O cenário cinematográfico tem passado por transformações significativas nas últimas décadas, e um dos nomes que marcou presença em Hollywood durante os anos 2000 e 2010, Kevin James, é um exemplo interessante dessa mudança. Conhecido por suas comédias e filmes familiares, James tem enfrentado um período de hiato em sua carreira, especialmente no que diz respeito a lançamentos teatrais.

    Recentemente, seu novo filme, Solo Mio, estreou em segundo lugar nas bilheteiras, após um longo período sem que James liderasse uma campanha de filme. O último projeto de grande porte em que ele atuou foi Paul Blart: Mall Cop 2, que foi lançado em 2015. Desde então, a ausência do ator nos cinemas foi notável, com seu último papel de destaque sendo em Grown Ups 2 em 2013. A análise feita por Sean McNulty durante o programa Monday Morning Quarterbacks destaca que se passaram 11 anos desde que James teve um papel principal em um filme teatral, evidenciando como os tempos mudaram.

    A estreia de Solo Mio ocorreu durante um fim de semana em que os estúdios geralmente evitam lançar novos filmes devido à grande visibilidade do Super Bowl. O filme, uma comédia romântica produzida pelo estúdio de base religiosa Angel Studios, arrecadou pouco mais de US$ 7 milhões em vendas de ingressos. Para efeito de comparação, o documentário sobre Melania Trump, que estreou na semana anterior, teve um orçamento significativamente maior, mas sofreu uma queda de 67% em sua arrecadação em seu segundo fim de semana.

    Apesar do desempenho modesto, a Amazon, responsável pela distribuição do documentário, se mostrou satisfeita com os resultados de Solo Mio. Kevin Wilson, chefe de distribuição teatral da Amazon, enviou uma declaração ressaltando o desempenho “forte” do filme, indicando que a empresa está confiante em sua abordagem. A diferença de orçamentos entre os projetos é notável, com Solo Mio custando cerca de US$ 4 milhões, enquanto o documentário sobre Melania Trump teve um custo que ultrapassou US$ 40 milhões, além de um investimento adicional em marketing.

    Além da análise do desempenho de Solo Mio, o programa também abordou outros tópicos, incluindo as críticas ao novo filme de Jason Statham e a avaliação da música “Moment” de Charli XCX, que não pareceu ter o impacto esperado. Os apresentadores também comentaram sobre a decepção em relação aos anúncios veiculados durante o Super Bowl, que se concentraram em temas como inteligência artificial, apostas esportivas e medicamentos para emagrecimento, criando uma atmosfera que foi descrita como “distópica”.

    O caso de Kevin James oferece uma visão sobre como a indústria do entretenimento tem mudado, refletindo a evolução das preferências do público e as estratégias dos estúdios. Enquanto sua nova comédia romântica tenta recuperar um espaço que parece ter diminuído ao longo dos anos, a trajetória de James serve como um indicativo das dificuldades enfrentadas por muitos artistas em um cenário cinematográfico em constante transformação.

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira