A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, está no centro de um debate político que envolve a Alemanha e sua postura em relação às tensões com o governo americano. Nesta quarta-feira, o governo alemão anunciou que não apoiará um boicote ao torneio, reafirmando que “o esporte não deve ser usado para fins políticos”.

    O porta-voz do governo alemão, Steffen Meyer, em entrevista coletiva, destacou que os conflitos políticos devem ser resolvidos no âmbito político e não no campo esportivo. Essa declaração surge após a possibilidade de um boicote ser aventada em momentos de tensão, especialmente em relação à política de Donald Trump. A Ministra dos Esportes, Christiane Schenderlein, também se manifestou, reiterando a posição do governo e ressaltando que a participação da seleção nacional é uma responsabilidade das federações esportivas.

    Embora no início do ano, Schenderlein não tenha descartado a ideia de um boicote, em meio a tensões sobre a intenção de Trump de anexar a Groenlândia e a imposição de tarifas a países europeus, agora a postura mudou. “O governo federal respeita a autonomia do esporte”, afirmou a ministra, enfatizando que a decisão de participar do torneio deve ser tomada pelas entidades competentes, não pela política.

    Os pedidos de boicote à Copa do Mundo surgiram em resposta a várias questões, incluindo as políticas anti-imigração dos EUA e a brutalidade policial, que resultaram em manifestações e mortes de civis em Minneapolis. A pressão por um boicote também ganhou força entre eurodeputados de esquerda, que enviaram cartas à UEFA solicitando a consideração de sanções contra os Estados Unidos.

    Gianni Infantino, presidente da FIFA, se posicionou contra os boicotes, afirmando que eles apenas geram mais divisão e ódio. A FIFA, que tem um papel importante na organização do torneio, busca promover a união através do esporte e não a sua utilização como uma plataforma de protesto político.

    A seleção alemã, tetracampeã mundial, tem uma longa tradição de participação em Copas do Mundo, competindo em todas as edições desde 1954. A decisão do governo alemão de não boicotar o evento pode ser vista como uma tentativa de separar o esporte da política, seguindo uma linha que defende a importância do futebol como um meio de união e celebração global.

    À medida que a Copa do Mundo se aproxima, o debate sobre a interseção entre esporte e política continua a ser relevante, com diferentes opiniões emergindo sobre como os atletas e os governos devem se posicionar diante de questões sociais e políticas. A posição da Alemanha pode influenciar outros países e suas decisões sobre a participação no torneio, refletindo a complexidade das relações internacionais no contexto esportivo.

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira