Centro de SP poderá ter zona livre de carros

Por Assis Ribeiro

Do Estadão

Zona livre de carros em SP pode chegar ao centro

cidade de São Paulo pode ganhar mais uma zona livre de carros, nos moldes da que começou a funcionar na sexta-feira (29/03), no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, na zona sul da capital. A próxima deverá ficar na região central. Foi o que disse ontem o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, que não deu prazo para isso ocorrer.

"Eventualmente, um dia, em um tempo não tão distante, vamos fazer na região central", afirmou Tatto, acrescentando que, em seu primeiro dia útil, a experiência do Largo 13 melhorou em 30% a fluidez dos ônibus.

Nesta semana, os motoristas que circulam pela zona livre de carros estão sendo orientados sobre as restrições. A partir da próxima segunda-feira (08), quem trafegar pelas ruas em que há proibições de circulação nos horários de pico - das 5h às 10h e das 16h às 20h - receberá uma multa de R$ 85,13, além de ter cinco pontos descontados na carteira de habilitação.

A CET informou que antes de começar a aplicar as penalidades decidirá se as regras serão as mesmas para moradores e comerciantes locais. "Estamos dialogando com a comunidade para discutir possíveis excepcionalidades."

Por dia, 38.160 pessoas usam as 50 linhas municipais de ônibus que passam pelo Largo 13. São 380 veículos por hora no pico da manhã. De acordo com a São Paulo Transporte (SPTrans), não serão criadas novas linhas, porque o objetivo da restrição é a "redução no tempo de viagem".

Segundo Paulo Roberto Vitorino, gerente de unidade da SPTrans, ontem houve uma redução de dois minutos no trajeto dos ônibus. "Isso implica adiantamento de 30 minutos em todo o percurso do passageiro."

Divergências

A medida, entretanto, divide opiniões. Para Américo Nunes, de 80 anos, dono de um estacionamento e de uma loja na Rua Barão do Rio Branco, o movimento das lojas vai cair. "Quem tiver estacionado antes do horário de restrição vai ser multado? Ninguém da CET nos informou. Dez mensalistas do estacionamento já disseram que vão sair."

A gerente de uma loja na Alameda Santo Amaro, Helena Moreira de Souza, de 31 anos, afirmou que teve uma redução de 30% nas vendas ontem. "A maioria dos meus clientes vem de carro." Indignado, o comerciante Antonio Gonçalves Pereira, de 64 anos, discutia com o agente de trânsito que orientava os motoristas na tarde de ontem, na Rua Barão do Rio Branco. "Moro em Diadema, tenho de chegar cedo ao trabalho e mesmo assim vou ter de ficar esperando até as 20h?" A orientação do agente da CET foi de que ele aguardasse o fim da restrição para não ser multado.

Parado

Para a estudante Daniela Silva, de 31 anos, que todo dia passa pelo Largo 13, a restrição vai diminuir o trânsito. "No horário de pico, fica tudo parado. A disputa é entre carro e ônibus." Ontem, a atendente Ester Carvalho, de 31 anos, deixou o carro em casa. "Não tive opção, vim de ônibus porque não sabia se ia conseguir sair." 

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10 comentários
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Gilberto .

Sou favorável à medida desde que planejada corretamente. Simplesmente tirar os carros, sem garantir o fácil acesso através de outras formas, pode ser uma sentença de morte para a região.

Os exemplos já citados nos comentários, foram bem pensados e é esta a razão do seu sucesso.

Vou dar alguns exemplos irresolvidos de São Paulo:

1. O Centro Cultural Banco do Brasil tem ótimas exposições. Vou com frequência ao local que está numa região de calçadão. Sair de lá entretanto no início da noite é sempre tenso. 

2. Sala São Paulo e Pinacoteca. Ótimos programas também com o mesmo problema. Embora não estejam em calçadões é, no mínimo, uma aventura percorrer o pequeno trecho entre os dois prédios da Pinacoteca.

Ontem mesmo, em torno de 19:30 hs, passei pela José Paulino para pegar a al. Nothmann em direção à Santa Cecília. Embora a Tiradentes estivesse parada, ninguém tem mais coragem de utilizar esta alternativa (nem de carro). Tanto a José Paulino como a al. Nothmann estavam desertas...

 

 

Gilberto .

 
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Allan Patrick

Exatamente as mesmas reclamações, ipsi litteris, ouvidas pelos urbanistas de Copenhague, liderados por Jan Gehl, quando a prefeitura começou a direcionar a malha urbana para as pessoas ao invés dos carros.

 

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Sergio Saraiva

E desde quando Copenhague tem 10 milhões de habitantes?

Mais um que sonha Amsterdã e acorda em Nova Deli.

Copenhague População: 559.440 (2013)Área: 88,25 km²
São Paulo População 11 376 685 hab. –  estimativa Área - 1.522,986 km² 
 


 
 
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Allan Patrick

Os carros tem a pior escalabilidade entre os meios de transporte. Quanto maior a cidade, pior fica pra eles. Grandes cidades precisam mais ainda de soluções alternativas do que médias cidades, como Copenhague ou Amsterdã.

 

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Doug_SP

Veículos de entrega tambem estão proibidos?

Como vão fazer os lojistas para receber mercadorias? E empresas para receber insumos?

 
 
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P Pereira

Leu o título e parou?

 
 
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Allan Patrick

No centro das grandes cidades europeias, mais influenciadas pelo pensamento do novo urbanismo, os veículos utilitários/comerciais, são justamente os únicos que circulam. Também eles são beneficiados pela restrição aos automóveis, fazendo assim a economia local girar com mais eficiência.

 

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Doug_SP

Minha duvida, admito, é de cunho pessoal. Sempre que vou no centro vou em uma lanchonete que chamo "carinhosamente" de barata's grill. Uns dos melhores misto quente que conheço, faço questão de comer lá.  

 
 
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Luiz C.

Nada mais sensato, não? Nada impede as madames largarem o carro e ir de ônibus.

 

Finalmente alguém que sabe conduzir a cidade de modo que ela não vá se auto-destruir em um futuro próximo! Como o detrito sólido de maré baixa disse que o Kassab foi bom?!

 
 
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Bispo do Rei

“Centro de SP poderá ter zona livre de carros”

Conclusão:

Quem quiser ir na zona terá que ir à pé.

 

 

De poucas partidas aprendi tanto como da maioria de minhas derrotas. (Capablanca)

 

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