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Um forte crescimento econômico brasileiro nos próximos anos, comparado a patamares chineses, parece ser um movimento inexorável de acordo com especialistas. No entanto, o país precisa acertar algumas incongruências para que esse crescimento seja sustentado, é o que aponta levantamento realizado pela consultoria Macroplan, que avaliou alguns pilares da economia, como a educação.


Com base em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a falta de mão de obra qualificada no país é apontado como uma das evidências da baixa escolaridade da população brasileira, de acordo com o relatório. Em números, esse déficit na área de construção civil chega a 71 mil trabalhadores; no comércio, faltam 100 mil profissionais apenas nas Regiões Sul e Sudeste; e em Tecnologia da Informação, hoje a carência por profissionais chega a 100 mil, número que pode atingir 200 mil profissionais em 2013. Somente neste ano, cerca de seis milhões de trabalhadores com baixa qualificação não conseguiram postos de trabalho.


Dentre os pontos sugeridos pelo documento para melhorar o quadro atual, estão:


- Universalizar a educação infantil
- Fazer a 'revolução da qualidade' no ensino fundamental
- Reformular o currículo do ensino médio
- Multiplicar as oportunidades de acesso ao ensino profissional de nível médio e ao ensino superior
- Fortalecer a avaliação da qualidade do ensino público e privado
- Melhorar o desenvolvimento e o desempenho de professores
- Promover um 'choque de gestão' nas unidades escolares e nas redes de ensino público, - Mobilizar e facilitar a participação das empresas e organizações da sociedade civil na melhoria da qualidade do ensino
- Estimular e valorizar o desejo da sociedade por uma educação de alta qualidade.


O estudo traçou dois possíveis cenários para a educação brasileira, um baseado na manutenção da média histórica de avanço de escolaridade dos últimos 20 anos. Nesta hipótese, o país só alcançará o atual nível de escolaridade da OCDE em 2040, um hiato de 30 anos. O segundo cenário considera a universalização do ensino fundamental e fortalecimento das condições de ensino, se baseando na tendência observada no período de 2000 a 2007, onde é possível reduzir esse prazo para 20 anos. Hoje, o Brasil tem hoje uma escolaridade média de 7 anos de estudo, com uma defasagem de 5 a 7 anos em relação às dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Saiba mais em "Academia e mercado disputam talentos" e "Pós-graduação no Brasil:10 vezes abaixo do ideal"

Cenário atual


De acordo com o relatório, embora o acesso ao ensino fundamental esteja no patamar de 95% da população com idade adequada ao nível, a taxa de conclusão é de 61,5% dos matriculados - dados extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2007 pelo IBGE. Já no ensino médio, os índices são mais preocupantes. Apenas 50,4% da população com idade adequada está matriculada, com taxa de conclusão de 47%. Ou seja, de cada quatro jovens brasileiros que concluem o ensino fundamental, apenas um termina o ensino médio.


Por outro lado, há uma evolução no número de matrículas no ensino superior, que contabilizaram 5,8 milhões de matriculados em 2008. No entanto, em termos absolutos, esse número de alunos se refere a apenas 25,2% da população com idade entre 18 e 24 anos. No ensino técnico ou profissionalizante, apenas 8% dos jovens brasileiros tem alguma formação profissional. A título de comparação, o percentual no Chile é de 32%.


Se por um lado o déficit educacional preocupa, a qualidade na educação também. Em 2006, a avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), realizado pela OCDE, com alunos de 15 anos, apresentou médias que colocaram o Brasil na 54ª posição em matemática, em um total de 57 países. Em ciências a posição foi de 53ª e em leitura, 49ª, de um total de 56 países.


Avaliações setorizadas e individualizadas podem explicar melhor as variáveis que podem interferir na qualidade da educação. Isso porque, embora com números tão aquém do ideal de acesso e qualidade, segundo dados da UNESCO, o gasto público com educação em 2007 foi de 5,2 do PIB, ante 5,3% dos países desenvolvidos. A Macroplan aponta a gestão da rede escolar e a gestão individual de cada escola, as avaliações periódicas do desempenho dos alunos, a formação e didática dos professores, as condições sócio-econômicas dos alunos, a educação dos pais e o ambiente doméstico como alguns dos fatores de influência.


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