Os Ninja no Roda Viva: o futuro explodindo o velho

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É chocante a assimetria analítica entre os dois rapazes e meus colegas da mídia tradicional. A bancada foi muito bem escolhida, de alto nível e pontificando em todos os momentos, esgrimindo os argumentos tradicionais da mídia. É representativa do melhor pensamento midiático tradicional. E o melhor pensamento tradicional foi incapaz de entender os novos tempos, o que os rapazes chamam de "caldo efervescente de narrativas múltiplas".

Por isso mesmo o termo "crise narrativa" é adequado. Assisti dois representantes das redes sociais, Capilé e Bruno Torturra brandindo conceitos contemporâneos, como trabalho em rede, ou o que chamam de "mosaico de múltiplas parcialidades" que refetem brilhantemente as formas de montagem de consensos em ambientes democráticos não oligopolizados. E parecia que falavam grego.

Quando explicaram que o jornalismo caro reflete um modo de produção antiquado, da era industrial, em pleno advento da era da informação, era como se falassem javanês.

Quando explicaram que relacionavam-se com todos os grupos porque uma das características do trabalho em rede é a não compartimentalização, chocaram os ouvidos puros dos meus contemporâneos, filhos da Guerra Fria e da luta contra a ditadura.

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86 comentários
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Fagundes
 
 
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Fagundes

Não vi este choque citado pelo Nassif. Vi entrevistadores tentando esmiuçar um assunto para facilitar a compreensão dos espectadores. Quanto à dicotomia mídia tradicional versus mídia ninja em que uma delas fatalmente sairá vencedora e a outra perdedora talvez exista um terceiro caminho em que ambas sobrevivam complementando e diversificando a informação que o leitor recebe. Nem tudo que é velho é ruim e nem tudo que é novo tem qualidade. 

 
 
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RICARDO CASTRO MEIRA

Ao ver essa entrevista lembrei do poema de um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior (se parece muito com os o Ninja), que dentre outras coisas diz: "No presente a mente, o corpo é diferente / E o passado é uma roupa que não nos serve mais"  

E para a velha mídia, em referência ao poema de Edgar Alan Poe (citado no texto abaixo): "Then the bird said, "Nevermore"" / "Shall be lifted - nevermore!"

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer.
E o que há algum tempo era novo, jovem,
Hoje é antigo, e precisamos todos, rejuvenescer.

Nunca mais meu pai falou: -She's leaving home!
E meteu o pé na estrada, like a Rolling Stones.
Nunca mais você buscou sua menina
Para correr no seu carro (loucura, chiclete e som).
Nunca mais você saiu à rua em grupo ou reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, que é do cartaz.
No presente a mente, o corpo é diferente,
E o passado é uma roupa que não nos serve mais.
No presente a mente, o corpo é diferente,
E o passado é uma roupa que não nos serve mais.

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer.
E o que há algum tempo era novo, jovem,
Hoje é antigo, e precisamos todos, rejuvenescer.

Como Poe, poeta louco americano, eu pergunto ao passarinho:
-Black Bird, o que se faz?
Raven, rever, raven, rever, raven.
Black Bird me responde: -Tudo já ficou atrás.
Raven, rever, raven, rever, raven.
Assum Preto me responde: -O passado nunca mais.

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era novo, jovem,
Hoje é antigo, e precisamos todos, rejuvenescer.

E precisamos todos, rejuvenescer.


 

RICARDO CASTRO MEIRA

 
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Joaquim Antonio Patriota

Não há como a velha mídia passar incólume se continua afrontando a sensibilidade e inteligência do público de forma acintosa. 

Ao fingir deter o monopólio da verdade, manipula e distorce as informações ao sabor das conveniências na forma de "pseudo-notícias", e ainda por cima hipocritamente posam de imparciais. 

Neste novo momento onde pela instantaneidade da informação, a força das imagens, áudio e vídeo em toda a sua crueza se sobrepõem a qualquer mediação que o mais "renomado" veículo ou grife queira indevidamente se apropriar. 

Com a internet, ocorre a reabilitação do indivíduo como "sujeito" da informação, pois deixa de ser um mero "expectador/ouvinte/leitor" para participar ativamente do processo de construção e validação da informação, apropriando-a como conhecimento. 

Este abismo de não identificação na produção de conteúdos, que já existia entre estes veículos e seu público, passa a ser um divórcio em sua toda sua plenitude, quando "doutos" e "independentes" jornalistas ousam querer "interpretar" o conteúdo veiculado, seguindo a cartilha de seus inconfessáveis interesses. Falta honestidade intelectual quando estes escondem de seu público suas reais motivações.

A mídia oligárquica é tão engajada em seus comerciais propósitos, que até mesmo a presidente da ANJ(Associação Nacional de Jornais), Maria Judith Brito, admitiu que a imprensa no Brasil, atua como um Partido de Oposição. 

Diante do fato da população nem sempre saber discernir na velha mídia a diferença entre a voz de seus serviçais e a de seus donos, o que seria mera desconfiança, passa a certeza do comprometimento destas mídias tradicionais com interesses que não são os seus. 

O debate no "Roda Viva" mostra o quanto os representantes da velha mídia estão desorientados. Diante do novo, reproduzem com avidez seu ideário carcomido demonstrando profunda incompreensão e frustração. Perigosamente surtam com sua impotência,  quando tentam desqualificar seus interlocutores apelando para velhos clichês, como a contínua insinuação de suspeição dos ninjas "carimbando-os" com "quem os financia"?

Honestamente, gostaríamos muito de ouvir esta resposta daqueles que insistentemente fizeram esta pergunta.

 
 
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brunodiasbento

Só tenho uma opinião caro Nassif:
http://www.youtube.com/watch?v=RsF5f14i9oM

 

bruno bento

 
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ArthurTaguti

"Há uma salada ideológica até na cabeça de quem tá na rua. Muitas delas enquanto rechaçam o partido de esquerda ou a bandeira vermelha na manifestação, são favoráveis a estatização de bancos, reforma agrária, distribuição de renda, saúde pública"

Muito interessante esta assertiva de um dos Ninjas, é mais ou menos isto que grande parte dos comentaristas do blog sustentam desde que as manifestações eclodiram. A realidade ainda está a ser construída e é de uma miopia muito grande usar de reducionismos para classificar manifestantes como reacionários, coxinhas, e por aí vai.

Grande parte destes cidadãos rechaçam sim partidos, PT, MST, esquerda e por aí vai, simplesmente porque aprenderam isto repetindo cantilenas da mídia oligopolizada. Por outro lado, assumem e defendem posições claramente esquerdistas, tendo uma ideologia muito aproximada da social democracia/Welfare State.

Esta esquizofrenia política parece até estranha a primeira vista, mas faz todo sentido depois de uma análise mais detida. Falta arcabouço teórico para estes jovens incluirem seus desejos e suas demandas em arquétipos direita-esquerda. Isto significa que a direita, representada pela grande mídia, tem sido muito mais competente que a esquerda em impor o seu ponto de vista.

O desserviço e a irresponsabilidade que se prestam intelectuais, jornalistas e até políticos em propagar a era do fim das ideologias, propicia o surgimento de jovens que detestam bandeiras vermelhas, mas defendem pautas esquerdistas; que se utilizam de simbologia fascista, mas ao mesmo tempo pedem mais democracia e mais participação popular.

Esta molecada é fruto de um ambiente pós-URSS, com o capitalismo considerado como única alternativa, com PT e movimentos sociais ("vermelhos") sendo criminalizados na mídia pelo "mensalão", com o deus consumo por todos os lados, com Cuba sendo retratada unicamente como um país atrasado em que - horror dos horrores! - bugigangas tecnológicas de última geração não podem ser consumidas.

Só que, mesmo em uma época em que a esquerda é enxovalhada pela grande mídia, que a liga sempre que pode aos conceitos de pelegagem, vandalismo, populismo bolivariano e ditadura cubana, a ideia de uma sociedade igualitária, das políticas redistributivas e da maior participação popular consegue ganhar respaldo da molecada,

Daí, mesmo odiando Cuba, socialismo, bandeira vermelha, MST, não importa. Se defendem bandeiras progressistas, defendem ideias de esquerda. A bandeira da igualdade é o signo identificador da esquerda, como já dizia Bobbio. Difícil agora é convencer os partidos progressistas tradicionais e os seus militantes que esta é uma realidade nova, e por esta razão novos discursos terão que ser construídos para atrair estes jovens para a esquerda.

 
 
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ArthurTaguti

Muito bom. Cada vez que os entrevistadores quiseram dar estocadas neles com (pré)conceitos da velha mídia usados para criticar PT e movimentos sociais, os Ninjas colocaram eles nos seus devidos lugares. Até acho que eles devem ter se segurado muito para não dar risada, não serem irônicos ou arrogantes diante do anacronismo dos entrevistadores.

Mas confesso que também ainda não consegui acompanhar por completo a velocidade dos entrevistados, principalmente quando estes expuseram a dinâmica de funcionamento do fora do eixo. Normal, para alguém criado na sociedade industrial.

Vendo toda esta dinâmica que se abre com esta era de informações, além das belas possibilidades abertas com esta rapaziada dos Ninjas, MPL's e que tais, não consigo também me esquecer do PRISM e do recado sombrio dado pelo filme Cosmópolis, do diretor Cronenberg.

 
 
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peregrino

uau...

 

pelo que entendi é genial...................saca só:

 

carinhas criaram diversos instrumentos para facilitar o acesso de todos ao momento que surgir de e para cada um, ou seja, é com apenas um que eles fazem com que o coletivo se movimente..............

 

e este um pode ser qualquer pessoa, não necessariamente um profissional

 

genial, e espantoso, o fato de que não querem ajustar ninguém a nada do que já existe como técnica de publicidade e de jornalismo..................

 

esta nova onda já funcionou maravilhosamente bem para shows, apresentações musicais, e, quiçá, venha a funcionar também para peças teatrais e exposições

 

enfim, muitos acreditaram que eles iriam se adaptar ao mesmo padrão de comportamento da maioria dos profissionais presentes, mas eles simplesmente pegaram o padrão e detonaram com todos eles, e ela, dentro.

 
 
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JC

Duro mesmo é neguinho ter que assistir esse programa nojento para conhecer os ninja.

Há algumas semanas atrás postei uns links dos ninja aqui, mostrando ao vivo a cobertura das manifestações dos mascarados do Leblon. Naquela oportunidade, todos os comentários foram sobre os fascistas mascarados que eles estavam cobrindo.

Quanta transformação depois dos caras aparecerem na TV falando o que pensam ???

 

 

‘Los partidos políticos institucionales son el bioshacker de la lucha por la libertad’

 
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peregrino

confesso que fui um daqueles que não sentiram firmeza nessa rapaziada...

 

novos tempos, novos brasileiros e eu, nós, com meus e nossos velhos hábitos e meus e nossos  cabrestos já  com argolas e pinos enferrujados, enfim, o  que eu queria dizer mesmo é essa juventude danada de bonita e inteligente já me fez mudar de opinião 3 vezes

 
 
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Marroni

Há uma mensagem encriptografada no discurso dos  dois Ninja. 
E muito esperta, fruto de muitos debates e reflexões. Em nenhum momento falam de empresas, mercados ou capitalismo. Antes de anunciarem qualquer anacronismo, das cartilhas denuncistas da velha esquerda, procuraram mostrar como estão tentando superar os limites da propriedade privada e resgatar, na prática, o coletivismo do trabalho.
Não denunciam as contradições do capitalismo. Estão tentando mostrar como viver além delas.
Há um esforço claro da parte de ambos em fazer a distinção entre as suas posições pessoais e a interpretação do que representam.
Mais que isso, verbalizaram, por meio destes dois porta-vozes, o pensamento de uma inteligência orgânica coletiva.

 
 
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hc.coelho

A turma do pig entendeu perfeitamente os dois rapazes do ninja. Eles não sabiam é que em 10 minutos seriam colocados naquela situação constrangedora e humilhante.  Tentaram até jogar, devolver algum constrangimento, mas suas argumentações não conseguem sair do pouco, pobre e viciante que tinham e aí foi um "fingir que não é comigo" e falar muito para tirar tempo dos entrevistados. Turma velha apanhando de garotos. Quase torci por eles, não gosto de ver ninguem apanhando. O Dines assistia deliciosamente o falso jornalismo ruir. 

Outro dia tomaram uma surra do presidente do pt, agora apanharam desta molecada, mas, coitados, não aprenderão. São velhos profissionais, com recursos técnicos e de conhecimento, que cairam na onda do pig e chegaram onde chegaram. Dá dó. Seria prudente acabar com o programa, ou convidar o augusto nunes para dirigi-lo, o que dá no mesmo.

As escolas de jornalismo tinham que criar a matéria "Como fazer o jornalismo dos patrões e jogar fora uma carreira", o material das aulas está prontinho.

 
 
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autonomo

É a primeira vez que vejo alguem que se diz de "esquerda" ser um dos fundadores de um partido de direita, criado, justamente, para barrar os avanços da esquerda.

Mas pode ser que seja porque o "futuro" é assim nebuloso e eu viva no passado.

 
 
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MAAR

Parece consistente a hipótese de oportunismo e há indícios de que estes pseudo revolucionários da mídia 'moderníssima' podem também ser atores de uma indústria de factóides a serviço da construção do caos, saibam eles ou não.

 
 
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Ccarvalho

Foi constrangedor. Fiquei muito feliz com a inacreditável juventude e disposição de Dines, um mestre de todas as horas, quase que segurando sua euforia em ver alí na frente dele uma dupla com a qual ele certamente trabalharia. O destino e a vida deveriam ter proporcionado esta oportunidade a Dines.
E a expressão de Caio Tulio Costa dizia tudo, ou quase tudo, por que foi complementada pela expressão de Suzana Singer, quase patética. Lamentei que Eugênio Bucci tenha ficado mais uma vez encima do muro, sem coragem de dizer o que pensa. Não foi uma noite feliz. Não vejo razões para comemorar. Se por um lado foi lindo ver a dupla Ninja oxigenar a tela de TV, de outro, vi na bancada pessoas que embora estivessem alí representando a mídia tradicional, não são ela e fazem parte do que talvez exista de melhor hoje nesta mídia. Me pergunto porque Janio de Freitas nunca ocupa aquela bancada. Sou de uma geração de fotógrafos que cresceu nas redações e fora delas vendo essas pessoas produzindo o que de melhor se fez no jornalismo nos últimos 30 anos. Também elas fora atropeladas pela processo de corrosão e mediocrização do jornalismo diário. E como diz Caetano, a vida é real e de viés. E assim sendo, parabés aos Ninja.

 

Carlos Carvalho [email protected]

 
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Nilva de Souza

Que belo futuro, Nassif !

Os caras têm 200 CNPJ, são o maior coletivo cultural da atualidade servindo a todos os partidos, usando as legítimas demandas sociais para ampliar seu projeto e pressionar governos. Ganham todo centavo de incentivo à cultura e não trannsfere isto para os artistas da periferia que eles exploram. Vivem e transitam ao lado de Gilberto Dimenstein e sua Catraca Livre, fazendo eventos conjuntos.

O que eles fizeram foi montar uma infra para conseguir todo o patrocínio da área cultural de governos e iniciativa privada, para isso criaram empresas especializadas em captação de recursos e ganham quase toda "licitação" nas atividades culturais.

Eles são especialistas numa coisa mais que milenar chamada OPORTUNISMO. E, claro, para isso tem que ser muito competente e inteligente.

 
 
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MAAR

Parece consistente a hipótese de oportunismo e há indícios de que estes pseudo revolucionários da mídia 'moderníssima' podem também ser atores de uma indústria de factóides a serviço da construção do caos, saibam eles ou não.

 
 
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ricardombc

Você se engana...pois os festivais que eles apoiam tem remuneração dos artistas sim, além de custos com palco, etc, etc ... remunerar os artistas faz parte do pacote... entendeu ?

Todos saem ganhando...

 

Ricardo Brandão / Formiga - Minas Gerais - Brasil

 
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Cristina Prado

Vejam este programa da Band News, do Gabeira, feito com o Prof. Augusto de Franco e o Bruno (Mídia Ninja) e como os conceitos convergem.

http://www.capitalnatural.aiue.com.br/video/69417938

 
 
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Anarquista Lúcida

Se os conceitos deles convergem com os do Gabeira, entao eles nao sao nem um pouco confiáveis... 

 
 
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pquadros

CONCORDO!!!!!!

 

Paulo Quadros

 
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Cristina Prado

Foi muito angustiante ver a mídia tradicional sem entender nada do que os ninjas falavam, como se eles fossem de outro planeta. São novos tempos avançando e as pessoas ainda  não perceberam isto. Não se trata mais de direita/esquerda, este partido/aquele partido... mudanças radicais e profundas...

 
 
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Nilson Damole

Invariavelmente usamos nossa régua para medir o que queremos conhecer.

Assim vimos o "debate" sobre "de onde vem o dinheirofinanciamento", "que partido você gosta?"

Assim é na velha mídia, assim eles veem o mundo.

 
 
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gaúcho

Foi constrangedor ver a humilhação intelectual aplicada pelos ninja à velharia (velho nas ideias) do roda morta, se eu fosse empresário pegava esses 'cabeludos' para trabalhar para mim, ficou nítida a diferença entre o novo e o obsoleto.

Se é difícil entender uma nova geração é fácil prever que o Brasil tem um futuro brilhante pela frente.

 
 
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Thiago Venco

Uma vez que um tal "Whatever" me disse que eu somente acho que sei argumentar, resolvi estudar e praticar em cima deste texto da Veja, uma belíssima coleção de falácias! Bem não deu pra terminar a "vivisecção do morto vivo", mas enfim, segue como exercício diagnóstico... vou anotando as falácias e copiando a definição "Wiki" no fim.


Rodrigo Constantino: Análises de um liberal sem medo da polêmica


(ANATOMIA DE UM SOFISTA COM MEDO DO JUÍZO DE SANTO AGOSTINHO, O EX-DEMOLIDOR)


Não foi fácil. Mas vi até o final o programa Roda Viva da TV Cultura com Pablo Capilé e Bruno Torturra, da Mídia Ninja. Ossos do ofício. Se o futuro do jornalismo vem daí, estamos fritos!


(Apelo à autoridade anônima[1]: ele mesmo!) + (Apelo ao Ridículo[2]) + (Apelo à Antiguidade ou Tradição[3])


Não vou nem falar do “body language” do Capilé, “saca?”, pois isso seria desviar o foco, “saca?” A forma é o de menos perto do conteúdo. E é esse que mais me preocupa.


(Apelo ao Ridículo[4]) + (Apelo ao Preconceito[5]) + (Ataque ao Argumentador[6]) + (Definicão contraditória[7] – pois forma e conteúdo não se separam) + (Apelo ao Medo[8])


 Os “ninjas” se defendem da acusação de que são partidários. Eles alegam que conversam com todos os partidos. Quando vão dar exemplos concretos, só sai esquerda radical. Quando perguntam se eles falam com o PSDB, uma esquerda mais light e civilizada, a resposta é a seguinte: “O PSDB não conversa com nenhum movimento social”.


(Inversão do ônus da prova[9]) + (Falácia da ênfase: na palavra “alegam”[10]) + (Causa Complexa[11]: supervalorizam a conversa com esquerda radical) + (Petição de Princípio[12]: parte da premissa de que o PSDB é esquerda mais light e civilizada) + (Invenção de fatos[13]: eles disseram que o PSDB não se relaciona com NENHUM movimento social? Se sim, retiro esta.)


A independência da mídia Ninja é a mesma de alguém que precisa do Bolsa Família para sobreviver: nula! A tática deles é acusar a grande imprensa de parcial, para poder alegar que todos possuem sua parcialidade, logo, cada um tem um lado para mostrar ao consumidor de informação em um mundo “multiparcial”.


(Falácias do tipo A baseado em B (conclusão sofismática)[14]) + (Falácia da Composição[15] (tomar o todo pela parte: dizem que a grande mídia é parcial, logo, dizem que todos são parciais)


Balela. Uma das estratégias mais manjadas da esquerda radical, que infelizmente ainda funciona, é partir de uma premissa verdadeira e concluir algo totalmente falso ou que não se deriva dessa premissa. Non sequitur! Claro que nenhum veículo de imprensa será totalmente isento, imparcial, neutro. Mas isso não quer dizer, em hipótese alguma, que todos são, portanto, igualmente parciais.


(Apelo ao ridículo) + (Explicação errada sobre o non sequitur)



[1] Apelo à autoridade anônima:


Trata-se de fazer afirmações recorrendo a supostas autoridades, mas sem citar as fontes.


Ex.: Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.


Que peritos?

[2] Apelo ao ridículo:


Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.


Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila.


Espera-se que o oponente desista da sua convicção porque ela parece ridícula.

[3] Apelo à antiguidade ou tradição:


Afirmar que algo é verdadeiro ou bom somente porque é antigo ou "sempre foi assim".


Ex.: Devemos seguir a Bíblia porque é um livro que atravessou os séculos intacto.

[4] Apelo ao ridículo:


Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.


Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila.


Espera-se que o oponente desista da sua convicção porque ela parece ridícula.

[5] Apelo ao preconceito:


Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.


Ex.: Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.


A pessoa é estigmatizada por ser religiosa, considerada inferior ao oponente.

[6] Ataque ao argumentador:


Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.3 4


Ex.: Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo.


O argumento está errado porque foi dito por um "canalha".

[7] Definição contraditória:


Definir algo com termos que se contradizem.


Ex.: Para serem livres, submetam-se a mim.

[8] Apelo ao medo:


Apelar ao medo para validar o argumento.


Ex.: Vote no candidato tal, pois o candidato adversário vai trazer a ditadura de volta.


É uma variação do apelo à consequência.

[9] Inversão do ônus da prova:


Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento original.


O ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primária positiva.


Ex.: Dragões existem, porque ninguém conseguiu provar que eles não existem.


No caso acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez a afirmação de que dragões existem.


Ex.: Dragões não existem porque ninguém conseguiu provar que eles existem.


Ausência de evidência não significa evidência de ausência, no entanto o ônus da prova permanece subentendido para quem afirma que dragões existem, enquanto não houver a defesa da tese primária positiva, pois não é necessário nem possível provar que algo não existe se não há demonstração positiva de que exista.


Ou seja, quem afirma uma coisa deve prová-la.

[10] Ênfase:


Acentuar uma palavra para sugerir o contrário.


Ex.: Hoje o capitão estava sóbrio (sugerindo embriaguez).


Pronuncia-se a palavra "sóbrio" com muita força para sugerir que ele é um alcoólatra.

[11] Causa complexa:


Supervalorizar uma causa quando há várias ou um sistema de causas.


Ex.: O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.


Houve muitas outras causas.

[12] Petitio principii (petição de princípio):


Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida.


Ex.: É fato que a Bíblia é infalível, portanto todos devem buscar nela a verdade.


A premissa é igual à conclusão, toma-se a conclusão como se fosse uma premissa. A conclusão de que a Bíblia é confiável deveria ser suportada por premissas satisfatórias, mas foi tomada como uma premissa e levou a uma conclusão idêntica, todos podem confiar na Bíblia.

[13] Invenção de fatos:


Consiste em mentir ou formular informações imprecisas.


Ex.: A causa da gripe é o consumo de arroz.

[14] Falácias tipo "A" baseado em "B" (outro tipo de conclusão sofismática):


Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.


Ex.: 1.O islamismo é baseado na fé.


        2.O cristianismo é baseado na fé.


        3.Logo, o islamismo é similar ao cristianismo.


É uma falsa aplicação do princípio do silogismo. Pode-se visualizar como três conjuntos, o cristianismo e o islamismo são dois conjuntos dentro do conjunto fé, mas isso não significa que aqueles dois conjuntos possuem intersecção.

[15] Falácia de composição (tomar o todo pela parte):


É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.


Ex.: Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve.

 

Pelo fim do anonimato no Luís Nassif Online.

 
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Alex Gonçalves

"PSDB, uma esquerda mais light e civilizada"


Caraca, não acredito que alguém tenha cara pra escrever isso.  Que que é isso? Onde encontro o produto? Na prateleira dos importados, ao lado da geléia francesa e arroz japones? O PSDB vai fazer propaganda com coro de crianças cantando em inglês antes do JN?


Não, sério, repitam sem cair na gargalhada: "PSDB, uma esquerda mais light e civilizada"

 
 
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allegro82

Nota 10 de gramática normativa para o nassif: Todo bom nerd sabe que ninja não vai para o plural.

 
 
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Anarquista Lúcida

Que comentário tao pertinente e esclarecedor! Céus. 

 
 
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Xandão

Pensei que não fosse viver para ver isso: macacos velhos da imprensa escorregando nas cascas de banana que eles mesmos jogaram. Evoé, novo jornalismo.

 
 
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morgana profana

Titia não quer ser pessimista...

Esta bruxa velha estava na França pré-Revolução e ouviu os camelôs gritando seus panfletos apócrifos e seus almanaques, naquela que seria a transição da produção e monopólio da informação pelas classes dominantes, clero e nobreza, para a horizontalização feroz promovida pela ruptura e superação do antigo acerto de classes.

Titia recomenda: O camelô: figura emblemática da comunicação, de Jean-Yves Mollier.

É preciso separar todas as coisas, e só depois misturá-las para dar alguma receita...No caldeirão de titia está claro:

O poder, as instituições, o Estado não se relaciona com formas atomizadas de comunicação de massas, como propõe a garotada ninja.

Gostemos os ou não, o formato vertical ou industrial da produção de conteúdo (e algumas vezes, informação) é o que mais agrada aos arranjos partidários, institucionais, governamentais, etc.

A não ser que concordemos que estamos em alguma era pré-Revolução, e pelo que vejo, não estamos, o destino desta gurizada é a "diluição incorporada", como diria Tom Zé!

Ah, é bom lembrar, os camelôs desapareceram, depois que outros mais espertos fundaram os primeiros jornais e seus impérios de comunicação, que rapidamente encontraram seu lugar para cumprir a tarefa de servir a classe dominante, naquele caso, a burguesia e seu capital.

Por óbvio, a associação com nosso cordeis é uma boa dica...Inclusive para revelar sua segregação como "mera curiosidade antropológica", que nunca extrapolou as camadas mais populares de difusão de conteúdo, sem nunca influenciar de fato eventos políticos e históricos.

Recomenda-se, como de praxe, caldo de galinha e precaução, tio Nassif.

 
 

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