Sobre a história política do Estado de São Paulo

Por Fabio de Oliveira Ribeiro

Comentário ao post "O conservadorismo que tenta construir a crise desde 2009"

A historia de São Paulo é canhestra. A capitania hereditária cá instalada pelos portugueses quase naufragou por causa da Confederação dos Tamoios. Durante séculos, a província de São Paulo foi a mais atrasada, miserável e despovoada do país. 

Nenhum grande episódio da historia do Brasil ocorreu aqui. O ciclo da cana-de-açúcar foi no nordeste, o do ouro em Minas Gerais e o da borracha na região norte. O ciclo do café começou no Rio de Janeiro e lentamente se espalhou por São Paulo. 

Os paulistas nada fizeram em favor da independência. A principal rebelião republicana ocorreu em Minas Gerais. Todos os grandes levantes populares durante a Colônia e Império ocorreram nas regiões norte, nordeste e sul. Antes de ser o túmulo do samba, São Paulo já era o túmulo da política. 

É verdade que em São Paulo ocorreu a primeira greve geral do Brasil. Porém quem a comandou foram os imigrantes, porque os paulistas sempre foram cordeiros nas mãos de seus patrões. Quando inventou o Jeca Tatu (aquele capial ignorante, subnutrido, enfermiço e que não entendia nada de política), Monteiro Lobato estava certamente pensando nos paulistas que conheceu no interior de São Paulo (cuja rotina modorrenta ele descreveu no seu livro Cidades Mortas).

Quando foi que ocorreu algo em São Paulo? Em 1932. Mas a rebelião paulista foi coisa da elite paulistana e não do povão, que sempre foi tratado a pão, água e chicote antes, durante e depois da guerra. A versão oficial inventada pelos traidores do Brasil diz que os paulistas queriam uma nova constituição. Esta é a mentira mais deslavada que existe na Historia do Brasil. A elite paulista nunca gostou de constituições, tanto que foi à guerra porque adorava aquele ladrão chamado Washington Luís (que governou o estado distribuindo favores e bilhetinhos para os amigos dele e decidia tudo no Automóvel Clube de São Paulo) e não perdoou Getúlio Vargas por ter deposto o tal.

A elite paulista continuou não gostando muito de constituições. Tanto que apoiou o golpe de 1964 e financiou o DOI-CODI, onde os pobres foram martirizados pelo Ustra e outros. O DOPS paulista é responsável pelos episódios mais infames da Historia brasileira do século XX. 

São Paulo é um estado tão bárbaro que não tem Justiça. O julgamento do Massacre do Carandiru demonstrou isto: os policiais que assassinaram mais de 100 presidiários foram processados e condenados, mas o governador que comandava a Policia Militar e autorizou a invasão do presidio prestou depoimento como testemunha quando deveria ser réu (teoria do domínio do fato). Esta semana Alckimin foi acusado de estar no centro de um pavoroso caso de roubalheira no Metrô e o Tribunal de Justiça, ao invés de manter sua independência do Executivo, resolveu entregar ao governador o "Colar do Mérito Judiciário" (a cerimonia ocorrerá amanhã). É assim que funciona a isenta Justiça paulista: num dia ela condena soldados para inocentar o ex-governador que comandou um assassinato coletivo, no outro premia com uma comenda um governador ladrão que será julgado por desviar centenas de milhões do Metrô. 

A comenda que será conferida a Alckimin amanhã, no auge de uma crise, funciona como uma senha. No fundo o TJSP está dizendo que Alckimin é paulista e imune a qualquer punição federal com base no processo iniciado pelo CADE. É o velho sonho de 1932 que está vivo e sendo alimentado pela elite paulista. Getúlio Vargas venceu aquela guerra, mas poupou a capital paulista. Desta vez São Paulo será poupada? Espero que não. 

Nenhum voto
55 comentários
imagem de JUAN LEONILDO
JUAN LEONILDO

Se não tivessemos os Bandeirantes,O Brasil seria de que tamanho?

 
 
imagem de Jaguar
Jaguar

Texto roto e estúpido. Coisa de gente invejosa.

Há ao menos um ou dois comentários coerentes, um deles de um Mackenzista que ainda demonstra cultura histórica e concisão no uso das palavras.

Faz picadinho da turma.

E quanto mais batem em São Paulo e nos paulistas, mais apanham.

 
 
imagem de Stanilaw Calandreli
Stanilaw Calandreli

Gostei do post, parabéns, gostei também de vários comentários, mas a história de SP não tem nada há ver com a atualidade política (PSDB). FHC não é paulista, é um aproveitador que se infiltrou atrás de fama, um aventureiro. Nossa história começa com os bandeirantes, e passa por migrantes que aqui se agigantaram. Um exemplo típico  foi a família Pereira Barreto, cafeeiros do Rio de Janeiro, desanimados com a exaustão da terra local vieram se instalar em Cravinhos, próximo a Ribeirão Preto, onde desenvolveram técnicas e variedades mais adaptadas à região. O Sr. Luiz Barretos esteve várias vezes na Europa com suas mudas de uvas para mostrar ao europeu que o Brasil não era como os argentinos diziam: só areia, sol e mosquito. Havia, sim, clima propício para o estilo de vida do europeu. O desenvolvimento do interior paulista não foi feito por decreto, mas por muito trabalho. Se Tiradentes fosse paulista eu acredito que seu objetivo seria alcançado, pois aqui essa ideia sempre teve mais guarida e muito provavelmente, seria concretizada. E quanto aos investimentos captados pelo estado, fica uma pergunta – Havia lugar melhor para serem aplicados?

 

CLCAL

 
imagem de Daytona
Daytona

A paixão dos comentários sobre esse tema mostra que o Brasil é, na verdade, um país formado por dois Estados: o Brasil e São Paulo.

Há aquele ditado de que o Brasil não é para principiantes, como se o Brasil fosse um enigma, indecifrável para os estrangeiros. Nesse caso, São Paulo é uma charada escondida dentro do enigma, porque nenhum brasileiro não-paulista parece compreender SP, levando a esse separatismo ao reverso, com o qual alguns parecem desejar que SP seja expulso do Brasil.

Desde a eleição de Lula, o Brasil se dividiu entre esses dois estados, sendo SP o reduto da oposição. O Brasil nunca vai conseguir desenvolver todo seu potencial enquanto SP continuar a mercê do atraso, do coronelismo tucano. O dia que a Bastilha tucana cair em SP, será um grande dia não apenas para os paulistas, mas para todos os brasileiros.

 
 
imagem de tnetz
tnetz

Alguém dê um livro de história ao autor do post...

 
 
imagem de dida
dida

E tome  a musa Marilena Chauí fazendo escola...

Esse texto é o exemplo perfeito e acabado do preconceito, da intolerância e da ignorância.

 
 
imagem de Maria Luisa
Maria Luisa

 O problema não é São Paulo, se fosse... a elite é elite em todo lugar, o pensamento tacanho é o mesmo... a mediocridade é idêntica e a Justiça beija-mão também. 

 
 
imagem de jura
jura

"São Paulo é um estado tão bárbaro que não tem Justiça. O julgamento do Massacre do Carandiru demonstrou isto: os policiais que assassinaram mais de 100 presidiários foram processados e condenados, mas o governador que comandava a Policia Militar e autorizou a invasão do presidio prestou depoimento como testemunha quando deveria ser réu (teoria do domínio do fato). Esta semana Alckimin foi acusado de estar no centro de um pavoroso caso de roubalheira no Metrô e o Tribunal de Justiça, ao invés de manter sua independência do Executivo, resolveu entregar ao governador o "Colar do Mérito Judiciário" (a cerimonia ocorrerá amanhã). É assim que funciona a isenta Justiça paulista: num dia ela condena soldados para inocentar o ex-governador que comandou um assassinato coletivo, no outro premia com uma comenda um governador ladrão que será julgado por desviar centenas de milhões do Metrô. "

Matou a pau. Eu ia exatamente postar a mesma coisa depois de ler isso aqui:


Folha — O que o levou ao estudo da teoria do domínio do fato?
Claus Roxin — O que me perturbava eram os crimes do nacional socialismo.

http://www.conjur.com.br/2012-nov-11/claus-roxin-teoria-dominio-fato-usa...

Os crimes militares como esse do Carandiru são mais próprios do regime nazista do que o mensalão.


 
 
imagem de JUAN LEONILDO
JUAN LEONILDO

ADORO SÃO PAULO

 
 
imagem de bagisbad
bagisbad

“É verdade que em São Paulo ocorreu a primeira greve geral do Brasil. Porém quem a comandou foram os imigrantes, porque os paulistas sempre foram cordeiros nas mãos de seus patrões.”

 

Preconceito puro.

 

Não enxergar que o imigrante – bem como o migrante – faz parte do povo paulista é preconceito puro. É o mesmo que dizer que o retirante nordestino não representa parte do povo paulista.    

 
 
imagem de jura
jura

Ele se refere, com razão, à imigração estrangeira, que começou antes da nordestina.

Foi a aliança de São Paulo com o capital estrangeiro, a partir da imigração estrangeira, que possibilitou a industrialização que atraiu os demais brasileiros em situação de inferioridade.

São Paulo abriu as portas do Brasil para a invasão estrangeira por que sua burguesia não tinha competência nem pra investir. O estado virou uma plataforma manufatureira baseada em recursos humanos e naturais nacionais e capital estrangeiro. A burguesia paulista foi mera intermediária do negócio.

Vem daí a concentração de renda nacional e local, com as cidades paulistas divididas entre um centro dominado por imigrantes estrangeiros e quatrocentões e as periferias habitadas por brasileiros pobres trabalhadores das indústrias.

A polícia militar é encarregada de defender a cidadela.

 
 
imagem de Daytona
Daytona

Isso não é verdade, a verdade é que SP era o único lugar do Brasil onde existia uma burguesia, nos demais estados, apenas coronelatos de base rural e currais de funcionalismo público.

Eu sou muito crítico da elite paulista, considero-a provinciana e covarde, mas quando olho para as elites dos outros estados, caramba, vejo como SP é abençoado!

 
 
imagem de ArthurTaguti
ArthurTaguti

"São Paulo abriu as portas do Brasil".

A pergunta é: algum dia as portas do país estiveram fechadas? Brasil não foi colônia de Portugal, os Holandeses não colonizaram parte de Pernambuco, o ouro de MG não financiou a Revolução Industrial, dentre outras coisas?

Sério mesmo que este é um argumento válido para criticar só São Paulo? Faça justiça e critique o Brasil todo pelo histórico de dependência.

 
 
imagem de Athos
Athos

Amigo, resolve aí.

Os baianos então são paulistas? É isso que vc ta falando?

 
 
imagem de bagisbad
bagisbad

Desculpe, não entendi seu questionamento. Então para vc. só faz parte do povo paulista quem nasce no Estado de São Paulo?

 

 

Utilizando suas palavras, pergunto: É isso que vc ta falando?

 
 
imagem de Athos
Athos

Não, eu só quero que vc me explique porque me mudei para são paulo tem 6 meses, então sou paulista de acordo com sua classificação?

É isso mesmo. Pisou aí é paulista?

 
 
imagem de bagisbad
bagisbad

Com todo respeito, continuo não entendo seu questionamento.

 

No meu entender, “pertencer a um povo” não é simplesmente uma “classificação”, pois abrange também uma“qualificação”. Sou exemplo claro disso, pois não nasci no território brasileiro, contudo me qualifico – e com orgulho – como brasileiro e paulista.  

 

 

Ou para vc. “pertencer a um povo” é tão somente uma questão física ou geográfica?

 
 
imagem de Fred.KG
Fred.KG

O texto é injusto e preconceituoso contra São Paulo e seu bravo povo, más acerta em algumas críticas à elite e a política  de São Paulo...

Outro texto de crítica à São Paulo, que relata fatos pouco divulgados e por isto posto aqui, para ver as contestações e verificar a solidez ou não, das suas afirmações:

------------------

*Postado originalmente pelo comentarista Adilson Santos no Blog Tijolaço.com.

 

Sou Paulista, mas não sou fascista !

por Adilson Santos


O desenvolvimento do Estado de São Paulo e, principalmente da cidade de S. Paulo, deve-se única e exclusivamente ao Período conhecido como República Velha, quando os Baronetes do Café açambarcaram o poder federal, após o golpe militar que derrubou a Monarquia .
.
Lembro que até 1879, ou seja, há 130 anos atrás, a cidade de S.Paulo possuia inacreditáveis 15.000 habitantes e em algumas mapas nem mesmo aparecia, pois era apenas uma parada provisória para tropeiros que vinham de Sorocaba ou retornavam para lá, em direção ao vale do Paraíba ou Santos, cidades MUITO mais importantes.
.
Os governantes da Velha Oligarquia cafeeira que tomaram o poder a partir de 1889, ou mais precisamente desde o governo Prudente de Morais, ENDIVIDARAM TODO O PAÍS, PARA DESENVOLVER SUAS PROPRIEDADES E FACILITAREM A SUA PRODUÇÃO CAFEEIRA, através de emprestimos triliardários junto aos Rothschild's, Lloyds e demais banqueiros ingleses a juros absolutamente escorchantes e pasmem, A GARANTIA DO PAGAMENTO ERAM AS ALFÂNDEGAS DE TODO O BRASIL.
.
Em resumo, a patranha era a seguinte: os Oligarcas presidentes da República Velha, construiram estradas de Ferro, Silos, Armazéns e demais benfeitorias (TUDO EM S.PAULO) com dinheiro emprestado no exterior e mandaram a conta para todo o Brasil pagar.
.
Entre 1894 e 1930, foram tomados um total de aproximadamente 45 milhões de Libras Ouro (+- USD$ 800 BILHÕES ) emprestados apenas junto aos Banqueiros ingleses e americanos e deste total 94% FORAM DESTINADOS PARA S.PAULO .
.
O único estado ou cidade que abocanhou alguma migalha significativa deste montante foi a antiga capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, quando da administraçao Pereira Passos (1902 - 1906 ), na polêmica reestruturação da cidade denominada "Bota Abaixo ", que apesar de toda a truculência praticada, saneou o Rio de Janeiro da varíola e da febre amarela, além de ter modernizado a cidade.
.
Para se ter uma idéia do descalabro do desvio de verbas de TODO O BRASIL PARA DESENVOLVER S. PAULO E OS BARÕES DO CAFÉ, estudem o chamado "Convenio de Taubaté", de 1906, considerado a Mãe de todas as Maracutaias .
.
Como no inicio do Século XX, a cotação internacional do café estava caindo vertiginosamente, provocada pela superprodução brasileira, a Oligarquia Paulista que detinha o poder resolveu que iria manter ARTIFICIALMENTE OS PREÇOS NUM PATAMAR MUITO SUPERIOR AO INTERNACIONAL, para que os pobres Barões do Café não fossem prejudicados e nem fossem obrigados a se adequar ao deus mercado ( Oferta e procura e etc).
.
Então tiveram uma ideia luminosa, ou seja, iriam fazer com que a diferença entre o preço da saca internacional ( menor) fosse bancada POR TODA A POPULAÇÃO DO BRASIL.
.
Por este sacrossanto convenio, o Governo federal se comprometia em comprar dos oligarcas a saca do café a um preço muito superior à cotação internacional, para posteriormente revendê-la no mecado mundial com prejuizos bilionários . Como o Erário público não possuia recursos para isso, os Varões de Plutarco Paulistas da Republica Velha contraíram um empréstimo junto aos banqueiros ingleses no valor de 2 MILHÕES DE LIBRAS OURO ( coisa pouca, algo em torno de 35 Bilhões de dólares nos dias atuais ), para safarem a sua onça .
.
Perguntinha : Quem pagou este empréstimo ?
.
Resposta : TODO O BRASIL, POIS AS ALFÂNDEGAS DO RIO A MANAUS FORAM FIADORAS, OU SEJA,TODA A MERCADORIA QUE PASSASSE NESSES PORTOS (DEZENAS), TERIAM UMA TAXAÇÃO EXTRA PARA HONRAR O PAGAMENTO .
.
Desculpe-me por me estender, mas o que gostaria de demonstrar é que: O propalado desenvolvimentismo dos paulistas ou de sua elite, o lendário arrojo dos quatrocentöes de S.Paulo é uma grossa mentira, pois a cidade de S.Paulo foi fundada em 1554, e após 325 anos (ano 1879 ) sua capital possuia minguados 15.000 habitantes, 1 hotel e nenhum banco, além de em muitos mapas nem mesmo ser mencionada.
.
Após a tomada do poder pela oligarquia paulista a partir de 1889 ou mais precisamente desde 1894, S. Paulo misteriosamente iniciou seu desenvolvimento espetacular, ao mesmo tempo que o restante do País empobrecia de forma mais espetacular ainda.
.
Se tornar desenvolvido economicamente graças a empréstimos biliardários que foram pagos por outros com sacrifícios inenarráveis é muito fácil e não representa mérito algum, muito pelo contrário, representa um parasitismo patológico histórico que precisa ser reparado.
.
Se durante 36 anos Todo o Dinheiro da Nação fosse enviado para o Amapá, e fossem tomados empréstimos de centenas de bilhões de dólares junto aos bancos internacionais e estes recursos fossem enviados quase unicamente para este Estado, em muito pouco tempo ele se tornaria desenvolvido, uma grande potência, e então os habitantes amapaenses diriam que "Nosso Arrojo construiu o nosso desenvolvimento".
.
--------------------------------------------
"Elite Paulista", hoje pode ser dividida em duas,  uma nascente,  de empresários que tem consciência nacional  e a velha elite com seus coliformes agregados e que só se importam consigo mesmos...
 Folha de São Paulo, Veja , Estadão, Globo...são os braços midiáticos, transnacionais, desta velha  e corrompida elite entreguista.

 

 
 
imagem de ArthurTaguti
ArthurTaguti

Olha, São Paulo, tão odiada e tão incompreendida. A São Paulo que todo mundo desgosta, mas não larga, não é a dos Bandeirantes, do Borba-gato, do discurso revisionista de 32 e toda aquela tranqueirada ideológica de orgulho paulista.

É a São Paulo acinzentada, sisuda, que de longe parece insuportável, intransitável (e de fato, é!), mas que guarda surpresas em tudo quanto é canto.

Falam de política, mas que outra cidade brasileira que elege como Prefeito, tudo em seguida, junto e misturado, um mulher nordestina, um árabe bonachão, um negro carioca, uma quatrocentona dos Jardins, um italiano da Mooca, um político fustigado por ser "solteiro e sem filhos" e agora um Professor da USP? Só tá faltando eleger um descendente de japonês pra completar o mosaico!

São Paulo é isso mesmo, desigual, excludente, violenta, mas ao mesmo tempo aberta, descolada, vanguardista. As contradições são profundas. Foi lá que ocorreu a Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade, mas também lá que aconteceram as Greves do ABC e o Comício das Diretas.

É lá que é chamada de túmulo do Samba, mas foi homenageada por Caetano e agraciou a música nacional com Adoniran, Vanzolini, Titãs (dos anos 80, claro) e Racionais MC's.

É lá que ocorreram as lamentáveis agressões a homossexuais na região da Paulista, mas também é nesta área que ocorre a maior Parada de Orgulho Lgbt do mundo.

É lá que tem cidadãos, retratados nos versos de Zeca Baleiro como "solitários", mas também é na capital paulista que cada um, se procurar, encontra seu lugar, sua tribo, por mais específica e fora do padrão que seja. E quem disse que São Paulo tem, propriamente, um padrão?

Sem contar que não é nenhum demérito a primeira greve geral ter sido estimulada por imigrantes. Só usa este argumento quem não viveu ou vive a profunda influência que os imigrantes (tanto estrangeiros quanto nacionais) possuíam e possuem em SP.

Intelectuais estrangeiros como Lévi-Strauss moldaram a USP; imigrantes árabes formaram o hospital Sírio-Libanês; japoneses, e atualmente chineses e coreanos habitaram e construíram a Liberdade como é conhecida hodiernamente; italianos trouxeram a influência das ideias anarquistas para o Brasil, e hoje podem ser encontrados nas deliciosas cantinas e trattorias do Bexiga; e os exemplos seguem.

É em São Paulo que você consegue no mesmo dia visitar uma exposição de arte moderna, tomar um café na Lorena do lado de dondocas que acabaram de fazer compras na Oscar Freire, degustar uma cerveja do lado de velhos prostíbulos (hoje cada vez mais raros) na região do baixo Augusta, e trombar com o Nassif em um dos Saraus, bandolim em punho; isso se sobrar tempo, porque o trânsito é impeditivo e a cidade respira trabalho.

É na capital paulista, mais propriamente na Barra Funda, que você consegue encontrar o glorioso São Paulo Futebol Clube, de tantas e quantas conquistas, do lado da combalida Sociedade Esportiva Palmeiras, e também lá na Marginal Sem Número (é lá que eles estão ainda?) um time que diz que é bi-campeão mundial (carece de fontes).

Foi lá que Raí levantou a taça em 1998, num jogo histórico de campeonato paulista no Morumbi, foi em SP que a democracia corinthiana e o inesquecível Sócrates desafiaram a já combalida ditadura cívico militar, e foi também lá, mais propriamente no Pacaembu, que alguns privilegiados viram o Rei Pelé jogar. Coisa fina.

Não sei qual foi o intento do autor, mas este negócio de que nada de grande na história do Brasil aconteceu em São Paulo, sei não! Parece aqueles textos pasteurizados falando que tudo em Cuba ou na Venezuela não presta, mas sob sinais trocados, agora de esquerda. 

Larga mão desta bronca com tucanos e parte da classe média que votou neles, meu rapaz! São Paulo é muito maior que isto. Se eu fosse ter bronca com um lugar, cidade, estado ou país por causa dos seus governantes e suas elites, não haveria um recanto perdido no Brasil que teria salvação!

 
 
imagem de Historiador Pós 1934
Historiador Pós 1934

"Foi lá que ocorreu a Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade, mas também lá que aconteceram as Greves do ABC e o Comício das Diretas".

Típico da autopropaganda paulista, já que o "comício das diretas" não foi um só, foram vários, não começaram em SP e desse último, há controvérsias até sobre seu tamanho (assim como a parada gay de "5 milhões" ou o Reveillon de "3,5 milhões").

Ou achar que Bonifácio. um monarquista absolutista e maçon, com ótimas ligações com a corte portuguesa, foi o "único" a promover a independência. Resistiu até perceber que não havia mais jeito, então buscou assumí-la às custas de outros independentistas que, além da mesma luta, ainda eram republicanos e constitucionalistas.

Ou a tal da semana de arte moderna de 1922, que é semeada aos 32 ventos como se fora uma "enorme mudança" no país.

Ou a tal da imigração que foi iniciada por D.Pedro II, trazendo alemães para Nova Friburgo no Rio e depois estendida ao restante do país pela própria movimentação cafeeira em direção ao sul e à busca de substitutos (pelos oligarcas) para os escravos negros e índios. Embora com contribuição de novas culturas e diversidades, insinua-se que os imigrantes fossem "phd´s" e não (tipicamente) pobres e miseráveis fugindo da pobreza dos campos de seus países.

O pessoal da USP (com ótimas exceções) é muito usado para (re)escrever a História sob o ponto de vista local. Isto começou apenas em 1934, já com mais de 400 anos de país.

O ponto seguinte é que falar da farsa da história paulista não é falar de seu povo, mas de sua elite que claramente montou uma oligarquia a partir do café e se fez efetivamente as custas do resto do país. Oligarquia esta que ainda está aí nestes tempos de Internet, fazendo o diabo para não largar o osso (ex: privilégios inseridos na Constituição de 88) ou o tucanismo que ainda não quer que o (resto do) país se desenvolva.

Por último, falar de SP após este período (a riqueza mundial do café) é chover no molhado, pois a parrtir daí os benefícios e privilégios obtidos permitiram o crescimento. Aí, o dinheiro e o poder já estavam concentrados.

Difícil é separar o orgulho do povo brasileiro paulista atual (que tem uma razão de ser e, ao mesmo tempo, é alimentado por sua mídia oligárquica (vide 1932) desta plutocracia vampiresca que ainda quer se alimentar do sangue brasileiro a qualquer custo.

Mas já há uma grande parte do povo paulista que consegue perceber esta diferença e contribuir para descentralizar a riqueza (e até a população) para um Brasil melhor.

E não pode ser de outro jeito.

 
 
imagem de Almeida
Almeida

"Ou a tal da imigração que foi iniciada por D.Pedro II, trazendo alemães para Nova Friburgo no Rio e depois ..."

 

Pelo jeito, você é o historiador do Samba do Crioulo Doido.


Na verdade, foi D. João VI, em 1819, quem trouxe os imigrantes para fundarem a colônia de Nova Friburgo. Eles eram suiços, a maior parte de origem franco-suiça, como se percebe nos nomes das famílias dos colonos.


Os alemães vieram mais tarde, para Nova Friburgo e a cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 1824; quem os trouxe foi o outro Pedro, o primeiro, o segundo não era sequer nascido. As primeiras imigrações acobertavam a vinda de mercenários para o exército imperial, foram marcadas pelo caráter colonizador, em especial, de um espaço geopolítico sensível do Império, o sul do país; foram imigrações diminutas em relação à fase seguinte. As imigrações iniciais diferem muito das promovidas por Pedro II, depois da Guerra do Paraguai, estas já não tinham o propósito colonizador como central, visavam suprir de mão de obra setores econômicos em expansão; as lavouras cafeeiras, os serviços urbanos e a industrialização nascente. 

 

Almeida

 
imagem de Historiador Pós 1934
Historiador Pós 1934

Típica argumentação que tenta chamar a atenção do erro de vírgula para tentar desqualificar todo o argumento. Sem conseguí-lo, claro, pois o método é medíocre.

É verdade que não foi o II, do I digitado 2 vezes, nem o I, pois foi o VI João, com os suiços antes dos alemães, 5 anos depois (alemães, suiços...), aí já por D.Pedro I. Para ser mais purista (ou pelo pubiano), vieram antes, em 1808 mesmo, chineses de Macau.

Tirando a correção dos detalhes (mencionados de memória) vc não rebate nem esse nem os outros itens do comentário e só o reforça:

a) A falada imigração (tirando portugueses e negros africanos) começou muito antes e não foi em SP.

b) Esta imigração sim tinha objetivos "qualitativos", diferentemente da que veio suprir as necessidades agrícolas dos barões do café (prevendo e remediando a perda dos escravos índios "macunaímas" e negros) que migraram do vale do Paraíba para o sul, onde as terras eram melhores e mais baratas ou livres.

c) O café foi a origem principal do SP de hoje e na política, esta imensa riqueza foi usada para concentrar mais riqueza, em níveis "doentios" (até hoje) para uma nação saudável e bem distribuída.

d) Sempre que se falar em SP, deve-se tomar cuidado de separar povo, que não é só de "paulistas" de elite oligárquica (embora haja interferências).

e) O post menciona corretamente que SP tornou-se o que é hoje (para o bem e para o mal) após o café, ao contrário do que muitos gostam de imaginar.

f) Sim, existem elites em todos os estados, mas não venham comparar o poder político de uma "elite" piauiense com a da elite paulista oriunda e organizada pelo poderosíssimo café, há muito.

 
 
imagem de Almeida
Almeida

Não argumentei até aqui nada, apenas fiz observação do erro factual. Como eu não entrei no mérito do que você expôs, portanto, não rebati, até o momento, e muito menos reforcei sua exposição.

Seus "argumentos" são piores do que a confusão factual do Crioulo Doido; de historiador você não tem merda nenhuma. Que tipo de historiador pode se vangloriar de platitude como esta: "O post menciona corretamente que SP tornou-se o que é hoje (para o bem e para o mal) após o café, ao contrário do que muitos gostam de imaginar". Isso aí, qualquer criança da terceira série primária afirma.

Um historiador jamais argumentaria: "Esta imigração sim tinha objetivos "qualitativos", diferentemente da que veio suprir as necessidades agrícolas dos barões do café... ". São fenômenos históricos distintos, mas não cabe juizo de valor para fazer essa distinção. As levas migratórias de não-africanos para o Brasil, no século XIX, até 1870, formada na maioria por portugueses e seguida por alemães, foram diminutas (cerca de 50 mil) quando comparadas com as levas do final do século (cerca de 2 milhões). Quantidade se transforma em qualidade, principalmente quando se considera a diversidade no interior dessa quantidade.

Os barões do café tinham necessidades muito além das agrícolas; precisavam do desenvolvimento do transporte, dos portos, das ferrovias, do comércio, do telégrafo, das cidades, dos serviços urbanos. Nem toda imigração se resumia a mão de obra semi-escrava dos barracões das fazendas - onde os imigrantes se rebelavam - houve imigrações expressivas para atividades urbanas; a prosperidade das cidades atraía variados tipos de imigrantes. Para o Brasil vieram refugiados diversos; os da pobreza e também os da política, das discriminações, das perseguições, da opressão dos impérios russo e otomano, das insurreições derrotadas na Europa e na América, etc. Mesmo os iletrados imigrantes urbanos contribuiram com suas lutas, para elevação da consciência social no país; foram eles que trouxeram as organizações de luta dos assalariados, as idéias anarquistas e socialistas nos movimentos dos trabalhadores.

Dos barões do café só restam os brasões, e olhe lá, foram sobrepujados por uma sociedade complexa construída com as imigrações externas e as internas. Sim, São Paulo foi feita também por brasileiros, mesmo que você não ache os paulistas brasileiros, como aliás são todos os imigrantes que aqui se fixaram.

 

Almeida

 
imagem de Historiador Pós 1934
Historiador Pós 1934

Vc precisa afiar um tanto sua perspicácia, pois é óbvio que o "Historiador Pós 1934" (e pós "constitucionalista") é sarcasmo sobre a "construção" paulista da História pela "intelligentsia uspiana" (...de SP!).

Talvez possamos então adotar o seu elegante "historiadores de merda".

Seu "argumento" foi depreciar a afirmação básica de que a imigração começou muito antes das celebradas em um "samba do crioulo doido", com as correções destacadas em negrito!, já que se for para colocar pêlo em ovo, D.João VI promoveu imigração de chineses de Macau em 1808, antes dos suiços. Dos alemães de 1824 em Nova Friburgo por D.Pedro I (-I) para os suiços de 1819 por seu pai, também em Nova Friburgo, convenhamos que a "diferença dos fatos" está muito longe de ser um "samba de Stanislaw". A menos que queiramos nos concentrar nos "fatos" dos chineses, do I e II, suiços ou alemães, 5 anos em 200, Nova Friburgo ou Nova Friburgo, etc.) e fugir da afirmação da primeira frase deste parágrafo, que é o que importa.

Quanto a "juízo", fica difícil discutir a História sem (pelo menos) um mínimo de interpretação dos fatos. A imigração de Nova Friburgo teve a intenção primária de trazer novas culturas (colonização) enquanto a do café teve a intenção primária de trazer mão de obra. Óbvio que são diferentes e foi o que ressaltei: Bem antes e de natureza diferente.

Quanto a outros tipos de imigração, elas ocorreram naturalmente, por interesses comerciais (tipicamente ingleses) e falta de "expertise local", como para construir infraestruturas. Voltamos às necessidades, oportunidades e ... ao dinheiro do café.

Quanto a eu achar que paulista não é brasileiro ou algo assim, isto sim é uma ilação sua de "fato".

Na verdade, para este Historiador (hehe) não se alongar muito e ser sintético, ele ressalta que:

A História de hoje (ex: FHC e Lula, mensalão e privataria, etc.) pode ser escrita (por ex.) pelo PIG ou pelos blogs sujos.

Certamente serão versões muito diferentes, embora sobre os "mesmos fatos". E olha que bem melhor que no passado, estamos na era da informação!

Aqueles paulistas que defendem (por orgulho ou amestração) a História montada pela sua "elite constitucionalista", anteriores e atuais, servem bem a seus propósitos.

Questão de perceber a semelhança...

 
 
imagem de Daytona
Daytona

José Bonifácio não era absolutista, em sua atuação nas Cortes durante o processo revolucionário do Porto, foi defensor da autonomia brasileira(enquanto alguns representantes do Norte defendiam as teses dos portugueses). José Bonifácio defendia uma monarquia constitucional e dual, com sedes no Rio de Janeira e Lisboa, quando percebeu que os portugueses não concordariam e seguiriam em diante com o processo de recolonização do Brasil, escreveu a famosa carta a D. Pedro, dizendo que a independência era inevitável, pois de Portugal só se podia esperar a escravidão.

Bonifácio defendia uma monarquia constitucional a exemplo da inglesa, e já defendia a abolição nos anos 20. O endurecimento do regime a partir da Noite da Agonia coincide com o exílio dos Andradas.

Sobre a imigração promovida por D. Pedro II, deve ser por isso que o grosso dos imigrantes se estabeleceram no RJ, e não em SP, não é mesmo?

A imigração teve início com a experiência do senador Vergueiro(político pela província de SP) na fazenda Ibicaba, em Cordeirópolis(estado de SP), na região de Limeira, Rio Claro, em meados do século XIX. Mas a grande massa de imigrantes começaria a chegar no fim do século, com a imigração subvencionada pelo governo de SP e particulares, principalmente os grandes cafeeicultores, como os Prado.

Sobre a condição social dos imigrantes, os estudos demonstram que o Brasil recebeu grande número de italianos oriundos do norte, e não apenas sicilianos. Os italianos do norte eram oriundos das classes médias, e já chegavam ao Brasil com algum dinheiro e contatos na Europa, o que os permitia prosperar. Esses italianos foram alguns dos principais responsáveis pela industrialização brasileira, o conde Matarazzo é um exemplo.

Sobre a semana de arte moderna, se você acha que escritores do porte de um Mário de Andrade ou Oswald de Andrade irrelevantes, tudo bem, é sua opinião. Pessoas como Sérgio Buarque de Holanda, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos os consideram muito importantes para a cultura e literatura brasileiras, mas você pensa diferente, é assim mesmo, cada um com seu cada um!

Você citou a USP, a principal universidade brasileira, reconhecida internacionalmente, criada pelos paulistas, e não pelo governo federal. 

Sobre as oligarquias, você tem razão, SP é um caso único, o único estado no Brasil controlado por oligarquias, diferente dos outros estados, estruturados em governos democráticos e populares!

 
 
imagem de Historiador Pós 1934
Historiador Pós 1934

a) Bonifácio: vc apenas reforça as mencionadas ligações com a monarquia (absoluta) portuguesa e a conciliação da situação, enquanto outros tantos brasileiros de vários estados já lutavam por uma independência republicana. Bonifácio foi um elemento importante na independência, mas longe de ser o único. Aproveitou-se sempre da proximidade da monarquia, lembrando que o próprio Pedro I acabou por ser rei de Portugal.

b) Os imigrantes fixaram-se em SP porque eram trabalhadores da terra e o café estava por lá. Ou vc queria que lavradores fossem para a metrópole?

c) Sobre a imigração agrícola vc repete o que disse: foi promovida por barões do café para suprir a prevista ou consolidada perda de escravos para suas lavouras, comumente concedidas imperialmente.

d) Quanto ao mito do "conde" Matarazzo, só reforça o quanto alguns repetem goebellianamente a história que lhes é contada, exatamente como demonstro: Matarazzo veio para o Rio de Janeiro na terceira classe de um navio e perdeu o aparato que trouxera no porto. Um parente (se não me engano, em Sorocaba) o socorreu e aí o "quebrado" começou sua (brilhante) história. Bem depois, quando já muito rico, foi "feito conde" pelo rei italiano quebrado, para conseguir uma ajudinha financeira. Dái veio a "nobreza". De presente (ou comprada, como dizem alguns).

Mas não fique triste não, vc não é o primeiro a trazer esta pataquada de "conde" imigrante para cá. Só mais uma vitima da história "elito-apaulistada".

Semana: bobagens. ninguém aqui desmereceu os Andrades, etc. Ou vc está insinuando que todos os nomes surgiram com a tal semana? Ou que o Brasil foi "um" antes e "outro" depois do evento? Nada ou ninguém existia antes? Pura propaganda para fincar uma bandeira.

USP: Ninguém desvalorizou a USP. Apenas citei que foi mais uma (boa) criação (logo após 1932) para tentar reforçar hegemonias. Inclusive históricas. Mas não deixei de mencionar que existem ótimas exceções que desmistificam estas "histórias" como as do "conde imigrante".

Para finalizar sobre as oligarquias, estamos falando de política e Brasil, e como já disse em outro comentário, não me venha comparar a influência de um coronel de cana em Pernambuco com o imenso poder e riqueza trazidos pelo café, que propiciou a construção de todo um estado e sua infraestrutura (inclusive o crescimento da cidade de SP), com tal organização ($$$) que chantageava o governo federal (Brasil) para queimar café no seu porto (que na verdade era concessão da família Guinle) e garantir-lhes os "trocados" as custas dos demais.

E pior, ainda tem muito resquício disso hoje.

Por simples orgulho juntado à alguma lavagem cerebral, defender ´(e exaltar) isto tudo é agir contra o Brasil.

 
 
imagem de Daytona
Daytona

Bem , em seu comentário, você parece voltar atrás em muito do que tinha dito, complementando com ilações descabidas. Ninguém disse que José Bonifácio foi o ÚNICO responsável pela independência do brasil, isso foi apenas um espantalho seu(e dos piores). Mas sem dúvida Bonifácio foi o mais importante, figura central, o articulador, um grande intelectual em seu tempo, e, ao mesmo tempo, naturalç de Santos(que fica em São Paulo)e eleito representante pela província de São Paulo(que você alega não ter tido qualquer importância no processo de independência). Sobre a imigração, como você voltou atrás, e reconheceu que foram mesmo os paulistas, amparados pelos recursos do café e pelo governo estadual, os responsáveis pela grande onde de imigrantes. Uma pena que você se sentiu constrangido ao saber, pela primeira vez na sua vida, que a experiência com os colonos como mão-de-obra teve início nas fazendas do senador Vergueiro(eleito por São Paulo)na região de Limeira(que fica em São Paulo). Sobre o conde Matarazzo, o citei como paradigma, não como mito. Por seus comentários fica clara sua aversão ao estudo, mas há inúmeros estudos sobre os imigrantes italianos oriundos do nort5e da Itália, e ainda mais estudos sobre o papel dos italianos na industrialização brasileira. O Matarazzo começou a ficar rico com seus enlatados de banha de porco em Sorocaba(que fica em São Paulo). Sobre a política de queima de café(que você ignorantemente alega terem sido feitas apenas para grupos de interesse embolsarem um dinheiro), ela foi essencial para manter o nível de renda da economia brasileira por meio da sustentação da demanda efetiva. Essa é a famosa tese de Celso Furtado, de que o Brasil empregou medidas keynianas antes de Keynes, querr dizer, famosa pra quem tem interesse em estudar, você porovavelmente nunca ouviu falar. Sobre a semana de arte moderna, ninguém disse que "não existia nada" antes dela, só mais um de seus patéticos espantalhos, mas que ela foi um divisor de águas, disso não há dúvidas, é algo reocnhecido por pessoas como Carlos Drummond de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Graciliano Ramos, etc. Provavelmente você nunca ouviu falar nessas pessoas. Sobre a USP, melhor universidade do Brasil(você talvez saiba de alguma outra que seja melhor), fundada pelo governo do estado de São Paulo. Por fim, sobre as oligarquias, o nordeste foi a região mais rica do Brasil por aproximadamente 300 anos, uma pena que eles não tenham usado essa riqueza para desenvolver sua região. Oras, o Rio de Janeiro foi a capital econômica e política do Brasil por séculos, e veja o que eles são hoje, comandados por cabrais e garotinhos. Antes que você venha com algum desses espantalhos, a oligarquia paulista é sim medíocre, mas, quando comparada com as oligarquias de outros estados, se mostra muito mais competente.

 
 
imagem de Historiador Pós 1934
Historiador Pós 1934

Tentando ser um pouco sintético sobre seu extenso e contínuo comentário:

Primeiro vc apenas confirma se basear na História que lhe contam(ram), não a (re)avalia ou questiona. Vende como compra. Porque gosta. Mas ... será que ela não foi montada pelo PIG para proteger FHC? Será que ela foi discutida nos blogs sujos? Será que a AP 470 foi um julgamento justo sobre o "maior escândalo de corrupção da História brasileira"? Será que os mais importantes foram realmente os mais importantes? Será que um cara importante nascido em Cabrobó teria importância se não fosse pra Cafundó?

E será que foi mesmo? Ou apenas o "PIG" (de todos os tempos) destaca esta importância? Será que a Marquesa de Santos da cama merece mais destaque do que a Imperatriz Leopoldina, que efetivamente assinou a independência? Será que a Constituinte de 34 (e rasgada logo depois) foi causada pela "Constitucionalista" (?) ou foi mero cumprimento de promessa pública anterior à mesma? 

Tudo depende das fontes e suas interpretações (e interesses). De ler um Nassif, um Paulo Nogueira, um Reinaldo Azevedo, um Mainardi. Mas os "fatos são os fatos", não é?

Podemos ser desde analíticos, sintéticos a miquinhos amestrados. Sabemos disso.

Podemos até ter vergonha, ser neutros ou nos orgulhar...

De resto vc se farta de desqualificações "certeiras". Claro que eu não conheço essas pessoas, nomes, fatos e temas que vc menciona! (numa outra oportunidade vc me conta). Nem sabia que Santos ficava em SP, pensei que ficasse no Vaticano. Sobre o Matarazzo, foi só um chute meu (que sorte! ... e azar seu). Pensei até que a riqueza dos 300 anos de nordeste fosse brasileira e não portuguesa! Que "burros"! Ou que a capital no Rio fosse uma grande fazenda de café!. Imagine que eu tenho quase certeza que Washington é muito maior do que Nova York ou o estado da Califórnia! E quando vc fala em "oligarquia mais competente", eu me lembro do orgulho que os mafiosos de NY e Chicago podiam ter de serem maiores e melhores que os da Sicília. "Dava gosto!"

E ignorantemente faço ilações de que grupos político econômicos poderosos tentam dominar a política, o governo e o dinheiro público, porque isto não existe! Pelo menos em se tratando de história de SP.

Tudo que os felizardos detentores de uma das maiores riquezas econômicas do planeta queriam era apenas ajudar o país! Quanta ignorância a minha! Felizmente vc me informou que o Celso Keynes foi furtado, ou algo assim. Nem entendi!

Amigo, questionar a História é fundamental, para aprender com ela e não para ser iludido por ela. Para que se mantenham as coisas boas e se evitem repetições das ruins.

Não podemos criticar elites medíocres de hoje e por orgulho ou micagem, nos orgulharmos do que elites piores fizeram no passado por que elas fizeram a "minha" história...

Pena que minha inguinoranssa não permita acompanhá-lo (nem) nisso.

 
 
imagem de Daytona
Daytona

Ok, então devo ter aprendido história de segunda mão, Celso Furatdo, Sérgio Buarque, etc. aprenderam suas versões nas páginas da Veja, mesma publicação que inventou a história do senador Vergueiro e sua experiência com imigrantes em Limeira. Ainda bem que você, um questionador da história, apareceu para me avisar.

Sobre o nordeste, o café só desbancou o açúcar como principal produto na pauta de exportações na década de 1870, mesmo assim, os lucros do açúcar(que você alega serem portugueses)ficavam, em sua maior parte, no próprio nordeste, mas eram dispendidos no consumo de bens supérfluos, essa é mais uma tese que o Celso Furtado copiou da Veja(ou Globo, não sei, quem sabe você, questionador da história, pode nos apresentar a fonte precisa).

Sobre as oligarquias competentes, bem, é você quem está incomodado com o fato de SP ser mais rico e desenvolvido que os outros estados, não posso fazer nada. Mas seria bom se você utilizasse seu espírito questionador pra ver se as oligarquias de seu estado, seja ele qual for, não tiveram alguma culpa nos rumos históricos de seu estado. Sei lá, pode ser que a culpa não tenha sido de São Paulo, não é mesmo?

Só ressaltando, digo tudo isso sem alterar em nada meu profundo desprezo pelas elites paulistas:provincianas, covardes e medíocres, PORÉM, nem tanto se comparadas com as elites dos demais estados brasileiros.

 
 
imagem de Historiador Pós 1934
Historiador Pós 1934

Daytona, por uma enorme coincidência, ontem saiu um artigo no Viomundo (e hoje aqui no Nassif) sobre a semana de arte moderna e o modernismo, produzida (se não me engano) na Unicamp (isso, SP).

Dê uma olhada e entenda como e porque a História que nos é contada deve ser sempre questionada, principalmente se nosso olhar for o de "torcedor".

Pra gente não ficar discutindo amenidades de local de nascimento, (provavelmente Bonifácio que viveu na Europa e no Rio, onde morreu (Paquetá ou Niterói) tinha sotaque lusitano ou carioca) ou o circuito Limeira (boas lembranças de correr de kart lá) - Nova Friburgo ou etc., resumo que meus sentimentos por SP, são os melhores possíveis, pois é onde moro e crio minha família paulistaníssima.

O que me incomoda não é SP ser rico e desenvolvido, isto me dá até orgulho que exerço de vez em quando.

O que me incomoda é que esta riqueza esteja concentrada (por um grupo de "espertos" medíocres ) e que tentem concentrá-la mais ainda, com a ajuda da exploração do orgulho de paulistas  "torcedores" e a falsificação (desnecessária) da História. SP não foi sempre o melhor, o maior, o mais rico e o mais desenvolvido e o mais mais. Bobagens, SP não precisa disso.

De resto, como não sou comunista ou Robin Hood que gostam de tirar dos ricos para dar aos pobres, o que quero é distribuir riquezas por todo o meu país (e não concentrá-la em algum lugar ou pessoas).

Isso sim me incomoda. Parece-me que vc também pensa assim.

A diferença parece ser só o seu coração de torcedor, que pode eventualmente iludí-lo.

Abs

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!