre outros verficiar que 80% do fluxo de capitais no Brasil era girado por impresas Imunes/Isentas. Isso mesmo, a maior parte da riqueza circulava sob as filantrópicas, fundações etc...

 
 
imagem de Roberto Takata
Roberto Takata

E nem é verdade que a carga tributária do Brasil seja de país rico, está bem dentro do esperado para seu IDH:

------------------

Pela Figura 1, vemos a relação entre a carga tributária (considerando apenas a arrecadação do governo central - no caso do Brasil, apenas impostos federais) e o IDH para 99 países. Figura 1. Correlação entre carga tributária (como porcentagem de impostos recolhidos para o governo central em relação ao PIB) e o IDH. (Brasil: vermelho; linha vertical: média da carga tributária dos países analisados; linha horizontal: média do IDH) Ano base: 2010. Fontes: Banco Mundial e Pnud.



Se há alguma relação, é uma bem fraca em que um maior IDH corresponde a uma maior carga tributária - comportando grande variação entre países. A carga tributária brasileira é bem próxima à média dos países analisados e seu índice de desenvolvimento também corresponde praticamente à média do IDH dos países e está bem próxima à reta de correlação - isto é, não desvia muito da média de desenvolvimento dos países com carga tributária similar.

É difícil cravar que aumentar a carga tributária levará ao aumento do desenvolvimento do país. É verdade que programas como redução da pobreza, melhoria da educação e da infraestrutura, demanda maior investimento público. E maior investimento público necessita de uma maior arrecadação. Por outro lado, isso depende também de uma maior eficiência nos investimentos. Muita coisa se perde no meio do caminho, pela ineficiência e pelo desvio de verbas.

http://neveraskedquestions.blogspot.com.br/2013/02/no-brasil-pagamos-impostos-demais.html

------------------

 []s, Roberto Takata

 
 
imagem de Alexandre Weber - Santos -SP
Alexandre Weber - Santos -SP

O problema, além do nível confiscatório dos impostos, é para onde vai o dinheiro arrecadado.

Não é a toa que a Dilma só fala em bolsa família e erradicação da pobreza, pois são os programas que agem diretamente no IDH.

Não sobra nada para água tratada e esgoto.

Mas sempre têm os que querem usar a estatística para a tapeação.

 

Follow the money, follow the power.

 
imagem de Roberto Takata
Roberto Takata

Evolução do acesso ao saneamento básico no Brasil 2000-2008

 20002008Domicílios abastecidos com água da rede geral63,9%78,6%Domicílios com acesso à rede de esgotamento sanitário33,5%44,0%Resíduos sólidos destinados a aterros sanitários17,3%27,7%

Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/pnsb2008/PNSB_2008.pdf

------------

[]s,

Roberto Takata

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!