Durante muito tempo, o setor de bem-estar íntimo ocupou um espaço discreto no varejo. Havia consumo, mas pouca conversa pública. Nos últimos anos, essa dinâmica começou a mudar. O tema passou a circular em veículos tradicionais, relatórios de mercado e discursos de figuras públicas, deixando de ser tratado como exceção para integrar o repertório do consumo contemporâneo.

    Essa transformação acompanha uma abertura cultural mais ampla e uma reconfiguração estratégica do próprio setor, que passou a investir em branding, pesquisa e comunicação estruturada.

    O poder simbólico das celebridades

    Um dos vetores dessa mudança é a presença de celebridades em categorias antes consideradas sensíveis. O artigo publicado pela Wharton Business School, mostra que a presença de figuras públicas aumenta a confiança do consumidor e acelera a tomada de decisão, mesmo quando a atenção visual se concentra mais na celebridade do que no produto em si. O estudo aponta que a reputação e o status social funcionam como atalhos cognitivos de credibilidade. 

    Quando esse mecanismo é aplicado a mercados sensíveis, o impacto é ainda mais relevante. A figura pública atua como mediadora cultural, transferindo confiança para uma categoria que ainda está em processo de consolidação simbólica.

    Do tabu ao mainstream

    No campo do bem-estar íntimo, a revista Vogue analisou esse movimento mostrando como artistas e atrizes passaram a investir e associar suas imagens a marcas do setor, deslocando a narrativa do constrangimento para o autocuidado e a saúde. A matéria destaca que o segmento deixou de estar restrito a pontos de venda marginalizados e passou a ocupar grandes varejistas e plataformas consolidadas. 

    Narrativa, reputação e construção de marca

    No Brasil, a participação de Deborah Secco nesse cenário ilustra como a construção narrativa é decisiva. Ao associar sua imagem a uma linha de produtos eróticos, a atriz contribui para enquadrar o tema dentro de um discurso mais cotidiano e acessível. O foco passa a ser bem-estar, diálogo e naturalidade.

    Do ponto de vista estratégico, esse tipo de associação só é possível quando há uma marca estruturada por trás. O branding funciona como camada de segurança simbólica. Comunicação clara, identidade consistente e posicionamento responsável criam um ambiente de confiança no qual a figura pública pode atuar sem ruído.

    É nesse contexto que marcas como a intt cosméticos consolidam presença em um varejo mais profissionalizado. Ao dialogar com padrões de qualidade, design e responsabilidade semelhantes aos de outros segmentos de beleza e cuidado pessoal, o setor deixa de ser periférico e passa a integrar a economia criativa de forma legítima.

    Uma mudança cultural em curso

    A legitimação do mercado íntimo não se explica apenas por crescimento de vendas. Ela é resultado de um processo cultural no qual celebridades, imprensa e marcas atuam em convergência. Estudos acadêmicos indicam que atributos como confiança e respeito transferem credibilidade para os produtos que representam. Relatórios de mercado mostram expansão consistente. Veículos de prestígio tratam o tema com naturalidade.

    Quando esses elementos se combinam, a percepção pública se transforma. E é justamente nesse espaço, entre reputação e narrativa, que o mercado íntimo encontra sua consolidação como categoria legítima do varejo contemporâneo.

    Imagem: pixabay

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira