Carlos Lampe está perto dos 40 anos e vive um sonho inédito na carreira: a chance de disputar uma Copa do Mundo. O goleiro é o jogador com mais partidas pela seleção da Bolívia e já disputou quatro edições da Copa América. No entanto, seu país não participa do Mundial desde 1994.
Em entrevista, Lampe falou sobre a expectativa da família. “Todos estão com muitas expectativas. Minha esposa e minha filha virão (para o México). Uma das minhas filhas, porque as outras vão ficar. A verdade é que todos estão com expectativas, com muita animação de cumprir esse sonho. Vamos tentar fazer com que isso seja possível”, disse.
Com 39 anos, o atleta acumula 64 jogos pela seleção nacional e 48 partidas na Libertadores. Muitas dessas partidas foram contra equipes brasileiras, cenário que se repetirá em 2026, já que seu clube, o Bolívar, está no mesmo grupo do Fluminense na competição continental.
Apesar dessa trajetória, o goleiro afirma que nada se compara à oportunidade de classificar a Bolívia para a Copa do Mundo após 32 anos. “Nada disso, segundo o próprio, equivale à chance de levar o país de volta à Copa do Mundo após 32 anos de espera”. Suriname e Iraque são os adversários na repescagem.
Nos últimos anos, Lampe enfrentou times brasileiros sucessivamente na Libertadores pelo Bolívar. Ele brinca sobre o azar nos sorteios. O goleiro destacou os jogos contra o Flamengo em 2024. “Creio que o jogo que fomos mais difíceis de derrotar foi contra o Flamengo em 2024. Fizeram o segundo gol no Maracanã no último momento, e na Bolívia vencíamos por 1 a 0”, relembrou.
“Se não vinha o Flamengo, vinha o Palmeiras (no sorteio), as duas melhores equipes na atualidade no Brasil. São times com elencos europeus. É muito difícil jogar contra eles”, completou Lampe.
O goleiro também comentou sobre o fator altitude, característico de La Paz, onde o Bolívar manda seus jogos. “A verdade é que com o Bolívar levamos vantagem porque somos uma equipe agressiva. Acho que temos vantagem e fazemos (os adversários) sentirem o efeito da altura”, explicou.
Sua vasta experiência no futebol sul-americano pode ser um trunfo na repescagem. Lampe aposta no estilo passional do continente e no apoio dos torcedores bolivianos. “Nós, tirando um jogador, somos todos bolivianos, amamos nosso país. Vivemos o futebol, seguramente, muito diferente, porque na América do Sul você sabe que há muita paixão”.
Sobre os adversários, ele prega cuidado. “Vejo muito equilíbrio. Porque eles (Suriname) também estão nacionalizando jogadores de primeiro nível. Acredito que para nós, a chave é o primeiro jogo, porque sabemos que fisicamente eles são fortes”.
Se a Bolívia passar, poderá contar com um nome conhecido: Marcelo Moreno. O atacante saiu da aposentadoria e trabalha para retornar à seleção. Lampe vê possibilidade. “Conheço o Marcelo, ele é um jogador histórico. Acho que eu vejo possibilidade, porque se ele continuar treinando, se cuidando, e demonstrando, vai depender do Óscar convocá-lo ou não”.
O técnico Óscar Villegas é apontado como um símbolo da recuperação da equipe nas Eliminatórias. Sob seu comando, a Bolívia conseguiu uma sequência de vitórias importantes. “Pudemos ganhar no Chile, em uma Data Fifa que foi muito importante para que pudéssemos acreditar que estávamos na briga”, disse Lampe.
O momento emocionante da classificação para a repescagem, com uma vitória sobre o Brasil, ficou marcado. “Acho que mudou um pouco o ambiente, se tirou a pressão dos garotos, vieram jogadores mais jovens, com muita vontade de triunfar”, avaliou o goleiro.
O pensamento de Carlos Lampe agora é claro: fazer história. “A única coisa que passa em minha cabeça é fechar uma etapa na seleção jogando um Mundial. Acredito que fazer história de verdade, é isso que passa em minha cabeça”.
“Acredito que o único pensamento que passa em minha cabeça é ser histórico com a seleção. É fazer história com o meu país, classificar para uma Copa do Mundo para que as pessoas reconheçam”, finalizou.