Por dia, oito professores desistem de dar aula em SP

R7

Por ano, 3 mil professores desistem de dar aula em São Paulo

Por Paulo Saldana

A cada dia, oito professores concursados desistem de dar aula nas escolas estaduais paulistas e se demitem. A média de pedido de exoneração foi de 3 mil por ano, entre 2008 e 2012. Salários baixos, pouca perspectiva e más condições de trabalho estão entre os motivos para o abandono de carreira.

Os dados obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação são inéditos. A rede tem 232 mil professores - 120,8 mil concursados, 63 mil contratados com estabilidade e 49 mil temporários. A fuga de professores também é registrada na rede municipal de São Paulo, mas em menor escala. As escolas paulistanas têm média de 782 exonerações por ano desde 2008.

Proporcionalmente ao tamanho das redes, o índice no Estado é duas vezes maior. Além disso, a capital conseguiu ao longo dos anos ampliar em 12% o número de efetivos, enquanto a rede estadual tem 10 mil concursados a menos do que em 2008. Os docentes que abandonaram o Estado migraram para escolas particulares, redes municipais ou dão adeus às salas de aula. O bacharel em Educação Física Marco Antonio Uzunian, de 30 anos, decidiu ser instrutor de uma academia e hoje também trabalha em uma empresa.

Apenas um ano em uma escola estadual na Vila Carrão, na zona leste da capital, foi suficiente para ele desistir. Uzunian é um dos 2.969 efetivos que pediram exoneração só no ano passado. É o maior índice desde 2008. "Na escola eu não conseguia tocar um projeto de verdade, não tem apoio nem companheirismo", diz.

O bolso pesou na decisão. Depois de concursado, só pôde pegar uma jornada de 10 horas. "Eu não tive opção de jornada maior. Essas 10 aulas me rendiam R$ 680." A Secretaria da Educação não respondeu por que há limite de jornada para novos docentes.

Crise

Nem a estabilidade do funcionalismo público tem impedido demissões. Formado em Matemática pela Federal do Paraná, Fabrício Caliani ingressou na rede estadual em 2004. Abandonou em 2009 para ficar em escola particular. "Escolhi ser professor por vocação e faço meu trabalho bem feito. O que eu ganhava até me aposentar não ia compensar enfrentar tudo isso", diz ele, que dava aula em Bastos, no interior paulista.

Mesmo sem ter emprego em vista, Eduardo Amaral, de 39 anos, pediu exoneração em abril de 2012 - depois de 8 anos na rede. "Para além da questão do salário, jornada e condições de trabalho adversas, tem o dia a dia da escola. É um ambiente hostil", diz ele, que hoje trabalha na Câmara Municipal de São Paulo.

Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Romualdo Portella considera os dados muito altos. "Temos reconhecido que a questão-chave da educação é o professor, mas precisamos ter atratividade de carreira, boa formação, retenção e avaliação", diz.

A Secretaria da Educação defendeu que o número de exonerações representa só 1,63% do total de efetivos. Em relação à diminuição do número de efetivados, a pasta argumentou que aposentadorias, mudanças e mortes devem ser levados em conta. O governo não informou quantos concursos realizou desde 2008. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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49 comentários
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José Augusto da Silva Filho

Gostaria de fazer um comentário: hoje acabei de fazer uma prova de mérito, junto a mais de milhares de professores,  para conseguir um aumento salarial de 10%. O nível da prova aplicada pela Vunesp é altíssimo, talvez para aquisição de um doutorado. Não se pede nada relacionado ao dia-a-dia do trabalho de professor. O mais interessante é que nos submetem a fazer uma prova assim e ao mesmo tempo contrataam alunos de faculdades do primeiro semestre para ministrar aulas devido à falta de professores. Vai entender!

 
 
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Vejamos se não é pior

Gostaria de saber o link em que constam tais provas e das resoluções que essas acham ter para que se marque por certo o que querem por certo.  Os meus estudo com prova similar, a que gerou milhares de professores zerados em SP, prova que os zerados sempre foram os que elaboraram tal provase que até tentaram ensinar a esses e não conseguiu porque não sabe mesmo.

 
 
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Anarquista Lúcida

É um verdadeiro milagre ainda haver professores neste país, nao só com os salários risíveis que recebem mas sobretudo com as condiçoes de trabalho que se somam a isso. Para que fazer uma faculdade para ganhar menos que um vendedor de shopping e com muito mais estresse? É normal eles estarem saindo às pencas, estranho é ainda haver gente que quer ser professor. 

 
 
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cabocla

Meu filho.

E de Ensino Médio...

#orgulho

 
 
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Fabricio Moreira

É uma ótima desculpa midiática e marketeira para se fazer um clone do MAIS MÉDICOS.

Como ninguém gosta de dar aulas nas sucateadas escolas públicas, seria muito bom se o atual governo fizesse o MAIS PROFESSORES. Afinal, os mestres não gostam de ensinar os pobres...

Além disto, estes professores burgueses além de não gostarem de pobres, gostam de escolas com ar condicinado e nos bairros nobres...e também não querem ir para os confins da Amazônia ou o sertão nordestino. É um acinte, assim não dá!

Trazendo professores de Cuba e afins, quem sabe não se resolva a situação da educação pública no Brasil? Não é assim que o governo atual resolve tudo?

Sim, pois com o Mais Médicos, a saúde pública brasileira saiu do purgatório para o céu, como vende o governo. Agora sim, a saúde pública brasileira deslancha de vez...

E com o MAIS PROFESSORES pode vir o MAIS COZINHEIROS para acabar com a fome no Brasil ( pois o problema é a mão de obra elitista ), o MAIS ENGENHEIROS ( assim o PAC deslancha...), o MAIS PEDREIROS ( e se resolve de vez o déficit habitacional da nação ).

Viva o Brasil!

 
 
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Givaldo

Nossa !!! Vc misturou alhos com bugalhos.Catraca de canhão c/ conhaque de alcatrão.

Provavelmente vc nunca entrou em uma sala p/ lecionar e demonstra não conhecer a realidade da educação em SP.

Como se não bastasse, é simplista em querer generalizar e associar o problema da educação gerado pelo descaso do governo paulista que não valoriza seus profissionais, estes, verdadeiros guerreiros que abdicam de suas vidas p/ o ócio do ofício, diferentemente da categoria de médicos, que ressalvadas raríssimas excessões, comportam-se como mercadores.  Se vc for em qualquer grotão deste país, certamente vc encontrará um professor trabalhando sem estrutura nenhuma, muitas vezes ao relento em troca de verdadeiras migalhas pagas pelos governantes. Sua maior satisfação não é o $$$ e sim o progresso de seu aluno. Já médicos, vc vai ter que rezar muito p/ encontrar em vários municípios que não sejam gdes centros no Brasil e muitas vezes se vc estiver sem $$$, correrá sério risco de sofrer até a morte.

 

Givaldo-SP

 
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Faby Moretti

Também achei que o Fabrício Moreira estivesse "pirando", mas ao ler todo o texto percebi que ele está sendo irônico, pois isso é o que anda nos restando no Brasil: somente a ironia...

 
 
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Mário Mendonça

Nassif

So os governantes não pensarem novas formas de educar a sociedade, taí uma profissão que tende a desaparecer....

Hoje ser professor,  é insalubre e perigoso, inclusive seu sindicato deveria estar brigando por estes adicionais, pois se tornou grau de risco grave (4). 

 

Mário Mendonça

 
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janes salete

 

O psdb só entende de propina. Professor não paga propina, então... Os governos psdebistas, oferecem aos professores como material para pesquisa avançada e desenvolvimento, a Veja. Dá-lhe propina!!!

 
 
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Lucas Costa

Juízes, médicos, professores e seus respectivos salários no serviço público - link

1- Remunerações das carreiras judiciárias

O problema dos profissionais jurídicos do serviço público não é tanto a remuneração em si, mas o fato de ela ser extremamente elevada já de início, quando o agente público ainda está em desenvolvimento. Quem já entra ganhando, por exemplo, R$ 20.000,00 não terá, ao longo da carreira, grande amplitude de salários, seja competente ao extremo, seja um profissional profundamente relapso. Exemplificando: um juiz que entre na magistratura aos 25 anos alcançará logo nessa fase da vida um padrão de vida elevado, que não sofrerá maiores alterações. Talvez seja por isso que não seja nada incomum que um magistrado com dez anos de casa imagine estar ganhando uma miséria.

Convivo com membros do judiciário e, via de regra, eles dizem estar ganhando pouco. Talvez tenham esquecido da extrema ascensão financeira que muitos experimentaram ao ingressar na atividade judicante. O salário de Juiz poderia, sim, ser menor, no início. Mas deveria, mediante mérito e competência comprovados da parte do membro da magistratura, chegar a um patamar de elevação progressiva, não sendo descabido que, dessa forma, chegasse ao máximo patamar do serviço público que é a remuneração do ministro do STF. Não seria aumento salarial decorrente do mero escoar do tempo, mas sim condicionado a demonstração cabal de competência na atividade.

A situação hoje não é assim. O Juiz ganha muito bem, regiamente, diria, sendo um excelente ou um péssimo magistrado. O que vale para outras das carreiras jurídicas, que se encontram no topo da cadeia de vencimentos do serviço público. É este o grande problema da instituição de elevadas remunerações, de modo instantâneo e incondicionado: a contraprestação que muitos NÃO dão à sociedade. Não há parâmetros claros do que seria um bom Juiz. Assim, muitos produzem muito pouco. E as ações de alimentos, divórcios, sucessões etc., e até mesmo as criminais, ficam empilhadas nas prateleiras das varas - embora os salários sejam régia e religiosamente depositados nas contas dos excelentíssimos doutores. A punição máxima, aposentadoria compulsória, COM vencimentos proporcionais, não parece espantar ninguém.

Importa esclarecer que não estou a advogar uma redução salarial nominal das carreiras jurídicas, até por isso ser constitucionalmente inviável. Mas aumentos de subsídios excessivos devem ser repensados. E a própria carreira deveria ser redesenhada, sob pena de não estancamento de situações esdrúxulas entre membros de carreiras das mais importantes no serviço público. Eis um exemplo:

INOPERÂNCIA CRÔNICA: TJ-SP aposenta juiz com baixa produtividade Por Rogério Barbosa -Consultor Jurídico -O Tribunal de Justiça de São Paulo aposentou compulsoriamente o juiz Odesil de Barros Pinheiro. Nesta quarta-feira (4/4), o Órgão Especial do tribunal o considerou inapto para o exercício da função devido ao atraso no andamento dos processos. Para o desembargador Caetano Lagrasta, relator do processo, o juiz possui "inoperância crônica" para o exercício do cargo, já que, lúcido e em boas condições de saúde, não desempenha suas funções.

Odesil de Barros Pinheiro julgava em uma Vara de Família na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo. Ele já havia sido punido pelo TJ em 2005. A pena de ser colocado em disponibilidade foi confirmada pelo Conselho Nacional de Justiça em 2010. O atraso no andamento dos processos foi o principal motivo para que o TJ paulista tomasse a decisão. Na época, o juiz alegou em sua defesa que as dificuldades no preenchimento de planilhas, assinatura em livros de carga de autos, elaboração de relatórios de controle e o acúmulo de processos que resultam na morosidade do serviço, "são circunstâncias passageiras, devidas exclusivamente aos problemas pessoais e de saúde física”.

Agora aposentado definitivamente pelo TJ-SP, o juiz receberá salário proporcional ao tempo de serviço. No julgamento, a defesa do juiz alegou cerceamento do direito de defesa, por falta de intimação. Para o colegiado, a alegação teve a intenção de levar o procedimento à prescrição.

Antes de ser colocado em disponibilidade, o juiz já havia sofrido pena de censura do TJ-SP pela morosidade na prestação de serviços na cidade de Itapetininga, interior de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, o juiz fazia cooper durante o horário de trabalhou e levou tantos processos para a casa que foi preciso uma caminhonete para buscá-los. Rogério Barbosa é repórter da revista Consultor Jurídico. RevistaConsultor Jurídico, 4 de abril de 2012”

2- O caso dos médicos comparado ao caso dos juristas

O Brasil tem mais faculdades de medicina que os EUA. Todo ano cerca de 15.000 profissionais desembarcam no mercado. Não há carência. O que ocorre é que, pelo menos por enquanto, ainda se obtém espaço profissional com facilidade relativa nos grandes centros, quando compara-se o médico com integrantes de outras categorias. Geralmente os formandos são originários dos grandes centros. Naturalmente, uma vez formados, em havendo possibilidade de permanecer onde têm raízes, eles o fazem. Eis um exemplo: é bem verdade que se formam mais médicos originários de Fortaleza, capital do Ceará, do que de, por exemplo, Canindé, cidade do mesmo estado. Assim, naquele estado, a maioria do pessoal médico, originário da capital, opta por permanecer na capital.

Vamos ao caso dos estudantes de direito. Embora estejamos fartos de saber que no Brasil não cabem os bacharéis em direito que existem, não vivemos em um quadro de abundância de advogados. Com uma rápida ida a um fórum, pode-se perceber facilmente o calvário que é para a população pobre ter acesso a serviços advocatícios. A defensoria pública está abarrotada, sempre, não conseguindo dar conta da demanda. E os advogados particulares vivem em duas situações: uma parte está bem estabelecida e cobra caro, inviabilizando o acesso popular a eles, e outra parte abandona a advocacia, preferindo tentar uma vaga como Juiz, Promotor, ou Procurador. Ou, ainda, como Analista Judiciário e Oficial de Justiça, cujos salários, sobretudo na esfera federal, são bastante atrativos. Melhores do que o que alguns dos jovens bacharéis em direito chamam de "pinga-pinga", atendendo a população, a carente inclusive, quando não se é dos advogados bem estabelecidos: R$ 100,00 daqui, R$ 500 dali. R$ 5000,00 em um mês completo de sucesso ou R$ 500,00 em outro mês completo porém menos feliz. Ora, um analista judiciário de TRF percebe um salário base de cerca de R$ 7.500,00. Faça chuva ou faça sol!

Pode ser que, com o ritmo de crescimento do número de profissionais, o mercado de trabalho da medicina entre em colapso, brevemente. Já vi profissionais dizendo, um pouco ironicamente, um pouco a sério, que, dentro em breve, será preciso que o Brasil exporte médicos. E, mesmo nesse quadro, de exportação, é de se duvidar que a população consiga se ver plenamente atendida, ou pelo menos atendida minimamente.

O fato de haver abundância de graduados em uma área não se traduz, necessariamente, em acesso da população aos serviços que potencialmente seriam prestados pela massa humana formada pelas universidades brasileiras. Está aí o caso dos médicos. 15.000 formados por ano não são pouca coisa, mesmo para um país com o porte do Brasil. E, mesmo assim, a população não consegue acessar seus serviços. Eis, também, o caso dos advogados, que não cabem no mercado, que anda abarrotado. No entanto, a vida de quem, em sendo carente, precisa de um advogado não anda fácil. Uma ida a um fórum, sobretudo na justiça estadual, comprova o que falo. A procura por um advogado empreendida diariamente pela população carente é uma verdadeira via crucis. Situação que em nada é aplacada pela abundância de faculdades de direito disponíveis em qualquer capital brasileira.

3- Qual seria o salário ideal para um médico em uma carreira de estado eventualmente criada pelo governo federal? Notas sobre o caso dos professores

Qual seria, afinal de contas o salário ideal para um servidor público? R$ 20.000,00 seriam um salário excessivo, em termos iniciais, em caso da adoção pelo governo de uma futura carreira de Médico Federal. Sou da opinião de que um salário inicial de R$ 20.000,00 para um juiz é um exagero, principalmente quando levamos em conta que já é praticamente o teto do funcionalismo público. Torna-se ainda mais exacerbado o salário quando levamos em conta que, por vezes, os juízes sequer trabalham de forma minimamente adequada, já que alguns atendem à população de forma morosa e de modo até mesmo descortês, em casos mais extremados.

R$ 20.000,00, contudo, seriam um bom salário final, após 30, 35 anos de carreira, provado o mérito e o duo eficiência/eficácia, aliados à constante reciclagem acadêmico-profissional. Tanto para médicos como para juízes. Até mesmo o teto do funcionalismo público, o vencimento de um ministro do STF, não seria um exagero para um juiz ou médico que executassem de forma acima da média o seu serviço, desde que tal competência fosse verdadeiramente avaliada, não sendo o salário mera decorrência da voragem do tempo - como o é no engessado serviço público atual.

Ademais, o controle real da jornada de trabalho, pelo método que seja, desde que efetivo, é um imperativo. Seria inadmissível que um Médico Federal forjasse pontos eletrônicos ou mesmo controle biométrico, sendo tal conduta punida de modo draconiano, mediante o necessário processo administrativo, nos termos da lei que inclusive já existe. Afinal de contas, pagar o dinheiro que seja e não exigir nem a frequência do trabalhador não tem qualquer justificativa. Pagar R$ 1,00 que seja para quem não irá fazer nada é não só um desperdício, mas um verdadeiro crime, posto estarmos falando de dinheiro do erário.

Situações que levam à premiação de juízes ineficientes com aposentadoria COM vencimentos, de maneira nenhuma seriam transplantadas para a eventual carreira a ser criada, a de Médico Federal.

Alguns apontam o piso salarial do magistério para dizer que qualquer coisa acima disso seria excelente, dado o fato de os professores, quando muito, disporem de salário mínimo para a categoria absolutamente vergonhoso. Vergonhoso sobretudo para aqueles que trabalham bem. Mas o piso dos profissionais da educação se constitui de lucro total para os muitos encostados e/ou não sérios que existem por aí - a educação pública também conta, sim, senhores, com professores que forjam controles de jornada, alegando presença em aulas às quais não foram, sabe-se lá o porquê. Qual seria o salário ideal para um professor? Talvez o piso fosse uma situação inicial aceitável, desde que a carreira tivesse um plano de cargos que reconhecesse o mérito daqueles que situam acima da média. Vale aqui o que falei acima: mesmo o teto do funcionalismo não seria muito para um professor brilhante, bem avaliado, assíduo, qualificado, reciclado e de eficiência comprovada, via avaliação do aprendizado dos alunos. Seria descabido imaginar que um profissional com o patamar de um Paulo Freire recebesse uma remuneração tão boa quanto um ministro do STF? Penso que não.

O problema para médicos, juízes e professores terem simplesmente um salário bom e ponto final é o seguinte: premia-se a desídia. Os maus profissionais ficam em situação semelhante à dos bons. É assim que ocorre hoje na magistratura, em que os bons juízes ganham tão bem quanto os ridículos, e é assim no magistério, onde os ótimos professores, por mais brilhantes que sejam, ganham mal do mesmo modo que os que estão abaixo da crítica - que não são poucos, dada a NÃO atratividade com que um piso salarial vergonhoso de R$ 1.400,00 apresenta-se aos olhos da juventude melhor qualificada. Chegar para todos os professores, indistintamente, e dizer "Agora os salários de TODOS os senhores será de R$ 10.000,00" seria um extremo desperdício, da mesma ordem daquele verificado quando se chega para o postulante à vaga de juiz e se diz "Seu salário será de R$ 20.000,00, seja você um ótimo ou um péssimo magistrado". Agora avaliá-los e oferecer promoções para os meritosos, que alavancariam os salariais iniciais - que não seriam de R$ 20.000,00 ou coisa similar -, seria verdadeira medida de higidez administrativa. Nessa ordem de ideias, bem que o teto do funcionalismo público poderia, de fato, e não apenas no papel, ser um horizonte a ser vislumbrado por um professor brilhante, por um médico exemplar e por um juiz competentíssimo.

Todo o sistema de remuneração de todo o serviço público deveria ser revisto, isso sim. Essa é a grande verdade, que salta aos olhos. Dever-se-ia premiar os bons e punir exemplarmente o desidioso. De nada vale a motivação positiva sem a sua evidente contrapartida, a motivação negativa. Sendo mais claro: os incompetentes deveriam, sim, conhecer o olho da rua, tal qual ocorre com um servidor privado, desde que, claro, passassem pelo devido processo administrativo legalmente instituído. Aposentar um juiz desidioso com aposentadoria COM vencimentos é um escárnio, não há quem consiga me convencer do contrário. E não penso que passar esse tipo de vício para qualquer carreira que seja do serviço público represente qualquer forma de avanço. Muito pelo contrário. Seria a concretização contemporânea mais fielmente acabada do ruim e velho patrimonialismo nosso de cada dia.

A carreira de médico é, sim, um caso a ser pensado. Mas só terá como alcançar os nobres intentos que alegam ter os seus defensores se for antecedida pela revisão do critério atual de remuneração de todo o serviço público. Simplesmente replicar o modelo da magistratura para a medicina redundará na repetição das distorções da magistratura na medicina - perdoem-me pela redundância. Médicos aposentados COM vencimentos por conta de sua inoperância crônica ou "Lalaus de branco" estão em tal repertório macabro.

 

"Quem não se comunica se trumbica"

 
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Sugestão

Ta na hora de termos o +Jornalista e  +Comentarista, para trazer gente de Cuba para escrever as notícias e comentar . É a chance de haver algo que preste,

 
 
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Affon

Alckmin quer um programa "Mais Professores". Ele deixaria de pagar qualquer salário, transferindo todo o ônus para o governo federal. E poderia se concentrar em convênios com a Siemens, Alstom etc.

 

Affon

 
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silvio souza

No próximo dia 05 de outubro completo 25 anos na rede estadual de ensino do estado de São Paulo. Recebo, com todas as "vantagens da carreira", por 28 aulas semanais, sendo 16 no período noturno, 2.150,00.

 

 
 
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Doug_SP

Fisica, matematica, quimica, biologia são iguais em todo lugar. Vamos chamar professores cubanos, inclusive podemos instaituir tambem o espanhol como matéria regular no curriculo do ensino médio.

 
 
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Porém

Fisica, matematica, quimica, biologia são iguais em todo lugar. Vamos chamar professores cubanos, inclusive podemos instaituir tambem o espanhol como matéria regular no curriculo do ensino médio] Isso é verdade e espanhol, a lá caribenho,  já é oficialmente a segunda língua obrigatóira  nas escolas,  decreto de Haddad, coisa  de quem avista solução de longe.  portanto, acrescido que os cubanos são um dos  melhores profesores do mundo, não é só uma boa saída, é a única que o Brasil tem. Se quiser algum dia ser alguma coisa que preste, pois de ficar dependendo da turma de professores daqui, perdem até para professores da Etiópia, estaremso fffffffffuuuuuffffuuuuuu

 
 
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Anarquista Lúcida

É o cúmulo responsabilizar os professores, explorados como sao, pela situaçao do ensino. Se liga, mané. 

 
 
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Ledour

A noticia do R7 fica manca se nao fizer o mesmo levantamento nos outros estados para efeito de comparacao, ..... ou foi dado a largada para o eleicao paulista e a CAMPANHA ja' comecou.....

 
 
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New7ton

 Ué, mais sum paulo num é a suiça brasileira, governada por administradores competentes?

 
 
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Marcos Carvalho Campos

Uai ? Mas SP não é locomotiva da república ? Não são os melhores do país serviços públicos do país, o melhor em tudo ?

É capaz de achar regiões e cidades do nordeste com educação melhor que SP ...

 
 
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agincourt

Certamente, esse não é um problema apenas paulista.

Com Padilha vai ser diferente?

...

En passant...

Em 27 do mês passado, um prédio em construção desabou na cidade de São Paulo, matando 10 pessoas.

Em 28 do mês passado, houve um apagão no Nordeste.

Quem procurou postagens sobre os dois eventos neste “blog jornalístico” frustrou-se.

...

“O episódio mostra, em todo caso, a dificuldade, hoje em dia, de se dispor de informações objetivas. Na Internet, há um caos informacional; nos jornais, uma sobreposição diária das intenções políticas sobre a objetividade das matérias.” http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-boatos-sobre-o-apagao-de-energia

No lugar do Caos, o Nada.

Tanto na multiplicidade de informações quanto na ausência de informações, que cada um conclua por si.

 

São as parcialidades capileanas...

 
 
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Affon

"Neste blog jornalístico" admite-se que você coloque a notícia que quiser. Ninguém grita: "tucano canalha às 14:24!". E ninguém censura a notícia que você colocar.

 

Affon

 
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agincourt

"tucano canalha às 14:24!"

Apesar de não ser tucano, fico mais tranquilo com tua observação.

 

Imagina só alguém indigitar: “Anencéfalo às 15:47”...

 
 
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Porém

Cuba tem materialmente uma das piores condições, mas consegue uma das melhores educação do mundo, pois forma professor que quer ensinar, faz questão de fazer isso só pelo bem da humanidade e onde for necessário,  e não apenas ficar rico

 
 
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Dôdi Bianchi

Prezado Porém,

Ficar rico com salário de professor??!! Brincadeirinha, não é?

Valorização do professor, com salário digno, educação continuada, reformulação em nosso sistema educacional e uma participação maior na educação dos filhos pelos pais, são medidas e ações que juntas melhoram a atual situação.

 

"Para todo fim, um recomeço."

 
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Vai doendo

Eu tenho milhares de casos de docente de pública ganhando fábulas, esses são os mais tolos.


 


 


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O salário pago à cúpula da Ufopa

Qual o salário que o MEC (Ministério da Educação) paga à cúpula da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará)?


O blog revela, com base em informações no Portal da Transparência.


Os valores correspondem o salário bruto, sem as deduções obrigatórias, referente ao mês de maio deste ano.


- Seixas Lourenço (Reitor – foto): R$ 30.091,75


- Clodoaldo Santos (Vice-reitor): R$ 13.869,49


- Bernardino Ribeiro (Procurador): R$ 27.473,08


- Arlete Moraes (Pró-reitora de Administração): R$ 10.510,58


- Cláudio Scliar (Pró-reitor da Comunidade, Cultura e Extensão): R$ 23.469,71


- José Aquino (Pró-reitor de Ensino de Graduação): R$ 13.461,62


- Aldo Queiroz (Pró-reitor de Planejamento Institucional): R$ 24.665,21


- Marcos Ximenes (Pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação Tecnológica): R$ 30.643,48


 


http://www.jesocarneiro.com.br/educacao-e-cultura/o-salario-pago-a-cupula-da-ufopa.html


 

 
 
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Dôdi Bianchi

Impressionante!

Você tem milhares de caso em que docentes ganham fábulas mas não conseguiu citar um docente em exercício... Ou será que você anda lendo muito fábulas e tem uma mente muito criativa? Assim você vai longe, que a força Jade esteja contigo!

 

"Para todo fim, um recomeço."

 
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Assim não

Se for procurar vai achar os mesmos  indo para os estados  governados por petista e aliados. Mas de qualqeur forma, é urgente fazer o + Professor

 
 
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AlvaroTadeu

Vários professores e professoras são ameaçados diariamente, têm seus carros vandalizados, pneus esvaziados e tudo isso é lucro. Prejuízo quando levam tiros ou surras homéricas, como aquela professora que foi hospitalizada, agredida por um aluno de apenas 14 anos. Não se enganem, estamos em situação de absoluta emergência. Separar primeiro o joio do trigo. Os professores escolheriam os piores alunos (do ponto de vista comportamental) e esses seriam transferidos para escolas especiais, onde vigorasse a lei do cão e houvesse 1 segurança para 100 alunos. Ao menor deslize, as tais "Casas" do Alckmin. Os alunos que sobrassem nas escolas comuns, aqueles que realmente querem aprender para melhorar de vida, professores bem-remunerados, respeitados e motivados. Depois de 5 anos com a Lei do Cão, as escolas voltariam ao que eram antes, templos do saber.

 
 
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Cubano resolve

Vários professores e professoras são ameaçados diariamente, têm seus carros vandalizados, pneus esvaziados e tudo isso é lucro] Todo docente cubano, assim como todos, tem treinamento militar e sabe usar qualquer arma moderna. Nesse caso, bastava trazer esses e autorizar  usar a arma que fosse.

 
 
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Alberto Lakatos

Leciono na rede estadual de Sp. Nesse semestre, desejo aplicar um simulado do ENEM aos meus alunos do terceiro ano do ensino médio. Para realizar a tarefa, terei de pagar todo o custo da atividade. Nem penso em pedir verba à direção da UE em que trabalho. Em outro momento, solicitei quatro reais para pagar cópias de uma atividade e tive um não como resposta. Se solicitar uma contribuição aos meus alunos, corro o risco de ser punido por algum supervisor que fugiu da sala de aula e resolveu ficar ao lado dessa estrutura podre. A impressora que poderia usar, não tem tinta. Quero trabalhar. Quero que meus alunos vençam na vida. Desejo um país melhor. Para isso, tenho de reservar uma parte do meu baixo rendimento para que possa dar a eles aquilo que o Governo nega. E ainda, sou obrigado a ler ou ouvir, que o Governo está melhorando a educação. Se é verdade, porque de tempos em tempos ele lança programas que prometem o paraíso? Nos meus 26 anos de magistério, cansei de ver programas educacionais que no papel eram maravilhosos e todos tiveram o mesmo destino: fracasso.

Para quem deseja ser professor digo: a carreira é maravilhosa. Porém, quem está acima de nós - inclusive financeiramente, já que são mais valorizados do que o profissional que está em sala de aula - faz com que seus sonhos, sua vontade de mudar se transforme num pesadelo. Professores, pais e alunos são vítimas. Não chegamos ao fundo do poço porque todos os dias há milhares de profissionais entram nas salas de aula desejando fazer a diferença na vida de muitos jovens. 

 
 

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