Seu nome

Haveria de ter precisado de muito, lhe digo, assim, de muito para que um nome fosse apenas reduzido a uma palavra. Dimensão crua da palavra. Esse fio que não se pega, palavra, esse nome que não se reduz, palavra. Haveria de ter sido preciso de muito, assim, de muitos nomes para que palavra, viesse assim, em sorriso quando riso. Em dor quando lágrima. Em emoção, nos nomes pluralizados, palavra. Dimensão crua, palavra. Haveria de ter sido assim como foi, naquele exato momento, eu uso um sistema de navegação para chegar a seu inconfidente, seu nome ri de mim. Seu nome, meu confidente.  Haveria de ter sido assim, muitas palavras que de repente, sorriso, não mais que, sorriso, sabe-se lá se alguma coisa além de sorriso. Nome que vira aquele olhar, muitas vezes, o mesmo que desde quando havia menos palavras, havia apenas pequenos passos, tudo aquilo que não soube, nem você, nem seu nome, meu confidente, nem a sua casa para mim, seu inconfidente.  Haveria de ter sido preciso o nome que fica, que de mim eu o fiz, porque nome impresso em mim é o que sou. Todas as palavras que carrego dentro de mim. Nome. Palavra. Crua. Que não haverá de ser assim, um dizer sobre palavras que trazem frio, que fazem o olho piscar daquele jeito e não do outro. Que trazem manias e alegrias, frios e dores, maneira de ver, olhar cansado da vida. Um outro novo para a vida. A vida, a vida, movimento. Nome que faz outros, nome que dribla, que faz aquele pé torcer daquela maneira de quando encontra a bola, nome que faz preferir o café aqui e não ali. Nome que faz do inconfidente rua, nome que faz de você um pedido, confidência. De todas as outras palavras, confidência.

Nome cru que recobre os gestos, mesmo os interrompidos, palavra, movimento, uma mão que não encontrou o cabelo. Nome que faz os gostos, os gestos, as pessoas, nome que faz-nos responder o de sempre, o de nunca antes, nome que faz as escolhas, dimensão crua que faz o andar ser apressado, as bochechas como as da mãe, nome que faz o passar de página do livro, qualquer livro, palavra, nome que faz o passar de páginas ser sempre com os mesmos dedos. Nome que escolhe olhares e palavras. Nome que toca o tato, textura da vida. De todos os relatos confidência. De todas as palavras, confidência. Nome que faz ser o mesmo jeito o de virar o cachecol se mais frio. O passo mais apressado se mais pressa. Palavra que faz do inconfidente rua. Palavra que faz das pedras história. Dimensão crua que faz da vida textura de vida.

Seu nome que faz curva, seu nome que vira o céu. Seu nome que tranquiliza porque faz curva. Mesmo que, palavra, me irrite tanto, por vezes. Porque nome dribla, curva. Palavra que faz da vida textura de vida curvilínea. A vida que não é lua cheia. É lua sempre um tanto oculta. Textura de vida à espreita.  

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