As diferenças entre o ensino norte-americano e finlandês

Por Carlos de Morais

Em um interessante artigo, Marina Moreira Costa [1] analisa as diferenças existentes nos sistemas de ensino norte-americano e finlandês.  Os Estados Unidos sempre utilizaram um sistema de ensino bastante orientado pelos e para testes, aplicados periodicamente aos estudantes, cujo desempenho é considerado fundamental, para premiar ou punir os professores. Escolas podem ser entregues à eficiência da administração privada com o objetivo de melhorar o desempenho dos estudantes.  Na Finlândia se os professores fossem avaliados a partir de testes aplicados a seus alunos, eles simplesmente abandonariam a profissão “e não retornariam até que as autoridades abandonassem essa ideia maluca”. As escolas são administradas apenas pelo setor público e professores e professoras são estáveis e têm liberdade do que e de como ensinar, desde que os currículos nacionais sejam respeitados.  É interessante notar que vários estados norte-americanos parece que acordaram, diante da publicidade dos resultados do PISA – 2009,[2] que mostram um desempenho significativamente melhor dos estudantes finlandeses.

Era tradição, nos Estados Unidos, a avalição de desempenho, realizado por testes. Porém, como sua prática redundou em sérios problemas, decidiu-se escolher um novo sistema que leva em conta observações em sala de aula.

[1] IG São Paulo – 13/05/2010 – 16,45.

[2] Avaliação feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

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mcn

A educação básica da Filândia (equivalente aos nossos ensinos fundamental e médio) é uma das melhores do mundo de acordo com os testes do PISA, que avalia o desempenho dos alunos no final do ensino médio. Em 2012, ficou em 1º lugar no ranking (link), seguida de Coréia do Sul, Hong Kong e Japão. Os EUA ficaram na 17ª posição e o Brasil na penúltima (39ª).

Não li o artigo citado, mas considero que as comparações ente países são um pouco complicadas. Acho que o fato de fazer ou não testes padronizados interfere pouco. Em países asiáticos com alto desempenho educacional, como a Coréia do Sul, por exemplo, os alunos sofrem uma pressão brutal por resultados, com apoio das famílias e do governo.

O Canal Futura produziu há poucos anos, uma série de documentários (1h de duração cada) sobre os 4 países melhor colocados no PISA, mais Chile (melhor colocado na AL) e Brasil. A abordagem é bem aprofundada, com entrevistas com gestores públicos, professores, pais e alunos jovens.

De um modo geral, o que parece diferenciar os melhores sistemas é um aspecto pouco cuidado no Brasil: vontade política pressionada pela população. Nesses países parace haver um consenso entre TODOS (ricos e pobres) de que educação para TODOS tem importância estratégica para o país; e que NENHUMA criança ou adolescente pode ficar de fora.

Há uma ilustração disso, na fala de uma professora finlandesa, dizendo que, para a cultura do país, é inadimíssivel que o mais forte ou o que tem mais recursos abandone o mais fraco, porque, no final das contas, o país é um só. Assim, escolas mais fortes ajudam escolas mais fracas e alunos com bom desempenho ajudam alunos com desempenho ruim.

Sem o consenso entre ricos e pobres de que educação pública de qualidade para todos é necessária, possível e urgente, as reformas que tanto necessitamos não se sustentarão. Precisamos de um "febre de educação", como aconteceu na Coréia e que mobilizou toda população para essa causa. Só assim, creio, despertaremos o gigante da educação brasileira.

 
 
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Porém

é inadimíssivel que o mais forte ou o que tem mais recursos abandone o mais fraco, ] Isso é por haver emprego para todos. Entretanto, isso é bem  quando  há poucos com bons fica até meio criminoso fazer um esforço danado para pagar escola privada para filho, o que nem sempre é lá essa coca-cola, e ainda ajudar futuro concorrente desse, quando o mais justo é matar o máximo possível ainda no nascedouro.

 
 
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rita scaramuzzi

"decidiu-se escolher um novo sistema que leva em conta observações em sala de aula."


 


como assim?


eu tenho a certeza de que quando virar moda para os americanos também o será para o brasil.

 
 
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Lucinei

Imagina a quantidade de estudantes reclamando de "perseguições" por parte de professores! E a quantidade de "leoas" berrando nas escolas em defesa da prole! Meu Deusss... nem com salário de Juiz!

 

PJ não VOTA!

 
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Mauro Battiferro

A escala dos 2 sistemas é completamente diferente

É óbvio que um móvel produzido a mão tende a ser melhor que um produzido em massa, mas a questão é se o melhor sistema da Finlândia pode ser replicado em um apaís com uma população praticamente 50 vezes maior.

 
 
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De fato

Alguma coisa que preste só fica possível em país pequeno.

 
 
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ArthurTaguti

O que ocorre há décadas no Brasil é a sucatização do ensino público, em detrimento de grandes redes de ensino privado que fabricam técnicos, "vencedores", futuros aprovados em medicina, engenharia, direito, que darão mais publicidade e mais $$ pra eles.

São nesses ambientes que se forma toda a massa de manobra coxinhesca da grande mídia, a classe média que brada "Bolsa-Esmola", a de médicos que têm ojeriza a periferia e ao SUS, técnicos formados em ótimas faculdades, mas verdadeiros analfabetos políticos que batalharão para manter os privilégios do andar de cima sem nem saber o porquê disso.

O objetivo não pode ser trazer a "nova classe média" para a rede privada, mas sim reforçar a rede pública, com a ampla reformulação do seu currículo escolar. 

O padrão americano de ensino, seguido a risca pelo Brasil, lembra muito aquele filme "sociedade dos poetas mortos". A cena de Robin Williams, desfazendo a marcha rídiga e unidirecional dos seus alunos e permitindo-os a rumar pela direção que escolhessem é antológica.

Neste ponto, é preciso resgatar as óbvias lições de Paulo Freire, no sentido de que educar é um ato político. Uma educação que torna o indivíduo capaz de pensar sobre a sociedade e o mundo que habita expande os seus horizontes, torna-o mais autônomo e apto a cobrar de forma mais contudente o seu espaço na cidadania. 

O que observamos nos protestos de junho foi uma consequência de nossa sociedade/sistema educacional. Um mundaréu de jovens, bem instruídos, formados em colégios festejados, ou estudantes de bons cursos universitários, não sabendo canalizar o seu mal-estar com o status quo, que é real, simplesmente por falta de uma visão mais ampla da realidade.

Tornam-se, na maior parte dos casos, reféns da visão tecnicista, individualista e meritocrática que foi ofertada a eles desde a sua infância.

Assim, a expansão do ensino superior federal e o sistema de cotas nas federais, promovidos pelos governos do PT, é salutar, mas não altera o padrão do nosso sistema de ensino mercantilista e voltado a formação de tecnicistas frios e conservadores.

Se o próprio EEUU reconhece as fragilidades do seu sistema, é hora de o Brasil enxergar adiante, mirar no exemplo Escandinavo e resgatar um projeto pedagógico mais apropriado para a sua condição terceiro-mundista.

 
 
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João Lima

Como é que sabemos que o ensino finlandês é de ótima qualidade? Porque, em algum nível, ele é avaliado e comparado a outros sistemas de ensino. Não existe sistema de ensino público sem o filtro da avaliação, em sociedades democráticas em que o cidadão tem o direito de saber a qualidade dos serviços oferecidos. Em algum momento o professor filandês sabe que seu aluno será avaliado.

 
 
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geraldo roberto pereira de carvalho

joão, o texto cita o pisa de 2009, acho pouco, mt pouco, mas é apresentado um parâmetro.

 
 
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Athos

Pode o sistema dos EUA ser comparado com o melhor do mundo?

Hoje estou sem paciência.

O sistema dos EUA é uma porcaria. Todos sabem disso.

Tpda a pesquisa é com mão de obra de outros países. Nisso eles são bons. Atrair cabeças.

Agora ensinar...não é com eles não.

 
 
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Marcelo F. Campos

"O sistema dos EUA é uma porcaria. Todos sabem disso."


Até mesmo porque voce é expert em educação norte-americana, também porque lá nao estão as melhores universidades do mundo, o maior numero de Premios Nobel disparado, e não são líderes em inovação científica, também disparado. 

Boa mesmo deve ser a "educassaum" do PêTê. 

Eu acho graça desse pessoal que nunca botou os pés nos EUA e se metem a dar uma de especialistas em tudo que acontece por lá... 

 
 
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LC

Pela conlusão percebe-se que você está sem paciência. A comparação é no sentido de saber se um país do porte do Brasil pode eventualmente tentar algo em um país minúsculo.

Sonho dia e noite com o momento que o nosso ensino puder ser comparado com a "porcaria" do ensino americano...

 
 

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