Por Lilian Milena

A política de inovação para incentivar pesquisa e desenvolvimento (P&D) na indústria brasileira, através da oferta de recursos financeiros desembolsados pelo governo, não foi suficiente para ampliar a proporção de empresas inovadoras no Brasil, é a avaliação do diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Carlos Frederico Rocha, que participou hoje (30) do 60º Fórum Brasilianas.org, em São Paulo, sobre os desafios para a recomposição da indústria no país.
 
Como base do seu argumento, ele mostrou que, em 2005, do total de empresas que existiam no Brasil, cerca de 33% eram inovadoras; 17% delas faziam pesquisa e desenvolvimento e 19% recebiam apoio do governo para realizar inovação. Já, em 2011, cerca de 36% das empresas eram tidas como inovadoras, sendo que 14% realizavam P&D e 35% recebiam apoio.
 
"Por esses dados vemos que a política de inovação não foi suficiente, porque o percentual de empresas que fazem P&D praticamente não mudou [passando de 14% e 17%], e estamos falando de uma política bem agressiva mas que beneficiou as indústrias que já faziam inovação", observou.
 

IE-UFRJ; Carlos F. Rocha
 
O professor também fez um levantamento de patentes depositadas por cientistas que residem no Brasil (ver tabela abaixo), para determinar quais setores o país teriam mais vantagens competitivas em relação ao resto do mundo e descobriu que os nichos onde ocorreram mais P&D e, portanto, são mais competitivos, têm como características serem fornecedores de uma demanda governamental e estarem ligados aos recursos naturais.
 
"Não dá pra jogar fora a demanda governamental. Por exemplo, [no setor de] fármacos temos uma demanda governamental muito importante, logo, se não fossem as compras públicas essa indústria não se sustentaria", concluiu. Os demais setores levantados pelo professor com mais patentes são conectados aos produtos naturais, como refino de petróleo, produção de pesticidas e agroquímicos, máquinas para produção de energia, alimentos, borracha e plásticos (derivados de petróleo). 
 
"Onde o governo puder intervir e colocar algum tipo de demanda será válido", observou o economista destacando que a participação do Estado para a consolidação de setores industriais é comprovado na literatura internacional lembrando o caso da Suécia. 
 
"A Suécia tinha uma relação de complementariedade com Inglaterra muito parecida com o que o Brasil tem hoje com a China. Ela exportava madeira cerrada, cerca de 40%, em 1881. Em poucos anos essa exportação para a Inglaterra caiu para 26% sendo substituída pela exportação de papel celulose que tinha uma elasticidade-renda alta, ou seja, criaram um novo setor, uma indústria de alta tecnologia [para a época] a partir da capacitação de uma base fundamental de recursos naturais", ponderou.
 
O diretor do IE-UFRJ defende, assim, a participação do Estado para a condução da indústria brasileira, hoje baseada em recursos naturais, para um patamar mais elevado. "Temos que olhar esses setores de recursos naturais não somente como exportadores mas como condutores de capacitação tecnológica e aproveitarmos isso como a Suécia fez". 
 

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