A Tradição do Sorvete Americano em Joinville
O sorvete americano é um doce que fez parte da infância de muita gente, especialmente de quem nasceu entre os anos 60 e 80. Feito à base de suco e sem lactose, esse sorvete se tornou bem raro atualmente.
Em Joinville, no Norte de Santa Catarina, tem um cara chamado Mário Boettcher, carinhosamente conhecido como seu Mário, que mantém a tradição do sorvete americano viva. Todo sábado, a partir das 14h, ele atende no bairro Petrópoles. Sua garagem abriga uma máquina de sorvete, um modelo antigo que foi restaurado.
“Eu comprei essa máquina há uns 26 anos, logo quando me aposentei. Naquela época, muitas pessoas tinham máquinas iguais, até no Centro e no Itaum. Hoje em dia, ninguém mais tem, só eu”, compartilhou seu Mário em uma conversa.
A Origem do Sorvete Americano
Esse doce apareceu no Brasil nos anos 60. Ele foi criado como uma adaptação dos empreendedores, que precisavam lidar com a falta de leite em pó e manteiga, ingredientes comuns nos sorvetes daquela época. Para fazer o sorvete, eles começaram a usar gelatina e suco.
Os recipientes da máquina de seu Mário recebem o xarope que já vem diluído. Além disso, ele adiciona gelatina sem sabor, que não altera o gosto do sorvete. “Não tem leite, nem lactose. Então, quem é intolerante pode comer sem se preocupar”, explicou.
Lembranças e Memórias
Um dos clientes frequentes é Geisy Santos Klug, que decidiu levar as filhas para experimentar o sorvete pela primeira vez. “Isso traz muitas lembranças, a gente juntava as moedinhas para comprar, sabe?”, conta Geisy.
As filhas de Geisy também gostaram do sorvete, mas para ela é mais do que só um doce. “Para elas é um sorvete, mas para nós é memória”, disse, com um sorriso no rosto.
Em Joinville, o sorvete americano não é apenas um sabor. Ele representa uma conexão com o passado, evocando memórias de tempos mais simples, onde as crianças se reuniam para comprar o doce com suas economias de moedas.
A Magia do Sorvete
Cada colherada do sorvete traz um gostinho de nostalgia, fazendo as pessoas lembrarem da infância e dos momentos bons que viveram. Ao comprar, não é só uma questão de saciar a vontade, mas também de reviver histórias.
Para seu Mário, é gratificante poder proporcionar isso. O prazer de ver os clientes experimentando o doce e sorrindo de felicidade é indescritível. É um trabalho que ele faz com amor e dedicação, mantendo uma tradição que poderia ter se perdido com o tempo.
Quando se fala em tradição, o sorvete americano é um exemplo perfeito. Ele reúne gerações, criando laços entre pais e filhos. Para muitos, esse sorvete é um símbolo da infância e de momentos compartilhados com a família e amigos.
O Sabor da Simplicidade
O sabor do sorvete americano é simples, mas cheio de história. Feito com ingredientes fáceis de encontrar, ele é acessível e agrada a muitas pessoas. É um doce que, mesmo com o passar dos anos, continua presente na memória de quem teve a oportunidade de prová-lo.
Mário, com sua máquina restaurada e seu jeito simpático, é um guardião dessa tradição. Ele não apenas vende sorvete; ele também conta histórias e permite que novas gerações conheçam esse sabor que fez parte da infância de muitos.
Conclusão
A história do sorvete americano em Joinville está nas mãos de seu Mário, que corre atrás da preservação dessa tradição. Cada sábado, ele abre as portas de sua garagem, pronto para receber todos que queiram experimentar uma fatia da história. Assim, ele não só faz sorvete; ele compartilha memórias e constrói novas.
E assim, a tradição do sorvete americano continua viva, unindo gerações por meio de um simples, mas delicioso, gelado. Em tempos de modernidade, onde as novas gerações são cercadas por opções industrializadas, o sorvete de seu Mário brilha como uma joia rara, cheia de história e sabor.
As lembranças de quem já experimentou são passadas adiante, garantindo que o legado desse doce especial não se apague. E, assim, Joinville segue saboreando cada colherada dessa iguaria, que é muito mais do que apenas um sorvete. É parte de uma história que merece ser contada e lembrada.