Re: As lições do caso Siemens

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Severino Fernandes

Do mesmo jeito que combato uma caça à bruxas em relação ao PT, combato também uma caça às bruxas em relação ao PSDB. Se um dia acreditei, há muito já não acredito em partidos políticos ou lideranças políticas imunes à corrupção.

Não há santos, mas também não há apenas demônios na política. O que tem que ser combatido é o sistema político-partidário e eleitoral que favorece a corrupção e a posterior ingerência dos interesses privados (e do poder econômico) na esfera pública.

Numa democracia os interesses públicos devem se sobrepor aos interesses privados. Pode haver parceria, mas jamais prevalência dos interesses privados sobre os interesses públicos. E menos ainda uma situação em que o poder econômico subordine toda a sociedade e o Estado que deve defendê-la a seu bel prazer, e ao bel prazer do sistema econômico que defende e do qual se beneficia.

Minhas divergências com o PSDB se dão apenas no campo político e ideológico. Pela falta de compromisso que esse partido vem demonstrando em relação a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Pela vinculação cada vez maior desse partido aos interesses do grande capital e do poder econômico (via teses neoliberais e ultra-conservadoras em benefício do rentismo, do capitalismo financeiro desregrado e desregulado - que potencializa a volatilidade do capital e promove mais injustiça e desigualdade social).

Mas nem por isso, em nome dessas divergências, defendo caça às bruxas contra o PSDB ou qualquer outro partido. Porque não creio que com a criminalização da política e dos políticos chegaremos a lugar algum, que não seja a hipocrisia e a desfaçatez que apenas reverbera discursos e mais discursos farisaicos, que a nada levam, e nada mudam.

O que defendo (repito e reafirmo com todas as letras) é que necessitamos de uma ampla, geral e irrestrita reforma política e eleitoral, que potencialize a democracia e que jogue ao chão os maus hábitos e maus costumes de nossa política cotidiana - em especial práticas danosas oriundas do financiamento privado de campanhas, como as do "caixa-2" que gera uma distorção de representatividade política e prevalência dos interesses privados (do poder econômico) sobre o interesse público.

O mais é abobrinha. Pois o que necessitamos é de representantes políticos (governantes e legisladores) que tenham compromisso com os eleitores e com as teses que defenderam (e foram tacitamente aceita pelas eleitoes). De representantes políticos com força e legitimidade. Não de representantes políticos que compraram seus mandatos, irrigados por dinheiro sujo do poder econômico ou de grupos criminosos, mafiosos e mal intencionados. E que por tabela se transformam em reféns desses grupos cujo único interesse é se dar bem às custas do Estado, ludibriando o eleitor e as instituições democráticas.