Fios de fé e união: a história da maior árvore de Natal de crochê do Brasil
Em Rodeio, uma cidade pequena no Vale do Itajaí, cerca de 20 mulheres se reúnem em torno de uma mesa. Entre novelos coloridos, risadas e trocas de histórias, elas trabalham juntas em um projeto especial: criar a maior árvore de Natal de crochê do Brasil.
Enquanto uma música natalina toca de fundo, ecoa a conversa animada das crocheteiras, mostrando a energia contagiante que reina no galpão que se transformou em um verdadeiro estúdio de arte. O espaço já está repleto de decorações que serão usadas na cidade, incluindo mini-árvores de crochê.
Mulheres que fazem a diferença
Essas voluntárias se tornaram conhecidas em todo o Brasil pelo projeto que abraçaram. A mídia passou a visitá-las, e a fama começou a fazer parte da rotina delas. Em certo momento, parei para me juntar a elas e registrar suas histórias. Ao ligar o gravador, a conversa animada deu lugar a um silêncio curioso, enquanto elas esperavam para ouvir.
Uma família unida pelo crochê
O grupo se transformou em uma verdadeira família. Mirela Moser, uma das idealizadoras do projeto, contou como as mulheres estão tão envolvidas que algumas até gostariam de passar a noite fazendo crochê. “É tanta dedicação que muitas disseram que dormiriam aqui se pudessem”, revelou.
Ivete Girardi Furlani, de 66 anos, é uma das crocheteiras. Ela começou a crochetar aos 8 anos e encontrou nesse trabalho um novo ritmo e um propósito após a aposentadoria. “Trabalhei 37 anos fora e sempre que tinha um tempinho, fazia crochê. Estou muito satisfeita em participar desse projeto. Isso é tratamento bom para a saúde e ativa a mente”, explicou com empolgação.
Um novo sentido na vida
O crochê trouxe de volta a energia que Ivete sentia que estava desaparecendo. “Depois que saí do trabalho, fiquei um tempo afastada. O crochê me deu um ânimo novo, é uma sensação muito boa estar aqui e ver todo mundo produzindo”, compartilhou.
Entre as voluntárias, encontrou-se também Terezinha Travaglia. Ela começou a crochetar quando era jovem, mas parou para criar os filhos. Após a aposentadoria e a perda do marido, reencontrou na arte um novo sentido para a vida. “Aqui é como uma terapia para mim. Temos que ter atenção, é quase uma matemática. Isso é saudável, faz bem para a memória”, contou enquanto trabalhava em um quadradinho.
Terezinha fez até 120 quadradinhos sozinha até o final de outubro. “Sinto que estou contribuindo para algo maior, é muito gratificante”, disse, com brilho nos olhos.
Ajudando outras pessoas
Mais do que uma obra de arte, o trabalho no crochê simboliza superação e aprendizado. “Quando alguém faz uma flor linda, me motiva a tentar fazer também. Eu posso”, afirmou Terezinha. Outras mulheres se juntaram ao projeto para aprender a arte só para participar.
A história de Arley
Arley Regiane Scoz Moser é outro exemplo. Após uma cirurgia, precisou ficar em casa e decidiu aprender a crochetar. “Eu sou agitada, precisava de algo para fazer”, comentou entre risos. Já com experiência em tricô, ela usou tutoriais online para aprender o crochê. Assim, conseguiu contribuir com os quadradinhos.
Primeiros passos, novas amizades
Ângela de Faria Bueno, de 39 anos, também fez parte dessa história. Ela aprendeu o básico no galpão e viu no projeto uma forma de gerar laços e amizades. “Essas conversas e amizades me trazem muita alegria. Muitas estão aqui voltando a se sentir úteis”, disse Ângela.
O desafio da árvore de Natal
Para realizar a maior árvore de Natal de crochê do Brasil, foram necessários 4 mil quadradinhos. Mas a colaboração foi tanta que esse número mais que dobrou. Já são cerca de 8 mil peças que agora se tornam 40 mini-árvores, além da decoração para a Igreja Matriz São Francisco de Assis.
A expectativa é que, após as festas, os quadradinhos sejam transformados em mantas que serão doadas a quem precisa. Assim, o projeto não apenas embeleza a cidade, mas também se torna um símbolo de união e solidariedade.
Conclusão
No final das contas, as crocheteiras de Rodeio não só construíram uma árvore de Natal, mas também um verdadeiro legado de união e esperança. O crochê se tornou uma maneira de expressar seu amor e dedicação, enquanto cada laçada representa um fio de fé que conecta essas mulheres. E assim, convidam a todos a se juntarem a elas nas futuras atividades, sempre prontos para aprender e compartilhar.
Essas doutras mulheres seguem contribuindo para a comunidade, com histórias de vida que se entrelaçam em cada ponto de crochê. As unhas expostas e dedos ágeis mostram o compromisso e o amor depositado em cada trabalho. Elas definitivamente encontraram na arte o seu lar.