Os ataques ao Bolsa Família

Coluna Econômica - 25/01/2009

"O Globo" tem movido uma campanha implacável contra o Bolsa Família - através de reportagens enviesadas e dos artigos de Ali Kamel e Merval Pereira. Chegaram a "acusar" o programa pelo fato de parte dos beneficiários ter adquirido geladeira e fogão. Segundo eles, o dinheiro deveria ser exclusivamente para comida. Como se geladeira e fogão servissem para assistir televisão.

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É curiosa essa posição de dois colunistas que se pretendem defensores do livre mercado mas cuja ideologia acaba tropeçando no preconceito puro e simples.

Nas grandes discussões sobre políticas sociais, nos anos 90, os verdadeiramente liberais - como Roberto Campos - defendiam políticas que permitissem aos beneficiários a livre escolha. No caso de escolas, uma das bandeiras era a concessão de bônus que o estudante poderia utilizar livremente, escolhendo a escola pública que lhe parecesse mais adequada.

No caso das transferências em dinheiro, a livre escolha do que adquirir.
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Nos últimos anos, a bandeira do liberalismo acabou empalmada por um direitismo renitente, preconceituoso e autoritário, sem nenhuma visão sobre a importância das políticas sociais, não apenas para aquilo que se propõe - atender os mais necessitados - como para todas as chamadas "externalidades positivas", os ganhos indiretos, igualmente relevantes.

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Vamos a um deles, a reativação do mercado interno. Há dois pontos que segura o consumo das classes média e de menor renda. Um, a instabilidade em relação aos ganhos correntes - especialmente se a pessoa vive de bicos. Outro, a insegurança em relação ao futuro.

Quando se cria uma rede de proteção social, resolvem-se os dois problemas e revitaliza-se a economia.

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Por exemplo, na quinta-feira foi anunciado que o governo chinês irá gastar US$ 123 bilhões na criação de um sista universal de saúde pública até 2011. Hoje em dia, o cidadão chinês tem que pagar pela consulta, pelos medicamentos, pela escola dos filhos. Além das tensões sociais, essa falta de apoio o leva a guardar grande parte de seus ganhos, inibindo a formação do mercado interno.

O mercado de consumo popular no país explodiu quando as classes D e E conseguiram alguma estabilidade nos seus ganhos, através da Bolsa Família e da Previdência Social.

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Mas esta é apenas uma parte da história. Esses ganhos permitem a manutenção do núcleo familiar, reduzem a criminalidade, reduzem as doenças, a mortalidade infantil e os gastos com saúde e criam espaço para o aumento da população economicamente ativa.

No ano passado, por exemplo, o Bolsa Família assinou um convênio com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), para identificar obras do PAC com maior demanda de mão de obra para pedreiros, eletricistas, azulejistas.

O primeiro piloto não deu certo, por ter sido lançado em um período de eleições municipais. Mas agora se partirá para a segunda etapa, com o objetivo de incluir 185 mil pessoas.

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Há mil alvos de bom tamanho, se se quiser atingir o governo Lula. Mas atacar o Bolsa Família e seus beneficiários é um ato anacrônico, desinformado, preconceituoso. E, acima de tudo, covarde em relação aos necessitados.

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