Eficiência energética: regras e métricas

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Miguel Vazquez

Como discutimos em postagem anterior, a definição das regras é o bloco básico na definição dos mecanismos de coordenação entre diversos indivíduos. A definição destas regras passa em grande medida pela definição do(s) objeto(s) que estão sendo organizado(s). Por sua vez, esta definição está baseada em um sistema de medidas: quase tudo o que se precisa para definir umas regras de jogo adequadas é definir quais os atributos que vão ser medidos, (Vazquez and Hallack, 2013). Tal sistema, contudo, não é nada natural, principalmente quando falamos na energia, ou ainda quando nos referimos à diminuição do uso de energia – o caso da eficiência energética.

A Comissão Europeia divulgou em abril de 2014 um estudo (EC, 2014) comparando os diferentes mecanismos de medida e classificação de eficiência energética, e o alinhamento dos vários standards e certificados. O estudo mostra, por um lado, uma proliferação dos sistemas de medida nos últimos 20 anos, e, por outro, uma tendência de alinhamento destes sistemas. Leia mais »

O BRASIL NÃO VAI PARAR NÃO!

O Brasil não está em recessão e o baixo crescimento do PIB está relacionado a vários fatores extrínsecos e intrínsecos à economia. Os indicadores internacionais demonstram que as economias dos principais países centrais, da Europa, e os EUA, não crescem ou crescem pouquíssimo. A China, até então o principal motor macro-econômico mundial, embora cresça, não apresenta mais dois dígitos em seu PIB anualizado. O que queriam? O Brasil não é uma ilha ou um mundo à parte. Estamos intimamente interligados na economia global, mas temos méritos e o principal deles é o crescimento sustentável que estamos mantendo há uma década, gerando empregos, distribuindo renda, e tudo com democracia e justiça social. Quais os países que podem hoje se orgulharem desse cenário? Talvez muito poucos. Os consolidados escandinavos e não ouso ir muito além. Se nos voltarmos para o cenário interno, os tais fatores intrínsecos, não dá para começar não dizendo que o "pessimismo conspiratório" está no cerne da questão. Leia mais »

A participação dos chineses no setor de petróleo no Brasil

Do Blog Infopetro

Por Edmar de Almeida e Helder Consoli

Até recentemente, o Brasil esteve fora do radar das empresas chinesas que vêm empreendendo uma forte expansão internacional. Com a descoberta do Pré-sal e com o consequente potencial exportador de petróleo do país, as empresas petroleiras chinesas passaram a se interessar pelo setor energético brasileiro. Nos últimos cinco anos, todas as quatro grandes empresas petrolíferas estatais chinesas entraram no mercado Brasileiro. Além disso, dada as necessidades de financiamento das atividades de E&P no Brasil, elas passaram a ser vistas como uma importante fonte de liquidez para investir no negócio de petróleo nacional.

O principal drive para entrada no Brasil é a perspectiva de exportação de petróleo para a China. Tendo em vista que estas empresas dominam o downstream na China, sua estratégia é buscar ativos que podem se converter em exportações para a China. Leia mais »

Comparando o Biomass Program do DOE e o PAISS do BNDES/FINEP

Do Blog Infopetro

Por José Vitor Bomtempo

O título desta série destaca uma dimensão central da indústria baseada em biomassa que não podemos perder de vista em nossas análises: é uma indústria em construção, ainda sem definição clara das dimensões estruturais que caracterizam setores mais maduros. As entradas (e saídas) de novos competidores são numerosas e frequentes e os perfis desses competidores são também variados, de startupsde base tecnológica a empresas estabelecidas de diversas origens e indústrias. Novas bases de conhecimento, com destaque para a biologia sintética, desafiam esses competidores que, configurando um cenário de corrida tecnológica, são com frequência apoiados por políticas de inovação.

A estruturação dessas políticas é particularmente notável no caso americano através doDepartment of Energy (DOE) e do Department of Agriculture (USDA) e no caso europeu através de diversas iniciativas da Comissão Europeia. No Brasil, a iniciativa conjunta BNDES/FINEP, conhecida como PAISS, deslanchada a partir de 2010, pode ser vista como a versão brasileira melhor estruturada, até agora, em políticas de inovação para a bioeconomia. Há estudos em andamento sobre a diversificação da indústria química (BNDES) e sobre as tecnologias prioritárias em química renovável (ABDI/CGEE, dentro do Programa Brasil Maior), mas não resultaram ainda em iniciativas concretas de políticas de inovação. Leia mais »

O setor elétrico e as indefinições da política de gás natura

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Marcelo Colomer

A mais recente crise do setor elétrico brasileiro vem chamando a atenção para a importância da termoeletricidade como fonte complementar de geração, principalmente da geração térmica a gás natural. Sendo assim, entusiasmados com a “revolução do shale gas norte-americana” e com o potencial de produção nacional (tanto das áreas do cluster do pré-sal quanto das formações convencionais e não convencionais em terra), muitos analistas vêm exaltando a importância do gás natural no futuro da matriz elétrica nacional.

É fato que as mudanças ocorridas no perfil de demanda e oferta de eletricidade exigem um novo modelo para o setor onde a termoeletricidade irá desempenhar um papel cada vez mais importante na geração de base. Contudo, qual o tipo de térmica que melhor se adequa ao novo perfil do setor elétrico brasileiro ainda não é uma questão respondida. Leia mais »

A crise elétrica e a falta de coordenação

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Ronaldo Bicalho

Em postagem recenteRenato Queiroz chamou a atenção para a necessidade de decisões colegiadas no setor elétrico. Esse fato está relacionado a um traço essencial da operação e expansão desse setor que é a necessidade de coordenação: coordenação técnica, coordenação econômica e coordenação política.

Complexidade e Coordenação no setor elétrico

Em termos físicos, a característica fundamental de um sistema elétrico é a dramática interdependência que existe entre as partes que o compõem. Essa interdependência radical nasce de dois atributos básicos da eletricidade e dos processos associados a ela.

1) Como a eletricidade não pode ser, economicamente, estocada, os processos de geração, transmissão/distribuição e utilização devem ocorrer simultaneamente.

2) Como todos esses processos, no limite, estão no mesmo campo elétrico, o que acontece em qualquer um deles tem impacto instantâneo sobre os outros, e vice-versa.

Assim, em função da não-estocabilidade do seu produto e do caráter sistêmico dos seus processos, o setor elétrico apresenta uma interdependência entre os seus processos – geração, transmissão, distribuição e utilização -, que não será encontrada em outros setores da economia. Leia mais »

Payleven baixa taxas de operações com cartões

A payleven, facilitadora de meios de pagamentos móveis, baixou de forma significativa o valor das taxas de transações feitas em sua plataforma com cartões de débito e de crédito

Os planos oferecidos pela payleven estão mais baratos. Nas transações feitas com cartões de débito a taxa por operação passará a 2,69%, o que representa uma redução de 10%. As operações com cartões de crédito à vista baixaram para 4,39% para recebimento em 2 dias úteis e 3,39% para recebimento em 30 dias corridos, com redução de 24% e 15%, respectivamente.

Outra novidade que vai facilitar ainda mais a operação dos usuários é a forma de cálculo das parcelas nas operações com cartão de crédito. Agora, o sistema aplica automaticamente a taxa de 1,3% a cada parcela, facilitando a compreensão por parte do consumidor. O mercado oferece preço expressivamente maior nas transações parceladas, com uma taxa de 1,99% por parcela.
Leia mais »

O carro do futuro e o último relatório do IPCC

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Michelle Hallack

Um dos principais impulsos para o desenvolvimento de tecnologias alternativas para o transporte é a preocupação com as emissões de gases de efeito estufa.  Os fundamentos desta preocupação são reforçados pelos resultados do relatório do IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Exchange) que foi aceito em meados de abril 2014, IPCC (2014). O relatório chama atenção para diversos aspectos do crescimento das emissões de CO2 no transporte e nos desafios que o crescimento da mobilidade, principalmente nos países subdesenvolvidos, colocará caso não haja uma mudança radical nas formas de transporte de pessoas e de mercadorias.

Segundo o relatório, o setor de transporte produziu em 2010 6,7 GtCO2[1], sendo assim responsável por 23% da emissão de CO2 relacionadas as atividades energéticas. Este valor vem crescendo significativamente e de maneira sustentada, mesmo com avanço da eficiência dos veículos e das políticas adotadas. Em relação a 1970, a emissão de gases de efeito estufa no setor de transporte mais que dobrou, crescendo com taxas superiores aos outros setores usuários de energia. Note que 80% deste crescimento são gerados por veículos rodoviários. Leia mais »

A micro e minigeração solar distribuída e a crise do setor e

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Clarice Ferraz

O setor elétrico brasileiro passa por uma crise severa. Do lado da oferta, a geração distribuída pode dar importante contribuição para mitigar os problemas ligados ao forte crescimento do custo marginal de longo-prazo da geração de eletricidade no País[1] e aos riscos de desabastecimento tão discutidos ultimamente.

Associado aos problemas de oferta soma-se o aumento da demanda. A tendência de crescimento da intensidade elétrica dos setores residencial e comercial se confirma. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo cresceu 4,9% em janeiro e 8,6% em fevereiro com relação ao consumo registrado no mesmo período de 2013. Ao olharmos para os setores residencial e comercial observa-se, em fevereiro, avanço do consumo de 13,3% e 16,6%, respectivamente, o que configura a maior expansão nos últimos dez anos (Brasil Energia, 24.04.2014). Tal crescimento provocou o deslocamento do horário pico de consumo que deixou de situar no período entre 18 e 20 horas para o período da tarde, de 14 às 16 horas, horário de calor intenso. É preciso dar atenção especial a esses setores de consumo. Leia mais »

Segurança energética e mudança climática: o caso russo

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Felipe Imperiano

Além de ocupar uma posição relevante no que tange o fornecimento energético, a Rússia é um dos maiores consumidores mundiais de energia de origem fóssil, portanto as suas decisões de política energética têm implicações para a segurança energética e a sustentabilidade do meio ambiente, em uma dimensão global (IEA, 2011, p. 245). O que faz com que o seu posicionamento, dada a perspectiva de elevação de temperatura mundial, em função da liberação de carbono na atmosfera pelo consumo de energia, seja de amplo interesse.

A Rússia foi o terceiro maior produtor de energia do mundo, em 2011. A sua produção total foi de 1.314,88 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (Mtep), isto é, aproximadamente 10% da produção mundial (IEA, 2013a, p. 54). A demanda interna bruta[i] total, nesse mesmo ano, foi de 730,97 Mtep (IEA, 2013, p. 240). Isso representou um crescimento de 4,1%, em relação ao ano anterior (IEA, 2012, p. 13). Ainda assim, o seu percentual no total do consumo mundial diminuiu ligeiramente de 6% para 5,6% e ela passou a ser o quarto maior demandante de energia, sendo ultrapassada pela Índia (IEA, 2013, p. 13; IEA, 2012, p. 13). Leia mais »

A crise do setor elétrico: os problemas ocultos

Do Blog Infopetro

Por Roberto Pereira d´Araujo

O verão de 2014 foi um dos mais quentes e secos da história. Seguramente, essa anomalia atingiu duplamente o nosso setor elétrico. Gastamos mais energia com refrigeração e estamos recebendo menos água nos rios. É bem possível que alguns analistas achem perfeitamente desculpável que estejamos passando por uma repentina crise e que seja natural ter que pagar uma dívida bilionária por geração térmica que já tangencia níveis macroeconômicos.

A anomalia da temperatura pode camuflar que, mesmo com hidrologias mais favoráveis, nós já estaríamos no caminho de gastos bilionários. A questão climática é um agravante da imprevisibilidade do nosso planejamento e não uma desculpa. Ao contrário de declarações oficiais, o nosso sistema está em desequilíbrio. Há muitas razões para essa situação, mas uma tem ficado ausente dos debates: A sofrível adaptação de modelos competitivos implantada aqui, que atropelou as nossas singularidades.

O que nos diferencia dos outros sistemas, mesmo os que dispõem de matriz renovável, é a possibilidade de guardar água. Isso altera tudo porque acrescenta um fator inexistente na maioria dos sistemas elétricos mundiais, o link entre passado, presente e futuro. Leia mais »

O gargalo do financiamento do setor elétrico

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Edmar de Almeida 

Num país como o Brasil em que a demanda de energia elétrica ainda cresce de forma relativamente rápida, a questão do financiamento dos investimentos necessários para a expansão do setor é crucial. Vale ressaltar que as empresas do setor elétrico normalmente atuam fortemente alavancadas. A característica de longo-prazo de maturação e relativo baixo risco (e rentabilidade) dos projetos elétricos fazem com que a capacidade de investimento das empresas esteja associada à sua capacidade de captar recursos (equity ou dívida) no mercado de capitais. Ou seja, a forma e o custo do financiamento são determinantes para a expansão do setor elétrico. Leia mais »

PARADOXOS "MADE IN PARÁ"

  

Andiroba, murumuru, buriti, cupuaçu, babaçu, ucuuba, pracaxi, patauá, castanha, açaí, cacau são alguns dos chamados produtos da sociobiodiversidade*. Formam junto com outras espécies os pés que mantém a floresta em pé.

Tem alta demanda de mercado, principalmente pelas industrias cosméticas para produção de sabonetes, cremes, shampoos e perfumes. E não são exclusividade dos grandes, já que fazem parte dos itens produzidos também pelos povos tradicionais e agricultores familiares da Amazônia, muitos deles organizados em cooperativas comunitárias.

Diante de todo esse potencial da economia da floresta, temos apoiado as comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (oeste do Pará) através do Programa FLORESTA ATIVA, que prevê diversas ações (Saf’s, reposição florestal, etc), entre elas a montagem de unidades de beneficiamento para agregar valor a produção (óleos vegetais e essenciais, polpas e derivados), sempre melhor do que a venda “in natura”. O desafio é promover a inclusão social a partir da produção sustentável, um passo seguinte e que vai além de programas como o Bolsa-Família.

Para isso, começamos a fazer alguns levantamentos preliminares, e nos deparamos com a seguinte situação no Pará: em função  das diferentes alíquotas do ICMS (imposto de competência estadual sobre a circulação de mercadorias), em alguns casos  SAI MAIS EM CONTA ENCAMINHAR PRODUTOS DA NOSSA SOCIOBIODIVERSIDADE PARA PROCESSAMENTO EM SÃO PAULO DO QUE ENVIÁ-LOS PARA AS INDÚSTRIAS PARAENSES. Leia mais »

O que deu errado com o modelo do setor elétrico

Autor: 

Do Blog Infopetro

Por Luciano Losekann

Nesse ano de 2014, o chamado “Novo Modelo do Setor Elétrico Brasileiro” completa 10 anos. O modelo foi gestado como uma resposta à crise setorial que culminou no racionamento de 2001/2002 e um compromisso de campanha do presidente recém-eleito, Lula. Após um período de debate no ano de 2003, o modelo foi implementado através de duas medidas provisórias, posteriormente convertidas em leis, e cinco decretos entre maio e julho de 2004.

A principal motivação do novo arcabouço setorial era garantir a segurança do abastecimento. Para cumprir esse objetivo, o Estado retomou o papel de coordenador e planejador setorial e o regime contratual do setor foi modificado. No Ambiente de Contratação Regulado, as distribuidoras atenderiam 100% de sua necessidade através de contratos de longo prazo negociados através de leilões competitivos. Leia mais »

A transição elétrica: muito além da falta de chuvas

Autor: 

Por Ronaldo Bicalho, do Blog Infopetro

Por trás da crise elétrica se desenvolve outro enredo que apresenta consequências que vão muito mais além do que aquelas causadas pela eventual falta de chuvas. Mudanças profundas estão ocorrendo nas bases do setor elétrico brasileiro. São essas mudanças que irão ocupar a agenda do setor nos próximos anos, colocando no centro das discussões os problemas associados à transição elétrica. Do entendimento da natureza e do alcance dessa transição irá depender não só o futuro do setor, mas, o futuro do país. Leia mais »