Serpa Pinto, o transatlântico da Segunda Guerra

SERPA PINTO – O TRANSATLANTICO DA SEGUNDA GUERRA – Para quem curte historias paralelas da Segunda Guerra, fora do núcleo central das grandes batalhas, um prato cheio: o livro lançado pela Editora Record sobre o celebre transatlântico português SERPA PINTO, o luxuoso navio de passageiros da Cia. Colonial de Navegação que cruzou o Atlântico mais que qualquer outro grande navio  durante todos os anos da Segunda Guerra, transportando durante o conflito mais de 100 mil passageiros.

Publicado originalmente em alemão, lançado em Março deste ano, pela autora Rosine de Dijn, o livre parece um romance de ficção. O navio fazia basicamente a rota Rio de Janeiro – Lisboa, mas também fez viagens Lisboa-Nova York, levou do Brasil diplomatas alemães de volta ao Reich assim que o Brasil declarou guerra à Alemanha e também muitos teuto-brasileiros que foram à Alemanha lutar por Hitler. No trajeto Lisboa-Rio ou Nova York, refugiados, basicamente judeus que com imensas dificuldades chegavam a Lisboa e conseguiam a rara e cara passagem, além da complexa documentação para emigrar, só embarcava quem tivesse visto de entrada em algum Pais da América, o que era dificílimo por causa do grande numero de refugiados.

Além das complicadas situações propiciadas pela guerra, havia a guerra em si. O SERPA PINTO era parado em alto mar por navios de guerra ingleses e por submarinos alemães para checar a lista de passageiros. Portugal era neutro e portanto o navio não era alvo de guerra mas os beligerantes queriam ver quem estava a bordo. Em um dos mais trágicos episódios, um submarino alemão parou o SERPA PINTO em alto mar  e  à noite ,  fez todos os passageiros, mais de 500, desembarcarem em bote salva vidas, avisando que em vinte minutos o navio seria afundado.

Enquanto os passageiros, com muitas mulheres e crianças ficaram nos botes durante a noite inteira até amanhecer, o submarino aguardava ordens de Berlim para afundar o navio a canhão. Finalmente Berlim respondeu e NÃO autorizou o afundamento. Depois dessa angustia os passageiros voltaram a bordo, desapareceram dois passageiros e um bebe de 7 meses na enorme confusão do desembarque e reembarque.

Muitos episódios dramáticos desse tipo são minuciosamente relatados no livro, a historia de um navio português que se confunde com a própria história do conflito na retaguarda. Ótimas fotografias do luxuoso interior do navio e de episódios de sua trajetória bem como de seu legendário Comandante, o mesmo praticamente durante toda a guerra. Um livro que vale a pena, à venda nas boas livrarias.