Por Lilian Milena

As parcerias de desenvolvimento produtivo (PDP) compõe um dos eixos da política de incentivo da indústria da saúde, coordenadas pelo Ministério da Saúde. Até 2013, a pasta já havia formalizado 104 PDPs, envolvendo 16 dos 19 laboratórios oficiais, e 34 unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). É através dessas parcerias que o Estado brasileiro induz a produção de medicamentos e produtos mais baratos para atender a demanda do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o assessor técnico da vice-presidência de inovação e saúde da Fiocruz, Jorge Costa, que palestrou no 53º Fórum Brasilianas.org – A indústria da saúde, realizado em São Paulo, a previsão é de que as PDPs resultem em uma economia de 6,5 bilhões de reais nos próximos cinco anos, a partir da substituição ou oferta de medicamentos já existentes no mercado.

Alguns dos vinte produtos para a saúde que serão mais vendidos no mundo em 2020, segundo relatório da EvaluatePharma, são objetos de desenvolvimento de PDP com a Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz, dentre eles o Adalimumab, Etanercept e Infliximab, utilizados para o tratamento de tumores.

“Isso prova a visão estratégica do Ministério da Saúde, pensando na sustentabilidade do SUS”, avaliou Jorge Costa. Ele adiantou durante o Fórum Brasilianas.org que atualmente a Fiocruz discute com o Ministério da Saúde a produção do Sofosbuvir, produzido pela Gilead Sciences com o nome de Sovaldi. O medicamento tem ação curativa contra a Hepatite C.

“A Gilead sugere o preço de 84 mil dólares o tratamento de 12 semanas. Nós fizemos um cálculo, e um tratamento nesse período requer o uso de um comprimido diário de 400 mg de Sofosbuvir. A partir disso estamos articulando com o Ministério da Saúde a proposta de internalizar a produção do medicamento”, explicou.

Dengue

Em setembro deste ano, a Fiocruz soltou a primeira leva de mosquitos Aedes, transmissor da dengue, contaminados com a bactéria Wolbachia. O microrganismo é transmitido entre a população e Aedes naturalmente e evita a procriação da espécie de insetos.

Além desse trabalho em fase final de testes, a Bio-Manguinhos mantem parceria com a farmacêutica britânica GSK para o desenvolvimento conjunto de uma vacina capaz de imunizar pessoas contra os quatro tipos soropositivos da dengue. “Esse trabalho tem sido feito com apoio incondicional do Ministério da Saúde, partiu de uma exigência do ex-ministro Alexandre Padilha para que fosse desenvolvida uma vacina, em escala mundial, contra a dengue”, destacou.

A Fiocruz também coordena a criação de um bio-inseticida, na unidade de Farmanguinhos, para combater o mosquito Aedes na sua fase de evolução. “A tecnologia do bio-inseticida já foi transferida para uma empresa nacional e está em fase final de testes necessários para fazer o registro. Em breve será disponibilizado para o SUS”, afirmou Jorge Costa.

Durante toda a sua participação no Fórum Brasilianas.org, Jorge Costa defendeu a existência das parcerias de desenvolvimento produtivo. Sem esse mecanismo contratual com o poder público muitas das indústrias farmacêuticas nacionais estariam fechadas e o custo da saúde seria maior no país. Ele lembrou do caso da quebra de patente do Efavirenz, utilizado no tratamento da AIDS, em 2007, proposta liderada pelo então-ministro da Saúde, José Gomes Temporão com a colaboração da Fiocruz. A instituição ajudou nos estudos para a interiorização da produção do medicamento e também na estratégia que culminou na criação de um consórcio para a produção do Efavirenz junto às indústrias nacionais.

Assista a apresentação de Jorge Costa na íntegra, onde ele também comentou sobre os desafios para a aquisição de patentes no país e os novos projetos da Fiocruz que pretendem aumentar a produção de insumos e medicamentos baseado em novas tecnologias.

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