A comunidade do ciclismo está em alerta após o anúncio da União Ciclística Internacional (UCI) sobre a implementação de um novo sistema para combater o assédio online dirigido a ciclistas. Em 2026, a UCI lançará uma plataforma impulsionada por inteligência artificial que monitorará as redes sociais e mensagens diretas dos atletas em busca de palavras-chave e emojis sensíveis, que, se identificados, poderão ser encaminhados para uma moderação mais rigorosa.
O novo sistema visa proteger os ciclistas de abusos e ameaças, enfatizando a seriedade com que a UCI trata o bem-estar dos atletas e de todos os envolvidos no esporte. A diretora-geral da UCI, Amina Lanaya, declarou: “Online communication comes with certain risks that the UCI will not tolerate when it comes to the wellbeing of riders, their entourage, and cycling’s stakeholders.” Essa declaração reflete o compromisso da entidade em criar um ambiente mais seguro para os ciclistas, enviando uma mensagem clara de que o assédio não será tolerado.
O problema do assédio online no ciclismo não é novo. Recentemente, episódios de abuso virtual ganharam destaque, como no caso do ciclista Bryan Coquard, que enfrentou uma onda de hostilidade após um acidente durante o Tour de France. Sua equipe considerou tomar medidas legais contra os agressores. Outros ciclistas, como Tobias Johannessen, também relataram experiências alarmantes, sentindo-se ameaçados pelas mensagens de ódio que recebiam. Johannessen expressou seu medo, afirmando: “I would not wish anyone the amount of threats I get in my inbox.”
A situação tornou-se ainda mais crítica no último verão, quando ciclistas como Pauline Ferrand-Prévot e Demi Vollering foram alvo de críticas agressivas durante o Tour de France Femmes. Além disso, Sarah Gigante enfrentou um dilúvio de comentários desdenhosos sobre suas habilidades. Esses exemplos revelam uma tendência preocupante, onde muitos ciclistas são alvos de abusos virtuais, e muitos casos permanecem sem relato.
O sistema que a UCI está adotando, conhecido como “Threat Matrix”, foi desenvolvido pelo Signify Group, uma empresa londrina que já implementa soluções semelhantes em esportes profissionais como futebol, rugby e tênis. A plataforma é projetada para proteger indivíduos moderando comentários em suas postagens nas redes sociais. O diferencial da UCI é a inclusão de um serviço adicional que analisa mensagens diretas, levantando preocupações sobre a privacidade dos dados dos ciclistas.
O “Threat Matrix” utiliza uma inteligência artificial que identifica 20 categorias diferentes de palavras-chave, emojis e imagens que podem ser problemáticos ou abusivos, incluindo questões sobre imagem corporal, racismo, sexismo e ameaças de morte. Uma vez identificados, esses gatilhos são reportados a analistas humanos para investigação adicional. Os casos mais graves podem resultar em denúncias às plataformas de mídia social e, se necessário, às autoridades legais.
Com essa iniciativa, a UCI busca não apenas proteger os atletas, mas também promover um ambiente mais respeitoso e seguro no mundo do ciclismo. O apelo é claro: se você está acompanhando um ciclista em suas redes sociais, trate-o com respeito. O futuro do ciclismo depende da construção de uma comunidade livre de assédio e intimidações.
