As teles privadas no PNBL

Da Folha

Banda larga deve ficar com teles privadas

Futuro ministro das Comunicações propõe partilha do Plano Nacional de Banda Larga entre operadoras e Telebrás

Governo recua de monopólio estatal, mas exigirá preços razoáveis e serviços de qualidade a regiões desconectadas 

VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA
JULIO WIZIACK
DE SÃO PAULO 

O futuro ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse àFolha que o governo vai propor às teles a divisão do comando do PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) com a Telebrás.

Para isso, impõe condições: as operadoras terão de apresentar uma proposta com preço "razoável" e serviço de "boa qualidade".

Em sua opinião, hoje acontece exatamente o contrário: "Os preços não são nada razoáveis e o serviço é pouco razoável, a banda larga deles é "estreitinha'".

OminO ministro admite que as teles poderão ficar com a maior parte do serviço de banda larga no país, mas têm de mudar de posição.

"O setor privado deveria prover a universalização da banda larga, mas não o fez. Por isso é que ressuscitamos a Telebrás. Agora, se as teles fizerem uma boa proposta, que atenda os consumidores, o problema está resolvido."

Ontem, Paulo Bernardo tratou do assunto com a presidente eleita, Dilma Rousseff. Segundo ele, caso as teles apresentem uma proposta convincente, a ideia é manter a Telebrás operando em parceria com o setor.

Há duas semanas, o ministro se reuniu com os principais executivos das operadoras, que se comprometeram a retirar ações questionando a forma de atuação da Telebrás e a estudar uma forma de aumentar sua participação no plano federal para a internet.

CONTRATOS OFICIAIS
O PNBL prevê a cobertura de 68% dos domicílios do país com internet até 2014. O pacote mais básico seria oferecido a R$ 15 por uma velocidade de conexão de até 512 Kbps (kilobits por segundo). Outro, com velocidade de conexão entre 512 Kbps e 784 Kbps, custaria até R$ 35.

No passado, a Oi chegou a pedir R$ 37 bilhões em benefícios para arcar com os custos necessários para levar esse tipo de oferta a municípios sem potencial comercial.

Esse foi o motivo que levou o governo Lula a ressuscitar a Telebrás e entregar à estatal o comando do PNBL. Nos três primeiros anos, seriam destinados R$ 3,2 bilhões em investimentos para reativar a rede da estatal. Outros R$ 5,7 bilhões seriam gastos nos cinco anos seguintes.

As operadoras temiam também perder os contratos de prestação de serviços de comunicação com os órgãos públicos.A Folhar evelou que as perdas chegariam a R$ 20 bilhões por ano.

A falta de clareza nas condições em que a Telebrás atuaria no mercado levou o SindiTelebrasil, sindicato que reúne as operadoras, a mover uma ação na Justiça para evitar que a estatal tivesse exclusividade na prestação de serviços ao setor público federal.

Paulo Bernardo afirmou que a Telebrás "não terá exclusividade" nesse serviço e que haverá licitação.

O pedido de autorização da Telebrás para operar como fornecedora em banda larga foi suspenso pela Anatel na quinta passada.

A negociação será retomada no início do ano, logo após a posse da presidente Dilma Rousseff.

Outra negociação foi a das novas metas de universalização que serão impostas às teles. Para adiar essa negociação, as teles tiveram de retirar outra ação da Justiça (essa contra o plano de metas).

As conversas serão retomadas em maio e o governo poderá subsidiar boa parte dos custos para que as teles instalem novas centrais de dados em municípios menos populosos. 

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24 comentários
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Edmilson Fidelis

Quero ver o blog do Nassif rodando a 512 kbps! :-)

Aliás, algum site ainda funciona a 512 Kbps?

O ilustre ministro diz que a banda é estreitinha  e cara, entretanto oferece às teles uma tarifa bem mais generosa que a que praticam atualmente para uma banda bem mais estreitinha.

O tempo passa e continuamos com governantes que não sabem a minima sobre o que e quem governam.

Esta noticia parece mais falta de assunto no fim de ano.

Não bate nada com a realidade!

 

 

 

A única coisa que os senhores de bom grado dão aos escravos é a esperança. (Albert Camus)

 
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Mas que grande merda.

Quem ganhou a eleição foi o serra?

Uma gigante como a Luiza Erundina é quem deveria assumir o Ministério das Comunicações.

E não um entreguista do extrato neoliberal do PT.

 
 
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maria utt

e que manchete da folha é essa?

 
 
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Augusto Soares

As teles privadas tiveram tempo suficiente para implantar uma banda larga de verdade, a preço justo e não fizeram, por que fariam agora ? Fazendo agora, de súbito, por receio da concorrência estatal, não seria o caso de serem condenadas por prestação de serviço propositalmente ineficiente ?

Telebras enxuta e bem administrada agora. Sem a sombra do Estado, essa turma das teles está rindo da cara de todo mundo desde o século passado. E faturando uma barbaridade.

 
 
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ejedelmal

Não pode recuar não. É o que eles querem.

São mais de 10 anos de completo atraso pagando-se uma fortuna. Se o governo não fincar o pé eles voltam a estagnar em menos de um ano.

E não adianta ir na defesa do consumidor. Eles baixam a horda de advogados assoberbados cheios de influências que eles escondem em mansões em Miami.

 
 
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Marco Cardoso

"O PNBL prevê a cobertura de 68% dos domicílios do país com internet até 2014. O pacote mais básico seria oferecido a R$ 15 por uma velocidade de conexão de até 512 Kbps (kilobits por segundo). Outro, com velocidade de conexão entre 512 Kbps e 784 Kbps, custaria até R$ 35."

Se for isso mesmo é muito fraco. Hoje as empresas fornecem pacotes banda larga 4 a 5Mbps por cerca de R$50-R$60. Pacotes de 1Mbps ou menos só as empresas "causa perdida" como a Oi ainda fornecem onde não querem investir. Imagina em 2014 como será.

Desse jeito, o PNBL é natimorto pois até lá as empresas já conseguirão servir melhores pacotes com menor preço. Tem que colocar uma proposta mais agressiva aí. Pelo menos uma coisa progressiva na velocidade sem alterar o preço. Desse jeito vai ficar do jeito que as teles querem.

Ainda poderia servir pra alcançar os lugares muito distantes, mas com cobertura de 68% vocês acham que vai chegar lá? Vai ficar só nos grandes centros mesmo.

 
 
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Mary A.S.

Eu não espero mais do mesmo. Das teles nós já conhecemos o serviço: péssimo e caro, se comparado com outros países.

 

O que falta para o Brasil ter uma banda larga boa de verdade e com preço acessível? Mais  investimentos,  mais tecnologia, mais fiscalização ou vergonha na cara das operadoras?

 

Eu tinha esperança de uma massificação da banda larga no país feita pelo governo, mas se entregarem para os de sempre, fica difícil de acreditar que possa acontecer, porque só estão interessados no lucro imediato e o consumidor que se conforme, porque nem tem com quem reclamar e nem contar.

 

 

...Indo e vindo...Caminhando e cantando...

 
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antonio francisco

Para ceder a elas, quanto terá cu$tado? 

 
 
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edisilva

Espero que não seja verdade. Estas empresas não querem e não vão desenvolver este projeto. E se o fizerem, será de baixa qualidade e custo alto.

 
 
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meiradarocha

Era só o que faltava! Dar a banda para as teles!

Só para elas obrigarem os coonsumidoress a pagarem mais 15 ou 20 reais por um provedor de acesso completamente desnecessário, mentindo que a Anatel obriga... Com a devida cumplicidade da grande imprensa (portais UOL, Globo etc...)

 
 
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Frederico69

Meira,

Não querendo te desiludir, esse fato é verdade. é a legislação que obriga a separar o serviço de comunicação de dados (adsl) e o provedor de acesso (internet). Concordo com você que isto é desnecessário, mas hoje é assim mesmo.

e o que as teles querem é dinheiro do governo para expandir as suas redes de comunicação de dados, ou seja, mesmo sabendo que existe um mercado em aberto para ser conquistado, eles não querem tirar dinheiro do bolso. como essa rede de comunicação não faz parte do serviço de telefonia, quando a concessão da telefonia se encerrar, eles mantém a rede de comunicação de dados, não precisam devolve-la ao governo. e já que estamos migrando todos os serviços para a internet, eles continuarão donos do negócio por muito tempo, e usando dinheiro do governo para investir.

 

 
 
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fabio padilha

R$ 35,00 por miseros  784 Kbps isso eh servico razoavel, preco de boa qualidade ...

Soh tivermos como parametro o Haiti..!

 
 
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Juninho

Quando se iniciou a reativação da Telebras, houve muitas críticas na imprensa sobre esse fato, mas para melhorar o serviço de banda larga no país, principalmente nas pequenas cidades, acredito que não tem outra solução senão o envolvimento do poder público. Posso citar, como exemplo minha cidade, que tem o serviço de banda larga fornecido por uma grande operadora que cobra R$49,90 por 150 kbps e em Belo Horizonte por este mesmo preço a mesma operadora e outras oferecem  1 Mbps, certa vez ao questionar sobre esta promoção me disseram que a promoção era apenas para região metropolinata, ou seja onde tem concorrência

 
 
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O Baiano

Não é possível que o dinheiro público seja mais uma vez praticamente doado, via subsídios, às empresas privadas! A receita atual das teles é de quase 200 bilhões por ano para fornecer um serviço de péssima qualidade, sem nenhuma cobrança das agências reguladoras. Essa conversa de que pagar R$ 35,00 por uma velocidade máxima entre 500 e 750 kbs é razoável é uma grande idiotice ou, muita esperteza! Esse preço é um roubo pois, como não existe fiscalização e punição, a velocidade real fornecida alcança no máximo 10% daquela que pagamos! Por que não estipular que paguemos proporcionalmente à volocidade real fornecida? Ninguém deve pagar por 10 laranjas o preço de um cento! E agora o governo resolve abrir mão de zelar pelo interesse dos usuários e se envolve nas enganosas e trapaceiras planilhas de custo das teles, que se comportam de maneira diferente em seus países de origem. Precisamos de um negociador com coragem e conhecimento, que faça valer o direito dos brasileiros de ter banda larga de 100 megas, como no Japão, ao preço que pagamos por míseros Kbites!

 
 
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Roberto da Silva

La vem a ladainha que so baixando impostos o preço vai cair. Essas teles pensam que a gente é idiota.

A verdade é que elas não querem massificar a banda larga (voz, dados e imagens) porque isso rpresenta o fim da telefonia fixa e seu negocio mais lufcrativo.

Vão contar outra lorota que essa nao pega. Apoio a criação da telebras e se as teles não quiserem entrar sinceramente no PNBL que o governo o faço porque trata-se de política de Estado importantissimo a qaulquer país ´serio.

 
 
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byllie

"La vem a ladainha que so baixando impostos o preço vai cair. Essas teles pensam que a gente é idiota."

Inclua na lista dos "pensadores" de que somos idiotas os políticos e a burocracia pública. A carga tributária sobre telecomunicações vai de 40% a 63%, conforme a tributação do ICMS, sobre os valores da fatura.

Considerar que imposto nestes níveis é resíduo do custo é também "idiotice".

Também achar que por ser público o serviço custa menos é ignorar o que significa custo e margem de lucro. Mesmo estatal um serviço precisa ter alguma margem que financie a resposição do investimento. Quem paga? Nós!

Fossemos uma democracia completa e tais custos sociais seriam aferidos. Faz-se isso na Australia, nos países nórdicos. Aqui, no entanto, nem sabemos quanto há de tributos embutidos nos preços e tarifas do que consumimos. E isso apesar de haver um artigo na Constituição explicitando a transparência dos tributos em todas as notas fiscais e anúncios de produtos.

O artigo constitucional pede uma lei que o regule, o que foi feito por meio de projeto do senador Renan Calheiros votado e aprovado no Senado. Há três anos dormita na Câmara, depois de ser aprovado por todas as comissões. Falta ir a voto no plenário, mas a presidencia da Mesa o engavetou.

Depois que essa exigência constitucional for aprovada, então, fale quem quiser de estatização. Antes, não. É jogo viciado. Ah! Antes que alguém pense errado, as lideranças do PT apoiam esse projeto. E poucas, muitas poucas, endossaram a volta da Telebras com funções operacionais. Vá conferir e depois nos conta.

Abs.

 

 
 
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macedo

Mapa com a penetração de Banda Larga no Brasil, por município com dados da Anatel de 2008.

Legenda: número de acessos de Banda Larga por 1000 habitantes

Re: As teles privadas no PNBL
 
 
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Bernardo

Nem começou, o novo governo já começa a capitular...

 
 
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Exatamente.

Início péssimo deste Paulo Bernardo. Foi um fraco como ministro do planejamento - um mero cupincha de malocci/meirelles - e começa o governo Dilma arriando as calças.

 
 
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Vladimir

   Empresa privada não entra em negócio que não dá lucro e ponto. O governo deverá ser o indutor da banda larga nas localidades onde não for possível a obtenção do lucro.Esta indução poderá ser feita através de redução de impostos,ou através da implantação da banda larga através da Telbrás e depois,se for conveniente,vendê-la para a iniciativa privada.

   O que não pode ocorrer,de forma alguma,é começar a discussão novamente do zero.O país está atrasada na universalização da banda larga e não pode incorrer neste erro.Se as poderosas Teles quiserem participar,que o façam agora.Se não quiserem,que saiam do caminho e deixem o governo trabalhar.

 
 
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Calvin

 

Ufa, um pouco menos de estatismo prá variar!

Esse negócio de indução é prá corrente elétrica. O que é isso, estado elétrico?

A maior indução que pode existir para alguma coisa no setor privado, vc bem falou, é essa coisa ser viável financeiramente. Só o Estado brasileiro pode se dar ao luxo de investir em possíveis elefantes brancos porque administra dinheiro que não é dele.

 
 
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Acesso a banda larga não é simplesmente business. É direito fundamental.

Elefante branco é o que foi instalado pela mídia-corporativa no lugar de seu cérebro. 

 
 
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Calvin

 

 

Tsc, tsc....Essa tara contra a imprensa não chapa branca turva até discussão de dominó por aqui.

 
 
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vladcamp

As teles privadas, super eficientes tiveram mais de uma década para expandir os serviços e só cobriram com internet banda larga somente as áreas mais ricas. Vá tentar uma conexão de internet nos cantões do país.

 

Nem precisa ir muito longe. Moro em Campinas, e o acesso à internet aqui no meu bairro só ficou razoável há pouco tempo.

 

O governo tem mais é que botar a Telebras para atuar. E se o setor privado for melhor, que faça melhor. Não tem nada impedindo.

 
 

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