Re: Os Ninja no Roda Viva: o futuro explodindo o velho

imagem de Thiago Venco
Thiago Venco

Uma vez que um tal "Whatever" me disse que eu somente acho que sei argumentar, resolvi estudar e praticar em cima deste texto da Veja, uma belíssima coleção de falácias! Bem não deu pra terminar a "vivisecção do morto vivo", mas enfim, segue como exercício diagnóstico... vou anotando as falácias e copiando a definição "Wiki" no fim.


Rodrigo Constantino: Análises de um liberal sem medo da polêmica


(ANATOMIA DE UM SOFISTA COM MEDO DO JUÍZO DE SANTO AGOSTINHO, O EX-DEMOLIDOR)


Não foi fácil. Mas vi até o final o programa Roda Viva da TV Cultura com Pablo Capilé e Bruno Torturra, da Mídia Ninja. Ossos do ofício. Se o futuro do jornalismo vem daí, estamos fritos!


(Apelo à autoridade anônima[1]: ele mesmo!) + (Apelo ao Ridículo[2]) + (Apelo à Antiguidade ou Tradição[3])


Não vou nem falar do “body language” do Capilé, “saca?”, pois isso seria desviar o foco, “saca?” A forma é o de menos perto do conteúdo. E é esse que mais me preocupa.


(Apelo ao Ridículo[4]) + (Apelo ao Preconceito[5]) + (Ataque ao Argumentador[6]) + (Definicão contraditória[7] – pois forma e conteúdo não se separam) + (Apelo ao Medo[8])


 Os “ninjas” se defendem da acusação de que são partidários. Eles alegam que conversam com todos os partidos. Quando vão dar exemplos concretos, só sai esquerda radical. Quando perguntam se eles falam com o PSDB, uma esquerda mais light e civilizada, a resposta é a seguinte: “O PSDB não conversa com nenhum movimento social”.


(Inversão do ônus da prova[9]) + (Falácia da ênfase: na palavra “alegam”[10]) + (Causa Complexa[11]: supervalorizam a conversa com esquerda radical) + (Petição de Princípio[12]: parte da premissa de que o PSDB é esquerda mais light e civilizada) + (Invenção de fatos[13]: eles disseram que o PSDB não se relaciona com NENHUM movimento social? Se sim, retiro esta.)


A independência da mídia Ninja é a mesma de alguém que precisa do Bolsa Família para sobreviver: nula! A tática deles é acusar a grande imprensa de parcial, para poder alegar que todos possuem sua parcialidade, logo, cada um tem um lado para mostrar ao consumidor de informação em um mundo “multiparcial”.


(Falácias do tipo A baseado em B (conclusão sofismática)[14]) + (Falácia da Composição[15] (tomar o todo pela parte: dizem que a grande mídia é parcial, logo, dizem que todos são parciais)


Balela. Uma das estratégias mais manjadas da esquerda radical, que infelizmente ainda funciona, é partir de uma premissa verdadeira e concluir algo totalmente falso ou que não se deriva dessa premissa. Non sequitur! Claro que nenhum veículo de imprensa será totalmente isento, imparcial, neutro. Mas isso não quer dizer, em hipótese alguma, que todos são, portanto, igualmente parciais.


(Apelo ao ridículo) + (Explicação errada sobre o non sequitur)



[1] Apelo à autoridade anônima:


Trata-se de fazer afirmações recorrendo a supostas autoridades, mas sem citar as fontes.


Ex.: Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.


Que peritos?

[2] Apelo ao ridículo:


Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.


Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila.


Espera-se que o oponente desista da sua convicção porque ela parece ridícula.

[3] Apelo à antiguidade ou tradição:


Afirmar que algo é verdadeiro ou bom somente porque é antigo ou "sempre foi assim".


Ex.: Devemos seguir a Bíblia porque é um livro que atravessou os séculos intacto.

[4] Apelo ao ridículo:


Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.


Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila.


Espera-se que o oponente desista da sua convicção porque ela parece ridícula.

[5] Apelo ao preconceito:


Associar valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário.


Ex.: Uma pessoa religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.


A pessoa é estigmatizada por ser religiosa, considerada inferior ao oponente.

[6] Ataque ao argumentador:


Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.3 4


Ex.: Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo.


O argumento está errado porque foi dito por um "canalha".

[7] Definição contraditória:


Definir algo com termos que se contradizem.


Ex.: Para serem livres, submetam-se a mim.

[8] Apelo ao medo:


Apelar ao medo para validar o argumento.


Ex.: Vote no candidato tal, pois o candidato adversário vai trazer a ditadura de volta.


É uma variação do apelo à consequência.

[9] Inversão do ônus da prova:


Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento original.


O ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primária positiva.


Ex.: Dragões existem, porque ninguém conseguiu provar que eles não existem.


No caso acima, o ônus da prova recairá sobre quem fez a afirmação de que dragões existem.


Ex.: Dragões não existem porque ninguém conseguiu provar que eles existem.


Ausência de evidência não significa evidência de ausência, no entanto o ônus da prova permanece subentendido para quem afirma que dragões existem, enquanto não houver a defesa da tese primária positiva, pois não é necessário nem possível provar que algo não existe se não há demonstração positiva de que exista.


Ou seja, quem afirma uma coisa deve prová-la.

[10] Ênfase:


Acentuar uma palavra para sugerir o contrário.


Ex.: Hoje o capitão estava sóbrio (sugerindo embriaguez).


Pronuncia-se a palavra "sóbrio" com muita força para sugerir que ele é um alcoólatra.

[11] Causa complexa:


Supervalorizar uma causa quando há várias ou um sistema de causas.


Ex.: O acidente não teria ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.


Houve muitas outras causas.

[12] Petitio principii (petição de princípio):


Demonstrar uma tese partindo do princípio de que já é válida.


Ex.: É fato que a Bíblia é infalível, portanto todos devem buscar nela a verdade.


A premissa é igual à conclusão, toma-se a conclusão como se fosse uma premissa. A conclusão de que a Bíblia é confiável deveria ser suportada por premissas satisfatórias, mas foi tomada como uma premissa e levou a uma conclusão idêntica, todos podem confiar na Bíblia.

[13] Invenção de fatos:


Consiste em mentir ou formular informações imprecisas.


Ex.: A causa da gripe é o consumo de arroz.

[14] Falácias tipo "A" baseado em "B" (outro tipo de conclusão sofismática):


Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.


Ex.: 1.O islamismo é baseado na fé.


        2.O cristianismo é baseado na fé.


        3.Logo, o islamismo é similar ao cristianismo.


É uma falsa aplicação do princípio do silogismo. Pode-se visualizar como três conjuntos, o cristianismo e o islamismo são dois conjuntos dentro do conjunto fé, mas isso não significa que aqueles dois conjuntos possuem intersecção.

[15] Falácia de composição (tomar o todo pela parte):


É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.


Ex.: Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve.

 

Pelo fim do anonimato no Luís Nassif Online.