Sobre o recuo do governo nas novas regras para troca de sexo

Sugestão de Gunter Zibell - SP

Do O Globo

‘Nesse governo, tudo está voltando atrás’, diz escritora sobre anulação de portaria

Escritora critica governo por ter recuado e desistido de novas regras para troca de sexo

RIO — Escritora e fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais, Edith Modesto avalia como um retrocesso a conduta do governo em relação aos transexuais e lembra que a discussão avança no mundo. 

Como a senhora avalia esse recuo do governo?

Acho uma coisa terrível. Estou ao lado das pessoas, vendo o sofrimento delas. Desses jovens principalmente. Eles se sentem desrespeitados, e de fato são. Além de toda a dificuldade de se sentir de gênero diferente do que nasceram. Além disso, são considerados não sujeitos. Quando tem uma boa notícia, vem a decepção. É uma profunda decepção. Parece uma brincadeira macabra. 

Quais as dificuldades de um pai ao descobrir um filho transexual?

É muito complicado criticar os pais que não aceitam o filho transexual . O homossexual pode passar a vida sem que se perceba que ele faz parte de uma minoria. O transexual não tem como esconder. Estou com o caso de um menino de 9 anos, que nasceu menina. Estamos tendo problemas para trabalhar a questão na escola. Os colegas e professores estranham. É um percurso muito complicado para os pais.

Qual é a realidade dos adolescentes transexuais hoje?

Temos casos de tentativa de suicídio. Muitos ficam desesperados na hora da puberdade. Por isso defendemos a interrupção, com hormônios. O ideal é bloquear a puberdade, para ter tempo de fazer um acompanhamento psicológico antes da chegada dos hormônios. Sem esse cuidado, muitos começam a tomar hormônio clandestinamente. As características sexuais secundárias os fazem sofrer muito, porque a sociedade ainda não sabe que isso existe. É o maior sofrimento que se pode imaginar para um jovem.

Como a senhora avalia as políticas públicas relacionadas ao público LGBT?

Está tudo empacando. Nesse governo, tudo está voltando atrás. Até isso. Eu desconfio que por trás disso está a atuação da bancada mais conservadora. É preciso preparar a sociedade. É um tema já bem avançado nos Estados Unidos e em alguns países europeus. 

Pelo que observa, com que idade o jovem se percebe transexual?

É muito importante o acompanhamento de um endocrinologista. Mas sem dúvida na pré-adolescência, quando esses sinais da transexualidade aparecem, a criança já deveria usar hormônio. Até mesmo antes dos 12 anos. E é esse aconselhamento, para a redução de danos, que fazemos no GPH.

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10 comentários
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Weezer

Que loucura, vocês querem aplicar terapia hormonal em crianças de 10 anos de idade?

 
 
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Spin in Progress1

A matéria está faltando a parte em que deveria citar no que o governo recua, pq recua...Não é por nada não, mas viro moda coisa do tipo vi na manchete de hoje foiano O Popular  "A mortalidade infantil caiu 37%" mas....mas ainda muito por fazer. Avançou na educação mas....Sempre há um mas...faltou o mas....Gunter, desculpa ai a zoação, mas é de fato senti falta da parte mais importante, alguém poderia acrescentar prá gente se informar, grande abraço

 
 
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viviane legnani

O desafio é conseguir que todos candidatos à cirurgia passem por acompanhamento terapêutico pelo SUS de no mínimo dois anos.  Normalmente são as clínicas- escola da universidades que oferecem esse atendimento ao mesmo tempo que formam psicológos para atuar junto a esse segmento. É tudo bem complexo!   (...)" o acompanhamento deve ser feito por um período de no mínimo dois anos, durante o qual o psicólogo poderá certificar que a subjetividade na qual o indivíduo vive, de fato, é diferente em gênero da sua natureza física, daí a importância de se viver e ser tratado no papel do sexo oposto, antes da cirurgia. A maioria dos casos é de conversão do sexo masculino para o feminino. "A terapia serve para mostrar e constatar a mulher que está dentro daquela pessoa em toda a sua amplitude. Se a pessoa transexual tiver uma vivência do papel feminino através de um relacionamento estável, apoio familiar, integração social, profissão definida, ela vai para a cirurgia mais consciente e segura". 

http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/141/frames/fr_conversando_psicologo.aspx

 
 
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Oswaldo Alves

A fala da senhora Modesto é cheia de problemas. Acho que O Globo só deu espaço a ela porque ela soltou a frase "Nesse governo, tudo está voltando atrás".

Dizer de forma genérica que o tema é muito mais avançado nos EUA e na Europa é complexo de vira-lata. A reação conservadora à luta por direitos LGBT é feroz tanto nos EUA quanto na Europa.

 
 
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marcelo

É, mais um efeito colateral dos protestos. O governo não vai querer criar animosidades com ninguém mais. Simplesmente ficou refém de todo mundo. 

 
 
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Assis Ribeiro

Gunter se o governo recuou foi por pressões. Pressão com pressão se combate.

Mas, o risco de um governo contrário ao atual recuar é nulo, pois sequer estas matérias serão propostas ou defendidas.

Pense nisso.

 
 
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Gunter Zibell - SP

Oi Assis, não compartilho do seu diagnóstico.

Acho importante que os retrocessos sejam discutidos pela sociedade, não devemos escamoteá-los.

Abraços.

 

"Eu abri uma frestinha na porta do armário. Dei uma escapadinha para fora. Eu entro no armário de novo e tranco a porta. Boto cadeado. Juro." http://www.facebook.com/FelixBichaMa

 
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Assis Ribeiro

Do meu comentário:

"Pressão com pressão se combate."

 
 
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Gunter Zibell - SP

E o que você sugere como pressão?

 

"Eu abri uma frestinha na porta do armário. Dei uma escapadinha para fora. Eu entro no armário de novo e tranco a porta. Boto cadeado. Juro." http://www.facebook.com/FelixBichaMa

 
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Gunter Zibell - SP

http://noticias.gospelprime.com.br/ministerio-da-sauda-tratamento-de-transexual/

Ministério da Saúde suspende portaria que define regras para mudança de sexo a pedido de Samuel Ferreira

Nesta quarta-feira (31), minutos antes da entrevista que explicaria as novas mudanças estabelecidas pela portaria do Ministério da Saúde com novas regras para a realização de cirurgias de mudança de sexo pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu a ligação do presidente da Assembleia de Deus no Brás, pastor Samuel Ferreira, pedindo a suspensão das regras.

As explicações seriam dadas pelo Secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Miranda Magalhães, que assinou a portaria. O argumento da assessoria foi que houve um problema na agenda de Helvécio. Um dos assessores da pauta já estava até repassando informações sobre os novos procedimentos estabelecidos pela portaria, mas foi interrompido com a notícia da suspensão das alterações.

Samuel Ferreira teria entrado em contato com Padilha assim que soube das novas regras e exigiu a retirada imediata da portaria. O líder também chamou de “desrespeito à comunidade evangélica no Brasil” e alertou que o governo perderia o apoio da Assembleia de Deus se permitir as mudanças.

“Esta portaria é absurda, um desrespeito à comunidade evangélica no Brasil. Além do uso de dinheiro público para privilegiar tratamentos duvidosos, o Palácio do Planalto criaria uma crise entre governo e evangélicos, pois não aceitaríamos mais este tipo de atitude do governo”, disse o líder.

Nas mudanças estabelecidas pela portaria o SUS forneceria tratamento para mudança de sexo a partir dos 18 anos e não mais dos 21 anos, e a partir dos 16 anos para os pacientes com autorização de psicólogos e médicos, caso tivesse interesse na cirurgia.

Além disso, a portaria, agora anulada, previa também a mudança de sexo de mulher para homem. A mudança de sexo de um homem para uma mulher já ocorre desde 2008. A portaria também previa as cirurgias para dar aspectos mais masculinos ou femininos aos pacientes como a tireoplastia (redução do Pomo de Adão nos homens), a mastectomia simples bilateral (retirada dos seios) e histerectomia (retirada do útero e ovários).

Para o líder assembleiano a situação de crise entre governo e evangélicos poderia piorar caso o Ministério da Saúde não suspendesse a portaria.

“Liguei para o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e sugeri que a portaria deveria ser extinta para não piorar a crise entre governo e evangélicos”, explicou Samuel.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que reunirá especialistas “para definir os critérios de avaliação do indivíduo, de obtenção da autorização dos pais e responsáveis, no caso de faixa etária específica, e de acompanhamento multidisciplinar ao paciente e aos seus familiares”.

 

"Eu abri uma frestinha na porta do armário. Dei uma escapadinha para fora. Eu entro no armário de novo e tranco a porta. Boto cadeado. Juro." http://www.facebook.com/FelixBichaMa

 

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