Histórias da Ditadura

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No fora de pauta “vespera de um fim de semana prolongado” deixei um comentario. Abria um parentesis do depoimento q dei ao Governo Canadense no pedido de refugio. Contei um pouco da minha adolescencia antes a Ditadura.

Hoje retomo com os dois fatos que marcaram minha vida definitivamente, em Abril de 1964, na nova capital federal;

a subita morte de meu pai, 45 anos: obito: hemorragia cerebral; causa: acidente automobilista; local: L-2 Sul, Brasilia-Df

 

A Ditadura. Enterro de sonhos no ano que nunca acabou.

Realidade q pode parecer muito distante para muitos brasileiros com menos de 45 anos.

Nao para aqueles que vivenciaram de perto a construcao de um sonho, q nao era somente de Dom Bosco. Parece q foi ontem.

Para mim, adolescente, 15anos, fiho de um funcionario da presidencia do Joao Goulart aquele ano é hoje.

Talvez a morte de meu pai nem tenha tido uma relacao direta (causa-efeito) com o Golpe Militar, mas a instalacao do sentimento de perdas foi comum. Reciproco até.
O rompimento da relacao afetiva famliar somada a descaracterizacao daquela cidade futurista, com suas belas e suaves linhas arquitetonicas de um horizonte enormente otimista, constuida nas alturas do cerrado, a ocupacao dos espacos livres por carros e aviacao de combates,transformaram Brasilia num labirinto com uma unica saida e entrada ao norte e sul da cidade, controlada por bestas vestidas com uniformes verde-oliva.

Sao imagens indeletaveis.

O pesadelo: familia reduzida numa mae (42 anos) com 6 filhos nos bracos (17,16,15,14,13, 12 anos), desalojados do apto. que ocupavamos no Plano Piloto, quebra dos lacos de amizades (muitos amigos da familia abandonaram brasilia). Fomos bater na porta da Igreja Catolica, paroquia do Sagrado Coracao de Jesus.

O abrigo nos concedido pelo padre Edward Van de Walle nao durou muito. Jovem, formado na nova igreja holandeza, foi preso em plena missa dominical ao terminar o sermao dedicado aos trabalhadores no 1 de maio, contra os militares. Foi expulso do pais.

E agora José ? Voltar pro Nordeste, de onde viemos? Impossivel.

A pensao recebida pela mae nao dava pra sustentar toda a familia. Fui trabalhar com 16 anos( escritorio de advogacia de José Carlos Baleeiro) durante o dia, a noite estudava, alimentando o sonho de um dia ser universitario.

Com 20 anos, estudando para o vestibular a Unb foi invadida pelos milicos, reitor e professores presos, amigos presos, torturados no PIC (policia do exercito), indo pro exilio.

Fim da inocencia, perda do gosto pela vida academica.

Casei, me separando 2 anos depois e partindo para o mundo.

Primeira escala:

Aldeia dos Indios Gavioes, Amazonia, margem direita do RioTocantins, 1973.

(continuo no proximo fora de pauta, se me permitem)

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