A nova Câmara dos Deputados

Por Gilberto Marotta

O blog de Fernando Rodrigues destaca a enorme baixa sofrida pela oposição desde o início do governo Lula até agora. Não gosto muito das opiniões do Fernando, mas é reconhecidamente um dos jornalistas que melhor acompanha o Congresso Nacional. Na minha humilde opinião, a mudança de perfil do Congresso foi positiva: a esquerda cresceu, o PMDB e, sobretudo, os partidos de oposição, perderam espaço. O dado negativo é que, para a legislatura atual, os partidos de aluguel cresceram. Segue o artigo:

Do Blog do Fernando Rodrigues

07h11 - 01/02/2011

De Lula a Dilma, oposição encolheu mais de 50%

na Câmara, opositores estão 57% menores; no Senado, 64%

único opositor que cresceu é o PSOL, fundado após início da era Lula=

PMDB também perdeu peso na Câmara e, no Senado, está inerte há 3 eleições

Desde que o PT e Lula chegaram ao poder, em 2003, a oposição ficou 57% menor, na Câmara, e 64% menor, no Senado. Enquanto isso, a base de sustentação do governo petista aumentou 47%, na Câmara, e 100%, no Senado.

Em 2003, quando começou a era Lula, a oposição era maior que a base de apoio do governo tanto na Câmara quanto no Senado, indica  levantamento feito pelo Blog com dados do Congresso sobre as bancadas na posse, informa o repórter do UOL Fábio Brandt. Na época, havia 259 deputados de oposição e 254 governistas; 50 senadores de oposição e 31 governistas.

Quando Lula assumiu o 2º mandato, em 2007, os governistas já eram maioria:  tinham 353 deputados (contra 160 de oposição) e 49 senadores (contra 32 de oposição).

Hoje (1º.fev.2011), toma posse o novo Congresso, no início do 3º governo petista, com Dilma. São 373 deputados governistas (contra 111 de oposição) e 62 senadores governistas (contra 18 de oposição).

Os quadros abaixo mostram a variação da base de sustentação do governo petista desde que Lula chegou ao poder:


A base do governo Dilma tem 11 dos 22 partidos representados no Congresso: PT, PMDB, PR, PSB, PDT, PSC, PC do B, PRB, PTC, PP e PTB. Desses, PP e PTB só se aliaram à petista depois da eleição.

O PTB é uma espécie de partido símbolo da falta de ideologia: era oficialmente da coligação com a qual José Serra (PSDB) perdeu a eleição. Passado algum tempo, embarcou na canoa de Dilma.

Dos dez partidos da coligação de Dilma, somente o PTN não elegeu congressistas.

Os outros 11 partidos com congressistas se dividem em 2 grupos: os que fazem oposição ao governo do PT e os “ambíguos” (aqueles que podem assumir atitudes diferentes, a depender da situação). Na oposição estão PSDB, DEM, PSOL e PPS. Os ambíguos são: PV, PMN, PT do B, PRTB, PRP, PHS e PSL.

 O levantamento do Blog mostra também como evoluíram as bancadas dos partidos na Câmara e no Senado desde 1995. 

Enquanto o PT aumentou e estabilizou suas bancadas, a oposição entrou em franca decadência. O DEM chegou a ter a maior bancada de deputados em 1999, com 105 representantes, e agora só tem 43. No Senado, despencou de 20 representantes, em 1999, para 5 agora, 2011.

O PSDB continua como principal partido da oposição, mas também foi diminuído: de 1999 a 2011, caiu de 15 para 10 senadores; e de 99 para 53 deputados federais.

O PPS, outro partido adversário do governo petista, teve crescimento significativo de 1999 para 2003, passando de 3 a 21 deputados e de 1 a 3 senadores. Depois disso, só decresceu, como mostram os quadros abaixo.


Os quadros também indicam que o PSOL, do presidenciável derrotado Plínio de Arruda Sampaio, é o único partido de oposição que cresceu (mas muito pouco). Fundado em 2004 por dissidentes do PT, o partido mantém, há 2 eleições, 3 deputados. No Senado, dobrou sua representação: de 1 para 2 senadores.

O PMDB, que ainda é o maior partido do país, também tem enfrentado uma perda de importância no Congresso.

Chegou a ter 29 dos 81 senadores em 1999, quando era base do governo FHC. Em 2003 ficou com 20 senadores, entrou para a base do governo Lula e manteve 20 senadores em 2007 e em 2011. Na Câmara, a situação é pior: de 107 deputados em 1995, passou a 84 em 1999, depois a 70 em 2003, subiu para 90 em 2007 e, agora, voltou a cair para 78 em 2011.

http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2011-01-30_2011-02-05.html#2011_02-01_07_11_50-9961110-0

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