Re: A dupla redator e jornalista

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José Carlos Lima

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MERVAL E SARDENBERG: UM VINHO “BOM” POR CADEIA JÁ

 

Se os réus da Ação Penal 470 "entrarem em cana este ano", na expressão do colunista Carlos Alberto Sardenberg, ele paga um vinho "bom" no jantar de comemoração marcado com Merval Pereira; se "prenderem só os bagrinhos e não os bagrões", quem banca o vinho é o imortal; prêmio pelas sentenças a José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, João Paulo Cunha e Marcos Valério pode ser um Chateneuf Du Pape, um Bartolo Mascarelo ou um Pinot Noir da Borgonha; tudo chic para brindar à prisão dos petistas; quanto equilíbrio!; palpites sobre qual o vinho mais adequado à ocasião de festa estão abertos na rádio CBN, onde ambos antecipam desfecho do julgamento do STF às gargalhadas; você participaria desse escárnio?

 

23 DE AGOSTO DE 2013 ÀS 19:51

 

247 – Normalmente carrancudo, o colunista Merval Pereira pode ser ouvido às gargalhadas na rádio CBN onde, a exemplo de que faz no jornal O Globo, também dos três irmãos Marinho, dita os parâmetros do julgamento da Ação Penal 470 no STF.

Agora, seu divertimento sobre o destino dos réus do processo será regado a um vinho "bom". É isso que ele apostou contra seu colega colunista Carlos Alberto Sardenberg, âncora da rádio e, também, comentarista econômico do Jornal da Globo.

A aposta é assim: "Se os mensaleiros foram em cana até o final do ano, nós jantamos juntos e você paga um vinho bom. Mas se eles forem presos só depois, quem paga sou eu", disse Sardenberg, igualmente rindo-se. 

Até o colunista de vinhos da CBN, Jorge Lucki, foi convidado para participar do escárnio. Ele sugeriu três rótulos – Bartolo Mascarelo, Chateneuf Du Pape e um Pinot Noir da Borgonha. Os ouvintes podem opinar sobre qual garrafa será aberta por meio de uma enquete aberta.

Com o vinho "bom" na jogada, consuma-se mais um movimento de Merval para pautar os juízes do STF. Imortal da ABL, ele se torna, nessas horas de ação, o 12º juiz da suprema corte brasileira, recitando saber jurídico e dando suas próprias sentenças. Com acesso privilegiado a alguns magistrados amigos – ele escreveu, por exemplo, o prefácio do livro do ex-presidente Carlos Ayres Britto, que iniciou o julgamento -, Merval vê embargos declaratórios e infringentes como enrolação de advogados e, caso estes últimos sejam aceitos, acredita que "aí pode demorar de um a dois anos para terminar". Ainda assim tomaria o vinho "bom", porém duplamente a contra-gosto: porque José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno, João Paulo Cunha e Marcos Valério ainda não terão sido presos, e porque ele pagará a garrafa. 

Não é, obviamente, o que deseja. Na qualidade de um dos propagadores da teoria do domínio do fato, aquela pela qual está-se condenado réus mesmo sem provas factuais, ausentes na maior parte do processo, Merval quer cadeia já para todos, especialmente "os mais importantes". Ou, no dizer de Sardemberg: "Se só pegarem os bagrinhos este ano, eu ganho. Mas se pegarem os bagrões ainda este ano, eu pago para você".

Se isso é brinde que se faça, está mesmo pronto para ser feito. E às favas com o equilíbrio!