O embate entre a nova e a velha mídia

Sugerido por Luciano Prado

Comentário ao post "Os Ninja no Roda Viva: o futuro explodindo o velho"

Do Observatório da Imprensa

Mídia de massa vs. massa de mídias

“Essa e outras questões estão fora do alcance da mídia tradicional, porque ela tem como objetivo interpretar o fenômeno, para justificar sua crença numa determinada ordem social, e não compreendê-lo”.

Por Luciano Martins Costa em 06/08/2013 na edição 758

Folha de S. Paulo foi o único dos jornais de circulação nacional a reservar um espaço para a participação de representantes do coletivo Mídia Ninja no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, exibido na segunda-feira (5/8). Ainda assim, o texto é apenas um relato burocrático de parte das perguntas e respostas, com um título que falseia o que foi o evento.

“Idealizadores do grupo Mídia Ninja negam vinculação partidária”, diz o título da Folha na edição de terça-feira (6). No subtítulo, logo abaixo, pode-se ler: “Ao Roda Viva, Pablo Capilé e Bruno Torturra admitem captação de recursos públicos”.

Trata-se de um artifício primário de manipulação de informação, uma vez que esses dois tópicos compuseram uma parte irrelevante do programa e haviam sido extensivamente esclarecidos pelos dois entrevistados. A afirmação negativa é uma maneira tosca de insinuar ser verdadeiro aquilo que está sendo desmentido.

Seria o mesmo que publicar um texto com o título: “Jornais negam que tenham feito operação ilegal com dólar na compra de equipamentos gráficos”. Ora, se alguém quiser insinuar que a imprensa tradicional deve favores a determinado grupo político, essa seria uma forma de dar um ar de veracidade a essa especulação. O mesmo seria dizer que “tal grupo de comunicação nega que defende fulano porque em seu governo recebeu ajuda generosa do BNDES”.

No caso do Mídia Ninja,o texto da Folha demonstra ainda que o jornal não entendeu ou não admite a possibilidade de se construir uma mídia sem dono, horizontalizada, com uma diversidade tão grande de lideranças que se torna difícil classificá-la segundo os parâmetros tradicionais.

Os dois jovens foram provocados por alguns dos experientes entrevistadores, em sequências de perguntas que teriam desconcertado qualquer um. Mas responderam com segurança e clareza, enfrentando questões polêmicas como o financiamento público de ações culturais e simpatias partidárias pessoais.

Uma das lições mais interessantes passadas aos telespectadores foi a afirmação de que, mesmo composto por ativistas que simpatizam com esta ou aquela corrente política, o movimento tem um caráter amplo e democrático. Eles não omitem seu posicionamento político, que, na falta de melhor expressão, é definido como “de esquerda”, mas dialogam com qualquer grupo.

O mito da imparcialidade

Essa é provavelmente a diferença essencial entre a “mídia de massa” que marca o jornalismo como indústria e a “massa de mídias”, que identifica o jornalismo ativista das redes sociais.

O entrevistado Pablo Capilé foi muito claro ao se referir ao ambiente hipermediado como uma “massa de mídias”, na qual o jornalista se engaja em uma atividade que, segundo Bruno Torturra, pode ser definida como “midiativismo”. Esse foi um dos pontos mais interessantes do programa, porque permite ao telespectador, eventual leitor de jornais, raciocinar sobre a natureza da mídia tradicional e o que pode vir a ser a “massa de mídias”.

A imprensa clássica que conhecemos também é midiativista, mas seu engajamento não está necessariamente a serviço da sociedade, ou, pelo menos, não costuma contemplar a complexidade social e política do país. Como dizia o falecido diretor responsável de O Estado de S. Paulo, Ruy Mesquita, os jornais se dirigem prioritariamente, quando não exclusivamente, a uma elite econômica, intelectual e política.

Ao afirmarem, sem constrangimento, que a Mídia Ninja estáengajada em um projeto progressista, inclusivo e “de esquerda”, os dois entrevistados fazem desvanecer a fumaça da falsa imparcialidade da imprensa. Mais especificamente, o que os jovens midiativistas deixaram claro, como fonte de reflexão para os telespectadores da TV Cultura,foi que o mito da imparcialidade pode ser superado pela prática da multiparcialidade.

Ou seja, a imprensa tradicional finge uma isenção e uma objetividade que supostamente justificam sua existência quando, na verdade, não passam de uma farsa; enquanto o midiativismo em rede declara sua condição de ação política e comunicacional afirmativa, apoiada em uma visão de mundo progressista.

Essa diferença mostra, por exemplo, como os midiativistas dão voz até mesmo aos anarquistas agregados no grupo chamado Black Bloc, durante as manifestações que ocupam as grandes cidades brasileiras, tentando compreender suas razões, mesmo discordando do uso da violência e do vandalismo nos protestos.

Essa e outras questões estão fora do alcance da mídia tradicional, porque ela tem como objetivo interpretar o fenômeno, para justificar sua crença numa determinada ordem social, e não compreendê-lo.

A polêmica se estende ao infinito, e só a inteligência complexa e heterogênea das redes sociais pode permitir que ela avance pela sociedade adentro.

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Ivanisa Teitelroit Martins

Globo perde audiência na média diária e nas faixas vespertina e noturna, diz Ibope Redação Portal IMPRENSA | 05/08/2013 14:15

   

A Rede Globo perdeu audiência no mês de julho em todo o país, tanto na média diária, quanto nas faixas vespertina e noturna, apontam dados do Ibope.

 

De acordo com o F5, da Folha de S.Paulo, a emissora segue isolada em primeiro lugar, mas baixou de 17 pontos em junho, para 16,6 em julho, na faixa das 7h à meia-noite, no PNT (Painel Nacional de Televisão). Cada ponto equivale a 192 mil domicílios.

 

A Record e o SBT cresceram. Foram de 5,6 e 5,3 pontos em junho, respectivamente, para 5,9 pontos e 5,5.

 

A Globo sofreu sua maior queda na faixa vespertina, das 12h às 18h. Passou de 15,4 pontos, em junho para 13,9, no mês passado. A Record foi de 5,6 para 5,7. O SBT aumentou seus índices de 5,5 para 6 pontos.

 

No horário nobre, das 18h à meia-noite, o canal passou de 26,3 pontos, em junho, para 25,8 pontos, em julho.

 

A Record ficou na vice-liderança. Foi de 6,9 pontos para 7,5. O SBT também apresentou crescimento. Em junho, marcou 6,4 pontos, contra 6,7 em julho.

 

Na madrugada, a Globo cresceu de 5,5 pontos, em junho, para 5,7, no mês passado. SBT manteve os índices de 2,7 pontos e a Record subiu de 1,5 para 1,9 ponto.

 

No horário matutino, das 6h às 12h, Globo e SBT mantiveram seus índices de 7,1 e 3,4 pontos, respectivamente. Enquanto a Record subiu de 3,7 para 3,8 pontos.

 

 

Nisa

 
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lenita

Muito bom! Estou sentindo cheiro de mudanças no ar. Vamos ver até quando e se a mudança se fará mesmo!

 

mariah

 
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MarFig

 http://www.bbc.co.uk/news/blogs-magazine-monitor-23595565 

  Olha o que a velha mídia está valendo:

Graphic

 
 
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Toni

É preciso diferenciar a crise na grande  e velha imprensa brasileira e a crise geral que enfrenta o jornalismo no mundo. No caso brasileiro o efeito é duplamente mortal. Primeiro, porque o chamado PIG, monopolista  não somente empresarialmente como jornalisticamente também, tinha como principio ditar e manipular a opinião pública de acordo com seus interesses imediatos e estratégicos. A internet começou a desmascarar e dividir a formação de opinião, desenvolvendo uma dinâmica cada vez mais difícil de fazer frente.  Além disso é muito dificil para a velha imprensa se readaptar e procurar fazer um jornalismo menos tendencioso, pois nunca aprendeu a sair do lugar-comum conservador e, se necessário, extremamente reacionário. É quase impossivel exercer um jornalismo independente, porque está calcificada a trava ideológica nas suas máquinas rotativas.  Aliando-se a isso, vem a crise estrutural e de identidade do jornalismo que enfrenta uma nova era de comunicação e não sabe ainda como sobreviver na imensa floresta de canais e alternativas que a internet oferece.

Para a imprensa brasileira, que além de reacionária por excelência é totalmente dependente de verbas públicas, o veneno tem efeito, sim, duplamente fatal ou, falando claro, o veneno é duplamente eficaz.

 

@ToniBulhoes

 

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