Ideia é compartilhar estruturas e competências, reduzindo redundâncias e atacando os grandes problemas do agronegócio

Por Luiz de Queiroz

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) quer abrir sua infraestrutura para os sistemas estaduais e para a iniciativa privada. A proposta faz parte de um plano articulado com o Ministério da Agricultura para solucionar, de uma vez por todas, os problemas do setor.

“Se queremos resolver os problemas do Brasil na agricultura, nós precisamos integrar a pesquisa pública, a indústria, a produção, o fomento e o mercado”, disse Elísio Contini, pesquisador da Secretaria de Inteligência da Embrapa. “Nós temos laboratórios multiuso que queremos abrir para maximizar resultados. Nossa proposta é compartilhar estruturas e competências, reduzindo redundâncias”, afirmou.

Contini esteve presente no 63º Fórum de Debates Brasilianas.org.

Entre as dificuldades que o setor ainda enfrenta, ele mencionou o Greening de citros, a doença mais destrutiva para as lavouras de laranja. “É uma cadeia de US$ 10 bilhões. Nós temos que resolver essa questão”.

Ela também se lembrou da ferrugem na soja, “que dá um prejuízo de US$ 1,7 bilhões”. E não deixou de mencionar, na pecuária, a febre aftosa, carrapato e vaca louca.

“Nós estamos preocupados em resolver grandes problemas. Greening, por exemplo, temos que ter 10, 15 projetos. Para ferrugem da soja podemos ter 50 projetos em diferentes áreas e tentar resolver”.

De acordo com Contini, o Brasil produz de 7 a 10% dos trabalhos acadêmicos do mundo. Além de aumentar a produção científica, o país precisa ser capaz de captar o conhecimento gerado no exterior e transforma-lo em sistemas de produção para a agricultura brasileira. Além disso, preciso fortalecer a cooperação institucional no ambiente internacional.

“Se nós produzimos 10% do conhecimento, naturalmente 90% nós temos que pegar no exterior. Nós temos um sistema de laboratórios no exterior. Temos laboratórios nos Estados Unidos, na Europa e no sul da Ásia. Porque são os três grandes eixos de geração de conhecimento. Se nós queremos a agricultura do Brasil competitiva nos próximos cinco, dez, 20 anos, nós temos que estar presentes nesses centros de conhecimento”, explicou Elísio Contini.

Por fim, ele lembrou que o país precisa se adaptar à velocidade da mudança tecnológica. “A transformação na tecnologia é extraordinariamente mais rápida do q1ue na sociedade, nos negócios e na política. Para acompanhar esse mundo nós precisamos nos antecipar e planejar. Mais do que reagir. Na Embrapa nós temos o Agropensa, que tem o objetivo de ver os sinais do mundo e transformar isso em estudos e análises dirigidos para macroestratégias. É disso que nós precisamos: atuação permanente de grupos pensantes”.

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