O ex-governador Jorge Bornhausen anunciou que o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, não é mais o candidato do PSD ao governo de Santa Catarina.
Em coletiva de imprensa em Florianópolis, Bornhausen disse que a decisão foi tomada após uma discussão interna sobre a situação do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, que é filiado ao partido mas age contra seu projeto político no estado.
O ex-governador afirmou que não gostou do tom da discussão com João Rodrigues. A crise teria se agravado após uma conversa em um grupo de WhatsApp do partido, onde Rodrigues teria dito que poderia deixar a candidatura se Topázio permanecesse no PSD.
Após o episódio, Bornhausen conversou com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, na noite de ontem. Após esse diálogo, decidiu convocar a imprensa para comunicar a retirada da candidatura de Rodrigues.
Bornhausen afirmou que o PSD terá candidato ao governo. Ele citou como possíveis nomes o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia, o deputado estadual Napoleão Bernardes e o ex-governador Raimundo Colombo.
Outro ponto mencionado foi o cenário nacional do partido. Segundo ele, o PSD trabalha para lançar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, como candidato à Presidência da República, com anúncio previsto para o fim do mês.
Apesar da decisão, Bornhausen disse esperar que João Rodrigues permaneça no partido.
Procurada, a assessoria de Rodrigues não se manifestou oficialmente. Uma fonte próxima ao prefeito afirmou que ele foi pego de surpresa e que deverá deixar o PSD, avaliando seu futuro político nos próximos dias.
Uma coletiva de imprensa foi marcada para amanhã, às 9h, no Hotel Mogano, em Chapecó, para que João Rodrigues faça seu pronunciamento oficial.
No cenário político estadual, o movimento tende a beneficiar o governador Jorginho Mello em sua campanha à reeleição. João Rodrigues era visto como o adversário mais competitivo contra o atual governador.
A definição de candidaturas para o governo estadual segue como um dos principais focos da política catarinense. Enquanto isso, partidos organizam suas convenções e alianças para as eleições. A saída de um pré-candidato considerado forte altera o cálculo de forças e pode acelerar negociações entre legendas.
Especialistas em política avaliam que cenários como esse são comuns em anos eleitorais, especialmente quando há disputas internas por espaço e projeto de poder dentro das siglas. A rapidez do anúncio indica que o partido busca controlar a narrativa e apresentar uma solução rápida para a crise.