A visão de um médico sobre o serviço público

Por Fábio LM

Comentário ao post "O suicídio de imagem da medicina brasileira"

Venho há algum tempo acompanhando quase diariamente as discussões a respeito desta "guerra" que surgiu após os anúncios dos programas do governo e principalmente após a chegado dos médicos cubanos ao país, e resolvi escrever minhas opiniões, mesmo correndo o risco de ser mal interpratado pelos frequentadores e comentaristas do blog (se algum tiver paciência suficiente para ler o texto).

Sou cardiologista, com 34 anos e menos de 10 de profissão. Antes que alguém pense: "lá vem mais um playboyzinho reclamar...", posso dizer que, felizmente, não me incluo neste grupo: passei minha infância na roça, fui alfabetizado em escola rural (aposto que a maioria dos que vem aqui nem imaginem como é uma escolinha destas), sempre estudei em escolas públicas e só me formei pq passei numa Universidade Federal, e com muito esforço de meus pais, que durante 6 anos simplesmente abdicaram de tudo para que eu e meu irmão pudessemos ter a oportunidade que eles não tiveram na juventude.

Realmente, a classe médica é composta em sua maior parte de pessoas de vida mais abastada, e consequentemente, mais reacionárias (por medo de perder seu "padrão de vida"), sendo que pessoas com uma história de vida como a minha são a exceção. Isto é um dos grandes motivos, na minha visão, da maneira que a situação está sendo discutida, pois a reação é aquela de quem tem medo de perder o seu lugar, como se só a presença de "concorrência" fosse suficiente para isto.  Leia mais »

O atendimento médico no interior da Bahia

Sugerido por Adamastor

A saúde não chega aqui

Veja como é o atendimento médico em uma comunidade distante no interior da Bahia

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Ação civil pública pede expulsão dos PMs da UPP da Rocinha

Sugerido por alfeu

Da Agência Brasil

Ministério Público envia representação contra PMs da UPP da Rocinha com pedido de expulsão

Douglas Corrêa
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro vai analisar uma proposta de ação civil pública, com pedido de expulsão dos quadros da Polícia Militar do major Edson Raimundo dos Santos e dos policiais militares Rodrigo de Macedo Avelar da Silva, Douglas Roberto Vital Machado, Rafael Adriano Silva de Carvalho e Vitor Luiz Evangelista, por improbidade administrativa. Todos são lotados na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, para onde o pedreiro Amarildo de Souza, de 47 anos, foi levado no dia 14 de julho último e nunca mais foi visto.

A representação da 15ª Promotoria de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos encaminhada à Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania pede também a expulsão dos militares, a suspensão do porte e o recolhimento das armas acauteladas em seus nomes e os distintivos. Leia mais »

Sobre o índice de homicídios no Brasil

Jorge Nogueira ...

Do Vermelhos não

Se brasileiro fosse profissão 

A revista Forbes relacionou as dez ocupações profissionais mais perigosa nos EUA, em 2012, considerando o índice de mortes por 100.000 trabalhadores. A atividade mais perigosa é a de lenhador, 62 óbitos e 127,8/100.000. Seguem pescadores, aeronautas, reparadores de telhados, montadores de estruturas metálicas, lixeiros, eletricistas de alta tensão, caminhoneiros, agricultores e trabalhadores da construção civil.

Comparando a mortalidade destes grupos ao desempenharem suas funções e o índice de homicídios no Brasil existe uma dado aterrador: é mais provável morrer assassinado no Brasil do que trabalhar em algumas delas lá. Se brasileiro fosse uma categoria profissional americana ocuparia o 7º lugar em letalidade. Brasileiro jovem, de 15 a 29 anos, ficaria em 4º na taxa de mortalidade.

Segundo o Mapa da Violência 2012 foram assassinados no Brasil 26,2 pessoas a cada 100.000. Em 2012 nos EUA a mortalidade entre os trabalhadores de instalação e manutenção de linhas de transmissão elétrica de alta tensão foi de 23/100.000. Na média é mais perigoso apenas sobreviver no nosso país que subir numa torre de energia para fazer reparos nos Estados Unidos. Leia mais »

A opinião de uma brasileira que estuda medicina em Cuba

Sugerido por romério romulo

negra, mulher, pobre, do Capão Redondo, estuda medicina em Cuba e explica tudo.


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O suicídio de imagem da medicina brasileira

Autor: 

Coluna Econômica

Prefeito de Vargem Grande do Sul, tio de minha mãe, o médico Bié Mesquita tinha um consultório com duas salas. Numa, os clientes que podiam pagar pela consulta; na outra, os que não podiam. Revezava o dia inteiro atendendo a ambos. Em frente o consultório, montou uma farmácia, mas ninguém sabia que era dele. Os pacientes necessitados saíam do consultório com a receita e a recomendação para aviar na farmácia em frente. Lá, eram informados de que não precisariam pagar nada.

Em Poços de Caldas, o pediatra Martinho de Freitas Mourão atendia de manhã os necessitados, de tarde os que podiam pagar.

Não havia equipamentos sofisticados. Eram tempos longínquos, no interior, com acesso a no máximo uma máquina de raio X. Tinham o estetoscópio, a paleta para colocar sob a língua do paciente e o conhecimento acumulado pelo curso e pela prática. Salvavam vidas.

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Não são exemplos isolados. Na medicina nacional, grandes nomes, médicos bem sucedidos, cirurgiões consagrados passaram a dedicar parte de sua atividade à saúde pública ou atendimento em hospitais públicos. É assim com Adib Jatene, Miguel Srougi e tantos outros. A medicina brasileira forneceu alguns dos maiores homens púbicos do país, sanitaristas como José Gomes Temporão, David Capistrano, José Veccina Neto. Ajudou na criação de um modelo federativo através da obra monumental do SUS (Sistema Único de Saúde).

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Mesmo os Conselhos de Medicina têm um histórico digno. Não fossem os médicos voluntários do Conselho Regional de Medicina atenderem a um pedido e se deslocarem para o Instituto Médico Legal (IML), em maio de 2006, o número de assassinatos da Polícia Militar teria dobrado.

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Os 20 anos da Chacina de Vigário Geral

Sugerido por Wanderley Kuruzu Rossi Jr.

Da Agência Brasil

Vigília lembra os 20 anos da Chacina de Vigário Geral

Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil 

Brasília – Os 20 anos da Chacina de Vigário Geral estão sendo lembrados hoje (29) com uma vigília, a partir das 19h, na própria comunidade. Na praia do Leme, zona sul do Rio, em mais uma iniciativa do movimento Rio de Paz, um “cemitério simbólico” foi montado na areia, com 21 cruzes simbolizando cada uma das vítimas da chacina, além de um caixão.

Mensagens afixadas nas cruzes mencionam a profissão de cada uma das vítimas e chamam a atenção para a continuidade da violência policial no Rio, com a frase “A cidade continua partida. Cadê o Amarildo?”. A pergunta é uma referência ao caso do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho, na comunidade da Rocinha, após ter sido levado por policiais à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade.

A chacina foi na madrugada de 29 de agosto de 1993, quando cerca de 50 homens encapuzados, armados com metralhadoras, escopetas, pistolas e granadas invadiram a favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio, arrombaram casas e atiraram de forma indiscriminada nos moradores. Vinte e uma pessoas foram executadas – todas com endereço fixo, profissão definida e sem antecedentes criminais. Leia mais »

O equívoco na matéria da Folha sobre importação de médicos

Do Ministério da Saúde

O título da matéria “Convênio para importar cubanos foi firmado antes do Mais Médicos”, publicado no jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira, 29 de agosto, está equivocado. Diferentemente do que sugere a manchete, o 80º termo de cooperação técnica assinado entre o Ministério da Saúde e a Opas em 26 de abril de 2013 tinha como objetivo “fortalecer a atenção básica” e não especificava como seria a operacionalização desta ação. Os planos de trabalho foram definidos de lá para cá por meio de três termos de ajustamento. A vinda de médicos estrangeiros para trabalhar no Brasil só foi prevista no terceiro termo de ajustamento, assinado em 21 de agosto de 2013, que teve como objeto “promover a cooperação técnica internacional entre países/cooperação Sul-Sul”.

O primeiro termo de ajustamento foi assinado em 16 de julho de 2013, publicado no Diário Oficial da União em 19 de julho, e estabeleceu que o Ministério da Saúde arcaria com todas as reclamações que pudessem vir a ser feitas por terceiro contra a Opas. Leia mais »

A Revolta da Vacina e a reação aos médicos cubanos

René Amaral

O preconceito é filho legítimo da burrice e da ignorância, como provaram estudos recentes. O preconceituoso não nasce assim, aprende, à duras penas, a ser intolerante e reacionário. Fatores como educação, nível sócio/econômico/cultural e localização geográfica influem determinantemente na forma como o indivíduo encarará fatos novos em sua vida. O novo é o alvo principal do preconceito por que o indivíduo estará mais ou menos preparado para a aceitação de fatos novos na razão direta que for educado para isso. Quanto mais reacionária sua criação, mais preconceituoso ele será. Se for inteligente, ao longo da vida corrigirá os erros de sua educação, caso contrário cangalha e arreios se fazem necessários.

A reação tacanha e canhestra à chegada dos médicos cubanos ao Brasil mostra isso claramente.

Quando se anunciou a chegada dos médicos cubanos ao Brasil, começou a campanha de imbecilização da população. Ao contrário do que se poderia esperar, a campanha não foi dirigida aos estratos mais pobres e mais manipuláveis da sociedade. Seria difícil convencer os beneficiados diretos de que a iniciativa era ruim. A campanha foi dirigida justamente àqueles mais ligados à causa do problema, os médicos que acham que medicina é instrumento de enriquecimento material, mais do que uma vocação de ajudar e servir ao próximo. Leia mais »

Um desagravo aos médicos estrangeiros

Por Edmar Melo

DESAGRAVO AOS MÉDICOS ESTRANGEIROS

Senti vergonha alheia

Ao vê médicos cearenses

Hostilizando colegas

Que vem salvar nossa gente

Fico até imaginando

Esse pessoal cuidando

De seus próprios pacientes.

 

Em versos de desagravo

A esses médicos estrangeiros

Eu digo que o cearense

É um povo hospitaleiro

E que essa minoria

Ligada à xenofobia

Não é coisa de brasileiro. Leia mais »

Sobre a vaia aos profissionais de Cuba

Sugerido por hugo

Do Yahoo

A vaia, os médicos-ninja & a paz

Por Pedro Alexandre Sanches

Ultrapop

A cruzada antissocial de um punhado barulhento de médicos brasileiros ultrapassou todo e qualquer limite de civilidade e humanidade, eu também acho.

Sou da turma que não cansa de se chocar com a imagem já histórica registrada pela Folha de São Paulo em Fortaleza: duas mulheres de jalecos brancos e de epidermes não-negras levam as mãos em concha às próprias bocas para vaiar com ferocidade um médico cubano de olhar triste e pele escura. Não consigo compreender quem não enxergue o racismo simbólico explícito tirado do armário pela fotografia. É a velha e carcomida fórmula perversa da casa grande & senzala, quando o antigo chicote escravagista foi substituído pela língua "moderna" que vaia, grita, berra, urra, ruge: "Escravo!".

Outra personagem emergente desse infeliz episódio vai à explicitude cadavérica via rede social, pasmada com o fato (ou melhor, hipótese) de que profissionais recém-chegadas de Cuba têm cara mais de "empregadas domésticas" (negras?) que de médicas. Cáspita!, diriam os nossos ancestrais. Ali Kamel, o mandachuva do "jornalismo" da Globo, seguirá depois dessa tormenta insistindo na tese caduca de que "não somos racistas"? Leia mais »

Comunicado da ONU atesta coerência do Mais Médicos

Sugerido por Gilson AS

Do Jornal GGN

ONU solta comunicado atestando a coerência do Programa Mais Médicos

ter, 23/07/2013 - 14:31 - Atualizado em 23/07/2013 - 14:34

Jornal GGN - Segundo comunicado da Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), no Brasil, o Programa Mais Médicos, do governo federal, está em conformidade com as recomendações da organização em questões de saúde para a população. No texto, a informação de que a OPAS/OMS acompanha os debates e “vê com entusiasmo o recente pronunciamento do governo brasileiro sobre o Programa ‘Mais Médicos’”, lembrando que a média nacional de médico/habitantes é muito abaixo do ideal. O comunicado termina com a afirmação de que “em longo prazo, a prática dos graduandos em medicina, por dois anos no sistema público de saúde, deve garantir, juntamente com o crescimento do sistema e outras medidas, maior equidade no SUS”.

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Os médicos cubanos e a integração da América Latina

Sugerido por Frank

Nassif, texto um pouco longo mas muito bonito. Ocorreu-me um idéia: Por que a TV Brasil não pega os melhores programas da Telesur e integra à sua programação? Não sei se seria o caso de traduzir ou deixar am castelhano mas penso que já seria uma ótima iniciativa para se começar a integrar o povo brasileiro ao resto da América Latina.

Da Carta Maior

Médicos cubanos: avança a integração da América Latina!

Não faltaram emoção, lágrimas e dignidade na chegada dos 176 médicos cubanos, que desembarcaram neste sábado à noite em Brasília, para um trabalho indispensável em municípios brasileiros, mais de 700, ainda sem qualquer assistência médica.

“O que brilha com luz própria , ninguém pode apagar
Seu brilho pode alcançar a escuridão de outras costas
Que pagará este pesar do tempo que se perdeu....
Das vidas que nos custou e das que nos podem custar..
O pagará a unidade dos povos em questão....
E a quem negar esta razão, a história condenará...”

Canción por La Unidad Latinoamericana
Pablo Milanez


Não faltaram emoção, lágrimas e dignidade na chegada dos 176 médicos cubanos, que desembarcaram neste sábado à noite em Brasília, para um trabalho indispensável em municípios brasileiros, mais de 700, ainda sem qualquer assistência médica. Quando aqueles cidadãos cubanos, muitos deles negros, muitas mulheres, com bandeirolas brasileiras e cubanas nas mãos, pisaram o solo brasileiro, ali estava o retrato do enorme progresso social, educacional e sanitário alcançado pela Revolução Cubana. Mas, também, uma prova concreta de que a integração da América Latina está avançando; não é só comércio, é também saúde. O Brasil coopera com Cuba na construção do Complexo Portuário de Mariel - sua mais importante obra de infraestrutura atualmente - e Cuba coopera com o Brasil preenchendo uma lacuna imensa, a falta de médicos. Leia mais »