Empregabilidade e crise, uma análise

Por raquel_

Da Carta Capital

por Paulo Daniel

Crise Econômica: Empregar é a solução

Desde 2008, EUA enfrentam sérios problemas de desemprego e queda de renda, em cenário que se aproxima ao da Grande Depressão. Foto: Andrew Burton/AFP

Desde que eclodiu a crise econômica mundial em setembro de 2008, todos sabiam que sua violência social possuiria proporções monstruosas. Por exemplo, nos Estados Unidos houve redução de 6,6 milhões de empregos em comparação aos quatro anos anteriores.

Cerca de 23 milhões de norte-americanos que procuram empregos com jornada integral não estão conseguindo trabalho, portanto, há um aumento da parcialidade e precarização dos empregos. Quase metade dos desempregados estão nesta situação por um longo período e os salários estão caindo. A renda real de uma família típica norte-americana está agora abaixo do nível de 1997 e a situação do emprego é sombria.

O trauma que os EUA e o mundo desenvolvido vivenciam atualmente se assemelha à turbulência de 80 anos atrás, durante a Grande Depressão, provocada por um conjunto de circunstâncias análogas. Então, como agora, enfrenta-se um colapso do sistema bancário, em parte, consequência de problemas mais profundos.

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Mesmo que se responda corretamente ao trauma – as falhas do setor financeiro – poderá demorar uma década, ou mais, para haver uma recuperação completa. Talvez sob outra perspectiva, poderá suportar bem um longo declínio. Se a resposta for incorreta, como se tem observado, o tempo de recuperação será ainda maior e o paralelo com a Grande Depressão vai assumir uma dimensão trágica novamente.

A Grande Depressão foi a última vez na história norte-americana que o desemprego ultrapassou 8%. E nunca nos últimos 60 anos a produção econômica esteve tão mal.

Desse processo, pode-se compreender ao menos uma lição. Por exemplo, a economia não vai se recuperar por conta própria, pelo menos não em um período de tempo que importa para as pessoas comuns.

Somente a política monetária não contribuirá para eliminar essa confusão, algo completamente admitido por Ben Bernanke, mesmo que tardiamente. O Federal Reserve (FED), Banco Central norte-americano, teve um papel importante na criação das condições atuais, incentivando a bolha que levaram a insustentáveis níveis de consumo, mas agora há pouco por fazer para atenuar essas consequências. Compreende-se que seus membros podem sentir algum grau de culpa, mas quem acredita que a política monetária vai ressuscitar a economia, ficará completamente decepcionado, além de estar devaneando de forma perigosa.

Portanto, em vez disso, é necessário embarcar em um programa com investimento público maciço, como foi feito há 80 anos. A iniciativa tenderá a aumentar a produtividade dos EUA nos próximos anos e também elevará imediatamente o nível de emprego. Este aporte público, por consequência, com a recuperação do PIB, aumentará os retornos do investimento privado.

É interessante destacar que os investimentos públicos podem ser dirigidos para melhorar a qualidade de vida e a real produtividade, ao contrário dos investimentos do setor privado. Este realiza inúmeras aplicações nas inovações financeiras, sem a geração de emprego e com concentração de renda, o que não deixa de ser uma das armas financeiras de destruição em massa.

A aparência de “normalidade” deve ser superada, sendo preciso consertar o sistema financeiro. Como se observa, a implosão do setor e sua recuperação está se tornando um obstáculo para a recuperação a longo prazo. Ou seja, os bancos precisam evitar o perigo da especulação e se encaminhar para o chato negócio de emprestar.

No entanto, em vez disso, tem-se investido rios de dinheiro nos bancos, sem restrições, sem condições, e sem uma visão do tipo de sistema bancário que se quer e necessita. Nunca é tarde para lembrar que o sistema bancário, por pressuposto, deveria servir à sociedade e não o contrário.

A situação de empregabilidade nos países do Norte é tão desesperadora e terrível – é por meio da geração de empregos que a crise começará a ser controlada –, que para atenuar esse tipo de problema não seria bizarrice o Estado enterrar dinheiro em minas abandonadas e oferecer empregos para sua exploração em busca do “tesouro escondido”. Mas, na realidade, a ortodoxia econômica precisa efetivamente ser colocada de lado e criar uma nova consciência de economia para todos.

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3 comentários
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A. Carlos

É de pasmar a argumentação dita "liberal", tanto mais porque o pressuposto de livre fixação de preços pertence a um passado remoto.


Na década de 1970, quem estudou microeconomia nos livros de Mário Henrique Simonsen certamente curtiu  sua ironia com relação a esses axiomas imbecis e, mais ainda, como as aulas ficavam muito mais ricas e vivas, quando ele tratava da concorrência imperfeita.


Mário Henrique era um liberal, mas não um desinformado e, menos ainda, um deslumbrado com teorias caducas. Ele sabia - por dentro - como funcionava o mercado.


Quarenta anos depois, nos deparamos com quem acabou de ler a primeira edição de Marshall e não se deu conta que, em 1890, a livre formação de preços já havia ido para as cucuias!

 
 
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Mineirim

Nunca li tamanha bobagem!

Na verdade li, sim!

 
 
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aliancaliberal

Ao intervir na economia o estado destroi a informação mais importante em uma economia, o PREÇO.

É atraves deste que o empreendedor planeja sem a formação correta do "preço" a economia fica perdita sem saber o que e onde investir.

Os governos por anos tentam gerar padrões de preços por meio de formulas e teorias intervencionistas não obteram sucesso ate hoje.

A formação correta do "preço" e de vital importância pq determina a correta aplicação dos recursos por determinarem a sua escassez sem isso os recursos serão ou poderão serem usados onde não estão sendo necessários e recursos escassos usados incorretamente gera falências, desperdicio, etc, ou seja,  pobreza.

 

 

 

"Sou reacionário. Minha reação é contra tudo que não presta." Nelson Rodrigues.

 

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