Dívida das empresas de Eike chega a R$ 25 bilhões

Do Estadão

Crise já consumiu R$ 7,6 bi do caixa das empresas X e dívida chega a R$ 25 bi

Balanço das seis companhias de capital aberto do grupo EBX, de Eike Batista, mostra que o caixa das companhias saiu de R$ 10,22 bi para R$ 2,6 bi

Irany Tereza, Mariana Durão e Sabrina Valle

Em um ano, a crise que se abateu sobre o grupo X consumiu R$ 7,63 bilhões do caixa das seis companhias de capital aberto de Eike Batista. Em junho do ano passado, quando a petroleira OGX divulgou uma produção abaixo da esperada no campo de Tubarão Azul - dando início à derrocada do império X-, as empresas tinham R$ 10,22 bilhões em caixa. Agora, essa cifra está em R$ 2,6 bilhões, segundo levantamento da consultoria Economática.

A dívida tomou caminho inverso: aumentou de R$ 21 bilhões para mais de R$ 25 bilhões. A situação mais crítica é a da petroleira, empresa âncora de Eike e que assumiu o papel de estopim da crise. A OGX acumulava em junho de 2012 um caixa de R$ 5,9 bilhões. Agora são parcos R$ 722 milhões. Ou seja, Eike "queimou" quase 90% do caixa da companhia e a produção frustrada não acrescentou quase nada à receita. Agora, a reestruturação da dívida da OGX será coordenada pela Blackstone, consultoria financeira norte-americana que participa da reestruturação da dívida da Grécia. Segundo fontes, a consultoria estaria negociando também ativos da petroleira de Eike Batista.

O segundo trimestre das empresas X foi marcado também por baixas de ativos que somadas passam de R$ 5 bilhões. A maior delas foi na petroleira OGX, que registrou uma baixa de R$ 491 milhões com poços secos e de outros R$ 3,6 bilhões com a provisão para perdas (impairment) dos campos de Tubarão Tigre, Tubarão Gato, Tubarão Areia e Tubarão Azul.

A MMX reconheceu uma perda contábil de R$ 153,8 milhões dos ativos da Unidade Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Na OSX foram R$ 794 milhões em baixas, após a OGX sustar as encomendas de cinco plataformas. A empresa fez ainda uma provisão de R$ 79 milhões no balanço para a plataforma WHP-2, após testes de recuperação do valor do ativo. Na CCX a avaliação, ao fim do segundo trimestre, foi de que os ativos não apresentam indícios de perda de valor que possam acarretar perda contábil.

Dívidas. A OSX, braço de construção naval da EBX, tenta renegociar a rolagem de dívidas de R$ 827 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF), com vencimento em outubro. Os empréstimos-ponte financiaram as obras do estaleiro da companhia no superporto do Açu, em São João da Barra (RJ).

No caso do banco de fomento, a operação soma R$ 427 milhões e já teve seu vencimento prorrogado por 60 dias, até 15 de outubro. A dívida a vencer com a Caixa é de R$ 400 milhões. Hoje o banco financia R$ 1,13 bi do estaleiro, que consumirá mais R$ 90 milhões para concluir a primeira fase de obras.

A OSX também negocia com o BNDES um empréstimo para a plataforma WHP-2, afretada pela OGX e orçada em cerca de US$ 750 milhões. A empresa espera faturar US$ 350 milhões pelo aluguel do FPSO OSX-3, também alocado em Tubarão Martelo, após a produção do primeiro óleo do campo - entre o quarto trimestre deste ano e o primeiro de 2014. Os recursos abrirão espaço para refinanciar US$ 500 milhões captados em bonds para financiar a plataforma.

Reestruturação. A venda da LLX para o grupo EIG, anunciada anteontem, não terá impacto direto na OSX, afirmou o diretor presidente da empresa, Carlos Bellot, em teleconferência a analistas. A injeção de capital de R$ 1,3 bilhão na empresa de logística do grupo X deve ser concluída em dois a três meses.

"Vemos com bons olhos o caminho que o grupo (EBX) está seguindo, mas isso não tem impacto direto na OSX. É mais ou menos a mesma solução da MPX, e é por aí que o grupo vai caminhar", disse.

O executivo foi questionado se uma solução semelhante estaria sendo costurada para a OSX. No caso de troca de controle, uma cláusula prevê o repagamento dos bonds. "A mudança de controle na OSX e (na subsidiária) OSX-3 não está sendo considerada no momento. E, se for, o repagamento dos bonds será levado em conta nas negociações", disse Bellot. 

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18 comentários
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maria utt

Com Eike, espero que caia também a política de financiamento de campeões do governo.

 
 
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leonardo brito1960

Quando este tal de Eike deu uma entrevista na Cultura, programa Roda Via, dizendo que ficou rico às custas de alguns empréstimos de 10 mil ou 20 mil através de alguns amigos e que ia em Serra Pelada comprar ouro e revender no RJ, eu vi que estava mentindo. Este enganador ficou rico às custas de informações privilegiadas e secretas do Ministério de Minas e Energia. Quando o pai dele era funcionário nos governos militares, tinha todo o mapeamento das riquezas no subsolo e estas informações de uso restrito do governo, foram repassadas pelo seu pai. Ou seja, como ele sabia de tudo que o país tinha em riquezas minerais, ele foi comprando as áreas como se nada de interessante tivesse e depois começava a exploração do material. Como ele torrou tudo em farras e muita vaidade, agora está quebrando.

 
 
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Alan Souza

"O anel que tu me destes

Era vidro e se quebrou

O amor que tu me tinhas 

Era pouco e se acabou"

 

De poste em poste o Brasil vai se iluminando...

 
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claudio bala

e o tal PEDRO MALAN fazia parte do conselho de admistracao da OGX, pra quem quebrou o braZil, quebrar empresa de petroleo mole mole,,,,

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Fiz o trabalho de casa com a tal da EIG Management, do Sr. R.Adolph Talbot, me parece um fundo de investimento que não têm nada a ver com operações portuárias, ou seja, um destes fundos abutres que ficam farejando carniça pelo planeta e dão o bote quando a presa está indefesa.

Continuamos entregando ouro .

Acorda, Dilma!

 

Follow the money, follow the power.

 
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alexis

Acorde você Alexandre e faça uma pesquisa mais profunda, embora pareça não ser do ramo.

Acho leviano, da sua parte, dar palpites sem saber!

 

O grupo EIG esteve alguns meses atrás no Brasil procurando ativos de mineração e já investiu US$150 milhões no projeto Manabi (Minas Gerais), interessante projeto de minério de Ferro. Conheço pessoalmente dois executivos da EIG que estiveram no Brasil, naquela época, e participei de algumas reuniões com eles. São pessoas sérias.

Se eles investem com Eike é porque sabem o que estão fazendo.

 
 
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Alexandre Weber - Santos -SP

Quem têm de acordar é você Alexis, entrei em mais de vinte sites especializados em consultoria de investimentos, a nata, Barclys, Goldman Sachs, Carlyle, etc... Muitos dos diretores eram agêntes de investimento destas firmas antes de criarem a AIG farejadora de molezas.

Estão desesperados para colocar os Dollares furados, papel verde sem lastro com impressõa ilimitada e fresquinha para os "amigos", em ativos  e bens de raiz.

Entram até na furada do porto para o pré-sal que não flui.

O desespero deste pessoal está na cara. só não vê quem não quer ou está a serviço de outros interesses. 

 

Follow the money, follow the power.

 
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contraditório

Papewl verde sem lastro.

CERTISSIMO

 
 
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Assis Ribeiro

A fragilidade e megalomania do projeto de Eike era visível, muitos não perceberam.

Resultado prejuízos para os investidores, inclusive público, e os setores explorados pelos projetos, todos nas áreas de energia e infraestrutura que são essenciais para a segurança de qualquer país migrando para controladores estrangeiros.

Mais uma vez nossos recursos naturais e estratégicos sendo sugados.

Viva Galeano e "As veias abertas da América Latina"

 
 
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Ed Döer

Assis, só não percebeu quem caiu no canto da sereia. Quem acompanha o mercado sabia (ou no mínimo desconfiava) que mais cedo (ou mais tarde isso iria acontecer), pois não era difícil perceber que o projeto dele era ser o mais rico do mundo. As empresas eram só um meio pra chegar lá.

Segue notícia de 2010 (com um trecho em destaque) pra ver que nem todo mundo "comprava" ele:

http://www.uai.com.br/htmls/app/noticia173/2010/03/21/noticia_economia,i...

"Mas, aos poucos, o próprio mercado financeiro começa a agir com ceticismo diante de um jeito de amealhar fortuna com negócios e projetos não construídos, sem geração de caixa real nem tantos empregos, muito menos com divisas para a nação na proporção de outros magnatas."

 
 
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alexis

Podemos apostar no Eike e na sua capacidade, pois, um cara como ele e com todos esses problemas fica muito mais criativo que centenas de PhDs nas cadeiras mansas dos seus empregos, e mais produtivo e gerador de riqueza que milhares de críticos oportunistas que emitem hoje comentários invejosos sobre como ganhar ou perder dinheiro, muitos deles da varanda da sua nova casa em Miami. Lembrando que apenas 20 mil brasileiros possuem mais de 500 bilhões de dólares depositados fora do Brasil; covardes anônimos por causa do sigilo bancário e fiscal.

 

Eike ainda é o mesmo, e talvez melhor pela sua maturidade, assim como ainda estão aí os ativos materializados e contabilizados pelas suas empresas, os empregos gerados e os avanços efetivos na economia do Brasil. O que caiu foi a credibilidade em relação à percepção (bolsa de valores) do que muitos “acham” que as empresas do Eike valem ou valiam, insuflada por uma mídia traíra e golpista que enxerga no Eike um modelo de investidor brasileiro que não atende ao modelo colonial vigente, enquanto esconde e defende especuladores de pirâmides financeiras truculentas e aqueles da “privataria”, que privatizaram a preço de banana os melhores ativos que Brasil possuía na década de 90. 

 

Muda-se a percepção e tudo voltará a subir, com exceção – obviamente - dos fatos reais que afetam aos próprios investimentos, como foi o caso da equivocada estimativa de extração de petróleo. Mas isso tem solução e Eike tem criatividade demais para superar. É mais fácil o Eike levantar e fazer em poucas semanas o que muitos críticos oportunistas tem feito pelo Brasil na sua vida toda. 

 
 
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Assis Ribeiro

alexis. Como assim. Eike caiu insuflada por uma mídia traíra e golpista?

Papel o vento leva ou traz. Veja como Eike foi ajudado em duas capas da Veja:

janeiro 14, 2012 01:56

 
 
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alexis

Boa Assis!

 

Embora confirme o fato de que levantar e deixar cair faz maior barulho.

Eike sempre foi criticado pelos 20 mil “patriotas” brasileiros que guardam o seu dinheiro em paraísos fiscais, provavelmente incluindo também aos donos da Revista.

 

O cara possuia apenas uma bolinha de papel e a mídia e o mercado inventaram que ele tinha um tijolo (lembra de algo parecido?). Pois bem, ele continua tendo a mesma bolinha de papel.

 
 
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Evandro Luiz Ribeiro

Bacana isso, muito bom, faz parte da econômia de mercado, mas precisava ter feito esse estrago com o dinheiro do contribuinte, porque não pegou lá fora, dai quem ia para falência seria o investidor de risco, não a sociedade brasileira.

 

Evandro Luiz

 
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alexis

Obrigado pelo seu comentário, que é legítimo.

Sou da crença de que o empresário possa reestabelecer o controle de suas empresas, recuperando a credibilidade perante o mercado e dessa forma assegurar que todos os investidores como também a sociedade, não percam com a falta de expectativa generalizada que assistimos hoje. Acreditamos também que esses "investidores’ sejam os mais interessados na recuperação das empresas do grupo X, uma vez que se o Eike perde, todos eles perdem juntos.

 

 
 
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Fabio.

O Eike Batista subiu tão rapido, quanto desceu , o Pre Sal existe ou foi pegadinha do Malandro?

 
 
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O Militante

Saiu caro aquele passeiozinho de helicóptero que o Eike proporcionou ao Lula, não é?

 
 
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Evandro Luiz Ribeiro

Militante deixa de maldade, só porque o Eike foi o maior contribuinte individual na campanha de eleição de Lula, não quer dizer que os 10 bilhões de reais que o BNDS queimou nas X's da vida tenha alguma relação com isso.

 

Evandro Luiz

 

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