Re: As lições do caso Siemens

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Fabio (o outro)

Não há como fugir da hipocrisia : ela faz parte do jogo e é totalmente compreensível.


O que Alckimin vai fazer ? Ir na televisão e citar nominalmente todos os que se beneficiaram ?


Arruda também caiu sozinho , apesar de espernear e ameaçar , teve que ser expulso do partido.


Da mesma forma , Alckimin tem que processar a Siemens. Como também , o PSDB teve que processar Amaury Ribeiro Junior pela publicação do livro A PRIVATARIA TUCANA.


Faz parte do jogo. Ficar quieto é confessar.


Evidentemente que nos bastidores seus correligionários já colocam suas redes de influência para funcionar , junto a procuradores , magistrados , delegados , etc .......


O sistema não se reformará por si mesmo ; se assim fosse , já o teria feito depois de tantos  e tantos casos de corrupção. De Maluf a Arruda , de Sarney a Jader , de Lalau a Alckimin , de Celso Daniel a PC Farias , de Sergio Cabral a Marconi Perillo , da Privataria Tucana ao mensalão petista  ..... se tudo isso até hoje não foi suficiente , o que será então ?  De um lado , ele é amplamente conveniente a todas as grande figuras políticas , independentemente de partido. A facilidade para se obter recursos é enorme. A contrapartida é o loteamento do Estado e a dificuldade transcedental em se fazer qualquer reforma num estado feudalizado entre os interesses que financiam os políticos.


Tente mexer no sistema de transporte , nas concessões de rádio e TV , com as igrejas, com os convênios médicos , com os juros , com o sistema de ensino privado , com as obras públicas , os sindicatos ..... absolutamente tudo já está loteado , tem um dono que financia seus respectivos políticos , que em contrapartida lhes defendem os interesses. Uma mão lava a outra. Até mesmo o funcionalismo público e o sistema penitenciário estão nesse esquema. Vide a polêmica dos médicos , do PCC em SP ....... É inacreditável.  


A consequência imediata de se tentar mexer em qualquer desses  feudos é uma crise política , explorada pela imprensa a favor ou contra o reformador ,de acordo com seus próprios interesses . Se quer lhe derrubar , amplifica o lado negativo. Se quer que ele ascenda , lhe ressalta a coragem. Dessa forma nasceu o caçador de marajás ou o menino pobre que mudou o Brasil .


Por trás , a reboque , vem outro poder do Estado  , mas que atua mais como um partido político , dando cobertura : o Judiciário.


Hoje , por exemplo , toda a mídia já repercute , em tom negativo e crítico ,  as declarações do ministro Barroso do Supremo , de que o mensalão não é o maior caso de corrupção da história.  Dentro da lógica de funcionamento desse sistema ,  faz todo sentido que o critiquem. Pois se insurge contra uma criação da própria mídia.


Outros não entendem porque o PT apanha tanto e não reage , tendo tantos fatos a explorar. Igualmente compreensivel. O partido conhece tão bem quanto os demais a lógica de funcionamento do sistema. Não só conhece como também se beneficia dos esquemas de financiamento e loteamento do estado. Sabe que o teatro da hipocrisia tem que ser feito. Não dá pra receber dinheiro de Daniel Dantas e da corrupção nas prefeituras que administra , e depois cair de pau nos tucanos por irregularidades nas concessões imobiliárias na capital paulista ou pelo superfaturamento nas obras do metrô.


A mudança tem que vir de fora pra dentro , da pressão externa , das ruas ........ tem que ser arrancada.