Com uma bandeja na cabeça e um carrinho puxado pelas ruas, Dona Tereza Maria da Silva, conhecida como Tia da Cocada, tem 75 anos e é mais do que uma vendedora de doces em Balneário Camboriú. Com seu famoso grito “olha a cocaaada!”, ela se tornou um símbolo de resistência, fé e amor ao próximo.

    Tereza nasceu em Pernambuco e, aos 17 anos, deixou sua terra natal para tentar a vida em São Paulo. Foram mais de 30 anos na cidade, onde construiu uma família. Ela se casou e teve filhos, formando raízes e enfrentando desafios. Mais tarde, se mudou para Curitiba, no Paraná.

    Em Curitiba, Tia da Cocada viveu um capítulo transformador: trabalhou como mãe social por 22 anos. Durante esse tempo, acolheu crianças e adolescentes que viviam em vulnerabilidade social em sua casa, na cidade de Araucária, região metropolitana de Curitiba. Sua parceria com o Conselho Tutelar e a prefeitura foi essencial para esse trabalho.

    Dona Tereza lembra das histórias impactantes que viu. “Crianças chegavam em casa com marcas de violência. Não conseguia ver isso e não fazer nada”, relata, emocionada. Seu carinho era tanto que muitos jovens preferiam ficar com ela, mesmo ao atingir a maioridade. “Eles me diziam: ‘a senhora é minha mãe, não quero ir embora’.”

    No entanto, a dedicação às crianças teve um custo para sua saúde. Tia da Cocada enfrentou três ataques cardíacos e precisou de várias cirurgias. Em um desses momentos, o médico alertou: “ou você para, ou você morre”. Foi então que a cocada entrou novamente em sua vida, trazendo uma nova oportunidade.

    Há 13 anos em Balneário Camboriú, Dona Tereza encontrou na cocada uma nova forma de se sustentar, além de expressar seu amor. A receita é a mesma que sua mãe fazia, e seu preparo é artesanal, sem conservantes. “Meu doce precisa de duas horas no fogo. Uso quatro botijões de gás por mês, mas tudo é feito com amor”, destaca.

    Como não tinha licença para vender na praia, ela decidiu inovar. Começou a percorrer as ruas gritando “olha a cocaaada!”, o que chamou a atenção de um radialista. Ele achou diferente e começou a divulgar seu trabalho. Assim, seu bordão se tornou a marca registrada da Tia da Cocada, conquistando tanto moradores quanto turistas.

    Hoje, Dona Tereza é reconhecida nas ruas da cidade, já foi homenageada na Câmara Municipal e até ganhou um documentário. “Esse povo aqui me deu carinho, amor e vida. Se eu morei em outro lugar, não me lembro. Aqui é onde eu tive vida”, afirma.

    A trajetória da Tia da Cocada é um exemplo de como a simplicidade pode ser poderosa. Ela vive com uma fé inabalável e acredita que tudo que se faz com amor e direção de Deus tem que dar certo. “Nós não podemos nada, mas Deus pode tudo”, explica.

    Mesmo com problemas de saúde, ela continua firme, gritando pelas ruas. “Quanto mais eu grito, melhor fica”, brinca, enfatizando que o segredo de sua cocada é fazer tudo com amor. Para ela, “se fizer com amor, a cocada fica diferente”.

    Dona Tereza é mais do que uma simples vendedora de doces. Ela é uma mulher que transforma dor em doçura e sofrimento em esperança. Sua história e seu legado, como a Tia da Cocada, se tornaram um patrimônio afetivo de Balneário Camboriú. A trajetória de vida dessa mulher merece ser lembrada e celebrada por todos.

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